Obama finalmente define sua paz para Israel e palestinos

19 de maio de 2011 às 14:57 - 2 Comentários

Por Gustavo Chacra
ESTADÃO

Barack Obama fez história hoje em seu discurso para o mundo árabe.

Deixou de lado a cautela e abertamente defendeu um Estado palestino desmilitarizado, usando como base as fronteiras pré-1967, com possíveis trocas de terras. De um lado, Israel teria a sua segurança garantida. De outro, os palestinos poderiam ter um território viável para a criação de seu Estado. O presidente acrescentou que o status final de Jerusalém e a questão dos refugiados devem ser resolvidos através de negociações entre israelenses e palestinos. Estes dois temas são mais complicados e exigirão novas concessões entre os dois lados.

Com este anúncio, Obama se posicionou ao lado de anúncio publicitário da J-Street, uma organização judaica pró-paz, no New York Times, com a assinatura de uma série de lideranças judaicas dos Estados e de Israel, em apoio a um Estado de Palestino com base nas fronteiras de 1967. E, obviamente, ficou contra artigo de membro do Likud, partido de Benjamin Netanyahu, no mesmo jornal indicando que Israel deveria anexar a Cisjordânia sem conceder cidadania aos palestinos.

Outro objetivo de Obama foi frear as iniciativas palestinas para criar um Estado através das da Assembléia Geral das Nações Unidas em setembro, alertando que isso não trará paz e visa apenas tirar a legitimidade de Israel. O presidente, ao mesmo tempo, criticou Israel por manter a política de expandir os assentamentos.

Será difícil para Netanyahu dizer que não aceita esta proposta. Como expandir os assentamentos depois disso? Por outro lado, acredito que os palestinos ficarão reticentes com um Estado desmilitarizado. Mas, convenhamos, nunca um Exército palestino seria suficiente para lutar contra os seus vizinhos. Por que não investir, como já vem ocorrendo, em uma polícia bem treinada? A Costa Rica, em uma zona tão violenta contra o Oriente Médio, sobrevive, sem forças armadas, melhor do que seus vizinhos. Os palestinos podem ter um Estado sem Exército ou não ter um Estado. Esta é a opção clara. Peguem a primeira opção. Tenham uma nação. Realizem um sonho. Sejam como a Costa Rica.

O apoio ao avanço da democracia e à modernização econômica também estiveram presentes no discurso, com Obama anunciando ajudas financeiras para o Egito e a Tunísia em uma espécie de plano Marshall para a região. Os dois países já estão em um processo de transição e o presidente também alertou para a necessidade de respeitar os direitos das minorias religiosas. Talvez, porém, não sejam suficientes para conter as marchas de refugiados palestinos para as fronteiras de Israel que se repetirão nas próximas semanas,

A Líbia e a Síria foram duramente criticadas por Obama. O líder sírio, Basharl al Assad, que foi alvo de sanções, recebeu a opção de escolher entre comandar uma transição para a democracia ou deixar o poder. O presidente pela primeira vez condenou a repressão em Bahrein, pedindo o diálogo entre as duas partes. Abdullah Saleh, do Yemen, também foi alvo de condenações.

Faltou, no discurso, mencionar a Arábia Saudita. Esta nação não respeita os direitos humanos, ao impedir as mulheres até mesmo de dirigir. A monarquia saudita não concede nenhum direito democrático aos seus habitantes e reprime minorias religiosas. Entre muitos jovens árabes, no fundo, o país mais odiado do mundo não é Israel, Irã ou EUA. Eles não se conformam esta nação medieval que leva o nome de uma família. Sei que os sauditas são aliados e não há levantes pró-democracia. Mas, pelo menos na questão das mulheres, Obama poderia ter falado algo.

2 Comentários

  1. benjamin mafra
    16 de outubro de 2011

    Podemos conversar.

  2. benjamin mafra
    16 de outubro de 2011

    Substituir podemos coversar por trocar ideias

Postar Comentário

AGENDA

Professores fazem recital nesta sexta na Escola de Música

Clarinete e piano ditam o som da sexta-feira, dia 24 de maio, na Escola de Música da UFRN. O fim de semana [leia mais]

Começa nesta terça-feira a 7ª Semana do Filme Cult; confira a programação

Evento deste ano traz exemplares normalmente prejudicados pela má qualidade das cópias baixadas via [leia mais]

Orquestra Sinfônica da UFRN faz concerto sábado (18) - Entrada grátis

A Orquestra Sinfônica da UFRN apresenta este sábado, dia 18, o seu II Concerto Oficial. A apresentação, que começa às 20 horas, inclui [leia mais]

"A Orquestra do Reich..." será lançado na UFRN nesta quinta, às 17 horas

"A Orquestra do Reich - A Filarmônica de Berlim e o Nacional Socialismo, 1933-1945", de Misha Aster, com tradução de Nelson Patriota e [leia mais]

Fórum discute jornalismo e lança livro sobre o blog "Fatos e Dados"

O jornalista Altamiro Borges falará sobre "Os blogs e a reconfiguração do jornalismo: Informação e democratização" e o professor Daniel Dantas lança o [leia mais]

Funcarte divulga programação para Semana de Museus 2013

A Prefeitura do Natal, através da Fundação Cultural Capitania das Artes está com vasta programação para a 11ª Semana de Museus 2013. Haverá [leia mais]

OUTROS EVENTOS

POESIA

    Estupro
    21-05-2013 às 8:00 - 4 Comentários
    Por Ednar Andrade

    estupro

    O inferno tem escadarias,
    Corredores turvos
    E sombras que assombram…
    Medo!

