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O sol nasce para todos, mas alguns usam protetor

Deserto

O nome de Breno Fernando Solon Borges não significaria nada para a maioria de nós se não tivesse saído na imprensa nacional, como o cara que conseguiu sair da cadeia para responder processo criminal em liberdade, após prisão realizada em abril desse ano, pela polícia federal, por estar transportando 130 quilos de maconha, uma pistola nove milímetros e 199 munições de fuzil calibre 7.62, de uso exclusivo das forças armadas.

Breno é filho da presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, a desembargadora Tânia Garcia Freitas Borges, que apresentou um laudo psiquiátrico para o filho, que teria supostamente, “Síndrome de Borderline” e, portanto, mereceria responder em liberdade, sob a garantia de que seria tratado, tendo a mãe como responsável por ele.

Algumas características do paciente Borderline (que significa algo como estar na borda, no limiar, entre a psicose e neurose) seria um forte sentimento de abandono; grande instabilidade na auto-estima; idealização dos vínculos; sentimento de perseguição e onipotência. Para entender um pouco o que seria essa forte angústia de separação (sensação de abandono) que o Borderline sente, todos nós somos “desmamados” pelas nossas mães, certo? Esse desmame é uma espécie de crescimento, o bebê está amadurecendo e pode se desvencilhar do peito ou mamadeira. O Borderline não consegue sentir assim e leva essa sensação para a vida adulta. Para ele, a perda, a falha é um desastre e os afetam profundamente. É comum que o paciente Borderline esteja sempre se sentindo abandonado, traído, que intercale momentos de euforia e logo em seguida, tornem-se explosivos, não lidam bem com a imperfeição, própria e do outro. Mas, importante ressaltar que eles não saem da realidade. Não sofrem de delírios ou alucinações e nem vozes dizem o devem fazer, características de uma psicose. Faço um rápido alerta, se você se identificou com algumas dessas características, não vá pensando que é Borderline. Esse diagnóstico só pode ser feito por um profissional da área.

Voltemos ao filho de dona Tânia Garcia Freitas Borges. Borderline ou não, necessitando ou não de um acolhimento especial e de tratamento psiquiátrico e psicoterápico, ninguém tem dúvidas de que Breno teve tratamento diferenciado na Justiça brasileira não só pelo diagnóstico psiquiátrico, mas, sim pelo fato de ser um criminoso rico e filho de desembargadora. Caso contrário, os milhares de presos que morrem de sífilis, Aids, tuberculose e as mães presas que têm seus filhos arrancados de sua convivência (por que elas não têm direito a prisão domiciliar, já que os políticos mafiosos têm?), conseguiriam liberdade apresentando laudos médicos ou apelando para a a sensibilidade “humanitária”, dos nossos queridos juízes. Valendo lembrar que o caso do Breno foi decidido em segunda instância, pelo juiz de primeira instância ele permaneceria na cadeia.

Volto a lembrar de Rafael Braga, o negro catador de lixo no Rio de Janeiro que foi condenado a 11 anos de prisão por tráfico e associação ao tráfico por portar um flagrante – forjado pela polícia – 0,6 gramas de maconha, 9,6 gramas de Cocaína e um vidro de pinho sol. Ele não é filho de desembargadora. Ele tem um sol escaldante sobre sua cabeça, sem direito ao fator de proteção da “justiça” brasileira.

 

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Sheyla Azevedo

Comentários

2 comments

  1. José Milanez 30 julho, 2017 at 23:20

    O maior dos aviltes não é só existir a justiça seletiva e sim brasileiros que impassíveis, nada fazem.

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