“Sem Critérios”

1 de agosto de 2010 às 11:05 - 11 Comentários
Por João da Mata

Sem critério e sem escrúpulos

Caro Editor,

Por ocasião da 62ª Reunião Anual da SBPC, ocorrida em Natal no período de 26 a 30 de Julho de 2010, organizei uma exposição em homenagem aos fazedores da cultura do RN. A exposição denominada Potyguarana homenageava escritores e artistas plásticos da rica e pouca conhecida cultura norte-rio-grandense.
Foram selecionados cinqüenta títulos representativos da nossa cultura e alguns artistas plásticos do estado, com base num critério pessoal, de leitor contumaz e amante dessa cultura, deixando claro que essa seleção era parcial e não pretendia abarcar toda a cultura do estado. Tinha limitação de espaço e, por isso mesmo, limitei a minha seleção “pessoal” a 50 títulos de obras representativas da cultura do estado. Qualquer lista é excludente e quando me propus a fazer essa mostra tinha certeza e clareza que alguns títulos importantes não seriam contemplados.
Enviei o release da exposição para a imprensa e alguns blogs de cultura do estado. O editor de cultura do Novo Jornal entrou em contato com a minha pessoa – curador da exposição – e enviou um jornalista para me entrevistar. A entrevista feita pelo jornalista Alexis Peixoto foi muito boa e o conteúdo parcialmente reproduzido na edição do Novo Jornal do dia 29 de julho de 2010. Digo, parcialmente, pelas agressões a que foi submetido publicamente pelo editor de cultura do Novo Jornal.

Sou professor da UFRN há 35 anos e já montei inúmeras exposições. Numa presenciei algo semelhante por um jornalista que se propõem a informar e não distorcer os fatos. O senhor Franklin Jorge publica a matéria com chamadas que distorcem a boa entrevista do jornalista Alexis. Logo no início ele escreve em letras garrafais: SEM CRITÉRIO.

Depois, nos comentários intitulado “Alhos e Bugalhos” escreve que eu prestei um desserviço à cultura norte-rio-grandense e, ao final, diz que João da Mata corre o risco de se tornar uma figura folclórica (sic). Quem é o jornalista para julgar as pessoas e fatos?
Ora, pois, vamos aos fatos. A Expo Litero- Iconográfica Potyguarana foi vista e elogiada por centenas de participantes da SBPC de todo o Brasil. Cumpriu plenamente os objetivos da Cooperativa Cultural da UFRN de mostrar e divulgar a nossa cultura.
O Jornalista Franklin Jorge distorce fatos e entrevista. Como se não bastasse, reproduziu em seu blog somente o seu comentário “Alhos e Bugalhos”, acompanhado de outros comentários de pessoas que não me conhecem. Esqueceu de reproduzir o conteúdo do folder distribuído aos visitantes da exposição. Agrediu a um professor que tem uma vida dedicada ao ensino e a cultura do estado do RN. Agrediu, inclusive, a um colega escritor morto, que escreveu – entre outros livros- “Trovadores Potiguares”, que faz parte da relação dos cinqüenta títulos expostos na Potyguarana. Escrevi, em anexo SPlural, sobre Gumercindo Saraiva, levianamente agredido pelo jornalista.
Não é a primeira vez que o jornalista Franklin Jorge agride pessoas e escritores, fere reputações, e distorce fatos ampliados pelo seu blog e comentadores.
Um jornalista de cultura deve informar e cobrir os eventos culturais da cidade. O senhor Franklin Jorge agride levianamente as pessoas e presta um péssimo serviço à nossa cultura e convívio fraterno. Pratica um jornalismo de agressão e sem ética. Antes de opinar, ele precisa noticiar. Fui fortemente agredido pelo jornalista e peço gentilmente ao colega professor Cassiano Arruda Câmara, o direito de resposta, no cumprimento da lei.
Peço, também, que o jornalista Franklin Jorge, não utilize meu nome para se promover.

