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	<title>Substantivo Plural &#187; Arte</title>
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	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
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		<title>Philippe Cassard interpreta Schubert na Escola de Música da UFRN</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 13:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lívio Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Philippe Cassard]]></category>
		<category><![CDATA[Schubert]]></category>

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		<description><![CDATA[
Philippe Cassard
Quando duas importantes e sérias instituições educativas e culturais, como são a UFRN e a Aliança Francesa de Natal, unem-se em torno de uma meta comum, há sempre a tendência de dar certo.
No caso da apresentação do pianista francês Philippe Cassard, ontem, no auditório principal da Escola de Música da UFRN, como um dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://1.bp.blogspot.com/-FQ1qcBxYLgM/Tm7Yd7TxukI/AAAAAAAAABw/4bdun12RwSc/s1600/cassard1_0.jpg" alt="" /></p>
<p><em><span style="color: #000080;">Philippe Cassard</span></em></p>
<p>Quando duas importantes e sérias instituições educativas e culturais, como são a UFRN e a Aliança Francesa de Natal, unem-se em torno de uma meta comum, há sempre a tendência de dar certo.</p>
<p>No caso da apresentação do pianista francês Philippe Cassard, ontem, no auditório principal da Escola de Música da UFRN, como um dos diversos eventos programados para a Semana da Música 2011(<a href="www.musica.ufrn.br" target="_blank">www.musica.ufrn.br</a>), deu mais do que certo.</p>
<p><span id="more-36012"></span><!--more-->O músico nos brindou com um charmoso e rico Recital comentado (que contou com a tradução de uma carioca de sobrenome mais do que curioso: Tolstoi) em torno dos <em>Impromptus</em> D899 Opus 90 e D935 Opus 142, peças de fantasia, com caráter narrativo, do compositor austríaco Franz Schubert (Himmelpfortgrund, 31 de Janeiro de 1797 — Viena, 19 de Novembro de 1828).</p>
<p>Por quase duas horas o público contou com uma apresentação de elevado nível musical e toques didáticos sobre a obra de Schubert, contando ainda com a leitura dos poemas e poetas românticos que influenciaram as peças musicais do compositor.</p>
<p>No endereço eletrônico abaixo, você pode encontrar uma entrevista de Cassard sobre os <em>Impromptus</em> de Schubert:</p>
<p><a href="http://www.classiquenews.com/voir/lire_article.aspx?article=1669&amp;identifiant=20081260JVKZ5OEWCGDJ6ZSECD9CP0D3">http://www.classiquenews.com/voir/lire_article.aspx?article=1669&amp;identifiant=20081260JVKZ5OEWCGDJ6ZSECD9CP0D3</a></p>
<p>No coquetel oferecido pela Aliança após o concerto, tive a oportunidade de conversar com o pianista. Cassard me mostrou sua forte impressão de que o Brasil é mesmo um país musical. Falou-me sobre sua admiração por compositores como Carlos Gomes e Villa-Lobos e disse já ter tocado com o celebrado violoncelista Antonio Meneses, além de ser amigo pessoal de Nelson Freire, outro pianista de quilate internacional.</p>
<p>O certo é que o espetáculo de ontem mostrou que podemos ter, nesta cidade, grandes acontecimentos culturais. E, claro, que precisamos saber escolher.</p>
<p>Ah! Um detalhe: a entrada foi gratuita. Afinal, mais uma vez se contou com o apoio e mecenato público da Petrobras e do Ministério da Cultura.</p>
<p>Vale, de fato, ficar atento ao que virá nessa Semana da Música 2011, que vai até o dia 15 de outubro nesta nossa cidade ensolarada.</p>
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		<title>Reflexões sobre uma canção alemã</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/reflexoes-sobre-uma-cancao-alema/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 17:02:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswin Lohss</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Reflexões sobre apresentação pública da canção “Kauf Dir Einen Bunten Luftballon” (“Olha O Balão”) no Brasil, ano 2011. {Será apresentada no Buraco da Catita, na Ribeira, em Natal/RN nesta quarta-feira, 24 de Agosto}.
A canção traduzida ao português (ao pé da letra):
“Quando tu ainda eras pequeno, somente lembra do passado, era um balão a sua mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reflexões sobre apresentação pública da canção “Kauf Dir Einen Bunten Luftballon” (“Olha O Balão”) no Brasil, ano 2011. {Será apresentada no Buraco da Catita, na Ribeira, em Natal/RN nesta quarta-feira, 24 de Agosto}.<br />
<span id="more-34515"></span>A canção traduzida ao português (ao pé da letra):<br />
“Quando tu ainda eras pequeno, somente lembra do passado, era um balão a sua mais alta felicidade. Quando hoje vês um no vento a voar, não deverias passar sem dar-lhe atenção.<br />
(Refrão) Por isso, compra um colorido balão, segura-o firme na tua mão; Imagina ele te levando, voando para um afastado país de contos de fadas. Compra um colorido balão, azul claro, lilás ou verde, e ele, antes de pensares, como recompensa, te arrastará para o país dos sonhos.<br />
Sobre as nuvens, onde trona o sol, e o céu azul ri, até o castelo de contos, logo atrás da lua, onde um príncipe te fará maravilhosamente feliz. Por isso, compra um colorido balão, e com um pouco de imaginação, voas ao país da ilusão, e serás feliz como nunca antes.<br />
(segundo verso) Chega na vida com freqüência um momento, em que por raiva se poderia sair da própria pele! Então se pensa às vezes “Ah, seria lindo, como um balão agora ir pelo ar!”<br />
Por isso, compra&#8230; (repete Refrão)”<br />
Eu conheci esta canção bonita em ritmo de Foxtrott, quando meu pai, nos anos 1980, preparando as bodas de ouro dos seus sogros, meus avós maternos, comprou um caderno de partituras “DAS GROSSE EVERGREEN CONCERT” setenta hits de 1930 a 1965, editora “Musikverlage Hans Sikorski, Hamburg” reedição 1983.<br />
Meu pai tocava muito bem piano, e preparou com a gente um pequeno repertório de músicas da época, quando os meus avós eram mais novos. Fez sucesso, meus avós ficaram emocionadíssimos e as canções entraram no repertório da família. Quando, aqui em Natal, um amigo professor de história me perguntou se eu tenho algum repertório de entretenimento da primeira metade do século vinte, eu me lembrei dessas canções, e aproveitando um momento, João Júnior, Harlane Rodrigues e eu traduzimos a canção do Balão. Ficou um pouco mais simples do que a tradução acima, devido à necessidade de encaixar as sílabas com a melodia . E depois de fazer<br />
uma pequena gravação caseira, como registro, esqueci.<br />
Aproximando-se a apresentação da nossa banda “Sotaque” no Buraco da Catita, Eduardo, nosso cantor, me pediu uma canção alemã, já que tocamos um repertório com músicas de vários países, como Argentina, Uruguai, Brasil e outros, e já que nosso nome sugere diversidade, faltava uma do meu país, que é a Alemanha.<br />
Têm lindíssimas canções alemãs, coisas que eu gosto de tocar, outras que não sei tocar, algumas que não combinariam muito com o clima de tocar numa ocasião dessas. “Olha o Balão” tem até uma tradução para o português, e já tenho certa prática de tocá-la, então será uma boa.<br />
Posso cantá-la em alemão, e em seguida Eduardo canta ela em português, para que a platéia possa entendê-la.<br />
Mesmo assim, acharia errado fazer isso sem, em algum lugar apropriado, comentar o fato de que se trata de uma canção publicada em plena Segunda Guerra Mundial, em 1943, num filme chamado “Der Weisse Traum” (Sonho Branco), na Alemanha nazista.<br />
Não conheço o filme. Gostaria de conhecê-lo, mas é difícil achá-lo. Parece que se trata de um musical onde os atores patinam em cima de gelo. Sei que ele foi refilmado nos anos 60 com Heinz Erhardt, um ator cômico muito popular, e com a mesma canção, que virou título do filme. Também não conheço esta segunda versão do filme. Li na internet, que a canção era muito popular na fase final da guerra, e que existe uma primeira gravação pós-guerra em vinil, de 1946, feito na Áustria (na época, talvez ainda sob supervisão dos Aliados), e depois várias regravações. Mesmo assim, não considero essa canção muito conhecida à minha geração.<br />
Uma pergunta é: &#8220;Pode-se apresentar esta canção de conteúdo obviamente inocente, tendo em vista que toda produção cultural da época em que foi publicada pode ser considerada nazista?” Quer dizer, pode ser considerado nazista a produção cinematográfica aprovada, se não dirigida, pelos órgãos oficiais do Terceiro Reich.<br />
E ainda na fase final desta ditadura horrorosa, que procurou extinguir sistematicamente Sinti, Roma, Judeus, oponentes políticos, deficientes mentais, Testemunhas de Jeová, homossexuais. &#8220;Pode-se cantar uma canção que foi feita e divulgada, enquanto os fornos dos campos de concentração estavam acesos?&#8221;<br />
De certa forma, justamente a inocência da letra numa época de violência imensurável parece ser uma culpa. “Como alguém pode cantar sobre balões, se o mundo está caindo em pedaços?&#8221; Mas a pergunta mais precisa é: “Como alguém pode mandar cantar sobre balões, se ao mesmo tempo está cruelmente subjugando os povos vizinhos?”<br />
Ou “Como um povo pode subjugar os povos vizinhos, torturar e matar milhões de pessoas e ainda cantar sobre balões?” Mas, a pergunta atual é : “Como posso eu, em 2011, cantar essa canção?”<br />
Esta pergunta é a repetição de um punhado de perguntas que surgem desde o fim do império nazista, em 1945. As perguntas, quando se referem à apresentação de obras de arte, têm respostas diferentes em épocas e lugares diferentes, com distâncias geográficas diferentes. Algumas perguntas são eternas, e não podemos deixar nunca de aprender a lição.<br />
Uma pergunta muito discutida é se existe uma culpa coletiva de todos os alemães. Depois surgiram outras palavras: responsabilidade coletiva, vergonha coletiva, identidade coletiva. Meus citados avós maternos achavam uma injustiça o termo “culpa coletiva”. Outro assunto muito polêmico é a continuidade de cargos. Muitos nazistas, por exemplo juízes, médicos, professores, magistrados, cientistas mantiveram o cargo depois da guerra, na Alemanha Ocidental. Um dos motivos do conflito de gerações nos anos 1968 e até motivação para ativistas da RAF (p.e. grupo Baader-Meinhof) nos anos 1970 era justamente esta experiência. Na área da música houve grande polêmica sobre o Maestro da Orquestra Philharmonica de Berlim Wilhelm Furtwängler. A pergunta era, se ele pode trabalhar na Alemanha democrática, tendo trabalhado sob os Nazis. Ele tinha protegido vários membros judeus da orquestra. Mesmo assim, se levantou a questão de como avaliar o fato de ele ter tido um cargo alto na época do Nazismo. Depois da guerra, depois de alguns anos de proibição de exercer a profissão, foi reabilitado. Entre outros, o famoso violonista americano, Yehudi Menuhin e o compositor Paul Hindemith, defendiam a causa dele. Até certo ponto Wilhelm Furtwängler tinha usado sua posição de maestro internacionalmente reconhecido, para se opor. Por exemplo, apresentou obras proibidas de Mendelssohn e Hindemith. Mas não emigrou. E assumiu cargos políticos, achando que poderia evitar algo assim, usando a sua influência. Mas acabou emprestando seu renome internacional e a sua boa reputação ao regime fascista. Inúmeros casos mostram o campo de conflito entre trabalho, ideologia, obra, criador, engajamento, participação ativa, passiva, se-virar-com-a-situação, por-se em risco, alimentar a família, sobreviver fisicamente, seguir metas éticas,&#8230;&#8230;.<br />
Para dar um pequeno exemplo da minha própria família: Meu pai nasceu em 1922, tinha quase 11 anos quando Hitler chegou ao poder. Ele não se associou à “Hitler- Jugend” (Juventude para Hitler) porque não quis, e por isso, durante anos, tinha que aparecer aos Sábados na escola para receber algumas aulas chatas, das quais os integrantes da Hitler-Jugend, que formavam a grande maioria, eram liberados. Quando se aproximaram as provas para o segundo grau, o pai do meu pai foi chamado pelo diretor da escola. Foi informado, que meu pai não seria admitido às provas, se não se associasse logo à Hitler-Jugend.<br />
A decisão foi tomada em família. Meu pai se associou. O concerto-recital, que normalmente a penúltima turma tocava na festa da formatura, para a turma que se formou, eles mesmos tocaram, porque a penúltima turma não existia mais. Tinham ido se alistar voluntariamente e ganhado o segundo grau de graça. Naquela época era uma escola de alunos masculinos.<br />
Quer dizer, havia um monte de pessoas, culpados de crimes horrorosos contra a humanidade, e tinha também um monte de pessoas tentando se virar com a situação cada vez mais chata e cada vez mais perigosa. Tinha um monte de pessoas tornando- se culpados por participação, e mais pessoas ainda tornando-se culpados por omissão, por não-olhar, por não-querer-saber.<br />
Eu sei que havia um primo do meu pai, que era nazista convicto até sua morte, muitos anos depois da guerra. Nunca reconheceu os próprios erros.<br />
E havia um primo da minha mãe, que se alistou aos 16 anos, porque tinha uma avó judía, e achava que não iam atrás dele se fosse soldado. Foi capturado pelo Exercito Vermelho russo, e passou oito anos como prisioneiro de guerra na Sibéria.<br />
A canção &#8220;Olha o Balão&#8221; é um exemplo de escapismo. Até a letra fala de fugir da realidade chata para uma realidade imaginária. Eu posso imaginar meu pai, ou meus avós maternos, desejando estar em outra situação. Me identifico com eles, são os meus antecessores. Assumo a responsabilidade que me deixaram. E consigo gostar e achar lindo esta música que eles gostaram ou pelo menos acharam engraçado e que provavelmente às vezes os deixava descansar um pouco. Como também as músicas eruditas que a Orquestra Philharmonica de Berlin deve ter tocado no rádio, pelo menos às vezes, no intervalo da propaganda nazista.<br />
Eu lembro de ter assistido alguma discussão entre pessoas da idade dos meus irmãos mais velhos, na época das manifestações contra armas nucleares na Alemanha. Entre outras coisas, paz, anti-energia-nuclear, anti-patriarcado, preservação do meio ambiente, xô-capitalismo, eram alguns dos assuntos. Lembro que alguma pessoa propôs alguma coisa, e então uma outra pessoa falava que tal medida não era apropriada porque, apesar de fazer alguma coisa boa, iria estabilizar o sistema e, era hora de derrubá-lo.<br />
Nesta discussão, que aconteceu muitos anos depois da criação da canção do Balão, está o dilema: A canção, sendo tão bonita, inocente, escapista, ajudou a estabilizar o sistema. Eu devo viver com o fato, que apesar dos fatos históricos, que acusam uma geração inteira, os meus avós namoraram e casaram nesta época, em vez de emigrar, que não era simples, ou se associar a um grupo de resistência. Sentiam saudade um do outro, quando afastados.<br />
Praticar escapismo é um comportamento para aguentar as dificuldades da vida. Não é exatamente um indicador de heroísmo, mas de certa forma é até um direito.<br />
Outra questão interessante é a independência, ou a autonomia da obra do autor. Ela depende de vários fatores. Provavelmente existem obras, que por definição nunca terão autonomia. Outras sim. Eu posso dizer que as pirâmides do Egito são estéticamente preciosas, mas muitas pessoas foram escravizadas para construí-las. Agora, as pirâmides foram construídas há muito tempo. O Terceiro Reich foi ontem.<br />
Quando Karl-Heinz Stockhausen, ícone da música moderna erudita, fez uma observação meio abestalhada sobre o atentado de 11 de setembro, pouco tempo depois do ocorrido, falando mais ou menos que isso também é arte, se desculpando dentro de 24 horas, cancelaram uma série de concertos de obras dele, preparada com muito esforço, em Hamburgo, Alemanha. O patrocinador principal do evento, acho que era uma fundação da editora de um jornal semanal liberal importante (“Die Zeit”), provavelmente estava preocupado com a reputação. Eu achei errado cancelar os concertos. Eu achei muito errado o que ele falou, porque eu acho que assassinato em massa não pode ser arte, e também nunca entendi muito da obra dele. Mas achei que tinham escolhido a obra para ser apresentada, e não o criador.<br />
Mas também defendo tratar com muito cuidado o assunto do Holocausto. Simplesmente não é uma coisa de se fazer piadas grosseiras. O diretor de cinema dinamarquês Lars von Trier recentemente deu um mal exemplo disso. Numa entrevista coletiva uma repórter fez uma pergunta um pouco provocativa. Se eu lembro bem, ela perguntou se existia uma relação entre a estética “gótica” do novo filme (sobre o fim do mundo) e o fato dele ter antecessores alemães. Ele tentou ser irônico e acabou falando um monte de besteiras, humilhou muitas pessoas e com isso acabou se prejudicando.<br />
Eu entendo, que ele tentou dizer mais ou menos isso: “Você está me provocando com um clichê sobre a Alemanha, então vou representar o clichê mais reforçado para provocar ainda mais. Sim, gosto destas coisas bombásticas alemães, e como eu tenho descendência alemã, eu tenho o direito de ser assim, e gostar dessas coisas”. E então, ele tentou fazer uma crítica sobre o filme “A Queda”, dizendo que ele pode se identificar com Hitler, naquele bunker, e assim simpatiza com Hitler. E que é nazista. Ainda falou de “solução final” para jornalistas. Essa para mim foi muito sem graça. Mostra que, quem brinca com fogo, se queima. Simplesmente não é engraçado. Lars von Trier em seguida foi declarado persona-non-grata pelo resto do festival de Cannes, mas o filme dele permaneceu na competição.<br />
Eu tenho a mesma crítica ao filme “A Queda” (as últimas horas de Hitler, roteiro: Bernd Eichinger). Apesar de o desempenho do ator principal (Bruno Ganz) ser impressionante, é um absurdo essa tentativa de mostrar o “humano” Hitler. Charlie Chaplin já tem feito isso no “O Grande Ditador”(1940). O que se refere à humanidade de Hitler, isso para mim é suficiente. “A Queda”, sem eu querer insultar ninguém, de certa forma é pornográfico. Eu acho, que talvez Lars von Trier quis mostrar isso. Tipo assim, &#8220;se você quer discutir sobre minha família quando se trata de estética, porque não começa com &#8216;A Queda&#8217;? Se este filme está liberado, o que será proíbido?&#8221;<br />
O que está proíbido é outra boa pergunta. Existe uma vertente que se oponhe ao conceito do politicamente correto. Eu vejo duas possíveis motivações para isso. Primeiro, poderia-se defender que a arte precisa ser livre. Ela não poderia observar exigências éticas. Na minha opinião, então, ela não deveria se deixar usar para tais. Poderia se argumentar que a ética tenta se relacionar com a arte, mas que a arte muitas vezes nega essa relação. Tudo isso para mim soa muito generalizado. A arte é<br />
um campo vasto. Existe arte ligadíssima com a ética. Outra mais afastada. Outra motivação por abdicar ao conceito do politicamente correto seria o fato de que a política em si não estaria correta, que estaria cada vez mais mentirosa, cada vez menos crível. Uma arte que clamaria por ser politicamente correta criaria a mentirosa impressão, que existe ética na política. Estabilizaria um sistema em que o império Norte-Americano se acha certo com o campo de Guantánamo.<br />
Um raciocínio assim implica o perigo de tirar conclusões duvidosas. Minhas reflexões sobre a canção do Balão não se assentam no problema do conceito de proibir algo, ou não. O conceito do politicamente correto é sim, problemático, mas a ausência da reflexão ética pode ser mais problemática ainda. Eu acharia muito errado alguém cantar certo repertório sem contextualizá-lo em público.<br />
A coitada da canção do Balão começou a vida numa ditadura. Mesmo assim nasceu linda. Foi comandada para estabilizar um sistema horroroso. Está vendo dias melhores agora, e até ganhou uma tradução para o português. E será apresentada no Buraco da Catita, na Ribeira, em Natal/RN no dia 24 de Agosto. Para estabilizar nada e ninguém. Para contar a própria história. E serviu para compartilhar a reflexão. Para que não esqueçamos. Apareçam.</p>
<p><strong><br />
autor: Oswin Lohss. texto gentilmente revisado por Fátima Oliveira e Fábio Rodrigo Barbosa da Silva.</strong></p>
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		<title>JJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJ</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 17:42:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Jota Medeiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Bela a expo emanações do Jota Medeiros (galeria conviv´art &#8211; UFRN). Uma síntese da obra de um artista inquieto e revolucionário em quase meio século de província. Artista múltiplo que transitou desde o poema processo até a arteconceitual, passando pelo grafismo cortante de uma arte a serviço ou em busca de um processo.
