Prosseguindo a leitura de Foucault
9 de julho de 2009 às 10:22 - ComentarReitero que não consigo entender porque o pensamento de Foucault é ameaçador à democracia. Estou cada vez mais certo que tal idéia é fruto do desconhecimento sobre o que defendia o filósofo francês. Exemplo destaco a seguir, no comentário de Manoel Barros da Motta, introdutório ao volume 5 de Ditos & Escritos. Há outros trechos que elucidam tanto quanto aqui. Inclusive, trechos de entrevistas, falas e textos de Foucault em que, como estudioso do poder, rejeita diversos modelos autoritários (sem contar nas suas análises do poder psiquiátrico e do poder penal). O que vier entre aspas é citação de Foucault:
Foucault considera que no século XIX surgiu na Europa algo que jamais existira, Estados filosóficos, ou que ele chama também de Estados-filosofias, isto é, “filosofias que são simultaneamente Estados, e Estados que pensam sobre si, que reletem sobre si mesmos, que se organizam e definem suas escolhas fundamentais a partir de proposições filosóficas, dentro de sistemas filosóficos e como a verdade filosófica da história”. Fenômeno surpreendente e perturbador para Foucault, porque todas essas filosofias que se tornaram Estados eram filosofias da liberdade desde o século XVIII até Marx e, no entanto, “essas filosofias da liberdade instituíram, a cada vez, formas de poder que, seja na forma do terror, da burocracia ou ainda do terror burocrático, eram o próprio oposto do regime da liberdade, o contrário mesmo da liberdade tornada história”.
Foucault caracteriza como de cômica amargura a posição desses filósofos ocidentais modernos: pensando-se numa relação de oposição essencial ao poder, quanto mais foram ouvidos e investidos nas instituições políticas, mais “serviam para autorizar formas excessivas de poder”. (…) Foucault chega a dizer que mais do que o apoio dogmático das religiões, a filosofia autenticou Estados sem freio. Marcante é o exemplo do stalinismo.


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