Atenciosamente,

Prof. Dr. João da Mata Costa – UFRN

11 Comentários

  1. 1 de agosto de 2010

    João,
    Conheço sua seriedade e honestidade intelectuais. Também é conhecida a sua abnegação em favor da cultura do RN. Muitas vezes gasta do próprio bolso para fazer essas exposições. Assumindo um trabalho que deveria ser feito pelas instituições culturais. Por tudo isso, merece a minha admiração e solidariedade. Abs.

  2. Luis Sávio Dantas
    1 de agosto de 2010

    Professor João da Mata não se estresse em demasia com coisas pequenas, embora eu saiba que um mosquito incomoda e as vezes mata, estou falando do tamanho da nobreza de caráter. Lembro-me de uma conversa que tive com um professor já falecido, sobre um certo escritor que estava espinafrando Cascudo num artigo de jornal, eu indaguei qual era a opinião do professor, ele respondeu-me: no contexto cultural quem é esse que ataca Cascudo ?………..

  3. Marcos Silva
    1 de agosto de 2010

    João:

    Tenho certeza de que sua seleção obedeceu a critérios. Sugiro que vc fale mais sobre esse ângulo da questão.
    Abraços:

  4. 1 de agosto de 2010

    DE JARBAS MARTINS:
    Aproveito aqui a sugestão dada por Marcos Silva: que se fale mais sobre a questão do critério utilizado para elaborações de listas e antologias.Tenho um interesse particular sobre o assunto: há dezesseis (sic) anos venho preparando uma antologia sobre a poesia do Rio Grande do Norte.Penso em terminar ainda este ano, e lançá-la no próximo. Sinceramente tenho minhas dúvidas sobre essas listas ( e não me refiro apenas à lista do nosso João da Mata) e antologias lançadas por esse mundo afora.Discutamos a questão levantada, em boa hora, por Franklin Jorge.

  5. françois silvestre
    1 de agosto de 2010

    Sempre achei essa história de listas uma renomada bobagem. Mas não entendo que seja motivo para iras e ódios dos excluídos das listas. Há tanta coisa mais importante clamando por ações e textos sobre a nossa pobreza cultural. Parece-me muita vaidade e ranços pessoais nessas contendas. Egos e egos quebrando espelhos. Meu abraço.

  6. 1 de agosto de 2010

    Acho que é preciso saber aceitar a crítica numa boa. Também acho que devemos fazer a crítica numa boa. Os critérios culturais pautados pelo Novo Jornal são mais ou menos legítimos que os de uma mera exposição? Os critérios do João são mais ou menos legítimos que os um curador? Não li o texto do Franklin, o que é uma pena, pq vi a exposição organizada pelo Da Mata. Tem tanta coisa para criticar na cultura atual do RN. Tácito, não tem como publicar aqui o texto do Franklin para termos uma ideia de como o tema foi tratado e poder julgar melhor?

  7. 1 de agosto de 2010

    Gustavo,
    O blog de Franklin está na lista dos blogs do SP (“Franklin Jorge”), ali do lado direito. Acesse.

  8. Nicolau
    1 de agosto de 2010

    Olha professor, apesar de o senhor ter me reprovado em física, do todo meu apoio em suas exposições, principalmente quando se trata da cultura local, tão pouco estudada e valorizada. Não sei por que esses babacas de outros blogs perdem tempo fazendo tantas críticas vazias e ofensivas. Não percebem que você está apenas tentando disseminar um pouco de cultura? Não entendo porque levam para o lado pessoal. Só podem ser um bando de sádicos. Parabéns pelas iniciativas, só nos adiciona conteúdo e saber.

  9. 2 de agosto de 2010

    DE EDJANE LINHARES:
    Jarbas, recomendo conhecer a poesia de Haroldo José de Brito Silva. Tenho algumas e caso queira conhecê-las pedirei a autorização dele. O resto, François está completo de razão. Grande abraço João.

  10. 2 de agosto de 2010

    João, continue fazendo o que você gosta, doando seu tempo à cultura da nossa sofrida terra potiguar, não se importando com bobagens alheias…
    Abração

  11. 2 de agosto de 2010

    DE JARBAS MARTINS:
    Sim, Edjane, gostaria de conhecer a poesia de Haroldo.Como fazer? Beijos.

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AGENDA

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    Vento nordeste
    10-02-2012 às 7:14 - Comentar
    Por Oreny Junior

    sopra
    meu vento nordeste
    sou todo seu
    feito de sol e sal
    visto as velas
    desse cais cansado
    que tanto me espera
    levado pelas caiçaras
    nos lemes canguleiros
    sopra
    meu vento nordeste
    a amada me aguarda
    o rancho está vazio
    aproveita a baixa da maré
    e me atraca
    joga essa âncora
    onde o tempo
    por uns dias
    será meu amigo
    sopra
    meu vento nordeste
    sopra
    sopra
    ..

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante
    • Marcos Silva: No diálogo de 2010 sobre esse tema aqui, SP, considerei o direito do feto como especialmente frágil, uma vez que é uma vida ainda sem voz. Prefiro que haja debate sobre esse e outros temas. Não procuro convencer ninguém. Apenas considero fundamental ocupar o espaço público com argumentos em confronto, evitar a política de cada macaco em seu galho. Sou homem, não engravido. Mas posso engravidar uma mulher. Para evitar isso, tomo as providências necessárias (camisinha, em especial). Se engravidasse alguém, defenderia o feto, sim - parte de mim, parte do direito ao meu corpo. Melhor conversar. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Marcos silva, discordo. O tema do aborto é tão absurdo que nem sequer deve ser debatido. Você não percebe que isso é exatamente o que os abortistas desejam? Eles desejam pôr em discussão um assunto que até então é evidente: a vida humana ganhou um valor intrínseco com o Cristianismo (todos são filhos de Deus, todos são irmãos), mas agora os que querem erradicar Cristo da sociedade estão querendo justamente questionar esse valor, "discuti-lo". Seria o mesmo que você propor que o tema da pedofilia é muito sério e precisa ser debatido, ou então que como alguns seres humanos têm tendência homicida, deveríamos debater o homicídio. A discussão em si já questiona o valor, e eu te asseguro que as pessoas que propõem isso sabem o que estão fazendo, porque eu estudei com essa gente que quer manipular a linguagem para mudar a sociedade. Elas nunca vão apresentar suas reais intenções, porque tais intenções não atrairiam ninguém, causariam repugnância. A propósito, desculpem-me: nos comentários anteriores errei o endereço. Querem ver se o aborto é algo a ser discutido? Assistam a esse vídeo: abort67.co.uk Abs - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Yuno Silva: Pelo visto dá para ver que o assunto é polêmico, cultural, um tabu histórico, e abordado com o lado emocional da racionalidade. Deixemos a cristandade de lado para um debate amadurecido. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Carmen Vasconcelos: Grata, Anchieta. - Avoengo
    • Marcos Silva: Walter: Entendo que o grande equívoco foi terem implantado uma ditadura no país. Objetivamente, os guerrilheiros do Araguaia e outros não tinham poder de fogo para o enfrentamento com um Exército regular e minimamente equipado, que sustentatava o regime. Mas a guerrilha anunciou, tragicamente (porque muita gente morreu e sofreu - e não só os guerrilheiros propriamente ditos), que nem tudo era ditadura. Não anunciou sozinha, claro. Parte da produção artística (música popular, artes visuais, teatro, cinema, literatura) também o fez. A mesma situação se observou nos movimentos sociais que foram se estruturando contra o regime. A "milicada" não precisava de treinamento, já era bem treinada e o demonstrou desde o começo do regime, oprimindo os adversários. É possível que a guerrilha tenha servido como álibi para o regime. Mas uma ditadura, quando não tem álibi, inventa, como o Nazismo o fez em relação aos judeus. - À sombra da ditadura
    • Clarissa Torres: Paiva, texto incrível! Que alma atormentada e corajosa. Realmente, a imagem é igualmente perturbadora e por isso belíssima. Me lembrou Ego Schiele. - Rita louca
    • Jarbas Martins: Seja apocalíptica, não, Paglia.Tenha medo não. De hora em hora Deus melhora. - Camille Paglia, em entrevista recente
    • Jarbas Martins: Sai dessa, M.Couto. - À sombra da ditadura
    • Jarbas Martins: Tô contigo, Alex. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”