Pílulas para o Silêncio (CXX)

CrônicaDestaque

Poeta: uma criança em frente do papel.
Poema: os jogos inocentes,
Invenções do menino aborrecido e só.
(Adolfo Casais Monteiro, em “Poeta”)

 

O caderno sobre a mesa chama o menino para a brincadeira. A criança, séria após a lição do mundo, refuga o chamado. De repente, um risco de luz na pura e travessa mente do meninote desperta as palavras recolhidas no baú da memória, e, inconsciente, ele rabisca o papel com fúria e emoção.

***

Com pouco, ele amassa o papel e… olha para o cesto. Lixo ou composição? Inocente, enfia o borrão dentro da gaveta, a pensar nas certezas da multidão. O cérebro tangido pela razão não atende, e finca o pé, ainda mais, no vazio da imaginação.

***

Quando solta a mente no vazio da aurora, ele observa, aborrecido e cansado, que o nada fez morada no ninho das suas mãos de vidro.

***

O dia, então, finda, e o menino-homem dorme. Inocente, frente ao poema que, como em um jogo de faz de conta, o socorre e… ocorre.
clauderarcanjo@gmail.com

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