Em emanações jota [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bela a expo emanações do Jota Medeiros (galeria conviv´art &#8211; UFRN). Uma síntese da obra de um artista inquieto e revolucionário em quase meio século de província. Artista múltiplo que transitou desde o poema processo até a arteconceitual, passando pelo grafismo cortante de uma arte a serviço ou em busca de um processo.<br />
<span id="more-19119"></span>Em emanações jota estar completo e faz uma longa reflexão sobre o cosmos desde o bigbang até a cidade invisível calviniana. Do circulum ao infinito numa linha reta que anuncia um koan e termina numa mandala.<br />
Jota, meu amigo de infância, é tudo isso. Um grande artista. Inteligente que ficou perdido nessa selva de mediocridade. Jota é Glauber. Jota é Palatinik. Jota a tudo experimenta numa arte cinética cujos primeiros vagidos foram dados pelo futurismo.<br />
Percebo uma aproximação do catalão Tàpies. Percebo Jota inteiro sempre em busca. Dilaceradamente. Fractalmente. Nunca linear. Genial. Ao colocar cores nos seus desenhos Jota melhorou ainda mais naquilo que sua arte suprema existência “ vida que é D´US”..</p>
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		<title>A revelação de uma outra realidade</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-revelacao-de-uma-outra-realidade/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 14:59:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Antônio Gonçalves Filho
Estadão
Retratos Pintados, de Titus Riedl e Martin Parr, recupera a ameaçada arte dos bonequeiros do Nordeste do País, que transformam o negativo da vida de pessoas simples em imagens que as ajudam a suportar a própria história.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/retrato-nordeste-antigo.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-19091" title="retrato - nordeste antigo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/retrato-nordeste-antigo-510x340.jpg" alt="" width="510" height="340" /></a></p>
<p><strong>Por Antônio Gonçalves Filho<br />
Estadão</strong></p>
<p>Retratos Pintados, de Titus Riedl e Martin Parr, recupera a ameaçada arte dos bonequeiros do Nordeste do País, que transformam o negativo da vida de pessoas simples em imagens que as ajudam a suportar a própria história.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100619/not_imp568968,0.php" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Anjo Azul</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/anjo-azul-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 01:14:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Dica Cultural
A galeria Anjo Azul vai fechar.
Nada em Natal vinga. Uma galeria maravilhosa durou pouco tempo. Ainda pode-se comprar Quadros e Esculturas em promoção.
Foi vendido muita coisa mas ainda tem muitos objetos de artes belos. Fica aqui o meu lamento.
Pena que os Quixotes foram vendidos
Li no jornal que a galeria vai fechar pq eNatal não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dica Cultural</p>
<p>A galeria Anjo Azul vai fechar.<br />
Nada em Natal vinga. Uma galeria maravilhosa durou pouco tempo. Ainda pode-se comprar Quadros e Esculturas em promoção.<br />
Foi vendido muita coisa mas ainda tem muitos objetos de artes belos. Fica aqui o meu lamento.<br />
Pena que os Quixotes foram vendidos</p>
<p>Li no jornal que a galeria vai fechar pq eNatal não tem mercado para obras clássicas e antigas.</p>
<p>Estamos lascados Tácito, Marcão , Carlão e demais decanos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/anjo-azul-2/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
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		<title>Arte, ciência e desenvolvimento</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 01:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[João Moreira Salles]]></category>

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		<description><![CDATA[Belo ensaio,  recomendo a leitura. Ha que existir um diálogo entre a Ciencia e as artes. O livro do Snow, citado por Joãozinho, é muito bom
ENSAIO
Um documentarista se dirige a cientistas
Arte, ciência e desenvolvimento
RESUMO Neste ensaio, derivado de uma participação do documentarista João
Moreira Salles em simpósio da Academia Brasileira de Ciências, discute-se
a hipervalorização das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Belo ensaio,  recomendo a leitura. Ha que existir um diálogo entre a Ciencia e as artes. O livro do Snow, citado por Joãozinho, é muito bom</p>
<p>ENSAIO</p>
<p>Um documentarista se dirige a cientistas<br />
Arte, ciência e desenvolvimento</p>
<p>RESUMO Neste ensaio, derivado de uma participação do documentarista João<br />
Moreira Salles em simpósio da Academia Brasileira de Ciências, discute-se<br />
a hipervalorização das artes e humanidades em detrimento das ciências<br />
&#8220;duras&#8221; e da engenharia, e as consequências do processo para o<br />
desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do país.</p>
<p><span id="more-18607"></span>JOÃO MOREIRA SALLES</p>
<p>Agradeço ao professor Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de<br />
Ciências, o convite que me fez para falar a uma plateia de colegas seus,<br />
na crença de que eu pudesse servir de porta-voz das humanidades num<br />
encontro de cientistas. Peço desculpas por desapontá-lo.<br />
Sou ligado ao cinema documental e, mais recentemente, ao jornalismo,<br />
atividades que, se não são propriamente artísticas, decerto existem na<br />
fronteira da criação. Jornalismo não é literatura nem documentário é<br />
cinema de ficção. Nosso capital simbólico é muito menor e nosso horizonte<br />
de possibilidades é limitado pelos constrangimentos do mundo concreto.<br />
Não podemos voar tanto, e essa é a primeira razão pela qual, com notáveis<br />
exceções, o que produzimos é efêmero, sem grande chance de permanência.<br />
Não obstante, é fato que minhas afinidades pessoais e profissionais estão<br />
muito mais próximas de um livro ou de um filme do que de uma equação<br />
diferencial -o que não me impede de achar que há um limite para a<br />
quantidade de escritores, cineastas e bacharéis em letras que um país é<br />
capaz de sustentar.<br />
Isso deve valer também para sociólogos, cientistas políticos e<br />
economistas, mas deixo a suspeita por conta deles. Na minha área, creio<br />
que já ultrapassamos o teto há muito tempo, e me pergunto de quem é a<br />
responsabilidade. Em 1959, o físico e escritor inglês C.P. Snow deu uma<br />
famosa palestra na Universidade de Cambridge sobre a relação entre as<br />
ciências e as humanidades. Snow observou que a vida intelectual do<br />
Ocidente havia se partido ao meio.<br />
De um lado, o mundo dos cientistas; do outro, a comunidade dos homens de<br />
letras, representada por indivíduos comumente chamados de intelectuais,<br />
termo que, segundo Snow, fora sequestrado pelas humanidades e pelas<br />
ciências sociais. As características de cada grupo seriam bem peculiares.<br />
Enquanto artistas tenderiam ao pessimismo, cientistas seriam otimistas.<br />
Aos artistas, interessaria refletir sobre a precariedade da condição<br />
humana e sobre o drama do indivíduo no mundo. O interesse dos cientistas,<br />
por sua vez, seria decifrar os segredos do mundo natural e, se possível,<br />
fazer as coisas funcionarem. Como frequentemente obtinham sucesso, não<br />
viam nenhum despropósito na noção de progresso.<br />
Estava estabelecida a ruptura: de um lado, o desconforto existencial,<br />
agravado pela perspectiva da aniquilação nuclear; do outro, a penicilina,<br />
o motor a combustão e o raio-X. Na qualidade de cientista e homem de<br />
letras, Snow se movia pelos dois mundos, cumprindo um trajeto que se<br />
tornava cada vez mais penoso e solitário.<br />
&#8220;Eu sentia que transitava entre dois grupos que já não se comunicavam&#8221;,<br />
escreveu. Certa vez, um amigo seu, cidadão emérito das humanidades, foi<br />
convidado para um daqueles jantares solenes que as universidades inglesas<br />
cultivam com tanto gosto. Sentando-se a uma mesa no Trinity College -onde<br />
Newton viveu e onde descobriu as leis da mecânica clássica- e feitas as<br />
apresentações formais, o amigo se virou para a direita e tentou entabular<br />
conversa com o senhor ao lado.<br />
Recebeu um grunhido como resposta. Sem deixar a peteca cair, virou-se para<br />
o lado oposto e repetiu a tentativa com o professor à sua esquerda. Foi<br />
acolhido com novos e eloquentes grunhidos.<br />
Acostumado ao breviário mínimo da cortesia -segundo o qual não se ignora<br />
solenemente um vizinho de mesa-, o amigo de Snow se desconcertou, sendo<br />
então socorrido pelo decano da faculdade, que esclareceu: &#8220;Ah, aqueles são<br />
os matemáticos.<br />
Nós nunca conversamos com eles&#8221;. Snow concluiu que a falta de diálogo<br />
fazia mais do que partir o mundo em dois. A especialização criava novos<br />
subgrupos, gerando células cada vez menores que preferiam conversar apenas<br />
entre si.</p>
<p>SÍNTESE E ORDEM Não sei se alguém já voltou a conversar com os<br />
matemáticos. Torço para que sim, apesar das evidências em contrário. Seria<br />
um desperdício, pois a matemática, para além dos seus usos, é guiada por<br />
um componente estético, por um conceito de beleza e de elegância que a<br />
maioria das pessoas desconhece.<br />
O que move os grandes matemáticos e os grandes artistas, desconfio, é um<br />
sentimento muito semelhante de síntese e ordem. Os dois grupos teriam<br />
muito a dizer um ao outro, mas, até onde sei, quase não se falam. (No<br />
passado, o poeta Paul Valéry deu conferências para matemáticos e o<br />
matemático Henri Poincaré falou para poetas.)<br />
Segundo Snow, com a notável exceção da música, não há muito espaço para as<br />
artes na cultura científica: &#8220;Discos. Algumas fotografias coloridas. O<br />
ouvido, às vezes o olho. Poucos livros, quase nenhuma poesia.&#8221; Talvez seja<br />
exagero, não saberia dizer. Posso falar com mais propriedade sobre a outra<br />
parcela do mundo, e concordo quando ele diz que, de maneira geral, as<br />
humanidades se atêm a um conceito estreito de cultura, que não inclui a<br />
ciência.<br />
Os artistas e boa parte dos cientistas sociais são quase sempre cegos a<br />
uma extensa gama do conhecimento. Numa passagem famosa de sua palestra,<br />
Snow conta o seguinte: &#8220;Já me aconteceu muitas vezes de estar com pessoas<br />
que, pelos padrões da cultura tradicional, são consideradas altamente<br />
instruídas.<br />
Essas pessoas muitas vezes têm prazer em expressar seu espanto diante da<br />
ignorância dos cientistas. De vez em quando, resolvo provocar e pergunto<br />
se alguma delas saberia dizer qual é a segunda lei da termodinâmica. A<br />
resposta é sempre fria -e sempre negativa. No entanto, essa pergunta é<br />
basicamente o equivalente científico de &#8216;Você já leu Shakespeare?&#8217;.<br />
Hoje, acho que se eu propusesse uma questão ainda mais simples -por<br />
exemplo: &#8216;Defina o que você quer dizer quando fala em &#8216;massa&#8217; ou<br />
&#8216;aceleração&#8221;, o equivalente científico de &#8216;Você é alfabetizado?&#8217;-, talvez<br />
apenas uma em cada dez pessoas altamente instruídas acharia que estávamos<br />
falando a mesma língua&#8221;.</p>
<p>RESPONSABILIDADE Vivendo quase exclusivamente no hemisfério das<br />
humanidades, recebo poucas notícias do lado de lá. O que eu teria a dizer<br />
sobre ciência fica perto do zero. Por outro lado, como especialista na<br />
minha própria ignorância, posso discorrer sobre ela sem embaraços. Com as<br />
devidas ressalvas às exceções que devem existir por aí, estendo minha<br />
ignorância a todo um grupo de pessoas e me pergunto de quem seria a<br />
responsabilidade por sabermos tão pouco sobre as leis que regem o que nos<br />
cerca.<br />
As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios<br />
cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade<br />
não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política<br />
eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte -e essa é a parte<br />
que mais me interessa- é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências<br />
como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito. A quase<br />
totalidade dos personagens de classe média da literatura e do cinema<br />
brasileiro contemporâneos pertence ao mundo dos artistas e intelectuais.<br />
São jornalistas, escritores (geralmente em crise e com bloqueio),<br />
professores (quase sempre de história, filosofia ou letras), antropólogos,<br />
viajantes (à deriva), cineastas, atores, gente de TV ou filósofos de<br />
botequim. Quando muito, um empresário aqui, um advogado acolá. Para<br />
encontrar um engenheiro ou médico, é preciso voltar quase a Machado de<br />
Assis. Cientistas são pouquíssimos, se bem que no momento não me lembro de<br />
nenhum. (Os filmes de Jorge Duran são uma exceção, mas ele nasceu no<br />
Chile.)<br />
É como se, do lado de fora das disciplinas criativas, não houvesse<br />
redenção. Em &#8220;Cidade de Deus&#8221;, o menino escapa do ciclo de violência<br />
quando recebe uma máquina fotográfica e vira fotógrafo. Não parece ocorrer<br />
a ninguém -nem aos personagens, nem ao público- a possibilidade de ele<br />
virar biólogo, meteorologista ou mesmo técnico em ciência.<br />
&#8220;Cidade de Deus&#8221; é uma narrativa realista, e portanto tende a preferir o<br />
provável ao possível. Mas não é só isso. Nenhuma daquelas profissões<br />
soaria suficientemente cool ao público -seria um anticlímax. Em nome da<br />
eficácia narrativa, bem melhor ele virar artista. Eleição para a Academia<br />
Brasileira de Letras dá página de jornal.<br />
Já no caso da Academia Brasileira de Ciências, saindo da comunidade<br />
científica, é improvável achar alguém que tenha pelo menos noção de onde<br />
ela fica, que dirá saber o nome de algum acadêmico.<br />
Há pouco tempo, escrevi o perfil de um jovem matemático carioca, Artur<br />
Avila. Boa parte dos meus amigos -alguns deles muito bem informados- não<br />
sabia da existência do Impa [Instituto Nacional de Matemática Pura e<br />
Aplicada], sob vários aspectos a melhor instituição de ensino superior do<br />
país (o número de artigos publicados em revistas de circulação<br />
internacional de alto padrão científico, por exemplo, põe o Impa de par em<br />
par com alguns dos grandes centros americanos de matemática, como Chicago<br />
e Princeton).</p>
<p>DESCOLADOS Uma das minhas obsessões é folhear a revista dominical do<br />
jornal &#8220;O Globo&#8221; . Existe ali uma seção na qual eles abordam jovens<br />
descolados na saída da praia, de cinemas, lojas e livrarias, para conferir<br />
o que andam vestindo. No pé da imagem, informa-se o nome e a profissão da<br />
pessoa.<br />
Um número recente trazia um designer, uma produtora de moda, um estudante,<br />
uma dona de restaurante, um assistente de estilo, outra designer, uma<br />
jornalista, uma publicitária, um &#8220;dramaturg&#8221; (estava assim mesmo), uma<br />
