Salinger, influência e seguidores

28 de janeiro de 2010 às 22:10 - Comentar
Por Laurence Bittencourt

Interessante que esse sentimento de Tácito também reflete em mim, hoje. Na verdade o grande segredo de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”, penso eu, foi ter usado o palavreado da juventude americana que começava a se rebelar no inicio dos anos 50 através do personagem adolescente Holden Caufield.

Nessa mesma década começava a explodir o rock e toda a rebeldia e que terminou resultando em Woodstock. Fazendo uso de gírias e expressões típicas da juventude americana “O apanhador” é sem duvida um grande livro contracultural.

Incrível que hoje percebo que não há nada no famoso personagem de “O apanhador…”, que já não tivesse sido dito de uma forma muito mais elaborada e psicologicamente complexa por Dostoievski, por exemplo. Não estou tirando o mérito de Salinger, bem entendido, nem de O Apanhador, até porque eu gosto bastante do livro.

A inadequação de Holden Caufield ante a civilização (inadequação registrada por todo grande artista, diga-se, “A montanha mágica” de Thomas Mann é um exemplo claro) também se faz presente em Raskolnikov, ou se quiserem, em outro livro fundador da prosa moderna americana que é “As aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain, livro que Hemingway tinha verdadeira adoração. Sem falar claro de As aventuras de Tom Sawyer também de Mark Twain.

No sentido de elaboração lingüística e de enredo, considero “Pra Frente com a Viga Moçada!” (de Salinger) bastante superior ao “Apanhador”, embora nem de longe tenha influenciado e alcançado o sucesso mundial que a estória de Holden Caufield.

Uns dos meus livros favoritos, nessa mesma pegada de personagens que se debatem com a civilização, hoje esquecidos, é “O lobo da estepe” e “Demian” do escritor alemão Hermann Hesse.

Bom, Salinger, certamente deixou seguidores, sem dúvida, como Jack London e o próprio Jack Kerouac. Recentemente, por indicação de um professor amigo, me dei ao trabalho de me aventurar na leitura de “Meus dias de escritor” do escritor Tobias Wolff (que estou inclusive para passar a frente em qualquer sebo da cidade) uma espécie de seguidor de Salinger, mas infinitamente distante do talento, brilho e do charme de salinger.

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    NAN GOLDIN
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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente