Porque estamos vendo filmes como nossos avós

8 de julho de 2010 às 9:34 - Comentar

Foto: Seriado Flash Gordon

Por Ana Maria Bahiana
UOL

Tomo café com um amigo de muitas batalhas, terno Armani que já viu crises, tendencias e ondas de poder irem e virem aqui nesta fábrica de sonhos e egos. Ele resume o estado de coisas no cinema independente, onde ele milita bastante (mas não exclusivamente): muito difícil, mais difícil do que nunca ele viu nos seus longos anos nas trincheiras. As principais fontes de financiamento do filme independente secaram: a gordura dos estúdios, em outros tempos cheios de grana com vários arrasa-quarteirões mais sólidos e longos desempenhos de filmes médios; os fundos de investimento europeus, que continuam apanhando da recessão; e os investidores privados, cada vez arriscando menos depois das sucessivas debacles do mercado financeiro.

Nos estúdios, para os quais meu amigo presta silenciosos e eficientes serviços de consultoria financeira, a situação não é muito diferente. “O mantra é risco zero”, ele diz, acrescentando que essa tendência está trazendo de volta um cinema mais antigo que o 3D, tão incensado como salvador de bilheterias: o seriado. “A verdade é que estamos vendo, essencialmente, o mesmo tipo de cinema de nossos pais e avós – os mesmos personagens em aventuras sucessivas e diferentes, mas não muito. Nos anos 1980, a trilogia dominava e os estudios corriam atrás de material que rendesse tres filmes e vários subprodutos. Hoje isso não basta: tem que ser uma franquia com pelo menos cinco, idealmente sete títulos. Ou seja- estamos de volta ao seriado, aos filmes de Flash Gordon e Tom Mix.”

Ele me conta algumas coisas muito pouco divulgadas, mas extremamente importantes: por exemplo, que com a crise o custo médio de produção de um filme caiu cerca de 20% _ mas o custo de lançar e divulgar o mesmo filme dobrou; que a maioria do talento caro – atores, diretores e roteiristas top – está recebendo ofertas de acordos com salário menor e mais participação na bilheteria (“assim todo mundo compartilha o risco”); e que o dinheiro feito na distribuição digital (“que todos esperavam que substituisse o dvd/blu ray, que está caindo”) ainda é “insignificante.”

Não é um cenário muito animador mas, ele acrescenta, nada dura para sempre na industria. Agora é ver quem são os novos players e as novas soluções que vão surgir com mais esta crise/oportunidade.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”