Sobre intolerância e ódio

Tácito Costa
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Arte:  Reprodução de obra do artista Jean-Michel Basquiat

Eu gosto muito de rádio. Herança da infância no interior, quando este era o único meio a me ligar com o mundo. Hoje, entro no carro e já ligo o rádio. Prefiro ouvir música, embora aqui e ali me detenha em algum programa de notícias. Mas não sinto-me obrigado a ouvir o que não gosto.

A 94 FM, por exemplo, tem uma boa programação musical. Mas de vez em quando entra com comentários do jornalista Alexandre Garcia. Eu mudo de sintonia imediatamente. E às vezes não volto mais.

concentrado

Posso dizer que estou relativamente limpo. Mas, vocês sabem, né, agarro-me ao lema dos AA: “acima de tudo, faça-o um dia de cada vez”, não esquecendo, claro, de seguir os doze passos recomendados pelo Programa.

O Jornal Nacional eu assisto raramente. Veja, Isto É e Época nem quando encontro-as em salas de espera de consultórios. Prefiro Caras ou Contigo. Sociologicamente tem mais o que dizer sobre nossa sociedade e as pessoas de bem.

Resta o lixo tóxico das redes sociais e do WhatsApp. Desses também tenho procurado me poupar. Embora, por razões do ofício seja obrigado a assistir ao festival de imbecilidade que assola esses ambientes virtuais.

Uma das polêmicas desta semana foi o artigo da jornalista Miriam Leitão sobre agressões verbais sofridas por ela dentro de um avião. Nesta sexta, 16, foi publicado um vídeo em que um rapaz escracha com… Alexandre Garcia. Também num vôo. odio2

Lembro que os líderes do MST, João Pedro Stédile, e do MTST, Guilherme Boulos, já foram vítimas de agressões verbais. Um homem que lia a Carta Capital também foi desacatado. Enfim, o clima é esse e não vislumbro melhoras. Contudo, é preciso não confundir discurso de ódio ou de preconceito (crimes!) com liberdade de expressão. Isso pode nos custar caro.

Por princípio sou contra esses tipos de manifestações, ruidosas e agressivas, que ganharam desmedida audiência graças aos celulares e redes sociais. Quer seja contra jornalistas, quer seja contra quaisquer outros cidadãos.

Sinceramente, não vejo em que isso possa contribuir para a Democracia ou para nada. Mas, o clima político no país está tão tenso e polarizado que os que pregam calma, tolerância, razoabilidade ou bom senso são taxados de ingênuos. Não existe mais meio termo, todos temos de escolher um extremo e nos preparar para a guerra. Empatia que é bom quase ninguém cultiva. Nam!

Chegamos a esse ponto.

Há poucos dias um amigo me perguntou por que tenho escrito pouco nos últimos tempos. Respondi-lhe que ando sem ânimo e muito desanimado com a pobreza das discussões e debates e o clima de ódio reinante. Tenho índole pacífica por natureza e esse ambiente de intolerância e ódio só me faz mal, então prefiro ficar quieto no meu canto.

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Tácito Costa

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