LiteraturaMais

Pílulas para o Silêncio (CXXV)

 

Só se critica aquilo de quem se ama. Quando me leem, e me criticam, é porque adoram o meu mundo. “Critico, logo amo”: eis a máxima, verdade maior, de todos os críticos.

***

Trazia nos pés a lama do degredo. Levava nas mãos, acreditem, a poeira do exílio.
Antes de morrer, no abandono, foi logo cremado; nem teve direito aos sete palmos de terra daquele mundo tão desejado.
Suas cinzas?!… Depositadas sobre esterco.
— Ê vida de gado!…

***

Toda flora que extasia tem vida breve. E tal brevidade tem aflorado, dentro de nós, a compulsão pela eternidade.

***

Na gaveta do silêncio, catei o mote das próximas palavras: “Cala-te, respeita a gravidade do vazio, antes que lhe seja tarde”.

***

Caso a morte definitiva seja uma mentira, melhor seria pendurar o chapéu da eternidade no cabide desta singela tarde.

clauderarcanjo@gmail.com

Share:

Comentários

Leave a reply