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Pílulas para o Silêncio (Parte CVIII)

concei

Nascemos e respiramos em volta
da luz,
lavrando a escuridão
(Maria Sameiro Barroso em Papoilas submersas)

Nascimento. O clarão de fora afugenta a lua da placenta. O choro é parto para a vida.

***

Infância. Em torno do clarão do sol, na terra em que tudo é descoberta, passeamos pelo chão das novidades, com a ferra do riso na testa do infante.

***

Juventude. Pouco importa se noite, madrugada ou dia. A rebeldia pulsa nas veias, e nos inquietamos com o bridão da tradição. Desembestados e de rédeas soltas, mergulhamos nos desvãos da imensidão. Timoneiros de nós mesmos, mal sabemos que, no mundo, há sinas de prévia marcação.

***

Madureza. Tal fruto maduro, que busca a sombra para não arruinar, palmilhamos na sombra dos caminhos serenados por outros pés. A luz da esperança na candeia escondida no alforje da fé.

***

Velhice. Saudosos da placenta de outrora, fechamos os olhos; e, serenos em torno da última luz, vela de expiação, paramos de respirar para lavrar, revés do parto, sendas de outra escuridão.
clauderarcanjo@gmail.com

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Comentários

1 comment

  1. Raí Lopes 13 março, 2017 at 11:37

    Uma viagem de luz e incertezas. Apenas o caminho a ser seguido. Nem sempre do jeito que pensamos ou fomos aconselhados.

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