O Sorriso da Mona-Lisa do Cinema

5 de abril de 2010 às 14:25 - Comentar
Por João da Mata

Foi num dia 15 de abril que a atriz sueca Greta Garbo se encantou. Uma deusa no Olimpo das estrelas do cinema. Um mito que habita as regiões mais recônditas do ser intemporal. Greta Garbo – “A Divina”, jamais morrerá pois sua arte é eterna. Aos 40 anos abandonou a carreira para entrar na região habitada pelo silencio. Não precisava dizer mais nada: tinha se transformado num mito.

Ela foi Rainha, Condessa Karenina, Espiã, Dançarina, Agente do Governo Soviético e Margarida Gautier no célebre filme a Dama das Camélias, um dos seus maiores filmes. Uma Dama das Camélias maravilhosa e triste como só ela podia representar. Nesse filme ela é a mundana (Camille) que se apaixona pelo moço granfino( Robert Taylor), numa das mais belas historias de amor.

Contracenou, ainda, com alguns dos maiores atores do cienma: John Gilbert, Robert Montgomery, Charles Boyer, Melvyn Douglas em uma carreira curta e definitiva para o cinema que jamais seria o mesmo depois dessa mulher triste como só o belo consegue ser.

Em um festival no cinema Rio Grande (Natal – RN), vi os seus principais filmes. Nunca esqueci aquele rosto belo, enigmático e profundo. Impenetrável. Uma Monalisa do cinema. Ninguém podia imaginar que aquele rosto pudesse sorrir. Nada era mais distante daquele olhar que um sorriso fácil de simples mortais. Os deuses são diferentes e sua matéria é o da nossa imaginação e sonhos habitados eternamente pele Divina Garbo. Seu rosto é patrimônio da humanidade e tem a perenidade do absoluto. Sua matéria é outra. Uma mulher de uma elegância e charme que vem encantando gerações e gerações.

Só um gênio do cinema podia fazer aquela Deusa sorrir. Ninguém acreditava que ela uma dia pudesse sorrir. O grande diretor Ernst Lubitsch (A Viúva Alegre) conseguiu essa proeza num filme que foi lançado há setenta anos atrás. Em “Ninotchka” (1939), Garbo é uma inspetora enviada de Moscou a Paris para observar o comportamento de três representantes do governo que têm como missão negociar uma jóia do Tzar. Esse grande trio de atores Europeus – de quem Garbo se tornaria amigo, é formado pelos excelentes Sig Rumann, Felix Bressart e Alexander Granach. Ninotchka (Garbo) acaba sucumbindo ao capitalismo e se envolve com o Conde Francês Leon d’Algout (Melvyn Douglas), o amante da Duquesa Swana ( Ina Claire) – rival na vida e no cinema da Divina Garbo. Essa primeira comédia feita pela atriz Greta Garbo teve ainda a participação do grande ator Bela Lugosi. O Conde-galanteador faz de tudo para conquistar o coração da fria comissária e conta umas piadas muito sem graça. Num restaurante, depois de contar várias piadas, o rosto de Ninotchka continua indócil e belo. Só depois que o conde apóia numa mesa e vai ao chão, é que a Divina cai numa gargalhada que contagia todo o restaurante. Pronto: Garbo havia sorrido e o mundo do cinema não seria o mesmo. Ela vai continuar lembrando das piadas do galanteador que a essa altura já a conquistou com direito a beijos (em boca fechada). Numa reunião de trabalho na volta à Rússia, ela lembra das piadas e cai na gargalhada para espanto dos colegas. O conde definitivamente havia conquistado a Deusa e um milagre aconteceu para sair do mundo do cinema e virar uma lenda. A fascinante atriz Greta Garbo logo abandonaria o cinema para se transformar num mito. Nunca houve uma atriz como ela. Sua beleza continua a nos alegrar como num rosto visto por um espelho que eterniza e elimina o tempo.

