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Pílulas para o Silêncio (Parte CXVII)

 

Não me cante ladainhas
Faça-me sinfonias
Abraços em profundezas
Cantos de noite fria
(Denise Emmer, em Lampadário)

Não me incomode com mesquinharias. Há uma madrugada em profundas agruras lá fora: o homem a sentir o espinho da angústia fatal, da tragédia descomunal, da pulsão de quem não se define, nem se destina (ou decifra).

***

Venha-me com a sinfonia dos desterrados, com o canto malsão dos loucos, com a gíria ignota dos amordaçados, com as línguas putrefatas dos cadáveres dos proscritos insepultos. Só a loucura tarda, mas não cala.

***

Oferte-me, agora, um punhado de versos quentes para uma noite tão longa e fria (antes que me seja tarde). Sei que o verbo tenta (apesar de ser tarefa de Sísifos) a tradução da dor (ir)real da carne, do lírico pungir do espírito. Amplexos nas profundezas.

***

A labuta do poeta é o que nos diferencia (e nos afasta) do lobo do próprio homem. Não me cante ladainhas / Faça-me sinfonias.

 
clauderarcanjo@gmail.com

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