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Perfis literários: Carlos de Souza

Em 2018 o livro “Crônica da Banalidade”, do experiente jornalista e escritor Carlos de Souza, completará 30 anos de lançamento, daí porque julgamos oportuno fazer um pequeno balanço da sua carreira.

Ao lado de nomes como Alex Nascimento, Ruben G Nunes e João Batista de Morais Neto, revelações da ficção potiguar na década de 80, Carlos de Souza, se destacou com sua novela, cheia de ironia, sarcasmo, dentre outros elementos de uma boa narrativa.

O escritor nascido em Areia Branca, no finalzinho dos anos 50, ainda morou em Macau, antes de vir para Natal em meados dos anos 70. Com pouco tempo, Carlos de Souza estreou nas letras, publicando contos nos suplementos do jornal “A República” de Natal. Tendo estudado comunicação social na UFRN, tornou-se um grande leitor, sobretudo de Charles Bukoswki e Jack Kerouac dentre outros ícones da contracultura.

Carlos de Souza estreou como repórter na “Tribuna do Norte”, por anos foi editor de cidades, manteve uma coluna de variedades, “Caótica Parabólica”, e trabalhou no “Diário de Natal” como editor de cultura, por fim, de volta a “Tribuna do Norte”, assinou durante anos a coluna “Toque – Livros e Cultura”, abordando obras e autores brasileiros e universais.

Além de “Crônica da Banalidade”, publicado em 1988 numa edição da Fundação José Augusto em parceria com a Editora Clima, Carlos de Souza publicou também “Cachorro Magro”, que ganhou o Premio Othoniel Menezes de Poesia em 1999; “É Tudo Fogo de Palha”, espetáculo em três atos sobre o nascimento de Natal, e ainda, um romance, denominado “Cidade dos Reis”, sobre o qual tivemos oportunidade de escrever nota crítica.

“Cidade dos Reis” é um livro pioneiro no Estado, em se tratando de contar a história romanceada de uma cidade.

Com desenvoltura, o autor narra alguns dos principais fatos e personagens da cidade do Natal, ao longo do século XX, utilizando como pano de fundo a história de Jonas Camarão, desde a sua infância e juventude, o encontro com a sua adorada Mara, a dor da perda, as lutas, vitórias e desilusões, até sua velhice, no final do milênio passado.

Um leitor mais atento vai observar muito mais o relato de episódios reais do que propriamente ficção. Na verdade, o principal personagem é a própria cidade de Natal.

Ainda a respeito da ficção de Carlos de Souza, tivemos também oportunidade de escrever sobre sua estreia na short story, com “Urbi” (Sebo Vermelho Edições, 2015). Em “Urbi” o autor atinge o momento culminante de sua carreira como ficcionista. Se, no seu romance de estreia, “Cidade dos Reis”, alguns pequenos deslizes foram cometidos, no livro de contos, ele chega muito próximo da perfeição estética a que uma obra de arte literária aspira. Aqui no Rio Grande do Norte, só os mais experientes têm conseguido atingir esse patamar. “Urbi” contém oito contos, três deles premiados. Não bastassem esses contos premiados, apenas o conto “Eclésia” justificaria a publicação do livro.

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Thiago Gonzaga

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