estilista, outra estilista e alguém que exercia a misteriosa profissão de<br />
&#8220;coordenadora de estilo&#8221;.<br />
Acompanho essas páginas há um bom tempo, e estatisticamente o resultado é<br />
assombroso. Conto nos dedos o número de engenheiros, médicos ou biólogos<br />
que vi passar por ali. Eles não podem ser tão malvestidos assim. De duas,<br />
uma: ou são relativamente poucos, ou a revista prefere destacar as<br />
profissões que considera mais charmosas.<br />
As duas alternativas são muito ruins, mas a segunda me incomoda<br />
particularmente, pois sei por experiência como é poderosa a atração<br />
exercida por algumas profissões com alto cachê simbólico.<br />
Dou aula na PUC-Rio, no departamento de comunicação, que num passado<br />
recente oferecia apenas cursos de jornalismo e publicidade. Durante alguns<br />
anos, lecionei história do documentário para turmas de futuros<br />
jornalistas. Em 2005 foi criada a especialização em cinema -e, hoje, quase<br />
todos os meus trinta e poucos alunos são estudam cinema.</p>
<p>PESADELO Existem no Rio quatro universidades que oferecem cursos de<br />
cinema; no Brasil, são ao todo 28, segundo o Cadastro da Educação Superior<br />
do MEC. No ano passado, a PUC-Rio formou três físicos, dois matemáticos e<br />
27 bacharéis em cinema.<br />
Existem 128 cursos superiores de moda no Brasil. Em 2008, segundo o Inep<br />
[Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira],<br />
o país formou 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas. Alimento<br />
o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós<br />
seremos muito elegantes.<br />
É evidente que um país pode ter documentaristas demais e físicos de menos.<br />
O Brasil já sofre uma carência de engenheiros. Segundo dados de um<br />
relatório do Iedi [Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial]<br />
entregue ao ministro da Educação, Fernando Haddad, a taxa de formação de<br />
engenheiros no Brasil é inferior à da China, da Índia e da Rússia, países<br />
emergentes com os quais competimos.<br />
A Rússia forma 190 mil engenheiros por ano, a Índia, 220 mil e a China,<br />
650 mil, diz o relatório. Nós formamos 47 mil. Os números da China são<br />
pouco confiáveis, mas outras comparações eliminam possíveis dúvidas. A<br />
Coreia do Sul, por exemplo, com 50 milhões de habitantes, forma 80 mil<br />
engenheiros por ano, 26% de todos os formandos.<br />
Na China, a crer nas métricas, essa proporção chega a 40%. Em 2006, a taxa<br />
por aqui era de apenas 8%. Até o México, país com indicadores sociais<br />
semelhantes aos nossos, hoje possui 14% de seus formandos nessa área.</p>
<p>ESTAGNAÇÃO Companhias que integram a &#8220;Fortune 500&#8243;, lista das maiores<br />
empresas do mundo, mantêm 98 centros de pesquisa e desenvolvimento na<br />
China e outros 63 na Índia. No Brasil aparentemente não é feita esta<br />
contagem; se o número existe, consegui-lo é uma proeza, o que só confirma<br />
a pouca importância atribuída ao assunto. O relatório do Iedi mostrou que<br />
os gastos totais em pesquisa e desenvolvimento como proporção do PIB estão<br />
estagnados no país. Há cinco anos não cresce o número de empresas que<br />
investem em desenvolvimento.<br />
Em 2009, apesar da crise, a Toyota sozinha registrou mais de mil patentes.<br />
A soma de todas as patentes requeridas pelas empresas brasileiras não<br />
chegou à metade disso, segundo a Anpei [Associação Nacional de Pesquisa e<br />
Desenvolvimento das Empresas Inovadoras]. Somos detentores de 0,3% das<br />
patentes do planeta. Em termos de inovação, ocupamos o 24º lugar entre as<br />
nações. O país prospera à força de consumo, não de investimento ou<br />
invenção.<br />
Compramos coisas que foram pensadas lá longe, as quais serão brevemente<br />
superadas por outras coisas que também não terão sido pensadas aqui. É um<br />
processo estéril. Escritores, cineastas e editores de suplementos<br />
dominicais se espantariam em saber que, na China, a proficiência em<br />
matemática desfruta de uma forte valorização simbólica.<br />
Na Índia, um jovem programador de software se sente no topo do mundo. Há<br />
pouco tempo, o jornalista Thomas Friedman, do &#8220;New York Times&#8221;, publicou<br />
uma coluna sobre os 40 finalistas de um concurso promovido pela empresa de<br />
processadores Intel, que premia os melhores alunos de matemática e<br />
ciências do ensino médio americano.<br />
Cada um deles solucionou um problema científico. Eis o nome dos jovens<br />
americanos premiados: Linda Zhou, Alice Wei Zhao, Lori Ying, Angela Yu-Yun<br />
Yeung, Kevin Young Xu, Sunanda Sharma, Sarine Gayaneh Shahmirian, Arjun<br />
Ranganath Puranik, Raman Venkat Nelakant -assim prossegue a lista, até<br />
terminar com Yale Wang Fan, Yuval Yaacov Calev, Levent Alpoge, John<br />
Vincenzo Capodilupo e Namrata Anand.</p>
<p>VALORIZAÇÃO PÍFIA Enquanto isso, como lembra o matemático César Camacho,<br />
diretor do Impa, várias universidades brasileiras têm vagas abertas para<br />
professores de matemática, não preenchidas por falta de candidatos. A<br />
valorização das ciências entre nós é pífia. Sempre me espanto com a<br />
presença cada vez maior de projetos sociais que levam dança, música,<br />
teatro e cinema a lugares onde falta quase tudo.<br />
Nenhuma objeção, mas é o caso de perguntar por que somente a arte teria<br />
poderes civilizatórios. Ninguém pensa em levar a esses jovens um<br />
telescópio ou um laboratório de química ou biologia? Centenas de<br />
estudantes universitários gostariam de participar de iniciativas assim.<br />
Com entusiasmo -e um pró-labore-, mostrariam que a ciência também é legal<br />
e despertariam talentos. Seria bom também se o nosso sistema educacional<br />
fosse mais flexível, com cadeiras de humanidades e iniciação científica no<br />
ciclo básico de todos os cursos universitários.<br />
É imprudente tomar uma decisão definitiva aos 18 anos de idade, mas é<br />
exatamente o que têm de fazer os alunos ao entrar na universidade -embora,<br />
como norma, eles não saibam para o que têm vocação. Uma vez escolhido o<br />
escaninho, somem as oportunidades de conhecer outras áreas e eventualmente<br />
migrar.<br />
Se em algum momento a vocação se manifesta, em geral o aluno e sua família<br />
consideram que é tarde. Circunstâncias econômicas ou psicológicas -começar<br />
de novo exige determinação férrea- dificultam muito um ajuste de rota.<br />
(Sei bem como é, porque foi o meu caso.) É absolutamente certo que, neste<br />
momento, alguns milhares de jovens estão prestes a cometer o mesmo<br />
equívoco.<br />
Muitos se revelarão apenas medianos ou preguiçosos, e é provável que a<br />
ciência não tenha como alcançá-los. Sem desmerecer os excelentes alunos de<br />
cinema, letras ou sociologia, é impossível negar que, para alguém sem<br />
grande talento ou dedicação, será sempre mais fácil ser medíocre num curso<br />
de humanas do que num de exatas.<br />
Alguns desses jovens sem orientação provavelmente terão inclinação para as<br />
ciências e ainda não descobriram. É preciso criar mecanismos que os ajudem<br />
a escolher o caminho certo. Infelizmente, as artes e as humanidades, pelo<br />
menos por enquanto, não colaboram muito. Ao contrário. Nós disputamos<br />
esses jovens e, infelizmente, até aqui estamos ganhando a guerra.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>SubstantivoPlural – Três anos</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/substantivoplural-%e2%80%93-tres-anos/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 18:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Substantivo Plural]]></category>

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		<description><![CDATA[Estado-da- Arte
Ninguém tem dúvida da importância do SPlural para a cidade de Natal, sua cultura e nossas vidas. Da participação salutar de colegas de fora e nativos no exílio ou a trabalho.  Participação de grandes intelectuais, poetas e professores de notório saber. Tudo isso torna esse espaço um veículo único de debates, informações e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bolo-aniversário-3-anos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18542" title="bolo - aniversário - 3 anos" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bolo-aniversário-3-anos.jpg" alt="" width="297" height="300" /></a>Estado-da- Arte</strong></p>
<p>Ninguém tem dúvida da importância do SPlural para a cidade de Natal, sua cultura e nossas vidas. Da participação salutar de colegas de fora e nativos no exílio ou a trabalho.  Participação de grandes intelectuais, poetas e professores de notório saber. Tudo isso torna esse espaço um veículo único de debates, informações e trocas. Ninguém sabe tudo e temos aprendido muito um com os outros.</p>
<p><span id="more-18536"></span>O que caracteriza o SPlural é como o nome diz sua pluralidade. Todos podem opinar e poucas vezes uma mensagem foi censurada por agressão a outrem.  Nem todos precisam ter a mesma bagagem intelectual e interesses. Quase sempre que leitores intervieram nesse espaço, tinham razão. Exigindo conteúdo e objetividade. Outros não participam e só exigem. Colegas que acessam sempre o SPlural e têm opiniões formadas sobre o seu conteúdo e participantes, mas não contribuem.</p>
<p>Observei algumas vezes, agressões verbais desnecessárias e participações que não ajudam nem informam em nada. Ou seja, de puro exibicionismo.</p>
<p>Outros entraram aqui para desabonar de maneira gratuita a colegas que levam muito a sério esse espaço democrático e revolucionário. Sei, como colaborador da hora primeira, da responsabilidade imensa sobre o que escrevemos e informamos aqui.</p>
<p>O leitor é o sujeito pensante e principal alvo do SPlural</p>
<p>A coisa mais gratificante que sinto no nosso substantivo é que ele já não é mais de ninguém.  É um sujeito coletivo que se expressa num amálgama de palavras desencontradas, ou não.  Todos desejam comunicar e a pluralidade é a marca desse blog substantivamente plural. Maravilhoso. De minha parte tenho dado o melhor que possuo. Se não flores vai um raminho perfumado com a doce lembrança de um afeto. Um cheiro.</p>
<p>Todas as manifestações aqui expostas são validas e fazem parte desse ser coletivo que é o substantivo.  Ele já é da cidade. De todos nós leitores, voyeur, escrivinhadores, admiradores, e críticos. Sim, críticos. Que seria da arte e literatura sem a crítica.</p>
<p>De minha parte tenho muito que aprender. Acho mesmo que todos que aqui se manifestaram foram portadores de uma verdade. Sua. Insubstituível. Sagrada. Bom quando podemos trocar. Em cada microcosmo o todo. Em cada um de nós uma parte substantiva desse blog maravilhoso.</p>
<p>Da Censura:</p>
<p>Das mensagens que foram apagadas e perdidas:</p>
<p>Fiquei muito triste das vezes que as mensagens foram apagadas.  Sabemos o que significa a censura, e o que representa a liberdade de comunicação dos blogs, listas, orkut, MSN, Twitter e outras vias mediáticas de rápido acesso que espero de vida longa. Não espero um teatro de sombras, mas de memórias. Já disse da outra vez o quanto isso me dói. O blog SPlural já faz parte de nossa memória e história. Não são poucos os artigos que mando para os jornais impressos que são censurados. Sabemos em que província estamos submersos, para emprestar o título do amigo Otacílio. Fico muito triste quando tentam apagar a minha história.</p>
<p>Grandes debates</p>
<p>O substantivo foi protagonista de grandes e acirrados debates sobre os mais diferentes assuntos, numa ação jamais vista e permitida em outros meios de comunicação da cidade de Natal.  Entre os temas abordados lembro dos seguintes:</p>
<p>Lista e discussão sobre escritores e cineastas consagrados.<br />
Centenário do escritor Euclides da Cunha<br />
Importância do Bloomsday em Natal, comemorado há mais de 10 anos.<br />
Regionalismo versus Universalismo<br />
A Mídia e as Eleições em Natal.<br />
Resenhas literárias e de cinema<br />
Crônicas e poesia</p>
<p>De Comemorações e outras efemérides literárias</p>
<p>Um dos assuntos mais discutidos aqui no SPlural foi a literatura. E por conseqüência o Bloomsday, questionado por alguns colegas sobre a sua prioridade para Natal em detrimento de outras comemorações de artistas e escritores locais. Lembrei que outras comemorações e celebrações acontecem em Natal desde o principio do presente século. Trata-se das comemorações do Dia de Camões (10 de Junho)  e do Dia Mundial do Livro ( 23 de Abril), em homenagem a Miguel de Cervantes.  O “Quixote com Rosas” &#8211; na sua 5ª edição &#8211;  é um sucesso.  Um evento para celebrar o livro e o Quixote, um dos maiores livros da literatura. Camões e Cervantes merecem ser comemorados, sempre.</p>
<p>Da poesia</p>
<p>Natal é uma cidade de grandes e diversificados poetas. O dia da poesia é uma das principais celebrações da cidade e vem sendo comemorado há décadas. O SPlural tem participado ativamente na divulgação da poesia local e universal. De poetas consagrados e novos.</p>
<p>Por último gostaria de comentar rapidamente o meu envolvimento e  participação nesse blog maravilhoso que espero de longa e profícua duração.</p>
<p>Confesso que tenho me dedicado muito ao SP nesses três anos de existência. Sou um dos colaboradores mais regulares. Escrevia mesmo quando alguns diziam que o blog estava ruim. Sempre participava.</p>
<p>Meu universo é muito amplo e multimídia. Tudo que comento faz parte do meu dia -a- dia. Amo as artes e os livros. Por isso estou falando sempre desses assuntos: cinema, literatura, artes plásticas, livros, bibliografias, efemérides literárias, etc, etc.</p>
<p>Comento por vezes sobre ciência, que é a minha formação principal. Nada é por vaidade, tenham certeza. Debato sempre. Tenho minha opinião sobre a política e militei muito tempo em sindicatos de professores.  Acho a política uma atividade essencial do cidadão e do intelectual, em particular.</p>
<p>Acho o SP um luxo para a cidade de Natal e seus participantes. Temos dado voz a quem não tinha. As opiniões divergentes têm aparecido. A opinião deixou de ser privilegio de uma elite “intelectual” de uma província que nem sempre valoriza o diferente e o contraditório. De uma elite que dominou esse estado por muito tempo e não deu voz há muitos. Somos plurais e isso é maravilhoso. Trabalhar com a diversidade é um exercício que devemos aprender a cada dia. Amo vocês e o Substantivo Plural. Parabéns meu querido amigo Tácito. Sei como você tem sido correto e o seu filtro é o da compreensão na diversidade e na tormenta.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O descaso pela arte</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/o-descaso-pela-arte/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 18:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Matisse]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=18511</guid>
		<description><![CDATA[Por Almandrade *
Ilustração: Matisse
“Na época atual, a fatalidade de toda e qualquer arte é ser contaminada pela inverdade da totalidade dominadora.” (Adorno)
