A música da abertura da novela Cheia de Charme, da rede Globo, é um achado. Além das comparações absurdas feitas em nome da “pessoa abandonada”, o refrão que a primeira audição se escuta “is my love” do inglês é, na verdade, a internacionalização do termo ex-amor. Ao invés do verbo “is”, a compositora Gaby Amarantos utiliza o prefixo “Ex” e complementa com o possessivo e o substantivo do inglês para gerar o inusitado e criativo “ex my love”. Esse tipo de construção não só retoma, mas também reinventa o brega, que, embora esteja apagado da nossa região, continua com força total no Norte, sobretudo no Pará, com o tecno-brega.
Diálogo para o emudecimento
2 de abril de 2012 às 18:53 | 5 ComentáriosO que não suporto é esse seu desinteresse em reagir.
Esse comportamento ultrarracional é inconveniente à própria vida e ao direito de liberdade particular.
Reagir é necessário em tudo e é por não reagir que estamos assim, não somente você e eu, mas nós todos. Passivos a todas as decisões que nos colocam inseguros e sem segurança.
A vida é dura, abaporu e insistentemente ingrata.
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A Vizinha da Cabo de São Roque não está mais sozinha
18 de março de 2012 às 14:17 | 1 Comentário“Há dezessete meses choro,
chamando-te de para casa”
Anna Akmátova in Réquiem – um ciclo de poemas
A vizinha da Cabo de São Roque cobra por aluguel/temporada, e por lá já passaram muitos inquilinos. Uns amigos e outros nem tanto. Uns cheiram e outros nem cheiram nem fedem. Os decibéis incomodam mais. A gorda das frituras deixava a boca cheia de querências proibidas. Na noite magra comida a engordava. Com um outro inquilino era diferente. A sua fome era por liberdade. Parecia um refugiado de guerra não clicado por Sebastião Salgado. Meio tonto e nariz gogolniano. Os seria judeu?
Rapariga de Deuzão
22 de fevereiro de 2012 às 12:49 | 2 ComentáriosArte: DAACRUZ
Marieta esperou que o marido chegasse mais cedo na véspera de carnaval. Perda de tempo. O relógio começou a se demorar e, cada vez que ela olhava-o na parede, parecia imóvel. Ficou irresoluta. A vontade que tinha era de tomar um taxi e ir bater lá na repartição para trazê-lo pelo braço antes que fizesse besteira. Ela pressentia algo. E mulher quando tem pressentimento é melhor agir. Ela agiu.
Rita louca
6 de fevereiro de 2012 às 16:16 | 11 ComentáriosPicasso. Mulher de Costas.
Quando Rita enlouqueceu, gritou e tirou a roupa. Tinha a pele branca e os seios à amostra. Eu devia ter uns oito anos e foi a primeira vez que vi uma mulher seminua. Não por ser uma senhora de quase meia idade, mas daquela cena só ficou o desespero. Seus olhos pareciam ver o que não se via e seus berros ecoam ainda hoje.
Política de menino
30 de janeiro de 2012 às 17:47 | 5 ComentáriosUm dos meus sonhos de menino era ver o país alcançando o patamar de primeiro mundo. Dava mais importância a isso do que a qualquer outra coisa. Foi logo no início, quando pensava que a juventude poderia mudar o mundo a partir das minhas análises aprendidas no movimento sindical e compartilhadas entre os socialistas bucólicos dos meus 13 anos.
Sedentário a moda antiga
16 de janeiro de 2012 às 17:02 | 3 ComentáriosNão há nada mais difícil no mundo do que perder peso. Parece uma contradição para mim que, quando criança, tinha vergonha da minha magreza. É certo que naquela época as coisas eram difíceis, mas eu me lembro que comia feito gente grande, na esperança de engrossar as canelas. Talvez, e vocês vão dizer: ahhhhh… meu sedentarismo ajude a me manter acima do peso, mas se era magrela quando comia muito, por que então não consigo perder peso comendo feito um passarinho?
