Quem é ele?
5 de agosto de 2010 às 22:15 - Comentar
“Em silêncio bebe, na taça, o veneno…”
Esta mistura de encantos… Com uma aparência de bálsamo. Bálsamo de engano que destila numa mistura acre.
Bebe, e se embriaga de vaidade, duvida do tempo, das verdades e, cego, não olha para os lados ou para a frente… Para lá, lá para onde o seu olhar de anjo doce não tem visão do amanhã, onde sua descabida maldade vence seu desejo de ferir e mata com carinho como quem trucida por puro prazer; um prazer vestido de perversidade.
Tem sorriso lascivo, mãos ávidas transbordando de carinhos e de encantamento. Chora, ilude, confunde e diz que é feliz…”Na sua insana paixão” (é um ser tão vil…), seus seguidores são tantos… Os seus favores são acalantos e por isso ninguém desconfia da sua “oficina de mentiras”, como é suave vê-lo ou beijá-lo, e como grande é dizer seu nome. Quando precisas dele aos teus pés se derrama, quando choras diz que é o lenço para todas as horas… É preciso ser sensível, desconfiado, ter olhos bem atentos ao seu cantar de pássaro do bem, pois ele canta com tamanha maestria… Que difícil é, duvidá-lo. E quando sai da tua presença ri… Da tua dor, do teu segredo, do teu inocente credo. Nada faz por ti de verdade, em nada é o que prega ser. Assim, como uma ave de rapina, vive e alimenta-se da podridão da própria alma. Saborear desamor é sua sina, seu feliz contentamento. Há em seu fluir todo um arsenal de cintilo, a sua voz é sempre mansa… Da sua boca jamais sai um não… A tudo diz sim, seu abraço entre palmadas quentes em suas costas ou ombros é um aplauso de bem-vindo. No seu coração habitam brasas… Na sua boca um gosto torpe, pois ele bebe, em taça, veneno para depois vomitar falsidade.
…E o seu nome? quem é este que nos parece um bom vinho, que seu perfume em aloés se espalha e nos chega em algum instante de desolação?
… Ou quando morrias ele te chegou feito a salvação; um lobo, em pele de cordeiro… É ele o “falso amigo”, o mesmo que te dá abrigo ou mata tua sede e te dá pão.