A arte como um trabalho intelectual que amplia a experiência que o homem tem do real e do imaginário, se opõe ao trabalho alienante da sociedade moderna. Por outro lado, no meio de arte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Matisse-1.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-18512" title="Matisse 1" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Matisse-1-510x396.jpg" alt="" width="510" height="396" /></a>Por Almandrade</strong> *<br />
<em>Ilustração: Matisse</em></p>
<p><em>“Na época atual, a fatalidade de toda e qualquer arte é ser contaminada pela inverdade da totalidade dominadora.” <strong>(Adorno)</strong></em></p>
<p>A arte como um trabalho intelectual que amplia a experiência que o homem tem do real e do imaginário, se opõe ao trabalho alienante da sociedade moderna. Por outro lado, no meio de arte convivem compromissos e interesses alheios à própria arte; suas condições de produção se encontram dentro de um campo social e político, sujeito a um conjunto de pressões. O Estado, os patrocinadores e o mercado, visando interesses imediatos, privilegiam, muitas vezes, artistas cujas obras pouco acrescentam ao mundo da inteligência.</p>
<p><span id="more-18511"></span>No espetáculo montado pela política, tudo se confunde, tudo passa pela ideologia do poder e pela estética do espetáculo, como: a educação, a economia, a ecologia e os discursos políticos. Nesse palco, a cultura foi relegada a uma coisa mundana, uma espécie de conhecimento ornamental que serve à mídia e ao jogo social; a arte perdeu sua singularidade e suas qualidades que a colocavam acima das banalidades do cotidiano, deixando de ser o olhar que interroga, que transforma cores, texturas, formas, experiências sensoriais em meio de conhecimento. Nesta relação cultura e poder, insere-se a “crise da arte”, onde o poder tem prevalecido diante da pesquisa estética.</p>
<p>Enquanto trabalhos que têm alguma importância pela pesquisa neles investidos, passam despercebidos trabalhos diluidores da informação, reproduções de clichês divulgados pela mídia são celebrados pelos consumidores de decorações e divertimentos culturais. Uma sociedade sem demandas culturais acaba fazendo da arte uma atividade menor. O cotidiano da política e da economia faz o discurso que se infiltra em todos os espaços, expulsando a cultura para a periferia dos interesses da cidadania. Os artistas, que mesmo sem construírem uma obra, tem os seus reconhecimentos garantidos pela indústria da publicidade, se sobrepõem àqueles que tem uma vida dedicada à pesquisa e ao trabalho de edificar uma linguagem, contribuindo para a demolição da ética e do pensamento crítico.</p>
<p>Sem uma consciência crítica e sem uma convicção ética, artistas, críticos, intelectuais, administradores culturais inventados pela mídia e pelo poder político tomam posição e decidem contra a autonomia e a independência do trabalho de arte. Promovem e divulgam os bens culturais em proveito próprio, para se sustentarem de forma privilegiada numa relação de poder. – Nada mais paradoxal, por exemplo, do que essas leis de incentivo a cultura. Por que incentivar a cultura se ela é um componente essencial para o enriquecimento da sociedade? Antes de ser uma questão de lei, a cultura é uma questão de sensibilidade e de cidadania.</p>
<p>Há um desinteresse geral pela cultura que ocupa um lugar cada vez menos importante nos discursos do cotidiano. Para ser artista, antes de mais nada, é preciso um tráfego de influências pessoais, acesso à mídia e aos patrocinadores, que fazem da arte um produto incapaz de atribuir um sentido à existência da sociedade. E quem realmente patrocina a arte? – “Os contribuintes pagam aquilo que as empresas recuperam através de isenções fiscais pelas suas doações, e somos nós que verdadeiramente subvencionamos a propaganda.” (Hans Haacke). Numa sociedade comandada pela economia, tudo se resume à lei da oferta e da procura.</p>
<p>A arte, burocraticamente falando, é mais uma imagem carente de sentido que divulga um certo prestígio social e econômico, e menos um meio de conhecimento indispensável para o homem contemplar o mundo. Se a obra de arte é expressão de uma sociedade, testemunho de um tempo, de um estágio de conhecimento, renunciar à sua inteligibilidade é renunciar à história.</p>
<p>A política, por sua vez, apropriou-se da cultura e fez dela um verniz para animar ou dar um polimento ao discurso político. A arte perdeu sua inocência, ela agora é objeto do mercado, do Estado e de outras instituições que desconhecem seus mecanismos de produção e sua história. Se os partidos políticos que falam de cultura em seus programas de campanha querem fazer alguma coisa pela cultura, não deveriam fazer coisa alguma, e sim, devolverem aos intelectuais, aos artistas, a quem trabalha diretamente com a cultura, o poder de decisão e o comando do processo cultural. É preciso devolver à arte seu território perdido.</p>
<p>Quem atualmente exerce o poder sobre o destino dos bens culturais, trabalha, direta ou indiretamente para o mercado, ou é burocrata de carreira que pouco entende das linguagens artísticas e suas leituras. Acabam desprezando os seus valores à serviço do senso comum. Muitas instituições que lidam com a arte, sem recursos econômicos e sem um corpo técnico ligado à área, perderam a importância e a autonomia, quando não são agências de eventos irregulares sem um projeto definido. A mídia dominou a cultura e o artista deixou de lado a indagação da linguagem da arte, abandonou a solidão do atelier, para se tornar um personagem público do teatro social. E a proliferação de um produto designado como arte e do discurso estético, sem a arte, pode significar o desaparecimento da própria arte.</p>
<p><strong>(*)Artista plástico, poeta e arquiteto</strong></p>
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		<title>Uma voz que vira arte ao ar livre</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 13:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Susan Phillipsz]]></category>

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		<description><![CDATA[Sai lista oficial dos artistas da 29.ª Bienal de São Paulo, que começa em setembro, e um dos nomes mais fortes da arte conceitual, a escocesa Susan Phillipsz, fala ao Estado.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sai lista oficial dos artistas da 29.ª Bienal de São Paulo, que começa em setembro, e um dos nomes mais fortes da arte conceitual, a escocesa Susan Phillipsz, fala ao Estado.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100602/not_imp560207,0.php" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista com Luiz Zerbini</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 13:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Zerbini]]></category>

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		<description><![CDATA[
O artista plástico Luiz Zerbini tem sua obra multifacetada analisada em livro.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/zerbini.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-18400" title="zerbini" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/zerbini.jpg" alt="" width="381" height="288" /></a></p>
<p>O artista plástico Luiz Zerbini tem sua obra multifacetada analisada em livro.</p>
<p><a href="http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>3 livros revisitam obra e vida de Iberê Camargo</title>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 12:26:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Iberê Carmargo]]></category>

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		<description><![CDATA[Inquietações e tormentos existenciais da pintura do artista gaúcho, considerado criador do &#8216;realismo grotesco&#8217;.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Inquietações e tormentos existenciais da pintura do artista gaúcho, considerado criador do &#8216;realismo grotesco&#8217;.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,tres-livros-revisitam-obra-e-vida-de-ibere-camargo,558280,0.htm" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>“III Infinita Estética Particular &amp; Avulsos”</title>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 19:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>plinio sanderson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[ “III Infinita Estética Particular &#38; Avulsos”
Mostra de 27 obras Potiguares &#38; Alhures
(acervo e curadoria &#8211; Plínio Sanderson)
Artistas participantes:
Antonius Manso, Avelino Pinheiro, Cidinha Alcântara (RJ), Cláudio de Patos (MG), Eduardo Alexandre, Fábio di Ojuara, Fábio Eduardo, Flávio Freitas, Franklin Serrão, Gilson Nascimento, Jesus (RJ), João Natal, Jota Medeiros, Leonardo Sodré, Marcelo Fernandes, Marcelus Bob, Newton [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/flavio-freitas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-18151" title="flavio freitas" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/flavio-freitas-266x300.jpg" alt="" width="189" height="213" /></a> “III Infinita Estética Particular &amp; Avulsos”</p>
<p>Mostra de 27 obras Potiguares &amp; Alhures<br />
(acervo e curadoria &#8211; Plínio Sanderson)</p>
<p>Artistas participantes:<br />
Antonius Manso, Avelino Pinheiro, Cidinha Alcântara (RJ), Cláudio de Patos (MG), Eduardo Alexandre, Fábio di Ojuara, Fábio Eduardo, Flávio Freitas, Franklin Serrão, Gilson Nascimento, Jesus (RJ), João Natal, Jota Medeiros, Leonardo Sodré, Marcelo Fernandes, Marcelus Bob, Newton Navarro, Plínio Sanderson, Reinhard Schell (Áustria) e Walderedo Nunes.</p>
<p><span id="more-18149"></span>Interatividade Plástica: artes em cores e aos vivos!</p>
<p>Artistas Plásticos pintando e interagindo com o público:<br />
Pedro Pereira, Flávio Freitas, Franklin Serrão, Leonardo Sodré,<br />
Fabio di Ojuara e o austríaco Reinhard Schell (Áustria)<br />
responderão perguntas do público presente.</p>
<p>Pedro Pereira<br />
Artista plástico se recupera de acidente AV,<br />
uma lição de vida, a arte e seu poder transformador<br />
exercita estilo próprio (florense).</p>
<p>Flávio Freitas<br />
Artista plástico maduro, um dos mais requisitados do estado;<br />
busca novas miríades no fazer arte, com cores vibrantes.</p>
<p>Franklin Serrão<br />
Faz incursões na pintura e recentemente na escultura.<br />
Explora temas populares e surreais.</p>
<p>Leonardo Sodré<br />
jornalista, contista, cronista, atua com desenvoltura na caricatura<br />
irá fazer caricatura ao vivo dos presentes.</p>
<p>Fábio di Ojuara<br />
Artista experimental, escultor  com exposições nacional e internacional;<br />
participa do movimento de art mail, fundador do excrementismo: “toda merda agora é arte”.</p>
<p>Reinhard Schell<br />
Estilo contemporâneo, pinta com o corpo, permite ao público deixar voar a imaginação, a criar diversas interpretações sobre as obras, dependendo do universo e conhecimento de mundo de cada um.</p>
<p>SERVIÇO:<br />
Dia: 27/05/09 – sexta às 9h<br />
No auditório do Ciências Aplicadas</p>
<p>ENTRADA FRANCA<br />
Rua nossa Senhora de Lourdes, 56, Tirol (ao lado CAERN)<br />
Informações: 9983 5667</p>
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		</item>
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		<title>Roubo no Museu de Arte Moderna de Paris</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/roubo-no-museu-de-arte-moderna-de-paris/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/roubo-no-museu-de-arte-moderna-de-paris/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 May 2010 18:56:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Museu de Arte Moderna de Paris]]></category>

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		<description><![CDATA[
Começamos o dia com a notícia do roubo ao Museu de Arte Moderna de Paris, de onde foram levadas as pinturas abaixo, obras primas das artes plásticas mundial, que dificilmente serão vendidas.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/La-Pastorale-A-Pastoral-Henri-Matisse.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17966" title="La Pastorale (A Pastoral) - Henri Matisse" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/La-Pastorale-A-Pastoral-Henri-Matisse.jpg" alt="" width="400" height="351" /></a></p>
<p>Começamos o dia com a notícia do roubo ao Museu de Arte Moderna de Paris, de onde foram levadas as pinturas abaixo, obras primas das artes plásticas mundial, que dificilmente serão vendidas.</p>
<p><a href="http://macariocampos.blogspot.com/2010/05/roubo-no-museu-de-arte-moderna-de-paris.html" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sacilotto e Barsotti na BMF&amp;BOVESPA</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/sacilotto-e-barsotti-na-bmfbovespa/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/sacilotto-e-barsotti-na-bmfbovespa/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 May 2010 22:19:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Barsotti]]></category>
		<category><![CDATA[Sacilotto]]></category>

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		<description><![CDATA[
Com esta exposição pude finalmente começar a perceber as diferenças entre a Arte Concreta e a Neoconcreta.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Scarlotto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17872" title="Scarlotto" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Scarlotto.jpg" alt="" width="400" height="308" /></a></p>
<p>Com esta exposição pude finalmente começar a perceber as diferenças entre a Arte Concreta e a Neoconcreta.</p>
<p><a href="http://macariocampos.blogspot.com/2010/05/sacilotto-e-barsotti-na-bmf.html" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rebeca Horn cultiva paradoxos em sua arte</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/rebeca-horn-cultiva-paradoxos-em-sua-arte/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/rebeca-horn-cultiva-paradoxos-em-sua-arte/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 May 2010 14:32:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Rebeca Horn]]></category>

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		<description><![CDATA[
Exposição &#8216;Rebelião em Silêncio&#8217;, no Rio, perpassa 35 anos do trabalho da artista alemã.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/rebecca_fabiomotta_ae600.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-17846" title="rebecca_fabiomotta_ae600" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/rebecca_fabiomotta_ae600-510x340.jpg" alt="" width="510" height="340" /></a></p>
<p>Exposição &#8216;Rebelião em Silêncio&#8217;, no Rio, perpassa 35 anos do trabalho da artista alemã.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,rebeca-horn-cultiva-paradoxos-em-sua-arte-no-ccbb,553042,0.htm" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>José Helmut Candido &#8211; Humano mais que humano</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/jose-helmut-candido-humano-mais-que-humano-2/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 14:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[V &#8211; Personalidades da Cultura do Rio Grande do Norte. 
