Sobre o ódio e o cinza que nos sufocam e deprimem

Tácito Costa
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De onde vem esse ódio que nos cerca, sufoca, deprime e torna a vida mais cinza do que os muros pintados por Dória?

O que fazer quando ele está no grupo de WhatsApp da família, todos pessoas de bem? E entre seus amigos de redes sociais, também pessoas de bem?

E quando ele senta-se à mesa na sagrada hora das refeições e substitui a oração ou agradecimento pelo pão nosso de cada dia?

O que fazer com esse ódio?

Sair dos grupos, das redes, do convívio social com amigos e familiares? Isolar-se? Calar-se? Enfrentar essas pessoas odientas? Adianta? Tenho minhas dúvidas. Não tenho energia, disposição para esse enfrentamento sem fim. Convicção e fé cegas não se mudam.

As certezas dessas pessoas sobre certas questões, em debate nesse momento na sociedade brasileira, são definitivas. Nada as mudará. É pregar no vazio.

Questões complexas são reduzidas a maniqueísmos e soluções assustadoras. A pessoa forma opinião e convicções a partir do que vê e ouve na tv e no rádio. Noticiários superficiais que não aprofundam os assuntos abordados.

Abraçam sem pensar discursos de ódio de pessoas que elas admiram. Que podem ser lideranças ideológicas, empresariais, sindicais, religiosas. Tanto uns quanto outros se dizem cristãos. Acredito que são mesmo.

Fizeram o catecismo e a primeira comunhão. Continuam indo a missa e comungando. Mas não param um minuto para refletir sobre o quanto esse ódio e intolerância estão em desacordo com o humanismo, a compaixão e a fé cristã que dizem seguir.

Curioso que encontro mais humanismo, compaixão e solidariedade entre amigos que não têm religião alguma (ateus, agnósticos, mas espiritualizados ao seu modo), do que entre amigos crentes, de todas as religiões. Não tenho como esconder que prefiro à companhia dos primeiros.

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Tácito Costa

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