A mesma história de Ninothcka foi filmada depois em “Meias de Seda” pelo diretor Ruben Memoulian, em 1957. A atriz-protagonista era a bela Cyd Charisse, dona de um dos pares de pernas mais belos do cinema. O filme não fez sucessor, claro. Difícil apagar um mito que nunca precisou mostrar seu corpo para povoar nossos sonhos e imaginações, eternamente agradecidos a essa Deusa Eterna do Cinema.

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    • Daniel Menezes: O direito autoral é a apropriação individual de conhecimento coletivo. Tipo assim, a sociedade trabalha para promover a cultura objetiva e depois, alguém, por um impulso social, produz algo. Afinal, uma sociedade sempre gera as questões que pode responder, já dizia o barbudo. Este "inventor" (expressão burguesa) não produz a "novidade" sozinho e nunca partindo do zero. Depois de feito, diz que aquilo é dele. Só muito aparato estatal para empurrar isso pela goela. - Pirataria
    • Ednar Andrade: Boa noite, Marcos, amigo, querido. Também acho maravilhoso reencontrá-lo. Já sentia a tua falta aqui neste espaço. Saudades. Eu sou, tu és, Rio corrente. Não demores. Beijos, querido. - Fio de luz
    • Regiane de Paiva: Não sei dizer o quanto este texto me emocionou. Aqui sinto a literatura e a vida. Cada metáfora ou descrição de um recorte da memória provoca uma sensação de nostalgia e de melancolia. Llosa afirma que nada ensina melhor que a literatura a ver a riqueza do patrimônio humano e a valorizá-la como uma manifestação da sua múltipla criatividade. Desta forma, entendo que este texto é literatura pura! Literariedade, primor e encanto! Beijos in..... marido! - Da solidão
    • Regiane de Paiva: O título é a extensão do texto. A fala pueril dentro de um contexto como a política remeteu a uma bela reflexão. À medida que eu ia lendo o texto, ouvia uma voz de menino atrás dos meus olhos, parece que o menino conversa fitando o leitor... Texto maravilhoso! - Política de menino
    • Jarbas Martins: UM HAI-CAI PARA FERNANDO MONTEIRO A noite, com gesto brusco,/ roubou um naco da tarde/ e se esgueira pelo subúrbio. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Fernando Monteiro, sim. E o pouco que li de António Lobo Antunes. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Juan Ramón Jiménez, sim. E a boa tradução de Antonio Cícero. - Juan Ramón Jiménez: "Soledad" / "Solidão"
    • Marcos Silva: Não assisti à montagem de Roda Viva, eu morava em Natal na época. Li o texto, vi fotografias, ouvi depoimentos (inclusive de Anna Maria Martinez Correa, historiadora e irmã de José Celso, que acompanhou os debates sobre a agressão aos atores da peça). A peça foi recuperada na auto-vitimização de Marília Pera como justificativa para seu apoio à candidatura de Fernando Collor... Na época da encenação, atribuía-se a agressividade da peça ao diretor José Celso. Chico Buarque, com muita dignidade, declarou que o texto era integralmente dele. É difícil dizer para um autor o que ele deve ou não autorizar fazer em relação a sua obra. Roda viva existe como memória. Talvez seja legal pensar, hoje, numa peça sobre Roda viva (que tal uma peça sobre a invasão do teatro pelos terroristas de direita, que contavam com apoio de estado?). En passant, discordo de Alonso sobre a peça criticar APENAS a Jovem Guarda. É claro que ela aborda toda a indústria cultural, que lançou inclusive... Chico Buarque de Hollanda! Nesse sentido, é preciso explorar em profundidade as ligações entre a peça e canções posteriores, como "Agora falando sério" e "Essa moça tá diferente". - Zé Celso questiona decisão de Chico de vetar encenação de 'Roda Viva'
    • carlos de souza: devia liberar a biografia, que não tem uma sequer revelação que já não tenha em sua discografia e reportagens jornalísticas. punir um escritor sério por pura babaquice diminui sua aura de "rei", isso sim. - Roberto Carlos autoriza relançamento de seu disco "proibido"