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Pavilhões na campanha de canudos

Muito antes das campanhas ambientais contra canudos de plásticos, utilizados em bebidas diversas, o bowerbird macho (pássaro Pavilhão) já recolhia esse produto descartado. O objetivo é produzir manifestações artísticas e sedutoras.

Diferentemente de peixes, tartarugas e animais marinhos que são ameaçados pelo descarte plástico, os pavilhões machos usam vários objetos na construção de ninhos. Com criatividade e noções de arquitetura, vale tudo para atrair uma companheira. Porém, depois da conquista, canudo e outros plásticos ficam na natureza.

Quando produzidos com polipropileno e poliestireno, essa matéria-prima não é biodegradável. Em tese, o descarte de canudos vem se expandindo como problema ambiental desde os anos 1950, quando foram comercialmente substituídos pelo canudo de papel patenteado pelo americano Marvin C. Ston, em 1988. De lá pra cá, calcula-se que já foram produzidos 8,5 bilhões de toneladas de plásticos diversos. Cerca de 60% foi (e está sendo) jogado na natureza.

O canudo é um invento milenar. Ganhou função utilitária principalmente nos Estados Unidos, que descartam, em média, 500 milhões de canudos diariamente. No Reino Unido são mais 100 milhões por dia. A rede mundial de lanchonetes McDonalds contribui com 60 milhões de canudos diários.

Uma pesquisa realizada pela Ocean Conservancy posicionou o canudo em novo lugar entre os dez resíduos mais encontrados em limpeza de praias. A ONU divulgou que, em média, o plástico representa 90% de lixo flutuando nos oceanos. Para reduzir tanto lixo, campanha da ONG norte-americana Lonely Whale Foundation tem utilizado a campanha Oceanos sem Canudos (Strawless Ocean). O slogan e hashtag são bem-humorados #StopSucking. (Pare de Chupar).

Em 2017, a China parou de importar lixo e pretende, até 2021, banir plásticos descartáveis, inclusive os canudos. A meta no Reino Unidos é de 25 anos, até 2030. No Brasil, Rodrigo Pádula de Oliveira, morador do Rio de Janeiro, lançou uma Ideia Legislativa em forma de abaixo-assinado e conseguiu mais de 20 mil assinaturas. A proposta foi para o Senado. Além de canudos, inclui a proibição de microplástico na fabricação de cosméticos esfoliantes (sabonetes, cremes hidratantes, cremes dentais e outros).

Quem é consciente e quer fazer diferença rejeita canudos no consumo de bebidas ou utiliza materiais bioalternativos. Uma empresa já aproveitou esse caos e oportunidade e lançou a marca Sorbos. São canudos comestíveis à base de açúcar, gelatina bovina e amido de milho.

Enquanto isso, os bowerbirds, encontrados na Austrália e Nova Guiné, mantêm a campanha artística e sedutora de transformar lixo em luxo visual.

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