Geral

Pílulas para o Silêncio (CVII)

Crepusculo

 

Para poder encontrar-me a mim mesmo, tive primeiro de me perder. Tive de chegar ao pleno vazio de mim.
(Frederico Lourenço, em A formosa pintura do mundo)

Manhã. O sol enche o dia de raios, mas a luz não chega a mim. Minhas certezas refletem tanta coisa nova, que eu me decepciono comigo.

***

Tarde. Tarde para tudo; não só para a velha e revelha cantiga de engodo e espanto que sempre surge (e ressurge) por entre os palacetes do poder. Se não vier o silêncio, com o seu acalanto vazio, não terei ouvidos para o canto do novo amanhã.

***

Noite. As portas se fecham, a luz se apaga, a cortina do dia mais uma vez desce na ribalta do mundo. E o palhaço nem se dá conta, assim como eu, de suas mãos de lágrimas. A esperança, capciosa, nos sopra um “sol maior”; e nos faz pensar que encontraremos a felicidade na apresentação seguinte.
clauderarcanjo@gmail.com

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