Orwell cruza a soleira da internet

13 de julho de 2009 às 8:23 - Comentar
Por Nelson Patriota

Discutir internet e jornalismo profissional pode não ser uma boa sugestão de pauta para um noticioso contemporâneo. Começa que os adeptos da internet consideram jornais e revistas coisas absolutamente desnecessárias, ultrapassadas e obsoletas. Daí que quando deparam alguém que faz um juízo não menos maniqueísta da internet, inevitavelmente ocorrem conflitos e desentendimentos difíceis de conciliar.

Foi o que aconteceu na mesa-redonda sobre blogs, jornalismo e cultura, celebrando os dois anos de existência do site www.substantivoplural.com.br, que aconteceu dia 12 passado, no pequeno auditório da Livraria Siciliano localizada no Midway Mall. O debate mediado pelo jornalista Tácito Costa contou com as participações de Daniel Dantas, Nelson Patriota, Alex de Souza e Kênia Castro.

Pelo fato de ter cabido a nós a tarefa de abrir o encontro com um comentário sobre o livro O culto do amador, de Andrew Keen, a fim de apresentar as diversas alternativas de discussão do tema principal, não pudemos deixar de frisar que o subtítulo do livro já é uma tomada de posição crítica sobre a internet. De fato, segue-se abaixo do título a seguinte frase: “Como blogs, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores”.

Os argumentos apresentados por A. Keen, que resumi a tópicos de música, “jornalismo-cidadão” e invasão de privacidade causaram visível mal-estar a alguns colegas da mesa, sobretudo àqueles que fazem uma ideia altamente louvável da internet, mas demonstram pouca disposição em discuti-la.

Ao invés disso, preferem apontar as vantagens e as “janelas de oportunidade” que a Web 2.0 trouxe para todos, indistintamente, como uma espécie de Fiat laico posto em movimento pelo engenho humano.

Alguém sugeriu, durante a discussão, que os jornais ainda são mais lidos do que as páginas noticiosas da internet porque ainda há menos PCs do que jornais, como se entre ambos se travasse uma competição irreconciliável.

Fo preciso que alguém lembrasse a esse debatedor que computadores e jornais são bens de consumo acessíveis às classes A, B e C e que entre eles não se verifica qualquer fator de exclusão. Antes, são vistos como bens que se completam.

Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de apurar informação, aprofundá-la e desdobrar seu alcance e abrangência. E isso inclui a equivocada ideia de que a internet trouxe consigo o fim da notícia. Aliás, trata-se de uma dessas não-notícias que podem ter graves consequências para o papel que as ideias de verdade e mentira desempenham no mundo da vida.

Imaginar um tempo em que todas as informações disponíveis nos cheguem através da Web 2.0 e de suas sucessoras, corresponderia a admitir um cenário orwelliano no qual verdade e mentira pouco difeririam entre si porque as hordas humanas, destituídas de valores éticos, já não teriam parâmetros para distingui-las, durante as emissões feitas pelo Grande Irmão, aliás Big Brother.

Se não houver mais quem apure as notícias, analise-as e transmita-as através de veículos fidedignos, trabalho que demanda profissionalismo e visão ética da informação, o cenário orwelliano nos esperará na dobra de uma década ou duas. Nesse tempo, haverá apenas “jornalistas-cidadãos”, aqueles informantes que trancadas em seus cubículos privados darão notícias do mundo da vida o qual lhes parecerá cada vez mais estranho, mal ultrapassem a soleira de suas portas. Se o fizerem alguma vez.

Que diferença fariam tais notícias no cenário que George Orwell concebeu em seu 1984 tornado real? A palavra “irrelevante” seria a mais inócua para descrevê-las.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”