Por educação e exemplo
2 de janeiro de 2012 às 8:38 | 1 ComentárioMinha sobrinha tem pouco mais de 3 anos. Meses atrás, numa das visitas à nossa casa, ela estava sentada na sala comigo e com meus 2 irmãos (todos na faixa dos 20 anos) quando meu pai, que havia ido ao mercado, trouxe algumas balas – fazendo assim a alegria das crianças de todas as idades que estavam ali. Meu irmão, muito despreocupadamente, escolheu o sabor que mais o agradava e jogou a embalagem no chão. Eu e minha irmã nem ligamos, continuamos conversando, até que ouvimos aquela vozinha fina, mas marcadamente imperativa:
-Não faz isso, “Ademi”! Não é p’a jogar lixo no chão, é feio! Tem que jogar lixo no lixo!
Nem é preciso dizer como ficamos admiradas, é o tipo repreensão que não se ouve nem de adultos hoje em dia! Meu irmão, por sua vez, praticamente mudou de cor de tanta vergonha, o comentário havia chamado a atenção dos outros adultos que estavam na cozinha e ele se apressou em levar o plástico para a lixeira mais próxima, acompanhado pelos olhos atentos da pequena Beatriz.
Essa é uma história que eu não canso de repetir, principalmente para os meus alunos adolescentes, fase de muitos anseios consumistas e inconsciência que geralmente é levada vida afora. São vivências como essa que me fazem acreditar que ainda existe viabilidade no ser humano e que a educação sempre deve ser tanto o caminho quanto a meta em qualquer tentativa de transformação.
*Um Feliz Ano Novo para todos os Pluralistas e leitores!
As três casas de Neruda
8 de dezembro de 2011 às 22:21 | Comentar
Acima: Pablo Neruda e Matilde Urrutia, em Isla Negra
Ao pisar pela primeira vez em solo chileno, confirmei e entendi rapidamente que tudo que há naquele país está impregnado da forte presença espiritual e intelectual de Pablo Neruda (Parral, 12 de Julho de 1904 – Santiago, 23 de Setembro de 1973), seu escritor e poeta mais festejado (foi também Senador da República e diplomata), ganhador do prêmio Nobel de Literatura no ano de 1971.
Atire a primeira pedra
29 de novembro de 2011 às 7:57 | 9 ComentáriosFrida Klalo (Auto-retrato na fronteira entre México e Estados Unidos (1932)
Sofrer por amor não é um escolha, é uma arte. O homem gosta de sentir aquela dor que aperta o peito e afrouxa as articulações. Gosta de beber para esquecer, sabendo que isso só o fará lembrar ainda mais. Porque sofrer faz parte da natureza humana. Precisamos do descontrole para nos redescobrir mais fraco ou mais forte. Por mais contraditório, a desordem nos ordena. Refaz nossos próprios conceitos e obriga-nos a crescer enquanto indivíduos, pelo menos até o próximo amor.
Bandeira 2 – Em trânsito pela Cidade da Luz
24 de novembro de 2011 às 14:11 | 4 ComentáriosFoto: Deivyson Teixeira
Passando em Fortaleza ida e volta indo em direção ao Parque de Sete Cidade no Piauí, tomo alguns táxis de ligações cada vez mais complicadas entre uma rua e outra. As ruas congestionadas e mais carros entupindo as artérias das cidades. A cada mês mais quatro mil carros entram na cidade luz de Fortaleza. O congestionamento é inevitável. A irritação também. Motorista de táxi, todo mundo sabe, é um termômetro das cidades e de seus moradores.
Crônica do Sertão II – O Vaqueiro
22 de novembro de 2011 às 8:35 | 2 ComentáriosVamos medir as poesias?
Desafiou o vaqueiro.
O poeta sorriu no canto da boca, mas nem disse que sim, nem que não.
