Poeta Bianor Paulino faleceu

24 de janeiro de 2011 às 14:51 - 12 Comentários

Poetas Moacy Cirne (esq.) e Bianor Paulino no Beco da Lama

Por Sérgio Vilar

O poeta e professor Bianor Paulino faleceu. A notícia me foi dada agora há pouco pelo presidente da Samba, Augusto Lula, via e-mail. Bianor era ilustre frequentador do Beco da Lama. Formado em Letras e Filosofia, seu nome figura em antologias poéticas e crônicas nos jornais da cidade. Tem intimidade com a poesia visual, com o poema processo. Nunca troquei palavra com o professor. Mas pelos elogios, pareceu ser uma grande figura humana. E esse mês de janeiro está estranho, muito estranho.

12 Comentários

  1. Lívio Oliveira
    24 de janeiro de 2011

    Triste notícia.
    Tomei algumas cervejas com Bianor. Ele também era amante dos haikais. Escreveu vários.
    Triste mesmo.

  2. 24 de janeiro de 2011

    LAMENTO! LAMENTO!

    Acordei essa manhã de cidadenxurrada num caos nada poético – limpando lama de cantos e quinas de nossa morada e arredores – com o telefonema do querido Raul Andrade, me avisando do passamento de nosso amigo, parceiro, poeta tão querido Bianor Paulino… Na 1ª hora deste 24 de Janeiro… Estamos muito tristes… Esta semana íamos visitá-lo no internamento… Agora, só na imaterialidade… Não sei o que dizer, passar…

    Na minha rede, algumas poéticas do Bianô… } http://naredecomcivone.blogspot.com/2011/01/lamento-2011-o-ano-da-morte-do-poeta.html

    ^cm

  3. 24 de janeiro de 2011

    Sim, eu disse sim. Quando o poeta morre tudo fica mais triste.
    Como disse Civone, aquele dilúvio era um sinal. Estava caregando o poeta e tudo ficou mais cinza em Natal. .. Sempre taciturno. Calado. Tinha suas preferencias. Dizia que João da Rua era um de seus herdeiros na poetagem.
    Civone, tambem acordei debaixo d´agua descendo pelo conduto das luzes

    Saudades do meu querido Bia.

  4. carlos de souza
    25 de janeiro de 2011

    … nunca mais goles de cerveja falando principalmente de cinema com esse querido companheiro do beco. dia triste mesmo…

  5. 25 de janeiro de 2011

    [...] Mais: blog de Civone Medeiros, Diário de Natal, Substantivo Plural [...]

  6. 25 de janeiro de 2011

    [...] blog de Civone Medeiros, Substantivo Plural e mais no Substantivo [...]

  7. João Batista
    25 de janeiro de 2011

    em salvador, de passagem, fiquei sabendo da notícia triste. liguei para abimael. fiquei triste.

  8. Elvira Rosa
    25 de janeiro de 2011

    Querido Bianor…de minha juventude regada a papos sobre Herman Hesse..de quem guardo pequenas palavras poéticas escritas nos guardanapos do Bardallos em 2007, sobre as quais ainda neste último sábado eu e Carlança comentávamos com Abimael aqui em Fortaleza.. Mais do que homem de vasta cultura, um ser generoso para com os amigos..alma torturada por amores dolorosos, vai agora, enfim, fazer poesia para e com almas afins..Fica em paz, inesquecível amigo!

  9. Alex de Souza
    26 de janeiro de 2011

    Era uma grande figura e um bêbado insuportável (como o são a maioria dos bêbados). Vai fazer falta nas reuniões do Sebo vermelho e nas mesas do Beco da Lama.

  10. cicero cunha bezerra
    8 de fevereiro de 2011

    Um pássaro negro alça vôo sobre o rio
    rente a água a sombra corre
    olhos semi-abertos se fecham.

  11. Carlos Antonio de Souza
    10 de fevereiro de 2011

    Pelo seu legado, como pessoa e como poeta, Bianor continuará vivendo em nos

  12. cicero
    9 de maio de 2012

    Quero deixar, ainda que tarde, meu protesto contra o silêncio no dia do lançamento de um num sei quê de pó-ema visual no prédio do Infern(o) e esqueceram de fazer a mais que justa homenagem ao velho Bianor. Estive na solenidade e vi amigos muito próximos fazerem uso da palavra e ignorarem, quando se falou em poesia visual no RN, o nome de Bianor como referência na aldeia. Uma pena e uma prova de que ele sempre, como Zaratustra, foi um solitário, mas jamais um otário.

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POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar