Chegaste a mim não como lume
Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa
Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas
E eu te vi.
Te vi como se vê mares e dunas
Como coisas que são sem oráculos nem seitas
Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
E parecia que contigo aquela noite estava feita
Te vi coxas, riso, ombros e mãos
Perdidos entre afago e maldição
Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce
Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
Se colam, se penetram, se invadem;
Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
Destruindo colheitas
Aquela noite só prometia suores
Conquistados a cada beijo
Os latifúndios do desejo
Eram cada vez maiores
(———–)
Vim de longe
Em hora incerta
Vim de lunas
Vim de céus perfurados de estrelas
Vim de amores submersos em dores e desfeitas
Para que celebrasses a consagração bizarra
Que faz a carne virar pão
O sangue virar vinho
E a cama virar mesa
Onde a fome dispõe as suas facas
Para cortar as carnes e sugar a seiva
(—————–)
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Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
Não sei
2. E porque voltou a envia-los agora.
Sei lá.
11 Comentários
Triste notícia.
Tomei algumas cervejas com Bianor. Ele também era amante dos haikais. Escreveu vários.
Triste mesmo.
LAMENTO! LAMENTO!
Acordei essa manhã de cidadenxurrada num caos nada poético – limpando lama de cantos e quinas de nossa morada e arredores – com o telefonema do querido Raul Andrade, me avisando do passamento de nosso amigo, parceiro, poeta tão querido Bianor Paulino… Na 1ª hora deste 24 de Janeiro… Estamos muito tristes… Esta semana íamos visitá-lo no internamento… Agora, só na imaterialidade… Não sei o que dizer, passar…
Na minha rede, algumas poéticas do Bianô… } http://naredecomcivone.blogspot.com/2011/01/lamento-2011-o-ano-da-morte-do-poeta.html
^cm
Sim, eu disse sim. Quando o poeta morre tudo fica mais triste.
Como disse Civone, aquele dilúvio era um sinal. Estava caregando o poeta e tudo ficou mais cinza em Natal. .. Sempre taciturno. Calado. Tinha suas preferencias. Dizia que João da Rua era um de seus herdeiros na poetagem.
Civone, tambem acordei debaixo d´agua descendo pelo conduto das luzes
Saudades do meu querido Bia.
… nunca mais goles de cerveja falando principalmente de cinema com esse querido companheiro do beco. dia triste mesmo…
[...] Mais: blog de Civone Medeiros, Diário de Natal, Substantivo Plural [...]
[...] blog de Civone Medeiros, Substantivo Plural e mais no Substantivo [...]
em salvador, de passagem, fiquei sabendo da notícia triste. liguei para abimael. fiquei triste.
Querido Bianor…de minha juventude regada a papos sobre Herman Hesse..de quem guardo pequenas palavras poéticas escritas nos guardanapos do Bardallos em 2007, sobre as quais ainda neste último sábado eu e Carlança comentávamos com Abimael aqui em Fortaleza.. Mais do que homem de vasta cultura, um ser generoso para com os amigos..alma torturada por amores dolorosos, vai agora, enfim, fazer poesia para e com almas afins..Fica em paz, inesquecível amigo!
Era uma grande figura e um bêbado insuportável (como o são a maioria dos bêbados). Vai fazer falta nas reuniões do Sebo vermelho e nas mesas do Beco da Lama.
Um pássaro negro alça vôo sobre o rio
rente a água a sombra corre
olhos semi-abertos se fecham.
Pelo seu legado, como pessoa e como poeta, Bianor continuará vivendo em nos