Sobre “A Tragicomédia de Apipucos”

11 de julho de 2010 às 11:58 - 5 Comentários
Por fernando monteiro

É não menos que irretocável a análise de Gilberto Freyre que Benjamin Moser faz no texto “A Tragicomédia de Apipucos”.
O fundo de pensamento reacionário que que ali se examina não é novidade para ninguém que não seja “gilbertófilo” fanático (como os Edsons Nérys dos gatos e dos felinos Freyres etc), porém Moser – com legítima isenção norte-americana típica do intelectual independente que aqui raramente encontramos – vai mais fundo nas contradições gilberteanas que, mais do que simples “paradoxos” (já ouvi muito isso) de uma trajetória intelectual controvertida etc, são insuportáveis menoridades de um talento maior que se prestou até para ser “dedo-duro” político, na vida. E coisas assim nunca poderão ser perdoadas (digo-o, desde já, aos panegiristas de Freyre que, com certeza, irão ser ouvidos nos arraiais da próxima FLIP)…

5 Comentários

  1. João da Mata
    11 de julho de 2010

    Caro Fernando,

    Sim, pode ser uma tragicomédia. Como tragicomédia é a sociedade americana. Os bias, vaidades e taras do Gilberto Freyre ja comentamos aqui em Gilbertianas.

    Não é por ser americano que o autor do texto não possa cometer outros bias

    Tb comentamos que Gilberto escreveu alguns dos livros mais importantes para conhecer o Brasil.

    Gilberto foi um visionário, em alguns aspsectos. Foi dele que ouvimos falar pela prima volta de James Joyce

  2. Fernando Monteiro
    11 de julho de 2010

    Oautor do texto poderia ser americano, afegão, luxemburgês o marciano, João da Mata, e eu teria elogiado do mesmo jeito.
    Então, uma frase como essa sua “não é por ser americano que o autor do texto não possa cometer outros bias” não faz o menor sentido.
    O Gilberto Freyre que eu conheci, eu conheci um pouco mais pertinho do que vocês, pois não?

  3. Fernando Monteiro
    11 de julho de 2010

    “Não é por ser americano que o autor do texto não possa cometer outros bias”.
    Sinceramente, não entendi. Para mim, Moser poderia afegão, belga, esquimó, marciano – o elogio que fiz ao texto dele seria o mesmo…
    Por que aí em Natal vocês estão sempre “preocupados” com o lugar em que as pessoas nasceram, hein, João? (É alguma espécie de “tara”?…)
    E, quanto a Gilberto, eu o conheci bem. Talvez até melhor do que você.

  4. João da Mata
    11 de julho de 2010

    Fernando, meu comentário foi baseado na sua frase:

    “porém Moser – com legítima isenção norte-americana típica do intelectual independente … ”

    Será! A USP e muitos não leram Gilberto e Cascudo. Foi uma falha.

    Outros grandes tb cometeram bias

  5. Fernando Monteiro
    11 de julho de 2010

    João, o “legítima isenção” (de BM) da minha frase refere simplemente o fato de que, em princípio, o autor do texto que eu elogiei estaria naturalmente à vontade para escrever — sobre Freyre ou qualquer outro brasileiro — por ser norte-americano (e, por sinal, o autor da notável biografia de Clarice Lispector, recentemente traduzida aqui).
    Depois, a respeito de “independência” intelectual, até você há de concordar que a academia brasileira não prima exatamente por essa qualidade rara entre nós. No país do “rabo preso” (que é este Pindoroma), um Benjamin Moser já estaria sem emprego há muito tempo…
    Mas, permanece a pergunta: por que aí em Natal é tão dramaticamente importante o lugar em que uma pessoa nasceu? Nunca vi se atribuir tanta importância a isso quanto aí na terra a que um Franco Jasiello se doou inteiramente, para, seis anos depois da sua morte, estar completamente esquecido – para o “prazer” dos medíocres que já não gostavam dele enquanto estava vivo e incomodando muita gente AÍ, com apenas a sua grande cultura etc…

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    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente