Pílulas para o silêncio (Parte XV)
2 de março de 2012 às 17:35 - ComentarImbuança
Na trave da testa, o nó. Górdio não, gordo. Nos costados das orelhas, o riscado em carne viva. No alto do cocuruto, duas chibatadas bem levadas. No branco dos olhos, o azul mascado, breu escuro. Murro coice, meio ao estrupício.
Marcas da imbuança por uma saia. Encrenca grossa, sem o refrigério da dita cuja.
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Nada me sobrava quando jovem.
Hoje, sem o frescor dos anos, sobram-me as horas, os minutos, os segundos… Felicidade avara.
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Ordenai aos avarentos que dividam, em mãos largas, o regalo da dádiva, Senhor.
Alertai esses sórdidos, Mestre, que coíbam, também, a vontade insana de fecharem os dedos.
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O Mistério é primo legítimo da Dúvida, e irmão bastardo da Fé.
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Noites enluaradas, sonhos escusos. Madrugadas escuras, pensamentos ainda mais impudicos.
A pureza de muitos não resiste ao teste do mais singelo eclipse.
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Diálogo entre dois mercadores da província.
— Quem vale mais, eu ou ela?
— Depende do cobre.
— Do cobre?! Como?
— Na moeda do teu agiota, tu. No dobrão do público… ela.
— …
Clauder Arcanjo — Escritor
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