Conversava outro dia com o amigo Jácio. O assunto não podia ser outro: o encantamento do nosso querido Helmut. E Jácio me lembrou de coisas esquecidas e vividas – por ele: Jácio.  Das pedras que Helmut atirava no Jácio e outros meninos. Uma vez, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/helmut.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17837" title="helmut" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/helmut-273x300.jpg" alt="" width="169" height="184" /></a>V &#8211; Personalidades da Cultura do Rio Grande do Norte. </strong></p>
<p>Conversava outro dia com o amigo Jácio. O assunto não podia ser outro: o encantamento do nosso querido Helmut. E Jácio me lembrou de coisas esquecidas e vividas – por ele: Jácio.  Das pedras que Helmut atirava no Jácio e outros meninos. Uma vez, Jácio escolheu ficar na frente de fachadas de vidros, no Banco do Brasil. E disse: &#8211; rebole a primeira pedra. Seja homem. A vitrine não foi quebrada, mas Jácio teve que correr muito para se livrar das pedras do Helmut.</p>
<p><span id="more-17836"></span>Todos nós aprendemos a nos livrar dos bodes de Helmut. Tinha dias que ele não estava para conversa. Estava enfesado com tudo e todos. Precisava deixar ele quieto para não levar outra saraivada. Ultimamente ele vendia uma poesia-guardanapo por qualquer dinheiro. Sabia a quem se dirigir. E conhecia os intelectuais da cidade. Deixou muitos poemas em papeis avulsos e inéditos. Alguém precisava reunir, assim como foi feito com os poemas do “Boca do Inferno”.</p>
<p>Os poetas são assim mesmo. Antes de Helmut, teve o Milton Siqueira que vendia poesias em papeis de embrulho. Gostava de escandalizar para tristeza da família. A família não aceitava aquele seu jeito nômade e irreverente de ser.</p>
<p>Lembro da alegria do Abmael, tão pródigo na sua atenção ao Helmut, quando da entrevista que Helmut deu para a revista Piauí, de circulação nacional e muito bem escrita pelo jornalista Levino.</p>
<p>O Helmut, sabendo da minha paixão por Camões, várias vezes recitou cantos inteiros de Os Lusíadas. Ele estava escrevendo algo sobre Camões e queria que eu fosse o primeiro da fila no dia do lançamento.  Helmut também adorava cantar Nelson Gonçalves e outras belas vozes do nosso cancioneiro. Fumava várias carteiras de cigarros por dia e   numa baforada na cara pedia: &#8211; Me dê um real!. Quantas vezes não ouvi – comovido, a esse pedido de um belo e querido amigo.</p>
<p>Um artista como outro não havia em Natal. Um pintor Naify que lembrava Van Gogh. O carteiro do Mestre Cascudo. Um homem culto que conhecia todo “Os Lusíadas” de Camões. A conversa certeira de poucos interlocutores. Cinema, literatura, tudo ele falava com muita sabedoria.<br />
Quando Helmut partiu alguém comentou que ele partia sem deixar nada. Discordo! Qual a herança do artista senão sua arte! Helmut deixou poesia, livros e centenas de quadros que ele pintava em qualquer cartão ou papel. Um homem amargurado que tentou algumas vezes suicídio, e esteve internado por várias vezes em casa de tratamento mental. Uma vez cortou a orelha para lembrar ainda mais o seu artista favorito: Van Gogh.  Seus quadros tinham a atmosfera e traços vangoguianos.<br />
Os poetas são assim mesmo: Helmut deixa muitas saudades e um tremendo vácuo no coração da cidade que tanto ele amava. Cidade que ele flanava qual um cisne navegando em mares turvos e habitado por seres muitas vezes medíocres que não têm a dignidade intelectual e humana de Helmut.<br />
O poeta só morre quando ele deixa de ser lembrado. Vamos concluir a obra deixada por Helmut. O seu livro sobre Camões de quem tanto amava. Promover exposições com os seus quadros.  Cantar as músicas de que tanto ele gostava.</p>
<p>A saudade de alguém que jamais te esquecerá. Helmut deixou, sim. Muita coisa: Dignidade. Arte. Poesia. Amizade e honestidade intelectual</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Surrealismo na América Latina</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/surrealismo-na-america-latina-2/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/surrealismo-na-america-latina-2/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 May 2010 13:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Ismael Nery]]></category>
		<category><![CDATA[Surrealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[meus Caros,
Na minha opinião o primeiro  e grande surrealista do Brasil  e da America Latina foi o grande, maravilhoso pintor, poetae filósofo paraense Ismael Nery. Sobre ele escreveu um outro grande poeta: Murilo Mendes.
Confissão / Ismael Nery
Não quero ser Deus por orgulho.
Eu tenho esta grande diferença de Satã.
Quero ser Deus por necessidade, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Ismael-Nery-2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-17695" title="Ismael Nery 2" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Ismael-Nery-2.jpg" alt="" width="143" height="240" /></a>meus Caros,</p>
<p>Na minha opinião o primeiro  e grande surrealista do Brasil  e da America Latina foi o grande, maravilhoso pintor, poetae filósofo paraense Ismael Nery. Sobre ele escreveu um outro grande poeta: Murilo Mendes.</p>
<p>Confissão / Ismael Nery</p>
<p>Não quero ser Deus por orgulho.<br />
Eu tenho esta grande diferença de Satã.<br />
Quero ser Deus por necessidade, por vocação.<br />
Não me conformo nem com o espaço nem com o tempo,<br />
Nem com o limite de coisa alguma.<br />
Tenho fome e sede de tudo,<br />
Implacável<br />
Crescente.<br />
Talvez seja esta a minha diferença de Deus<br />
que tem fome e sede de mim,<br />
implacável,<br />
crescente,<br />
eterna</p>
<p>— De mim, que me desprezo e me acredito um nada.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Surrealismo na América Latina</title>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 11:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Martins]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro reúne obra de Maria Martins, primeira surrealista na América Latina.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livro reúne obra de Maria Martins, primeira surrealista na América Latina.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u734869.shtml" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Max Ernst no MASP</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/max-ernst-no-masp/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 01:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Macario Gomes de Campos Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Max Ernst]]></category>

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		<description><![CDATA[


Publicado em Max Ernst no MASP , com acompanhamento musical.
Um murro no plexo solar, foi a sensação que tive ao sair desta exposição, pois as ilustrações que serviram de base às colagens, me lembraram os livros que li na infância e início da adolescência, como O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, O Corcunda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mULvzBgTI/AAAAAAAAA7w/cefQ56oFw-c/s1600/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+21.JPG"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mULvzBgTI/AAAAAAAAA7w/cefQ56oFw-c/s400/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+21.JPG" border="0" alt="" /></a></div>
<div style="text-align: left;"></div>
<div style="text-align: left;"></div>
<div style="text-align: left;">Publicado em <strong><a href="http://macariocampos.blogspot.com/2010/05/max-ernst-no-masp.html">Max Ernst no MASP</a> </strong>, com acompanhamento musical.</div>
<p>Um murro no plexo solar, foi a sensação que tive ao sair desta exposição, pois as ilustrações que serviram de base às colagens, me lembraram os livros que li na infância e início da adolescência, como O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, O Corcunda de Notre Dame, etc. Foram também usadas figuras de livros com seres mitológicos e de literatura erótica, que na época talvez fossem considerados pornografia.</p>
<p><span id="more-17680"></span>As obras desta mostra me pareceram de um surrealismo alucinado, que me fez pesquisar outras obras do artista para saber se a impressão ficaria, e ficou. Estas imagens me fizeram reviver alguns pesadelos que tive, povoados de seres fantásticos em situações aflitivas.</p>
<p>Me encantou o cuidado que Max Ernst teve para a criação destas peças, pois as figuras escolhidas para completar suas cenas obedeceram o tamanho e a perspectiva do desenho de base, só tornando possível a percepção da montagem pela diferença de tonalidade dos papéis; quando foi necessário algum recorte no original, os brancos foram preenchidos seguindo as linhas iniciais.</p>
<p>Abaixo das imagens, carregadas em alta definição, o &#8220;press-release&#8221; dos curadores.</p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVT8s5faI/AAAAAAAAA9Q/NzunIo5TGQQ/s1600/A+Chave+das+Can%C3%A7%C3%B5es,+1.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 318px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVT8s5faI/AAAAAAAAA9Q/NzunIo5TGQQ/s400/A+Chave+das+Can%C3%A7%C3%B5es,+1.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVThv3NPI/AAAAAAAAA9I/7gVGD0gx3XY/s1600/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+7.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 282px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVThv3NPI/AAAAAAAAA9I/7gVGD0gx3XY/s400/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+7.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVTIccK4I/AAAAAAAAA9A/TD2KkPtlEEw/s1600/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+10.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVTIccK4I/AAAAAAAAA9A/TD2KkPtlEEw/s400/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+10.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVS1XMw6I/AAAAAAAAA84/pT8R4ibdVwY/s1600/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+23.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 316px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mVS1XMw6I/AAAAAAAAA84/pT8R4ibdVwY/s400/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+23.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUnQKnHMI/AAAAAAAAA8w/e34DdMChME4/s1600/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+45.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 310px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUnQKnHMI/AAAAAAAAA8w/e34DdMChME4/s400/A+Corte+do+Drag%C3%A3o,+45.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmwJhmtI/AAAAAAAAA8o/tE0Coh3ZE-g/s1600/%C3%81gua,+3.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 298px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmwJhmtI/AAAAAAAAA8o/tE0Coh3ZE-g/s400/%C3%81gua,+3.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmtNJKBI/AAAAAAAAA8g/Ox0_UNFQunw/s1600/%C3%81gua,+4.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmtNJKBI/AAAAAAAAA8g/Ox0_UNFQunw/s400/%C3%81gua,+4.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmVVirOI/AAAAAAAAA8Y/RyeLFGI6adw/s1600/Edipo,+3.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 295px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmVVirOI/AAAAAAAAA8Y/RyeLFGI6adw/s400/Edipo,+3.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmGQZRqI/AAAAAAAAA8Q/jE0TWqsQAwA/s1600/Edipo,+7.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 298px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUmGQZRqI/AAAAAAAAA8Q/jE0TWqsQAwA/s400/Edipo,+7.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMlL_2_I/AAAAAAAAA8I/DEi28f7Z-7I/s1600/Edipo,+25.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 301px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMlL_2_I/AAAAAAAAA8I/DEi28f7Z-7I/s400/Edipo,+25.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMQTm0fI/AAAAAAAAA8A/Gt7NTWjS6dM/s1600/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+4.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 299px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMQTm0fI/AAAAAAAAA8A/Gt7NTWjS6dM/s400/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+4.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMDbHRpI/AAAAAAAAA74/uToV_TClBAo/s1600/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+18.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 285px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mUMDbHRpI/AAAAAAAAA74/uToV_TClBAo/s400/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+18.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mULXdAEwI/AAAAAAAAA7o/85Ag8j8NwFY/s1600/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+26.JPG"><img style="margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 282px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_3ViThmFph7g/S-mULXdAEwI/AAAAAAAAA7o/85Ag8j8NwFY/s400/O+Le%C3%A3o+de+Belfort,+26.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri; font-size: 180%;"><span style="font-variant: small-caps; font-size: 17px;"><br />
</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-variant: small-caps; font-family: Calibri; font-size: 13pt;"><span style="color: #660000;">Guardadas  por mais de 70 anos, obras completas do Gênesis de Max Ernst visitam </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-variant: small-caps; font-family: Calibri; font-size: 13pt;"><span style="color: #660000;">D´Orsay,  Albertina, Kunsthalle e Fundación Mapfre e chegam à América pelo  MASP</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-variant: small-caps; font-family: Calibri; font-size: 13pt;"><span style="color: #660000;"> </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Sensação  na Europa em 2008 e 2009, </span></span></em></strong><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Max  Ernst – Uma semana de bondade</span></span></span></strong><strong><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> inicia  em 23 de abril no MASP sua itinerância pela América. Conservada por mais de 70  anos pelo colecionador francês </span></span></em></strong><strong><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Daniel  Fillipacchi</span></span></em></strong><strong><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">, coleção  completa do Gênesis de Ernst traz 184 colagens, cinco delas não exibidas sob  alegação de blasfêmia em exposição realizada em Madri, em 1936 &#8211; a primeira e  única a atual turnê. Nas imagens, a crítica cáustica e surrealista às convenções  sociais da Europa do período entre guerras.</span></span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Após uma  sequência de cinco exposições de arte vindas da Espanha – entre elas as gravuras  de Goya, em 2007; </span><em><span style="color: #660000;">Desenhos Espanhóis do  Século 20</span></em><span style="color: #660000;">, em</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">2008; e </span><em><span style="color: #660000;">Walker Evans,</span></em><span style="color: #660000;"> em 2009 – o MASP traz ao  Brasil em parceria com a Fundación MAPFRE uma das exposições de maior  repercussão na Europa nos dois últimos anos: </span><em><span style="color: #660000;">Max Ernst – Uma semana de bondade</span></em><span style="color: #660000;">, que  fica de 23 de abril a 18 de julho, na Galeria Horácio Lafer, 1º andar do Museu. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A mostra &#8211;  que iniciou em 2008 sua itinerância inédita após mais de 70 anos &#8211; passou pelos  museus Albertina (Viena), Max Ernst (Brühl), Kunsthalle (Hamburgo), Fundación  MAPFRE (Madri) e D&#8217;Orsay (Paris) e debuta na América pelo MASP, trazendo suas  provocações e preciosidades: entre as 184 colagens originais e de extrema fragilidade estão cinco obras  jamais expostas ao público. Sob alegação de blasfêmia, elas não participaram da  única exposição realizada com as colagens, em 1936 em Madri, na Biblioteca  Nacional, atual sede do Museu Nacional de Arte Moderna. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Terceiro  romance-colagem de Ernst &#8211; que já havia produzido </span><em><span style="color: #660000;">La femme 100 têtes </span></em><span style="color: #660000;">(1929) e</span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span><em><span style="color: #660000;">Rêve d’une  petite fille qui voulut entrer au Carmel</span></em><span style="color: #660000;"> </span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">(1930) -, </span><em><span style="color: #660000;">Uma semana de bondade </span></em><span style="color: #660000;">foi criada em  1933, auge do movimento surrealista, durante uma viagem de três semanas à  Itália, precisamente ao Castelo de Vigoleno, cidade medieval da Emilia-Romagna.  Recortando uma série de imagens de livros, jornais, romances e revistas  populares na Europa desde 1850, o artista transformou entretenimento em uma ação  de alerta e revolta contra os valores da época.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">No entanto, o  processo de “colagem” da série já começou bem antes, pela escolha do nome: </span><em><span style="color: #660000;">La semaine de la bonté</span></em><span style="color: #660000;"> foi uma  associação de ajuda mútua fundada em 1927 para promover o bem-estar social em  Paris. Neste período, a capital francesa foi inundada por cartazes da  organização buscando apoio da sociedade.  Ernst pegou “emprestado” o nome e fez de </span><em><span style="color: #660000;">Uma semana de bondade </span></em><span style="color: #660000;">uma alusão ao  relato bíblico da criação da Terra.