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O plano para ser feliz

Todo mundo sabe que a felicidade é a suprema aspiração humana. E será que existe para as nossas ações outra maior finalidade? As teorias ético-filosóficas, desde a antiguidade, divergem na conceituação de felicidade. Mais além, o homem indaga qual o sentido da própria vida. Antístenes (445 a.C. – 356 a.C.) considerava feliz o homem autossuficiente. Sócrates condicionava, para tanto, a prática do exercício da virtude e da justiça. Aristóteles indicava, como pré-requisito para alcançar a felicidade, o exercício ativo dos poderes da alma. Em outro polo, Epicuro explica a felicidade pela satisfação dos desejos, assim também os seus seguidores.

Nos últimos tempos, Osho (1931 – 1990), professor de filosofia e da arte da meditação, pregava que ser feliz é ser natural e percebia que as árvores, os pássaros, os animais são naturalmente felizes.

Os livros de autoajuda, tão vulgarizados, muitas vezes contêm conselhos úteis e inteligentes. Mesmo assim, procurei ouvir amigos sobre o que os tornam felizes e fazer reflexão pessoal. Que processos, pensamentos, formas de agir serão necessários para conquistar o máximo de bem-estar, a felicidade plena? Enquanto aquele é decorrente da saúde física, psicológica, mental, a felicidade é um estado de espírito, uma vitória do cérebro humano.

Na atualidade, tenta-se qualificar como feliz quem tem saúde, dinheiro, sucesso. Ponderamos. A saúde deve ser não apenas física, mas mental e social. Dinheiro só é problema quando é demais ou, o que é muito pior, quando é de menos. Sucesso, fama, prestígio público são enganadores contumazes.

Seria utopia a felicidade? Ela seria fugaz e só ocorreria em breves momentos? Certamente, para merecer tal atributo é preciso que a satisfação tenha longa duração e intensidade. A felicidade é pessoal, mas exige participação social, viver-se em harmonia com os outros. Ser e sentir-se socialmente útil deve ser requisito. O altruísmo, ajudar pessoas ou grupos, é essencial, principalmente quando se pratica a generosidade inteligente, aquela que preenche uma carência e/ou engrandece o próximo.

Não se pode planejar a felicidade, mas acredito que podemos ensinar o nosso cérebro a se comportar. Sentirmo-nos otimistas e nunca deixar de amar, ou melhor, de estar amando.

Constatamos que não há receita para a felicidade. Para cada ser-humano ela é diferente, única. Um exemplo surpreendente. No município de Lajes/RN, seca braba e repetida, meu filho perguntou a um agricultor: “ô Tião, se Deus garantisse para você e sua família para toda a vida o feijão e a mistura (complemento, carne) você ficaria feliz?” – “Doutorzinho, nem precisava a mistura”. Penso que é um sentimento causado por coisas miúdas, muito simples, que custam pouco. Assim, é possível sentir-me feliz ao ouvir músicas que me trazem boas lembranças. Ao olhar e ver a perfeição das coisas da natureza: o encanto de uma árvore, a forma de um tronco, cor e textura de uma folha ou flor. O canto, a plumagem, o voo e o pouso dos passarinhos. O toque de um sino. Reunir-se com a família e amigos queridos. Conviver-se com pessoas bem-humoradas. De mal humor, ninguém faz nada de bom.

Há benefício para quem observa a criatividade das crianças. Percebe razões para agradecer. Sente-se capaz de uma boa ação e reconhece o mérito alheio.

Mesmo não alcançando a felicidade com o seu plano, isso não é motivo para não o imaginar novamente. Planejar a felicidade certamente nos fará felizes.

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Diógenes da Cunha Lima

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