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15 anos de criação da revista Preá

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As coisas pedem para ser escritas. Insistem por caminhos variados. Eu não tenho outro jeito senão obedecer. No sábado (04/03), o poeta Oreny Júnior me enviou um WhatsApp. Queria saber se eu tinha determinados números da revista Preá para completar a coleção dele. Respondi-lhe que não. Fui doando e fiquei sem nenhuma. Ou melhor, tenho duas lançadas recentemente.

No dia 20 de fevereiro, meu aniversário, o jornalista Gustavo Porpino me enviou uma foto em que aparecem eu, ele, Anchieta Xavier e Érico Alves. Eu era o editor da revista, Gustavo o sub-editor e repórter, Anchieta o fotógrafo e Érico o motorista. Raríssimo registro da gente em ação.

Preá

Da esq. para a dir. Anchieta, Érico, eu e Gustavão pelas estradas do RN à procura de boas histórias para contar

No emaranhado de pessoas e grupos do Whats eu só vi a foto neste domingo (05/03). Vasculhando o aplicativo, dei com a mensagem de Gustavo. Entrei em contato com ele na hora para agradecer a lembrança e falamos sobre a revista.

Pedi para ele escrever sobre a aventura que foi trabalhar na Preá, revista de cultura criada pelo então presidente da Fundação José Augusto, François Silvestre, em 2003. Foi mesmo uma aventura e tanto. Com uma equipe reduzida, recursos parcos e uma burocracia sinistra, era uma luta botar a revista na rua, primeiro trimestralmente e depois bimestralmente. Periodicidade cumprida religiosamente. Às vezes, milagrosamente.

Mas conseguíamos graças à determinação de François, que uma vez chegou a pagar do próprio bolso gasolina para abastecer o carro velho da Fundação José Augusto que nos levaria ao interior para reportagem. Cito apenas esse exemplo para mostrar que esse era o espírito da coisa. Fazíamos na marra mesmo e tinha muito amor envolvido no projeto.

fernando

Entrevista com Morais foi feita na Tábua de Carne, a pedido dele, que queria comer carne de sol

Eu não conhecia François, Gustavo ou Anchieta. Quer dizer, François não me era desconhecido. Uns anos antes eu tinha malhado um poema dele incluído em coletânea organizada por Manoel Onofre, numa coluna sobre livros na Tribuna do Norte.

Então, eu era o nome menos provável, pelo menos para mim, para fazer parte de uma equipe comandada por François. Não tanto pelo episódio do poema, mas por vir da gestão passada (Woden/Garibaldi), num contexto de forte disputa política.

E de fato, o nome para a Assessoria de Imprensa já estava escolhido pelo gabinete da governadora Wilma de Faria, tratava-se de uma colega que já tinha trabalhado com Wilma na prefeitura. No entanto, François conseguiu sustar a nomeação e me indicou. Somente depois tomei conhecimento que acumularia a Assessoria com a editoria da revista.

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Lamentei não ter participado da entrevista com Ariano, em Recife, feita por Gustavo e Racine Santos

Fomos à luta e fizemos uma revista que marcou época. Entrevistas com Fernando Morais, Ariano Suassuna, Nei Leandro, Antônio Francisco, Vingt-um Rosado, Glorinha Oliveira, ensaios fotográficos e capas de Giovanni Sérgio, Marcelus Bob, Henrique José, Anchieta Xavier. Reportagens sobre a cultura nos municípios e sobre figuras como Oswaldo Lamartine, Raimundo Soares de Brito, Roberto Furtado, Osório Almeida.

Foi uma bela aventura. Mas na foto citada acima, deveria aparecer mais gente. Como o próprio François e o diagramador Lúcio Masaaki, as meninas do Gabinete, Aninha, Dulcineide, Socorro, que cuidavam da distribuição, os colaboradores. O que quero ressaltar é que a revista foi resultado de um trabalho coletivo, todos imbuídos das melhores intenções e por isso deu tão certo.

Só tenho ótimas lembranças e saudades daquele tempo. Infelizmente, Érico, o motorista, para quem não tinha tempo ruim, muito ligado a Gustavo, faleceu há alguns anos.

PS. Minha amiga editora deste SP, Sheyla Azevedo, tem quase todas as Preás e insistiu em me presenteá-las. Desta vez, prometo, não cederei exemplares pra mais ninguém.

Aqui você pode ler algumas edições da revista Preá.

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Tácito Costa

Comentários

4 comments

  1. Oreny Junior
    Oreny Júnior 6 março, 2017 at 16:16

    Tácito, parabéns pelas edições, trata-se de uma bela revista. Parabéns! Continuarei na batalha para aquisição dos números faltantes.
    Felicidades
    Oreny Júnior

  2. François Silvestre
    François Silvestre 7 março, 2017 at 19:19

    Li seu texto no SP. Sofri e vibrei. Sensação estranha. Não sei terei coragem de escrever sobre o assunto. Você me entende? Meu irmão de escolha é o que você é…E sobre você falar mal os meus versos foi uma bênção. Um xero na testa!

  3. thiago gonzaga 8 março, 2017 at 12:59

    Parabéns amigos, Tácito e François.
    Estou nesse momento lendo uma edição feita em homenagem aos 70 anos da ANRL, em 2006.

  4. Anchieta Rolim
    Anchieta Rolim 10 março, 2017 at 10:07

    François e Tácito, dupla de peso, essa. A cultura com certeza agradece o brilhante trabalho realizado por vocês (Bom seria que voltassem). Parabéns!

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