    O medo tem som e silêncios.
    Gemidos e enxofre…
    Perfume agridoce.
    Tormento.

    Lá, as horas não passam,
    Não há tempo, não há tempo…
    E o tic-tac é lamento, lamento…
    Riso e pranto, dor, descrença

    As frestas são mundos
    Imensos, imundos,
    São noites, dias,
    Nem vida, nem morte: inferno.

    Anjos que guiam o nada, sem sorte.
    Demônios apontam, estraçalham
    E comem as alegrias, estupram os sonhos…
    No céu deste inferno: anestesia é sorte.

    COMENTÁRIOS

    • Nina Rizzi: Atento: Alguma Nova Poesia Brasileira. Isso é só um recorte. E pequeno. Ninguém dá mais conta do país, não (nem do RN)... - Suplemento cultural de Minas Gerais aborda a nova poesia brasileira
    • Marcos Silva: Sim, Jarbas. Qualquer coisa é melhor que uma ditadura. Mas nem sempre qualquer coisa é bom. Valeu a pena ser contra a ditadura mas precisamos cobrar do que vem depois (o tempo onde estamos) dignidade na política. É muito difícil, claro. Mas não custa batalhar. Considero a pura negação do estado uma forma acomodada de agir. - Barbosa e o Legislativo
    • Jarbas Martins: Podres poderes.Não, Marcos Siva ? - Barbosa e o Legislativo
    • Marcos Silva: O desespero virou poesia através de seu trabalho com a palavra, como nos versos que indiquei. É claro que vc deve seguir seus sistema de escrita, sem se submeter às opiniões alheias. Mas entendo que vc abriga um grande potencial que merece mais atenção sua para poder florescer ainda mais. A escrita é sempre essa luta entre sentimentos e organização. Um lado não pode apagar o outro. Um lado existe para enriquecer o outro. Verei vcs em julho. - Estupro
    • Anchieta Rolim: Ednar, minha amiga, gostei demais do poema. Esse é do tipo que vem dos confins da alma. Tudo de bom! - Estupro
    • Anchieta Rolim: Demétrio e Homero, estou gostando do diálogo. - Judicialização da política
    • Aldo Lopes de Araújo: Máxime num estado como o nosso, onde a simples recuperação de uma unidade de atendimento ao menor infrator precisa ser judicializada. O juiz, que também se chama Homero, bateu o martelo e bloqueou ontem, da conta única do Estado, a importância de 417 mil reais. Com essa decisão, abre-se, ao término da obra, espaço para que os garotões adolescentes possam ficar cumprindo medida socioeducativa. O respeitável magistrado invadiu a seara de outro poder, para não ter de soltar, por exemplo, um brasileiro de 17 anos e 11 meses que simplesmente matou a mãe de um de nós para roubar e saiu do Juizado da Infância e da Adolescência olhando para trás e zombando da polícia. Se o governo, responsável maior pela boa execução do contrato social, comete uma estultice desse porte, por falta de pulso e competência, o que esperar dos pobres mortais? Imaginem o que vem por aí? - Judicialização da política
    • Ednar Andrade: Boa tarde, Marcos. "As frestas são mundos"... "No céu deste inferno: anestesia é sorte". Este poema, se é que posso assim chamá-lo, já que tu assim o chamas: poema... Rsrs... Nasceu realmente de forma inconcisa, está mais para desespero do que para poesia. Ele é o retrato, mais uma vez inconciso, dos "últimos dias": "das últimas noites". É como eu disse, escrever para mim é como vomitar. Não tive tempo para programar, encaixar a forma precisa, exata, das palavras, isso disse na madrugada, gemendo e amargando o inferno ao qual pertencia meu corpo nestes últimos dias, querido. Obrigada. Sou sempre grata aos ensinamentos e vindo de ti, para mim é um privilégio. Abraço, querido. - Estupro
    • Marcos Silva: Saddock, obrigado pela mensagem, participaremos juntos de outras festas. - Retalhos da Colcha (Lançamento do livro "Viva Luiz Damasceno")
    • Marcos Nunes: Graças a Deus encontrei este Blog! Impressiona-me a identidade de sentimentos em relação à obra de José Mauro, já que também tenho a mesma vontade de saber mais e mais da obra e da vida desse autor fascinante. Já li diversos livros seus, desde a minha adolescência, e alguns já li mais de uma vez. O Meu Pé de Laranja Lima já vou pra 5ª leitura! Acabo de recomeçar 'Vamos Aquecer o Sol', que recomendo, pois é uma espécie de continuação de Meu Pé de Laranja Lima. Adorei saber de tanta gente com os mesmos sentimentos, da mesma forma marcados por obra tão fascinante. Pra mim não existe em nossa literatura autor com tamanha ternura e sensibilidade, de forma simples e ao mesmo tempo tão profunda. - José Mauro de Vasconcelos