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A gênese  surrealista</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A coleção é  divida pelos dias da semana e deu origem a cinco livros lançados em 1934 (os  três últimos dias – Quinta-feira, Sexta e Sábado &#8211; reunidos em um único por não  ter a coleção alcançado as expectativas comercias). Nas colagens Ernst  afastou-se da concepção bíblica, criando seu próprio Gênesis: o Domingo</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">surrealista é recheado de</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">orgias, violência, blasfêmia e morte,  primeiro contraponto significativo ao “dia de descanso”. Homens com cabeças de  leão, símbolo do poder, é ironia recorrente nas 35 colagens intituladas </span><em><span style="color: #660000;">O leão de Belfort,</span></em><span style="color: #660000;"> na qual as obras  são</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">individualizas por sequência  numérica, recurso utilizado em todos os dias da coleção, além de obedecerem a um  elemento chave, neste caso, a “Lama”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Composta por  27 trabalhos, Segunda-feira, cujo nome e elemento são denominados “Água</span><em><span style="color: #660000;">”,</span></em><span style="color: #660000;"> narra quão insignificante é  o</span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> poder das autoridades diante a força  da natureza: águas invadem e arrasam toda a cidade de Paris, questionando os  valores exercidos pela burguesia da época, em críticas ainda coerentes aos dias  de hoje. A sequência se mantém na mesma esfera: </span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">homens com  asas de dragões e serpentes presentes em situações da rotina da classe  privilegiada compõem</span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> as </span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">45 obras da  irônica Terça-feira</span><em><span style="color: #660000;">, </span></em><span style="color: #660000;">representada  pela série </span><em><span style="color: #660000;">A corte do dragão </span></em><span style="color: #660000;">dentro  do elemento “Fogo”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">O caráter  mítico de Édipo é abordado sob o elemento “Sangue” nas 29 colagens de  Quarta-feira</span><em><span style="color: #660000;">, </span></em><span style="color: #660000;">batizada com o nome do  mito grego</span><em><span style="color: #660000;">. </span></em><span style="color: #660000;">O episódio em que Édipo  teve o pé ferido por seu próprio pai, seu reencontro fatídico no qual assassina  seu progenitor e posteriormente o enigma proposto pela Esfinge, são simbolizados  por homens com cabeças de pássaros nas mais diversas situações, num triste  sarcasmo que escancara o eterno receio da tragédia por vezes imposto pelo  destino, inerente às escolhas. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A  Quinta-feira é subdividida em </span><em><span style="color: #660000;">O riso do  galo</span></em><span style="color: #660000;">, que conta com 16 colagens, e </span><em><span style="color: #660000;">A  Ilha de Páscoa</span></em><span style="color: #660000;">, formada por outras dez. Ambas sob o elemento “Escuridão”  abordam as diferentes formas de poder: na primeira, o galo gaulês, símbolo do  estado francês, é presente em todas as imagens, inclusive como parte do corpo  dos protagonistas da cena. Em </span><em><span style="color: #660000;">A Ilha de  Páscoa</span></em><span style="color: #660000;">, situações de intimidade são exibidas sempre com um de seus  personagens usando máscaras. Nestas duas séries, Ernst preenche o espaço  intermediário das colagens com tinta ou lápis, criando uma cena que evoca  paisagem ampla.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Representada  por </span><em><span style="color: #660000;">Um poema visível, Dois poemas  visíveis </span></em><span style="color: #660000;">e</span><em><span style="color: #660000;"> Três poemas visíveis</span></em><span style="color: #660000;"> (compostos por seis, quatro e duas colagens, respectivamente), a Sexta-feira  obedece ao elemento “Visão”.</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">Aqui  imagens emblemáticas abordam o interior, a estrutura do humano e do ambiente que  o cerca: corvos, caveiras e uma série de símbolos são utilizados nas três  divisões. Neste “dia” Ernst retoma o uso da </span><em><span style="color: #660000;">colagem sintética</span></em><span style="color: #660000;">, método utilizado por  ele no início de sua carreira, no qual elementos heterogêneos são colocados  sobre uma folha de papel branco. </span><em><span style="color: #660000;"> </span></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">O Sábado,  último dia da semana, batizado </span><em><span style="color: #660000;">A</span></em><span style="color: #660000;"> </span><em><span style="color: #660000;">chave das canções</span></em><span style="color: #660000;">, referencia ao  elemento “Desconhecido”, onde toda a preocupação com a realidade é abolida.  Mulheres em transe deixam suas camas e quartos para voar, cenas retratadas nas  dez obras </span><span style="color: #660000;">em que Max  Ernst</span><span style="color: #660000;"> ilustra o fascínio surrealista com a histeria libertadora  e inspiradora.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A narrativa  da coleção se apoia unicamente na imagem, convertendo-se no ponto máximo do  chamado romance-colagem e num dos maiores expoentes do surrealismo. A técnica  empregada por Ernst nesta coleção cuidou para</span><em><span style="color: #660000;"> </span></em><span style="color: #660000;">que os pontos de união, onde usou a  colagem, fossem imperceptíveis com o objetivo de que a ilusão ótica criada pela  colagem fosse completa, dando lugar a uma “nova” realidade. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Com este  trabalho, Max Ernst rompeu as fronteiras entre gêneros e técnicas e transformou </span><em><span style="color: #660000;">Uma semana de bondade </span></em><span style="color: #660000;">em um dos temas  principais do surrealismo &#8211; e ataca reservadamente àqueles que consideravam,  naquela ocasião, este um movimento essencialmente literário. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Sobre o  artista</span></span></span></strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Max Ernst (2  de abril de 1891, Brühl, Alemanha — 1 de abril de 1976, Paris, França) é  provavelmente um dos poucos artistas que reinventou a si mesmo ao longo de toda  sua vida. Ao lado de Picasso, fez parte de alguns dos grupos e movimentos de  vanguarda mais importantes do século 20. Porém o que caracterizou em todo  momento sua trajetória foi a capacidade de seguir adiante, sempre à frente  destes movimentos, convertendo-se assim em referência e influência não só para  seus contemporâneos mas também para os artistas atuais, entre eles artistas  díspares como Cindy Sherman, Neo Rauch e Julie Nord.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">A capacidade  de Max Ernst criar um universo e um olhar próprio, diferente e singular, o  transforma em um dos artistas de referência no século 20 e também em um dos mais  complexos e mutáveis. Dadaísta, surrealista, poliglota e ávido leitor, Ernst  desenvolveu um universo absolutamente particular e pessoal. Por conta de sua  deslumbrante e afiada inteligência, além da sensibilidade e senso de humor ácido  e irônico, é possível encontrar influências de Ernst em toda a história do  século. Essa mistura de curiosidade e constância que encaixa o discurso do  artista é a base sobre a qual foi construído o olhar de Ernst: uma busca  incansável, onde, como diziam os sábios gregos, é muito mais importante o  caminho que a chegada. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="text-decoration: none;"><span style="color: #660000;"> </span></span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Serviço  Educativo</span></span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Como nas  mostras compostas por obras do acervo e nas exposições temporárias realizadas  pelo MASP, </span></span><em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Max Ernst – Uma semana  de bondade </span></span></em><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">terá um  programa educativo elaborado especialmente para atender aos visitantes,  professores e alunos de escolas das redes pública e privada. As visitas  orientadas são realizadas por uma equipe de profissionais especializados. </span><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #660000;">Informações ao público:</span></span><span style="color: #660000;"> 3251-5644, r 2112. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-variant: small-caps; font-family: Calibri; font-size: 14pt;"><span style="color: #660000;">Max  Ernst </span></span></span></strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #660000;">– </span></span><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-variant: small-caps; font-family: Calibri; font-size: 14pt;"><span style="color: #660000;">Uma  semana de bondade</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Exposição com 184 colagens do artista alemão, cinco  delas inéditas.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Realização e coordenação:</span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> MASP e Fundacíon MAPFRE</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Em  exposição: </span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">De 23 de abril a </span><span class="msoins0"><span style="color: #660000;">18 de julho de 2010</span></span><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Vernissage: </span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">22 de abril, quinta-feira, às 19h30</span><strong><span style="color: #660000;"> </span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Patrocínio: </span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Fundacíon MAPFRE </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Montagem: </span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">MASP</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Horários:</span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> De </span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">terças a domingos e  feriados, das 11h às 18h. Às quintas das 11h às 20h.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Ingressos: </span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">R$ 15,00. Estudantes: R$ 7,00. </span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Gratuito até 10 anos  e acima de 60 anos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Às terças-feiras a  entrada é gratuita para todos.</span></span><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">MASP &#8211; Museu de Arte  de São Paulo Assis Chateaubriand</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Av. Paulista, 1578. </span><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #660000;">Informações ao público</span></span><span style="color: #660000;">: Fone (11) 3251 5644. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Acesso a deficientes.  Estacionamento ao lado, na Av. Paulista: R$ 10,00. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">Novo site do  MASP:</span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span><a href="http://www.masp.art.br/"><strong><span style="color: #660000;">www.masp.art.br</span></strong></a><span style="color: #660000;">. N</span></span><strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;">o Twitter:</span></span></strong><span style="font-family: Calibri;"><span style="color: #660000;"> </span></span><span style="font-family: Calibri;"><a title="http://twitter.com/maspmuseu" href="http://twitter.com/maspmuseu"><strong><span style="color: #660000;">http://twitter.com/maspmuseu</span></strong></a></span></p>
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		<title>Leopoldo Nelson de Souza Leite</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 20:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Leopoldo Nelson]]></category>

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		<description><![CDATA[Leopoldo Nelson foi uma espécie de Fausto que ama sua Margarida. Um homem insaciável na sua busca de conhecimento. Pintor, poeta e médico. Fez sua pos-graduação na Espanha e se apaixonou por sua cultura e Quixotes. Sua arte depois disso ficará impregnada dessas figuras goyescas e trágicas. Sofrida como o cristo.
A via sacra é sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/LEOPOLDO-NELSON.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-17462" title="LEOPOLDO NELSON" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/LEOPOLDO-NELSON-249x300.jpg" alt="" width="205" height="247" /></a>Leopoldo Nelson foi uma espécie de Fausto que ama sua Margarida. Um homem insaciável na sua busca de conhecimento. Pintor, poeta e médico. Fez sua pos-graduação na Espanha e se apaixonou por sua cultura e Quixotes. Sua arte depois disso ficará impregnada dessas figuras goyescas e trágicas. Sofrida como o cristo.</p>
<p>A via sacra é sua obra prima. O Cristo está nu. As mulheres, muitas mulheres grávidas, tristes, famintas e em romarias. Olhos expressivos denunciam desespero. As mãos são levadas á boca. A boca está gritando. “quem, se eu gritasse , me ouviria dentre as ordens dos anjos?  Perguntam esses seres desesperados de Rilke na epígrafe de Leopoldo Nelson.</p>
<p><span id="more-17458"></span>Da boca também pode sair flores. As mulheres são do mundo. Podem ter um pescoço a la Modigliani. Ou pode ser uma nordestina faminta. O grito está sempre no ar. Jovens e Velhas. Mulheres de Munch. Rostos algumas vezes redondos, angulosos e ovalóides. Do negrume de seu pincel a carne dilacerada de sua arte. Nos rastros de traço um destino próximo anuncia. É preciso um pacto. E preciso se embriagar das sombras das madrugadas. Uma constelação de rostos humanos iluminam de escuridão a sua arte. O vermelho-sangue esparrama em algumas de suas telas. Sofreu muitas influencias, mas sua pintura traz a marca do expressionismo do século XX.<br />
O poeta é apaixonado por Garcia Lorca, Rilke, Goya, El Greco e Dali que ele encontra moribundo e o pinta com seu bigode eloqüente.  Você meu amigo e os livros. Poeta do traço e homem da ciência. Professor da UFRN. Receba a minha gratidão nesse dia que comemora o seu encantamento e saudades de quem nunca o esqueceu.</p>
<p>O Leopoldo Jovem e solitário na Catalunha encontra a sua arte. Os Quixotes com quem ele se depara na Espanha estão em toda parte. &#8230;. “porque, ainda existe em cada Espanhol, um Dom Quixote vivo. Talvez, estes D. Quixote não sejam mais do que os sonhos impossíveis, sonhados por todos os Sanchos Pança, nas suas buscas particulares de estrelas mais distantes”, diz Leopoldo em fragmentos biográficos de 1981. Continua Leopoldo &#8230; “o povo Espanhol que, simbolicamente, transfere para o touro o desconhecido da sua alma. “ . Leopoldo transferiu para as suas telas todo o seu sofrimento. O sofrimento de todos nós. Um Brinde para você meu amigo e poeta das madrugadas de luas escorridas e mortas.</p>
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		<title>Dorian Gray Caldas 80</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 16:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Se sou assim fragilidade efêmera / o que me resta Senhor, senão plantar / estas sementes que Deus abandonou / em minhas mãos (&#8230;) DORIAN GRAY CALDAS. “Os Dias Lentos”.
Dorian Gray nasceu em Natal – RN há oito décadas. Escultor, ceramista, tapeceiro, escritor e poeta. Meu amigo. Merece todas as homenagens nos seus 80 anos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Se sou assim fragilidade efêmera / o que me resta Senhor, senão plantar / estas sementes que Deus abandonou / em minhas mãos (&#8230;) <em>DORIAN GRAY CALDAS. “Os Dias Lentos”.</em></strong></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/dorian-gray-caldas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17443" title="dorian gray caldas" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/dorian-gray-caldas-300x284.jpg" alt="" width="178" height="170" /></a>Dorian Gray nasceu em Natal – RN há oito décadas. Escultor, ceramista, tapeceiro, escritor e poeta. Meu amigo. Merece todas as homenagens nos seus 80 anos. Um grande artista e uma grande figura humana de Natal. Um homem que dedicou sua vida às artes. Escreveu o precioso Dicionário dos Artistas Plásticos do Rio Grande do Norte que aguardamos ansiosamente. Uma obra de fôlego e de uma vida. Ninguém viveu e conhece mais a arte do nosso estado que o múltiplo artista Dorian Gray. Irmão da grande artista Zaíra Caldas e pai do poeta Adriano.</p>
<p><span id="more-17419"></span>Dorian é um artista do seu tempo e tudo foi registrado nas suas telas e aquarelas, São casarões antigos, engenhos de açúcar, camponeses e vilas populares imortalizados na arte desse artista genial. Grandes murais com temas folclóricos podem ser apreciados no Aeroporto Augusto Severo e outros pontos da sua cidade Natal. Suas belas tapeçarias, algumas na UFRN, precisam de restauros imediatos. São famosas suas marinas e telas com temas populares espalhadas por todo o Brasil.  Em clínicas médicas, galerias de artes, universidades e coleções particulares.</p>
<p>No quarto centenário do Quixote, Dorian elaborou com muito engenho e arte uma série de telas inspirada no cavaleiro da triste figura e sua amada Dulcinéia. A Exposição aconteceu na Academia Norte-Rio Grandense de Letras.</p>
<p>Como parte das comemorações dos oitenta anos do artista será  aberta nessa sexta feira ( 07 de maio) uma exposição na Pinacoteca do Estado do RN  com 25 telas da sua coleção particular.</p>
<p>Dorian é um artista completo e não pára de criar e escrever. Tem mais de 10 livros publicados sobre artes plásticas e literatura. Organizou a poesia do poeta Luiz Rabelo que foi publicada em alentado volume. Tem escritos sobre as mitologias em Os Lusíadas de Luis de Camões e muitos outros trabalhos inéditos.</p>
<p>Há dois anos Dorian foi justamente homenageado com o título de Doutor Honoris Causa da UFRN.  Faz parte do Conselho Estadual de Cultura e da Academia de Letras do Estado do Rio Grande do Norte.</p>
<p>Oitenta anos semeando a cultura e a beleza. Em 1930 Drummond publicava o seu primeiro livro de poesia. Há oitenta anos não temos uma pedra no caminho das artes potiguares, mas uma grande artista que fez do seu trabalho uma declaração de amor á sua terra, aos seus costumes e tradições imortalizadas nas suas telas, murais e esculturas.</p>
<p>Parabéns meu querido amigo</p>
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		<title>&#8216;Nude, Green&#8230;&#8217; é vendida por US$ 106 mi</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 01:19:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Picasso]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Globo
NOVA YORK- A pintura a óleo &#8216;Nude, Green Leaves and Bust&#8217;, de Pablo Picasso, foi vendido nesta terça-feira, 4, por mais de US$ 106 milhões no Christie&#8217;s, em um recorde para uma obra durante um leilão de arte impressionista e moderna na sede nova-iorquina da casa de leilões Christie&#8217;s.
