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Quintas 300 Anos

Quintas onde vivi anos de chumbo
Na beira do rio enfiando pés no mangue
Pescando e jogando bola
Nas calçadas vendo o tempo
Quintas da Fábrica de pregos
Das lavadeiras do rio
E dos assustados
Quintas dos Irmãos Lula e Dedé
Um dia fui comparar para nunca mais
Quintas de contar as placas oficiais
Da Travessa Mário Negócio
Tateio suas ruas para inventar sua geografia.
Como um flâneur sinto-me estrangeiro.
Do meu Tio João Caicó
E seu filho Neto, meu melhor amigo
Das feiras aos Domingos
E da primeira paquera
Inútil procurar a realidade na falta que ela me faz.
Na irrealidade que é o amor.
Quintas de ficar doente
E tomar bezetacil na bunda
De jogo de Biloca
E dedola

Saudades

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João da Mata

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