Palumbo: Uma revista de quê?

1 de dezembro de 2009 às 7:40 - Comentar
Por Nelson Patriota

Desde meados deste mês a revista Palumbo ganhou as bancas de Natal, trazendo uma proposta de “inovar sem acabar, de determinar o novo sem destruir a memória. De enxergar longe e transformar a visão captada em mensagem para todos”, conforme reza o editorialista Osair Vasconcelos em seu número inaugural.

Explicando a que veio, prossegue o editorialista: trata-se de uma “revista de texto na era das micromensagens”. E, mais adiante, argumenta a propósito do twitter: “para que ficar em mensagens tão curtas [...] quando há tanto para contar, discutir, relatar, perguntar [...]”.

Quando se tem um campo tão amplo de possibilidades, não há senão que explorá-lo, sem se preocupar com rótulos limitadores. palumbo, que presta homenagem ao urbanista italiano que sonhou, como Manoel Dantas, com uma Natal futurista, não é, por exemplo, uma revista de cultura. Pelo menos, não apenas isso. Seria mais bem definida como uma “revista de ideias” ou de “entretenimento”. Uma terceira possibilidade: uma revista de variedades…

Como a revista Piauí, com a qual, aliás, compartilha semelhanças explícitas, como o formato gráfico, o tipo de papel e a pauta generalista. Em compensação, tem apenas a metade das páginas da Piauí, nem lhe imita o humor quase obsessivo, ao contrário do que já faz há alguns anos a mossoroense Papangu.

Dizer que palumbo veio em boa hora é repetir um lugar-comum. Há sempre espaço para o novo, sobretudo quando tem por trás de si boas ideias, experiência e os meios para executá-las. E a propósito de ideias, um olhar sobre o passado pode ser bem-vindo, como a matéria “Aída Cortez – 35 anos depois”, assinada por Albimar Furtado, ou “Belle Époque na esquina”, ou ainda “O homem que criou outra Natal”, excertos retirados do livro Belle Époque na Esquina, de Tarcísio Gurgel, que foi lançado no dia 28 último. Até mesmo uma discussão sobre um assunto árido, embora momentoso, como o twitter, um modismo da internet que deve ter custado muitas madrugadas a Carlos de Souza. Em compensação, não estou certo de que traçar perfil de socialites seja o melhor aproveitamento dos múltiplos talentos da poetisa Marize de Castro…

A propósito, a música está mais bem representada do que a literatura, pelo menos numericamente, nesse primeiro número da palumbo. Enquanto se comenta apenas o livro de Tarcísio Gurgel, apesar da enxurrada de títulos novos de autores norte-rio-grandenses que chegou às livrarias nestes últimos meses, a música ganha dois enfoques circunstanciados: uma entrevista com o saxofonista Paulo Moura, feita por Dácio Galvão, e uma discussão sobre música diegética, assinada por Jorge Galvão, aliás, dois profissionais da área. Quanto às notinhas sobre livros condensadas no “Menu novembro” , estão longe de substituir uma avaliação pessoal das obras.

Matérias polêmicas também são oportunas se mexem com ídolos populares, especialmente um ídolo caído, como Wilson Simonal, e tendo como entrevistado o empresário da noite João Santana. Incansável defensor de Simonal, por quem nutre uma quase idolatria, João Santana fala aos borbotões, e nem sempre coordena as suas ideias. Editar, portanto, o texto transcrito da fita sem antes submetê-lo a um tratamento editorial – principalmente se se trata de uma conversa muito longa – às vezes resulta como um tiro que sai pela culatra: cansa e confunde o leitor. O finado Pasquim, que era useiro e vezeiro na arte de jogar conversa fora em entrevistas quilômetros escolhia muito a dedo seus entrevistados. A precaução era oportuna: se a entrevista é longa, o entrevistado tem de ser no mínimo um causeur.

De todo o modo, palumbo está aí e auguramos-lhe vida longa. Quanto ao seu perfil, queremos crer que seja o de uma revista de idéias, categoria flexível em que cabe perfeitamente à vontade uma publicação que envolve tantas cabeças pensantes da cidade. Seria muito imaginar que palumbo viesse a cumprir o destino de uma A Cigarra dos nossos tempos?

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente