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Perfis literários: Osair Vasconcelos

Respeitado jornalista potiguar, o macaibense Osair Vasconcelos também se distingue como artista da palavra. Ainda estudante, começou sua carreira profissional, repórter de “A República”. Em seguida trabalhou em outros órgãos da imprensa natalense, “Tribuna do Norte ”e “Diário de Natal”, em ambos, primeiramente, como repórter e, muitos anos depois, como diretor de redação. Foi correspondente, em Natal, de “O Estado de São Paulo”, “Jornal da Tarde” e Rede Globo, de onde saiu para ser chefe de redação da TV Cabugi. Nesta emissora, criou programas– “RN Rural”, “Meio-Dia RN Especial”, etc. – e, paralelamente à função de chefe de redação e, depois, diretor de jornalismo foi apresentador do “Bom Dia RN” e repórter. Atuou também na Band Natal.

Osair Vasconcelos publicou os seguintes livros. “Encontros Passageiros com Pessoas Permanentes”, crônicas e reportagens (2008), “A Cidade que Ninguém Inventou”, crônicas e páginas de memórias (2010) e “As Pequenas Histórias”, contos (2015). Todos esses livros alcançaram êxito de público e de crítica, especialmente , o último, que tem sido considerado uma das melhores revelações da ficção curta em nosso Estado. Osair também participou da coletânea “Humor no Conto Potiguar”, (2016).

Transitando dos fatos cotidianos para o mundo da fantasia, o autor evoca personagens e fatos do seu tempo de menino macaibense, com grande poder criativo. Seus contos trazem evidentes marcas da arte de recordar, sobretudo o seu chão de origem, a cidade de Macaíba. Neles fica bem demonstrado o quão tênues são os limites entre a ficção e a realidade; as lembranças, reminiscências, rememorações, misturando-se, enlaçando-se com a narrativa ficcional.

Ressaltemos que, enquanto o historiador pretende escrever sobre a história que outros viveram, o narrador fala de uma história vivida por ele ou incorporada de tal forma à sua vida como se ele mesmo a tivesse vivido. Nos contos de Osair Vasconcelos essa é uma das principais características. Contos como “Zé Jipe vê a cidade de cima”, “Aquela viagem” são narrativas que, evidentemente, misturam fatos verdadeiros com ficção. Outro bom momento é quando ele homenageia, de forma muito singela, uma das nossas maiores poetas, Auta de Souza, filha de Macaíba, no conto “Maria Encontra a Poeta”.

Mas, no meu entender, onde Osair demonstra mais habilidade na arte de contar histórias é no conto “Ele e Ela”, conto muito bem elaborado, com toques refinados de humor, de ironia e tragédia (o narrador merece um bom estudo analítico). Nesse conto especificamente o leitor vai ficar em duvida: onde entram a realidade, neste caso a memória, e a ficção. Com grande poder de síntese, Osair Vasconcelos construiu uma narrativa digna de constar em qualquer antologia de nível nacional.

O jornalista, escritor e editor Osair Vasconcelos é um importante valor nosso!

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Thiago Gonzaga

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