A obra do artista espanhol, pintada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/picasso-preço-recorde.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17358" title="picasso - preço recorde" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/picasso-preço-recorde.jpg" alt="" width="292" height="280" /></a></p>
<p><strong>O Globo</strong></p>
<p>NOVA YORK- A pintura a óleo &#8216;Nude, Green Leaves and Bust&#8217;, de Pablo Picasso, foi vendido nesta terça-feira, 4, por mais de US$ 106 milhões no Christie&#8217;s, em um recorde para uma obra durante um leilão de arte impressionista e moderna na sede nova-iorquina da casa de leilões Christie&#8217;s.</p>
<p>A obra do artista espanhol, pintada em 1932, era uma das principais peças da noite, e seu preço de venda, excluídas as comissões, superou as previsões da casa de leilões.</p>
<p>A vibrante pintura de Picasso e de sua amante Marie-Therese Walter foi a peça mais importante da coleção dos falecidos mecenas de arte Frances e Sidney Brody.</p>
<p>Esperava-se que a obra fosse vendida por mais de US$ 80 milhões, mas muitos especialistas em arte previram nas últimas semanas que ela alcançaria um preço maior devido a confiança na recuperação do mercado de arte.</p>
<p>A tela superou o recorde de US$ 104,3 milhões da obra de Giacometti, &#8216;Walking Man I&#8217;, que foi vendida pelo Sotheby&#8217;s em Londres.</p>
<p>Mais de cinco pessoas tentaram adquirir a obra que os Brody compraram na década de 50. O comprador se apropriou da pintura após falar por telefone com um executivo do Christie&#8217;s.</p>
<p>O preço final de US$ 106.482.500 incluiu a comissão da casa de leilões.</p>
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		<title>1986 &#8211; Propriedade Santos Cosme e Damião</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 00:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brennand]]></category>

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		<description><![CDATA[O Substantivo publica os últimos fragmentos do diário do pintor Francisco Brennand, recolhidos pelo escritor Fernando Monteiro, entre mais de mil páginas. Os textos foram publicados simultaneamente no SP e no jornal Rascunho, de Curitiba. As duas partes anteriores podem ser lidas aqui e aqui. (TC)

Francisco Brennand
2 de julho
Pesadelo e morte. Morreria assassinado junto com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O Substantivo publica os últimos fragmentos do diário do pintor Francisco Brennand, recolhidos pelo escritor Fernando Monteiro, entre mais de mil páginas. Os textos foram publicados simultaneamente no SP e no jornal Rascunho, de Curitiba. As duas partes anteriores podem ser lidas <a href="http://www.substantivoplural.com.br/mil-novecentos-e-sessenta/" target="_blank"><strong>aqui </strong></a>e <a href="http://www.substantivoplural.com.br/uma-lacuna-editorial-brasileira-1/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>. (<strong>TC</strong>)</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/brennand-obra.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-17352" title="brennand - obra" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/brennand-obra-510x291.jpg" alt="" width="510" height="291" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Francisco Brennand</strong></p>
<p style="text-align: left;">2 de julho</p>
<p>Pesadelo e morte. Morreria assassinado junto com um banqueiro que apenas conheço de vista. O assassino também cometeria suicídio, logo em seguida, com a última bala do seu revólver. Três balas no ventre do rico banqueiro, duas no meu peito e uma para a cabeça do assaltante. Não falarei desse pesadelo que me pareceu demasiado longo.</p>
<p>Sempre suspeitei que a memória dos sonhos não corresponde precisamente aos sonhos, mas, pelo menos, por momentos, estive dentro do inferno. Embora fosse um inferno  ao ar livre, em plena natureza, permanecia, ainda assim, cheio de ingredientes infernais, situações alucinantes, todas propícias à uma sensação de angústia infinita. Depois de morto (sem ter a certeza de estar morto), perambulava pela terra e via coisas indescritíveis, paisagens e seres deslocados de seus lugares habituais. O que faço no momento não será uma tentativa de reconstituição do sonho − matéria impossível − e sim algo que se relaciona com um fato estético, daí porque recordá-lo me fascina: um imenso cabo de aço, semelhante a um gigantesco teleférico, atravessava um oceano ou um lago sem que eu adivinhasse onde se situavam suas extremidades. Esse cabo, ajudado por fios, roldanas e correias suplementares, sustentava pela cabeça ou pelos seus longos cabelos louros, em espaços simétricos, uma centena ou mesmo milhares de freiras, com suas vestimentas monacais, todas, por assim dizer, penduradas e verticalmente expostas abaixo desses fios. Poderia sem esforço algum ver os seus pés descalços e, em plena luz, observar a palidez sobrenatural de seus rostos, quase sempre de olhos fechados.</p>
<p><span id="more-17351"></span>Acontece que o enigmático mecanismo não era fixo. Algo fazia com que os corpos se movimentassem, rolando através desse infinito teleférico sem, contudo, haver nenhuma modificação na distância entre uma e outra freira. Lembro-me com absoluta clareza desta atroz simetria que, apesar do contínuo balouçar dos corpos, mantinha esses espaços  inalterados.</p>
<p>Repentinamente, essas freirinhas (todas eram igualmente jovens) são desprendidas uma a uma do grande cabo, começando da esquerda para direita, em tempo cronometrado, e lançadas ao mar. Um mar ou um lago de um azul intensamente luminoso, que paleta alguma de pintor poderia imitar. Do lugar em que eu me encontrava, talvez como a única testemunha dessa cena, via esses corpos simétricos e belos caírem n&#8217;água sempre em posição vertical e, no mais absoluto silêncio, serem tragados pelas águas, num redemoinho de espumas brancas, de um brilho indescritível.</p>
<p>Ressalto um detalhe importante: Toda essa <em>visão </em>foi observada de uma altura desmedida, cujo cenário tinha o seu equivalente aéreo em relação a paisagem marinha ou lacustre. E se eu não estava em uma montanha, certamente  voava, e era em pleno vôo que acompanhava aquele sinistro e ao mesmo tempo fantástico cortejo.</p>
<p>Como mencionei  o fato estético, procuro agora na vigília os equivalentes plásticos desse sonho, o que logo me parece uma temeridade. Nem mesmo William Blake, com as suas cenas fantasmagóricas e visionárias, tampouco os soturnos quadros do pintor suíço Heinrich Füssli, muito menos Buñuel, ou Salvador Dalí, na época heróica do cinema surrealista, nenhum deles poderiam aproximar-se das inacreditáveis imagens que presenciei. Magritte e Max Ernst, nem pensar. Resta-me, talvez, Giorgio de Chirico.  Esse nome, entre todos, me faz refletir, não propriamente pelas cenas impregnadas do espírito metafísico que soube invocar e transmitir nas suas pinturas como nenhum outro pintor moderno conseguiu, mas, sobretudo, pela extraordinária antevisão das coisas relacionadas com o misterioso e o desconhecido. Recorda-me certos trechos cristalinamente absurdos de sua novela − quase desconhecida − <em>Hebdomeros</em>, como também, me recorda algo que só o seu mágico olhar poderia descobrir.</p>
<p>No ano de 1921, esse extraordinário artista, jamais desatento, escreveu um artigo consagrado a Max Klinger, onde comenta uma água forte, intitulada  <em>O rapto de</em> <em>Prometeu:</em> &#8220;Esse estranhíssimo voo, gravado por Klinger, já nos deixa perceber a cena em toda sua realidade, alcançando o grupo volante no nível do espectador, de tal modo que quem a olha, de pronto, participa   da emoção   desse  voo  dos deuses.  A genialidade dessa composição está claramente demonstrada pelo fato de que, ao espectador, ela dá a impressão de uma cena que realmente aconteceu&#8230;&#8221;</p>
<p>Nota: A citada água-forte de Max Klinger sugere com raríssima eficácia uma revoada dos deuses, aquilo que modernamente os arquitetos denominam como perspectiva em voo de pássaro. Além da cena mitológica representada por Prometeu, carregado como um fardo por Mercúrio e a Águia Real de Júpiter, a gravura tem como pano de fundo uma longínqua e agitada paisagem marinha. Este trabalho, até o ano de 1969 se encontrava em Roma na coleção Giuseppe Sprovieri, quando foi escolhida, como uma preciosidade, para uma grande exposição na Galleria D&#8217;Arte Moderna em Torino: <em>Il Sacro e Il Profano Nell&#8217;art dei Simbolisti. </em></p>
<p>Se não citei Hyeronimus Bosch, foi em vista de sua universal magnitude no domínio do mistério e do fantástico. Seu gênio, não poderia estar contido como forma de representação de apenas um único sonho, desde que ele já incluiria em si todos os sonhos e todos os pesadelos do mundo. E, de resto, eu só estava  propenso a falar de sonhos e sonhadores a partir do século XIX. Segundo tudo indica, não será difícil descobrir a razão desta obstinada escolha cronológica. Antes deste século, Sigmund Freud ainda não havia nascido.</p>
<p>3 de julho ─ 8h da manhã</p>
<p>De noturno, só o sonho, de sombrio, só a lembrança. O restante era todo feito de luz e de cores cintilantes, na sua claridade estelar. As faces descoloridas pelo sono eram igualmente pálidas e fantasmagóricas como os últimos vestígios de um afresco de Fra Angélico, pintado com cores muito claras. Mesmo os mares abissais, o seu azul não era desse mundo. Era também o anúncio de um anjo que renovaria a luz caída.</p>
<p>Não só uma perspectiva em voo de pássaro, mas, no caso do Rapto de Prometeu, uma revoada celeste à altura da Águia de Júpiter. Prometeu é apenas o pesado troféu que se transporta em meio ao solitário firmamento. A longínqua paisagem em baixo é um poço sem fundo, como a história do sofrimento humano.</p>
<p>6 de julho</p>
<p>Uma tarde inteira com o poeta Tomás Seixas. Continua a trabalhar no seu livro <em>Casa dos</em> s<em>onâmbulos.</em> Textos e textos reelaborados durante anos a fio. Sempre recomeçados, mas sempre os mesmos. Palavras testadas arduamente à luz da memória vigilante, de toda sua memória,  visual e auditiva, numa procura desesperada e categórica que o faz retornar ao mesmo lugar, a um ponto fixo, a um único e inalterável lugar, ou seja, o derradeiro ato de interpretar o primordial:  No princípio foi o Verbo&#8230;</p>
<p>Borges, no seu ensaio sobre <em>A Cabala,</em> comenta que &#8220;a noção do livro sagrado é completamente diferente do livro clássico. Num livro sagrado, são sagradas não apenas suas palavras, mas também as letras com que elas foram escritas&#8221;.</p>
<p>O poeta Tomás, na sua ortodoxia pessoal, não parece pensar de outra maneira, e assim prossegue lentamente em direção a essa quase inacessível <em>Porta Estreita</em>. A noite se aproximava quando condescendeu em fazer a leitura de uma artigo escrito há mais de vinte anos sobre Amadeu Modigliani. Depois, já sem o texto nas mãos, com a voz entrecortada pela emoção, como quem recorda antigas amantes, falou dos retratos de Beatrice Hastings, de Jeanne Hebuterne, esta, na sua opinião, muito semelhante a uma virgem gótica. E, recordou também da <em>Grande Femme Nue</em> − talvez um dos mais belos nus da pintura contemporânea , pintado em 1919, um ano antes do artista falecer num hospício em Paris.</p>
<p>7 de julho</p>
<p>As simpatias de Gauguin pela <em>barbárie</em> fez nascer a pintura moderna. Mas, afinal de contas, o que é um bárbaro, ou o que é um <em>selvagem</em>? Cesare Pavese, neste domínio, também começa perguntando: &#8220;Será possível ir mais além do que Jack London em <em>O apelo da Selva</em>? A arte do século XX  tende  para o selvagem. Primeiro, nos temas (Kipling, D&#8217;Annunzio); depois, na forma  (Joyce, Picasso, etc). Leopardi, com suas ilusões poéticas juvenis, procurou o <em>selvagem </em>como forma psicológica. Até Nietzsche tinha este sabor (com o seu <em>Dionisos</em>)&#8221;.</p>
<p>Ao próprio Pavese, o <em>selvagem</em> parecia interessar &#8220;mais como mistério do que como brutalidade histórica. <em>Selvagem</em> quer dizer mistério, possibilidade aberta&#8221;.</p>
<p>Vejamos então o que dizem os gregos, esses mesmos gregos e seus parentes afins − os romanos − dos quais Gauguin recomendava fugir como o diabo da cruz: &#8220;<em>Jamais os gregos</em>&#8220;.</p>
<p>Gauguin, dando as costas em definitivo à Europa e se instalando em Fatu-Iva, ilha das Marquesas, quase ainda antropofágica, à procura do que ele declarava ser indispensável para a plena realização de sua arte: &#8220;Creio que ali, este elemento <em>selvagem,</em> esta solidão completa, me dará antes de morrer um último fogo de entusiasmo que rejuvenescerá minha imaginação&#8221;.</p>
<p>Voltando aos gregos − os inventores da palavra <em>bárbaro</em> − o que pensavam eles a respeito de outros povos fora dos seus deuses, dos seus templos e dos reluzentes muros de calcário branco?</p>
<p>Nos dias cinco e sete de setembro de 1944, no seu  <em>Ofício de viver</em>, Cesare Pavese, não sem uma certa ironia, comenta exemplarmente:  &#8220;Dos sete trechos em que Heródoto na descrição do Egito diz que tem escrúpulos em tocar nos mistérios, trata-se, em três casos, dos deuses-animais, em dois do rito fálico, nos outros de autoflagelação e de iluminação sagrada. Por que é que <em>Pan</em> é representado com cabeça e pernas de bode? ( XLVI). Por que é que o porco − imundo durante o resto do ano − é sacrificado e comido durante a festa de Baco? ( XLVII). Por que é que os animais são em geral  sagrados? ( LXV). Aqui, Heródoto sente um horror totêmico e não ousa falar. Por que é que as imagens fálicas na festa de Baco têm o <em>Phallus</em> nu e movido por fios? ( XLVII). Por que é que os atenienses fazem as estátuas de Hermes fálicas? ( LI) Aqui, Heródoto sabe que <em>Phallus</em> e Deus coincidem e não ousa  dizê-lo. Em honra de quem, se batem os crentes durante a festa de Ísis? (LXI). Por que se celebra em SAIS  a festa das lâmpadas? (LXII). Existe aqui provavelmente qualquer um outro horror que a respeitosa curiosidade mundana de Heródoto não teve a coragem de enfrentar. Eis um exemplo da maneira grega de tratar o <em>selvagem</em>: é reconhecido com respeito tolerante, como <em>sagrado,</em> e, acabou-se. Os gregos possuem a consciência racionalista de que o mundo do <em>sagrado </em>e do<em> divino</em> esconde abismos e que é preciso correr um véu sobre ele. (Outrora, faziam-se sacrifícios aos deuses, mas sem os nomear (LII) ). Foi ainda há pouco tempo que Homero e Hesíodo descreveram e narraram os deuses ( LIII).  O tom de Heródoto é quase de censura )&#8221;.</p>
<p>9 de julho &#8211; 6h 45m</p>
<p>Pouco a pouco, como numa cidade sitiada, nos habituamos (ou nos abandonamos) à desgraça. &#8220;A revolta é o ladrar do cão louco&#8221;, diz Camus, citando <em>Antonio e Cleópatra</em>,  de Shakespeare. Meu Deus! uma minúscula notícia de jornal, como se fora uma charge de humor negro, e, no entanto, deve ser verdadeira na sua aparente frieza estatística. Fala da fome no mundo. Da fome que atinge sobretudo as crianças e, ainda assim, sem levar em conta  todos aqueles que, ainda não nascidos, estariam de antemão condenados ao mesmo suplício.</p>
<p>Ivan Karamázov afirmou que suportaria tudo, menos o sofrimento de uma criança. Presumo que ele tenha falado por toda a humanidade, mas parece que as coisas não têm se modificado, e acredito que continuarão assim até o fim dos tempos.</p>
<p>14 de julho</p>
<p>&#8220;Então eles se agarraram, se enlaçaram e combateram, até que a mão dele chegasse à sua cintura fina e a ponta dos dedos tocasse o seu corpo flexível. E então os seus membros amoleceram e ele tremeu suspirando como um junco da Pérsia no rugir da tempestade&#8221;.<em> </em>(História do combate entre o lutador Charkan e a jovem rainha Abrise).</p>
<p>31 de julho</p>
<p>Não tendo para onde fugir ontem à noite, se entrega  nos braços de Gertrudes que, a seu pedido, toda vestida de seda negra, o aguardava impacientemente. Ela cumprira à risca as suas insólitas recomendações e, talvez, ainda muito mais do que esperava, pois, como notou, nenhum detalhe do seu traje fora descuidado. A massa rebelde dos seus cabelos negros, com franja sobre a testa, acentuava o branco intenso do rosto, propositadamente embranquecido pela maquiagem, como uma máscara trágica de teatro Kabuki. Os olhos igualmente acentuados de negro, assim como as sobrancelhas muito finas e arqueadas, completavam com o vermelho intenso dos lábios toda essa sofisticada caracterização. Difícil para ele foi tão somente fazer com que essa improvisada atriz cumprisse o seu o papel.</p>
<p>Já nas primeiras horas da manhã, compreendeu afinal que todos os esforços nesse sentido seriam vãos, e que o <em>aprendizado</em> necessitaria, como era de se esperar, de tempo, de muito tempo. Acontece que ele não tinha mais como ainda aguardar. E foi apenas para encorajá-la que a brindou com o título solene de Princesa da Armênia, rainha pelo menos naquele instante, no seu  insuspeitável e inóspito deserto. Entretanto M.G. é uma figura noturna digna do maior respeito, cuja sensualidade é inesgotável e amedrontadora.</p>
<p>1 de agosto &#8211; 20h 48m</p>
<p>Mais uma vez, quase como se fosse uma rotina, volto à fábrica à procura de uma pousada mais segura para dormir. Já não confio em Dalila. Poderia cortar os meus &#8220;cabelos&#8221; e, então, eu perderia as minhas forças.</p>
<p>2 de agosto</p>
<p>O catre como dormida, foi péssimo, mas pior ainda é, na madrugada solitária,  aperceber-se que a ninguém interessa o nosso ingênuo abandono. Compreende-se então, muitíssimo bem, o desespero dos velhos e dos fracos.</p>
