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O perigo do especulador midiático e a “imprensa” de fofoca

Preocupa-me muito o tipo de comunicação que anda-se fazendo ultimamente. Sempre existiu o mau e o bom jornalista, mas depois da internet e das redes sociais até este maniqueísmo desapareceu. O que temos é um constante aparecimento de divulgadores raivosos de opiniões unilaterais, muitas vezes, baseadas em especulações postadas, sem qualquer compromisso moral ou ético, nas redes sociais. Que, aliás, tem se tornado uma arma perigosa.

A deontologia de parte dos comunicadores de mídia digital no Rio Grande do Norte está baseada na especulação. Blogueiros se travestem de jornalistas e enchem suas páginas de informações panfletárias e opiniões duvidosas que são inseridas ao peso dos tostões. Aparece mais quem paga mais; apanha sempre quem não tem o mesmo poder de barganha.

A notícia é um produto, para construí-la o profissional precisa comer, mas de nada vale um comunicador formado na faculdade, ou não, se ele não carregar dentro de si o mínimo de coerência e integridade. Ser jornalista não é apenas saber das coisas antes de todo mundo só para dar furos de reportagem. É, antes de tudo, cumprir um dever social de informar a população e, dentro deste processo diário, construir a história dos nossos dias.

Há um grande distanciamento entre jornalismo de informação e jornalismo de comunicação. Um é realizado pelo profissional que tem obrigação de ouvir não apenas dois lados, mas de saber todas as versões antes de fechar sua matéria. O outro, de cumprir a tarefa de reproduzir as atividades de seus assessorados, a partir de sua versão. No meio dos dois, aparece o “especulador de notícia” que se veste de informante midiático para plantar factoides e denegrir, gratuitamente, pessoas e instituições.

Ante a espetacularização da “imprensa da fofoca” e das redes sociais, ressurge a urgência do reconhecimento da profissão de jornalista, criminosamente derrubada pelo Supremo Tribunal de Justiça e, mais ainda, a regulação das mídias. Não para impor censura aos que têm opinião, mas para defender o povo brasileiro e, talvez, os próprios veículos deles mesmos.

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