O estado do Estado no Departamento de Trânsito
14 de novembro de 2011 às 11:00 | 2 ComentáriosSempre que preciso usar o serviço burocrático nacional termino com sensação de impotência. Isso porque não adianta sentir raiva ou procurar direitos. Existem tantos códigos e leis neste país que nos sentimos num oito, como se fôssemos um cão caçando o próprio rabo.
A seleção sexual
9 de novembro de 2011 às 21:34 | 7 ComentáriosSinceramente acredito no discurso de John Dillinger (Johnny Depp) para Billie Frechetti (Marion Cotillard) no filme Inimigo Público (2009), quando ele vai buscá-la em seu trabalho na recepção de um restaurante, após ter sido abandonado por ela em um bar na noite anterior.
Da mídia e da banalização da morte: O barbarismo como produto mercadológico
28 de outubro de 2011 às 18:35 | ComentarOs últimos acontecimentos mundiais me fazem pensar seriamente “nessa coisa” de progresso. Estamos em pleno século vinte e um, e enchemos a boca para proferir palavras que remetam às maravilhas, supostamente, advindas desse aparato midiático, desse maquinário pós-moderno que – como proferem os meios de comunicação – tiraram o ser humano de um obscurantismo que ficou no passado. Os jovens usam aparelhos multimídia como uma forma de apêndice, quase que dependendo deles para formarem suas próprias identidades. Um telefone último modelo, um iPod, essas coisas todas que vemos todos os dias e que eu não sei listar… parecem configurar o perfil do jovem atual.
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Crônicas do Sertão I
28 de outubro de 2011 às 13:25 | 1 ComentárioDe repente, ali mesmo, no final da ribanceira, os aguapés refletidos no sol do açude refaziam-me a mesma imagem dos Jardins de Monet. O sertão, aquele instante, amostrava-se enquanto universo físico inexplorado pela própria visão do sertanejo urbano aculturado.
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Assim mesmo
4 de outubro de 2011 às 15:42 | 1 ComentárioJá lhe faltei alguma vez? Perguntou o prefeito à senhora que, a pouco, entrara chorando pedindo qualquer coisa que, pela reação do homem, parecia insignificante.
Ela sente aquelas coisas. Disse uma mulher na sala de espera, se referindo a mesma senhora. Outra, ao seu lado, concordou.
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Da beleza e suas medidas
25 de setembro de 2011 às 12:35 | ComentarMiss Universo 2011, a angolona Leila Lopes
Quando se fala em beleza, muita coisa vem à baila. Afinal, o que é o belo? A beleza é uma medida? Uma quantidade? Quem decide o que é belo? Quem avalia a beleza? Quem dá valor aos conceitos do que seria o belo? Quem determina que algo é mais ou menos belo. Que critérios estéticos são considerados. Que cultura prevalece sobre as outras nesse quesito? Era nisso que pensava enquanto pela internet observava os comentários e reportagens sobre o Miss Universo.
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Novelas
19 de setembro de 2011 às 15:35 | 5 ComentáriosNunca mais assisto essa novela! Exaltou-se a mulher, fingindo deixar o sofá. Levantou-se, foi até a cozinha, pegou alguma coisa e voltou a reclamar das partes da trama: sei como será tudo… E debulhou as cenas antes delas acontecerem para a admiração dos outros da sala.
O desaparecimento na livraria
29 de agosto de 2011 às 8:19 | 11 ComentáriosEdney, vamos Edney!
Virei-me para ver a mulher sentada, quase gritando, na porta da livraria. Voltei-me com a cabeça querendo identificar a pessoa com quem ela tentava se comunicar. Todos pareciam distantes e continuavam em movimento. Um homem no caixa pedia informações.


![CABO DE SAO ROQUE[4]](http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2012/03/CABO-DE-SAO-ROQUE4-464x308.jpg)
















