Páginas Arrancadas

15 de agosto de 2010 às 9:19 - Comentar
Por João da Mata

Páginas Arrancadas: Raibrito, guardião da memória.

Ao final o verbo. A palavra escondida nos escaninhos da existência. Memória?! – Deixe de ser cabido. Pobre não tem memória. Pobre coleciona causos. Raimundo Soares de Brito coleciona papéis velhos. Feliz a cidade que tem esses guardadores de saudades. Florilégios restaurados e derramados na folhinha de um calendário feito de “Paginas Arrancadas”.

Assim o fez Raibrito em sua profícua existência de colecionador. Juntou tudo e formou um arquivo precioso ao longo de quase um século. Ele implora para que sua memória seja preservada num livro onde tudo termina. Pois se trata de partículas do seu corpo, tudo aquilo que ele é (sic). E mais: aquilo que fui, sou, ainda tudo que desejaria ter sido.

No livro Páginas Arrancadas, série c, Coleção Mossoroense/ Fundação Vingt-Un Rosado, Raimundo Soares de Brito escreve sobre pessoas comuns, tipos populares, costumes, brincadeiras, fatos históricos, crendices, guardadas na carteira da história. Um rico repositório que conta boa parte da história de Mossoró, Natal e Caraúbas durante o século XX. História de viventes na sua vida cotidiana na província do Rio Grande do Norte. O perfil humano de políticos, comerciantes, soldados e tipos populares são traçados por protagonista de uma história que não pode ser esquecida das gerações vindouras.

Brincadeiras que ainda lembro são resgatadas por Raibrito: A Briga de Araque onde dois moleques simulam uma briga. Um tem um pau na mão e o outro pede para que solte o pau se for homem. Um transeunte vai passando e o moleque pede para que ele segure o porrete, ao que o moleque puxa o pau e o transeunte fica com a mão cheia de tiririca de galinha.

Outra brincadeira lembrada por Raibrito, é aquela dos dois traços no chão. Cada um simboliza a mãe de um dos moleques. O que apagar o traço simbolizando a mãe do outro tá xingando e a briga está formada.
As festas religiosas, o Natal, a Semana Santa e São João são lembrados em festas e costumes não mais praticados.

Raibrito foi comerciante e dono de bar, conheceu muito tipos populares e ouviu muitos causos e histórias.
A história da bela Pinheira que virou mulher-dama. Jucá, o limpador de fossa. O Padre Mota e seus cinco charutos guardados no bar “ O Botijinha” de propriedade do Raibrito, etc.

De Dorian Jorge Freire ele traça um belo perfil. Metido invariavelmente num terno de brim, às vezes de casimira, sempre como seu sinhozinho, com sua borboleta, sabia vim a indumentária como talvez os seus princípios, idéias, etc.

Dorian Jorge Freire assina o prefácio desse belo livro que precisava ser melhor revisado. Saiu com muitos erros de digitação.

Raimundo Soares de Brito, assim como Dorian Jorge Freire são grandes escritores e guardiães da rica cultura mossoroense e do estado do RN. É triste constatar que o valioso acervo deixado pelo escritor Dorian ainda não recebeu uma destinação adequada. Um acervo que precisa de cuidados urgentes e sua preservação é uma obrigação do estado.

Raibrito e Dorian acumularam um acervo imprescindível para a história das mentalidades, política e costumes do nosso estado.

Preservar esses acervos é preservar uma identidade que não pode ser esquecida e, em boa hora, recebe mais um valioso livro escrito pelo incansável Raimundo Soares de Briro, nosso querido Raibrito nos seus bem vividos noventa anos. Parabéns.

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - Comentar
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura
    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante