Do Transe ao Funeral
26 de junho de 2010 às 9:07 - 2 ComentáriosSexta Feira na Mostra Jean Rouch
Três grandes filmes num crescendo da minha admiração por esse cineasta múltiplo.
O primeiro filme “A invenção do cine- transe junto aos Songhay- Niger” narra de forma muito fiel a uma seção de transe de mulheres/ cavalos que recebem o espírito ao som dos tambores (cabaças) monocórdios tocados repetidamente acompanhados por m violinos de arco. Filme longo e bastante cansativo podia ser reduzido.
O segundo filme do dia foi o “Niger- França, ida evolta, ou a etno– ficção ao avesso”.
Petit à Petit. Uma deliciosa comedia de um africano que vem a Paris para olhar os prédios e encomendar um projeto que vai ser levado á sua cidade. O prédio será o mais alto abrigará suas várias esposas.
Em Paris ele aproveita para fazer etnografia de campo e m cenas muito bem urdidas e hilárias. Em Paris o rio é preso e as pessoas são feias.
Ao voltar à sua Niger junto com o amigo na companhia de duas mulheres e um malandro de rua para tocar a sua fábrica não mais se adapta ao capitalismo que compra barato e vende caro. As mulheres trazidas de Paris não se adaptam e o malandro vai embora. Belo filme com os mesmos atores do excelente “Jaguar” (exibido na terça feira)
O ultimo filme foi o melhor de todos. Ritos funerários dos Dogon, no Mali. O primeiro filme narra um funeral com muita festa e lutas.
O segundo Funeral “A dama de Ambara” é deslumbrante. Um cortejo de mascaras e danças encomendam o morto num rito que representa todas as etapas da vida e a não possibilidade da união do casal Raposa Pálida ( entidade muito forte entre os povos Mali) e sua gêmea. A dança pulando a vagina é empolgante. O texto é um lindo poema.



2 Comentários
Caro João, companheiro de ricas sessões da Mostra Jean Rouch, assinaria em baixo seus comentários e apreciações, sobretudo quanto ao Le Dama de Ambara ter sido o mais deslumbrante de todos. Impossível ver esse filme sem se emocionar, e sem ver nele as sementes preciosas de tanto das nossas tradições e folguedos mais ricos, do Maracatú, das Tribos Carnavalescas, do Reisado, dos Clóvis cariocas, e dos próprios desfiles de Escolas de Samba, para citar os que me ocorrem agora. Só uma observação: creio que o título fica melhor traduzido como “O” Dama de Abara, por causa do “le”, artigo masculino francês, pois trata-se do nome do ritual; assim evita-se também a confusão com “a dama”, no sentido de “a senhora”. Abraços
Caro Chico,
Bem observado. Como no caso da Raposa Pálida que em francês é masculino.
Ja estou concentrado para hoje. Voce vai?
No final apoteótico tem o grande Jean- André Fiieschi.
Chico, pretendo escrever mais sobre Le dama d´Ambara.
Que sera que Tácito achou conversando com Demétrio?
Eu tb quero um enterro assim
abração