Prosseguindo a leitura de O culto do amador

9 de julho de 2009 às 16:24 - Comentar
Por Daniel

Prossigo, também, minha leitura de Andrew Keen ( O culto do amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009).

Keen (2009, p. 82) diz que, com a emergência da Internet, perdemos “aquela conversa ou debate informado sobre os fatos em relação aos quais todos têm uma opinião que é lugar-comum”. Que imagem é essa? Quem disse que na mídia convencional é diferente? A Internet, reitero, desvela o discurso que já está presente na mídia convencional.

Mais a frente, ele cita uma matéria do The Economist que informa que os falsos links de fraudes publicitárias constituíram, em 2006, algo em torno de 10 e 50% de toda publicidade online em 2006 – “totalizando algo entre 3 e 13 bilhões de dólares” (KEEN, 2009, p. 85). Para quem se arvora a ser um especialista preciso, a precisão é inacreditável!

Na mesma página, Keen diz que na mídia convencional a gente era capaz de reconhecer a distinção entre conteúdo publicitário ou pago e as matérias, coisa que não é mais real na Internet. Quer dizer que Keen realmente acredita – e os seus seguidores também acreditam – que a gente é capaz de distinguir matéria paga de texto redacional no jornalismo convencional? Diz ainda Keen (2009, p. 86) que esse “apagamento das linhas entre publicidade e conteúdo se deve em parte ao aumento da nossa descrença em negociantes e na publicidade”.

Nossa descrença não é resultado, como parece supor o autor, da emergência da Internet. Lembro-me dos comerciais das Casas Bahia cinco anos atrás. Eles interrompiam o conteúdo jornalístico dos programas, sem nenhuma marcação ou deixam, levando a uma nítida confusão entre conteúdo editorial e comercial. Em uma mídia convencional.

Além da afirmação de que a Internet favorece à explosão de narcisismo, apareceu um outro trecho em que concordo bastante com Keen (2009, p. 90):

A ironia da mídia “democratizada” é que alguns produtores de conteúdo têm mais poder que outros. Numa mídia sem guardião, em que a verdadeira identidade das pessoas está muitas vezes oculta ou disfarçada, quem é realmente fortalecido são as grandes empresas com grandes orçamentos para publicidade [reproduzindo os modelos de distribuição do discurso da mídia convencional, na ilusão de democracia da Web 2.0]. Teoricamente, a Web 2.0 dá voz aos amadores. Na realidade, são muitas vezes os que têm a mensagem mais ruidosa, mais convincente, e mais dinheiro para difundi-la, que estão sendo ouvidos.

Concordo com Keen, em que pese a minha discordância dessa noção elitista de guardião da cultura (e todas as suas implicações de uma cultura que precisa de defesa por estar ameaçada de morte) que ele costuma usar e do que fica subentendido em relação à mídia convencional, como se esse modelo não fosse sua perfeita reprodução. Incomoda-me a defesa de Keen da mídia convencional, como se ela não tivesse as mesmas facetas negativas e defeitos crônicos que o autor só enxerga na Internet, especialmente sua forma mais participativa, a chamada Web 2.0.

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”