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Pensar nos Santos

Nos seus mais de cinco séculos de existência cristã, o Brasil teve reconhecidos quatro santos. Agora, o Rio Grande do Norte oferece ao nosso País mais trinta santos, os mártires de Cunhaú e Uruaçu. No futuro, o Vaticano deverá reconhecer outros. O santo padre João Maria, já canonizado pelo povo, e, para mim, Dom Nivaldo Monte, um santo semeador de alegrias e cujo centenário ocorrerá no próximo ano.

Os santos são íntimos de Deus. São guias e exemplos. São nossos advogados, defensores que devemos honrar.

A chacina desses cristãos ocorreu no ano da graça de 1645, nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo. Hoje, a opção do martírio foi apenas a opção pela fé católica, resistência à mudança de credo. A cerimônia de canonização acontecerá em Roma, presidida pelo Papa Francisco, no dia 15 de outubro próximo. Serão citados apenas os nomes de André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, e Mateus Moreira, leigo. Os outros vinte e sete são reverenciados no Dia de Todos os Santos.

A Arquidiocese de Natal, o Estado, as prefeituras, religiosos fiéis, devemos pensar em estimular a espiritualidade, proteger a veneração, divulgar a nossa história, os feitos heroicos, alimentar a força dos símbolos, impulsionar a peregrinação e o acolhimento dos visitantes.

Afinal de contas, seguir a advertência de Santo Agostinho: “Não basta fazer coisas boas, é preciso fazê-las bem”.

A fé ilumina o coração dos peregrinos, faz aumentar a devoção.

Ouso fazer algumas sugestões:
Uruaçu, em língua indígena, significa pássaro grande. Os pássaros são símbolos do divino, mensageiros do céu. A iconografia coloca asas nos anjos. No sítio sagrado de Uruaçu, poderia ser edificado um grande pássaro votivo.

Na Capela de Cunhaú derrocada, havia um sino que caiu após o massacre. Foi utilizado para chamar moradores da fazenda. A última proprietária, a paraibana Maria Luíza de Moraes Targino, estava num navio no Canal da Mancha, quando houve uma tempestade ameaçadora. Ela fez promessa: Se escapasse, doaria o sino a uma capela da Paraíba. E assim fez. Dom Nivaldo Monte e eu, durante anos, tentamos achar o destino do sino que voltaria à capela. Não conseguimos. Imagino que, nas suas proximidades, poderia ser erigido um sino de dimensões superiores.

Cunhaú vem do tupi, cunhã – mulher e u – água. As santas mulheres martirizadas poderiam ser invocadas na bênção da água para serem aspergidas pelos sacerdotes na capela.

A urbanização das duas áreas sagradas poderia ser objeto de concurso nacional promovido pelo CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo.

Medalhas poderiam ser compradas com a efígie popularizada dos santos, trazendo no verso o número 30. A forma poderia ser triangular, lembrando o número e a Santíssima Trindade.

Cuidemos dos santos, eles cuidaram e cuidam de nós.

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Diógenes da Cunha Lima

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