<p>Como um mestre da amargura (na qual finalmente soçobrou), Pavese comenta: &#8220;Deixa-se de ser jovem quando se descobre que de nada serve contar uma dor&#8221;.</p>
<p>A minha sorte em neutralizar tão nefasta lembrança nasceu de um outro comentário, esse sim, totalmente enigmático, mas que, em todo caso, tem ajudado a reanimar-me, podendo mesmo ser utilizado como escudo ou até como uma lança para defesa daqueles que, já não sendo jovens ainda, da vida esperam alguma coisa. Quem assim promete é o pintor Jean-Auguste Dominique Ingres, figura, aliás, bastante controvertida na vida e na arte, mas que, como ninguém, soube defender com unhas e dentes o seu obstinado <em>beau-ideal</em>: &#8220;A minha velhice me vingará&#8221;, foi o que ele disse, e não precisava dizer mais.</p>
<p>Já não é hora de dizermos como na peça de Shakespeare, “<em>All&#8217;s Well that End Well”,</em> &#8220;Tudo está bem quando acaba bem&#8221;.</p>
<p>Andréa Monti: &#8220;E não consola saber que é de história de loucura que está pavimentado todo o caminho seguido, desde o Prometeu até a corrida do átomo&#8221;.</p>
<p>4 de agosto − 7 horas</p>
<p>Começo o dia entorpecido. O catre não funciona como um leito ideal. Antes fosse duro e inóspito como todos os catres que se prezam, mas este é estofado de almofadas de couro, que me fazem afundar como um náufrago.</p>
<p>Continuo preso às recentes discussões políticas que participei na casa de Tomás, junto a outros amigos, quando, com veemência, lembrei um estranho comentário de Pavese sobre a Revolução Francesa: &#8220;A verdadeira Revolução Francesa ainda não aconteceu, mas quando de fato acontecer, tenho a vaga impressão de que com ela não estarei de acordo&#8221;. A enorme coragem e lucidez desse escritor em emitir um comentário tão original pode parecer, aos menos avisados, apenas uma mera brincadeira. Acontece que não é brincadeira alguma. Como citei de memória, logo à noite corri célere aos textos do <em>Ofício de viver</em>, no pressuposto, inclusive, de que lá encontraria esta observação.  Nada descobri. Agora pela manhã, retorno aos mesmos textos e nada&#8230; Isso me confunde a ponto de supor que Pavese nunca afirmou uma tal &#8220;heresia&#8221;. Mas, se não foi ele, quem foi então? Quanto a mim, não sei se concluiria com tamanho acerto, humor e igual originalidade um semelhante juízo, embora, com ele, estivesse de completo e irrestrito acordo.</p>
<p>Alguém me diz que a famigerada <em>Carta ao Pai</em>, de Franz Kafka, jamais chegou ao seu destinatário. A sorte foi de ambos. Seria terrível, difícil e mesmo espantoso que um pai pudesse ler tais acusações e que o filho ainda sobrevivesse à tamanha maldição.</p>
<p>Não é possível que Franz Kafka, como homem e escritor,  não se apercebesse dos misteriosos limites da &#8220;verdade&#8221;, daquilo que, supondo verdadeiro, não é ainda toda a verdade. Há um vazio a considerar e é nessa lacuna que os fatos se desenvolvem, concentram-se e também se expandem perigosamente. O próprio Kafka num seu aforismo reforça o que digo: &#8220;Na luta entre ti e o mundo, apóia o mundo; não se deve lesar a ninguém, nem sequer frustar o mundo da sua vitória&#8221;.</p>
<p>5 de agosto &#8211; 21h 50m</p>
<p>Mandei comprar na cidade a mais simples cama de ferro (tipo solteiro). O motorista junto com o vigia da fábrica trazem uma cama pintada de azul celeste, o que me deixa encolerizado. Fiz-lhes ver o absurdo dessa cor com a qual eu terei de conviver dentro do meu próprio atelier ao lado de outros móveis, na sua maior parte sombrios. Para a minha crescente irritação, demoraram em montar  as  ferragens e eu, aqui  com  os  meus  botões, só  pensando em  mandar repintá-la de uma</p>
<p>outra cor. De repente, olho no fundo da sala, a pequena cama estava ali armada, resplendendo no seu  azul  cerúleo  profundamente  belo  e  primaveril.  Era  a  pincelada   de  gênio  necessária para</p>
<p>vivificar esse ambiente sobrecarregado de ocres pardacentos, sienas, brancos sujos e  pretos desbotados.</p>
<p>Saiu o velho catre que há tantos anos me serviu e entra uma cama jovial com a sua nova harmonia, aparentemente extravagante à maneira do <em>Blue Boy</em> de Gainsborough, este também, de tão celestial presença entre tantos pardos, terrosos e aborrecidos.</p>
<p>A cama celeste, ou a celestial morada, funcionou a contento, e posso asseverar que dormi bem melhor essa noite. Apenas tenho de reconhecer que é uma cama frágil e casta que não permitirá a presença de mulheres à toa.</p>
<p>7 de agosto &#8211; 3h20m</p>
<p>Os insetos e, possivelmente, uma conversa telefônica que mantive com Fenícia, ontem no começo da noite, não me deixaram dormir. Irritou-me acordar apenas às três horas da manhã, uma hora pesada, propícia ao desenlace dos moribundos, <em>Hora do lobo</em> (título de um filme de Bergman, não é verdade?). Mas, o que enlouquece os escandinavos, ainda mais que a nós outros, que já somos todos mais ou menos ensandecidos?</p>
<p>Fenícia também é louca. Toda loucura é irresistível e insistente. E ela insiste como ninguém. Que dificuldade em convencer um louco para que ele deixe de ser louco! De volta para a cama celeste, vejo o grosso volume laranja, o inconfundível <em>Journal de Kafka</em>, traduzido para o francês. Abro-o ao acaso. <em>Tout se refuse à être êcrite</em>. Em baixo da frase, há um grifo canhestro, trêmulo, incompleto, marca registrada de quem não ama os livros, mas que, assim mesmo, pode ainda amar os textos. Mas como é que se pode amar os textos sem amar os livros? Então, não se ama nenhum dos dois? O grifo embaixo da frase genial de Kafka é meu. Logo, não amando os livros, igualmente não devo amar os textos.</p>
<p>Voltando ao elogio da loucura, escuto A.C. confidenciar-me, sorrindo, que quem tirou a sua virgindade foi uma mulher: &#8220;Tu a conheces, ela é louca! sabias?&#8221; diz A.C. olhando para mim à procura de aprovação. &#8220;Sim, ela é louca&#8221;, repetiu.  Logo acrescentei:  &#8220;E quem não é louco?&#8221; Desta feita silenciou, não respondendo nada.</p>
<p>Meu Deus, como as mulheres se escravizam ao sexo! Neste capítulo, nada a fazer, nada a declarar. Insistir, já é loucura.</p>
<p>Na tarde de ontem, o John Richardson, biógrafo de Picasso, do alto de sua prosopopeia, declarou que Olga Picasso era louca; que Marie-Thérèse Walter era belíssima, mas primária e que acabou se enforcando cinquenta anos depois de ter conhecido o artista; que Dora Mar era inteligente, mas inconveniente, neurótica e excessiva em tudo. E, como se não faltasse mais nada, um tanto kafkiana. Enfim, um azarão; Françoise Gillot era&#8230; Engraçado, sobre esta jovem, Richardson não diz nada, apenas cita trechos do seu livro escrito a quatro mãos contra Picasso. Se Richardson não diz nada  relativo à  Françoise é porque certamente estão mancomunados. Richardson insinua que o poeta Eluard oferecia abertamente a sua bela esposa Nush ao amigo Picasso e, quanto a Jacqueline Roque,  com  quem  o  pintor  se casou em segundas núpcias, Richardson não diz muito, mas deixa subentendido, claramente, que ela fisgou o velho polígamo com unhas e dentes, apressando assim o desespero e a  morte de Marie-Thérèse, que também, por sua vez, tinha lá as suas pretensões matrimoniais, etc. Enfim, um amontoado de escândalos no seu paroxismo. Se enfoquei tão somente esses aspectos negativos amorosos, foi motivado pela insistência do próprio Richardson de dar-lhe um amplo significado. Em geral, a visão restante das análises cronológicas dos velhos ritos picassianos é excelente e justa, perseguindo sempre a pista de boas e dilatadas elucidações. Vê-se que o crítico admirava Picasso sem reservas, conhecendo bem seus amigos, as influências temperamentais recíprocas e, sobretudo, a gênese de suas principais obras. Contudo, o mesmo não acontece com as intrujices a propósito do &#8220;louco amor de Picasso&#8221;. Terá sido o pintor tão louco assim? Há qualquer coisa no cerne deste estudo que não me cheira bem, e, no fundo, quem sai chamuscado é Picasso. Na minha opinião o que foi escrito permanece terrível, mas é igualmente belo nas suas indiferenciadas digressões e nas suas encantatórias e definitivas descobertas.</p>
<p>O artigo foi lido e é medonho como história e suas inevitáveis consequências. A vida em si já é um horror, mas na sua multiplicidade de aspectos acaba por purificar o mal, mantendo-o disfarçado sob um manto da fantasia, o que não acontece quando se codifica cronologicamente todos os eventos, e se verifica com frieza aquilo que, ainda não tendo nome, poderia cair no esquecimento e jamais ser denominado. À luz dessas três ou quatro páginas de jornal, Pablo Picasso poderia ser tomado isoladamente como monstro, e sua relação íntima ou casual com as mulheres  que conheceu, uma verdadeira monstruosidade.</p>
<p>Todas essas linhas ou anzóis colocados em torno do artista, acabaram por fisgá-lo. E, assim, é analisado, como um peixe já fora d&#8217;água, fora do seu meio ambiente e de suas circunstâncias vitais, portanto, já sufocado e morto.</p>
<p>Há poucos meses, nesses mesmos cadernos culturais, li algo semelhante, escrito por James Snyder, outro norte-americano, discorrendo sobre aquilo que chama &#8220;uma nova imagem de Rembrandt&#8221;. Na realidade é uma apreciação despropositada, abordando  um ensaio de Gary Schwartz sobre o mesmo artista, <em>Rembrandt, His Life, His Painting</em>. Diferentemente do alto conceito de Eugéne Fromentin sobre Rembrandt<em>,</em> esse Sr. Schwartz, entre outras preciosidades, começa a nos dizer que o pintor até carecia de talento&#8230; De saída diz ele: &#8220;Partindo de um estudo exaustivo e acurado de <em>documentos</em> (será que a vida se resume a uma prova documental?), em sua maioria relativos aos clientes, o autor fornece um vívido retrato de Rembrandt caracterizando-o como uma pessoa repugnante e indigna de confiança: ávido, fútil, insociável, grosseiro e arrogante&#8230;&#8221;</p>
<p>Certamente o Sr. Schwartz estava escrevendo uma autobiografia e não um suposto retrato do artista, esquecido de que o sensato Montaigne já sabiamente comentara que &#8220;todo homem carrega em si a forma inteira da humana condição&#8221;.</p>
<p>Afinal de contas esses enlouquecidos norte-americanos estão nos saindo melhor do que a encomenda. Já dizia Durrell, com muito mais propriedade do que John Richardson ou Gary Schwartz <em>et</em> <em>caterva,</em> que &#8220;tudo o que se disser de um homem (de qualquer pessoa) poderá ser verdade. O Santo e o Canalha partilham a realidade&#8221;. E tem toda a razão Durrell quando completa: &#8220;Se as coisas fossem sempre o que parecem ser, como se encontraria empobrecida a imaginação dos homens?&#8221;</p>
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<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; line-height: normal;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;amp;amp;">Propriedade Santos Cosme e Damião</span><span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;amp;amp;"> </span></p>
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		<title>O luto da arte</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 20:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
A tese da morte da arte ainda significa mais do que parece.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/VACA-ARTES-PLÁSTICAS.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-17344" title="VACA - ARTES PLÁSTICAS" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/VACA-ARTES-PLÁSTICAS.jpg" alt="" width="472" height="294" /></a></p>
<p>A tese da morte da arte ainda significa mais do que parece.</p>
<p><a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2010/04/o-luto-da-arte/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Guerras Culturais</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 00:45:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Umberto Eco
The New York Times/UOL
Enquanto discutiam o novo livro de Frédéric Martel, “Mainstream”, em uma edição recente do jornal italiano “La Repubblica”, Angelo Aquaro e Marc Augé retornaram a uma questão que desponta com muita frequência, mas sempre por novos ângulos –a distinção entre alta e baixa cultura. É claro, um jovem que atualmente [...]]]></description>
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<p><strong>Por Umberto Eco<br />
The New York Times/UOL</strong></p>
<p>Enquanto discutiam o novo livro de Frédéric Martel, “Mainstream”, em uma edição recente do jornal italiano “La Repubblica”, Angelo Aquaro e Marc Augé retornaram a uma questão que desponta com muita frequência, mas sempre por novos ângulos –a distinção entre alta e baixa cultura. É claro, um jovem que atualmente escuta indiscriminadamente Mozart e música folk pode considerar isso irrelevante. Mas vale a pena apontar que o assunto era quentíssimo há meio século. Em 1960, o crítico cultural americano Dwight Macdonald escreveu um ótimo ensaio intitulado “Cultura de Massa e Cultura Média”, no qual identificava não apenas dois, mas três níveis de cultura.</p>
<p><span id="more-17300"></span>Macdonald argumentava que Joyce, Picasso e Stravinsky representavam a alta cultura, enquanto os filmes contemporâneos de Hollywood, o rock e as capas da revista “The Saturday Evening Post” (muitas de autoria do pintor americano Norman Rockwell), definiam a “cultura de massa”. Mas Macdonald também identificou um terceiro nível cultural, a “cultura média”, que ele associou aos produtos de entretenimento que tomavam emprestado alguns estilos da vanguarda, apesar de permanecerem basicamente kitsch. Entre os exemplos passados de cultura média, Macdonald listou a obra do pintor vitoriano nascido na Holanda, sir Lawrence Alma-Tadema, e o dramaturgo francês da virada do século, Edmond Rostand. Quanto aos artistas de cultura média de seu próprio tempo, Macdonald apontava para Ernest Hemingway em seu período final e o autor americano Thornton Wilder, cuja peça de 1938, “Nossa Cidade”, ganhou o Prêmio Pulitzer. Muito provavelmente, Macdonald poderia ter acrescentado W. Somerset Maugham, Sándor Márai da Hungria e o sublime e prolífico romancista de origem belga, Georges-Joseph-Christian Simenon. (Macdonald teria classificado os romances de detetive de Simenon, contendo o inspetor de polícia Jules Maigret, como cultura de massa, e as obras de Simenon sem Maigret com sendo cultura média.)</p>
<p>A divisão entre cultura popular e alta cultura não é tão antiga quanto as pessoas pensam. Augé cita no La Repubblica o funeral do autor francês Victor Hugo, que contou com a presença de centenas de milhares de pessoas (a obra de Hugo era cultura média ou alta?), enquanto as tragédias de Sófocles eram desfrutadas até mesmo pelos vendedores de peixe de Pireu. Assim que foi lançado, o romance de Alessandro Manzoni do início do século 19, “Os Noivos”, teve várias edições, um sinal claro de sua popularidade. E não vamos esquecer da famosa história do ferreiro cantor, que misturava os versos dos poemas de Dante, o que enfurecia o poeta, mas também revelava que até mesmo os iletrados conheciam sua obra.</p>
<p>É verdade, na Roma antiga as pessoas abandonavam as apresentações das peças de Terêncio para ir ao circo e assistir aos ursos. Mas mesmo em nossos tempos, intelectuais de renome já deixaram de ir a concertos para assistir a um jogo de futebol. O fato é que a distinção entre dois (ou três) níveis de cultura geralmente fica clara apenas quando a vanguarda histórica provoca deliberadamente a burguesia ao celebrar a não clareza ou a rejeição de uma apresentação como valores artísticos.</p>
<p>Esta ruptura entre alta e baixa cultura aconteceu em nossos tempos? Não. Compositores clássicos do século 20, como Luciano Berio e Henri Pousseur, levavam o rock muito a sério, e muitos músicos de rock sabem mais sobre música clássica do que alguém pensaria. O estouro da pop art na metade do século subverteu as hierarquias culturais tradicionais: hoje, o prêmio por ilegibilidade vai para algumas histórias em quadrinhos extremamente obscuras (o que atualmente chamamos de “graphic novels” (romances gráficos)), enquanto muitas trilhas sonoras de filmes spaghetti Western são consideradas música de concerto. Hoje, basta você assistir a um leilão televisionado para testemunhar pessoas que alguns chamariam de “não sofisticadas” (no meu entender, qualquer pessoa comprando uma pintura pela televisão não é membro da elite cultural) comprando telas abstratas, de alta arte, que seus pais teriam desdenhado como pinturas pintadas pelo rabo de uma mula. Como colocou Augé: “Entre a alta cultura e a cultura de massa sempre há uma troca subterrânea, e com muita frequência a segunda alimenta a riqueza da primeira” (e, eu acrescentaria, vice-versa).</p>
<p>No mínimo, a distinção moderna entre os níveis culturais mudaram de um foco no conteúdo ou forma de uma certa obra para o modo com que ela é desfrutada. Em outras palavras, não há mais diferença entre Beethoven e “Jingle Bells”. A música de Beethoven, que atualmente foi reimaginada como muzak de elevador e uma série de ring tones, é desfrutada sem a atenção consciente do ouvinte (como o crítico cultura Walter Benjamin teria colocado), e portanto passa a lembrar um jingle publicitário. Por outro lado, um jingle criado para uma propaganda de detergente pode se tornar tema de análise crítica, e ser apreciado por seus aspectos rítmicos, melódicos e harmônicos.</p>
<p>Mais do que a obra de arte em si, o que mudou é nossa abordagem em relação a ela. Aqueles com um ouvido desatento podem escutar Wagner como uma trilha sonora de um reality show, enquanto aqueles com gostos mais refinados podem se recostar e desfrutar de “Tristão e Isolda” por seus méritos próprios, mesmo em ancestrais discos de vinil.</p>
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