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	<title>Substantivo Plural &#187; Dilma</title>
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	<description>CULTURA + IDÉIAS + INFORMAÇÕES</description>
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		<title>O futuro a Lula pertence</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 14:46:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Maria Cristina Fernandes
NO VALOR
Ameaça ruir o esforço da presidente Dilma Rousseff em imprimir uma marca e selar diferenças em relação ao governo de seu antecessor.
As denúncias que envolvem o ministro da Casa Civil, a votação do Código Florestal e a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília ameaçam a forma e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Cristina Fernandes<br />
</strong>NO VALOR</p>
<blockquote><p>Ameaça ruir o esforço da presidente Dilma Rousseff em imprimir uma marca e selar diferenças em relação ao governo de seu antecessor.</p></blockquote>
<p>As denúncias que envolvem o ministro da Casa Civil, a votação do Código Florestal e a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília ameaçam a forma e o conteúdo da mudança.</p>
<p><span id="more-31467"></span>Lula se valeu dos resultados de seu governo, de concessões e do seu carisma para equilibrar sua conflitante base política.</p>
<p>Dilma comanda uma equação de poder mais ampla e ainda é cedo para ter resultados a mostrar. Mas optou por algumas bandeiras como política externa afiançada em direitos humanos, postura de menos confronto com a imprensa e discrição no exercício do poder para conquistar parcelas da sociedade ariscas ao carisma lulista.</p>
<p>A resistência ao código obedece a esse figurino tanto na conquista da classe média urbana quanto na imagem do Brasil no exterior. As pontes lançadas à oposição, como a cordialidade na relação com ícones do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também seguem neste prumo.</p>
<p>Ameaça ruir o esforço de Dilma em delimitar as diferenças</p>
<p>Ao recorrer a Lula para conter a crise desencadeada pela descoberta da atípica evolução patrimonial de Palocci, Dilma não passa recibo apenas da delicada situação política do ministro da Casa Civil, mas das fragilidades latentes de sua equação de poder.</p>
<p>A primeira missão de Lula foi mandar alardear o que o Planalto já tentava plantar nas redações: que a artilharia contra Palocci havia partido do ex-governador José Serra. Lula trouxe para a linha de frente da defesa de Dilma o bateu-levou dos palanques do ano passado que tanto contrastou com a amena imagem pública da nova presidente.</p>
<p>Independentemente dos benefícios para Serra em se fazer presente no jogo no momento em que seu próprio partido se prepara para defenestrá-lo, a tática do ex-presidente esbarra nas eloquentes evidências de que o volume de interesses contrariados na República é maior na base governista do que na oposição. No embate eleitoral um inimigo externo pode até ajudar a unir aliados. Numa conjuntura em que a oposição não tem número sequer para aprovar um requerimento, a iniciativa, além de desprovida de foco, é um acinte à inteligência dos aliados governistas.</p>
<p>Passaria por uma iniciativa patética não tivesse sido levada a cabo pelo secretário-geral da Presidência. Ao confiar a Gilberto Carvalho e não a um parlamentar a missão de acusar nominalmente Serra de mandar quebrar o sigilo fiscal da consultoria de Palocci, Lula quebra a liturgia da Presidência da República como se ainda a ocupasse e infantiliza a figura da titular, superior hierárquica do cargo aparelhado para a luta política.</p>
<p>Ao nomear para a Casa Civil aquele que gozava de mais prestígio junto ao ex-presidente entre os comandantes de sua campanha, Dilma não se valeu dos mesmos filtros que Lula usou para escolhê-la na substituição a José Dirceu.</p>
<p>Imaginava-se que o telhado de vidro de Palocci seria poupado pela completa subordinação do cargo à Presidência. A solução se mostrou precária não apenas pela fina espessura do vidro mas também pela natureza dos interesses que este governo se dispôs a conciliar em sua base, a começar pelas disputas internas do partido da presidente.</p>
<p>A votação do Código Florestal escancarou as dificuldades do governo com o que Marcos Nobre já chamou de &#8220;excesso de adesão&#8221;.</p>
<p>O projeto do código tramita no Congresso há 12 anos em reação ao avanço da legislação ambiental. A Dilma, como àqueles que a precederam, nunca interessou votá-lo porque o texto colocaria um freio a políticas federais de proteção ambiental que têm avançado a despeito da representação parlamentar dos produtores rurais.</p>
<p>No governo Dilma, a resistência a colocar na letra da lei a anistia a desmatadores, somada à maior ênfase do Itamaraty em direitos humanos, compõe a imagem de Brasil que se quer projetar no exterior. A postura também ajuda a equilibrar, internamente, uma imagem de presidente irredutível no licenciamento de usinas. Se nesse quesito não há concessão porque se avalia que a geração de energia seria colocada em risco, é no freio ao desmatamento que precisa se fiar.</p>
<p>O código rumava para ser aprovado mesmo sem as denúncias contra Palocci. Mas a crise diminuiu o cacife do governo para conseguir um texto mais equilibrado e colocou o jogo no colo do PMDB, o partido sempre melhor equipado para tirar proveito de conjunturas afins.</p>
<p>Numa amostra da janela de oportunidades que a crise abriu para a sedenta base aliada de Dilma, o PR de Anthony Garotinho, aplicado aprendiz do pemedebismo, conseguiu fazer com que a cartilha anti-homofobia do Ministério da Educação fosse recolhida.</p>
<p>Se Lula já havia conseguido reeditar, com as acusações à oposição, o clima que Dilma, a muito custo havia conseguido esfriar, o PR levou o Executivo a retroagir num tema igualmente inflamado pela campanha.</p>
<p>A cartilha, chancelada pela Unesco, era uma catequese para a tolerância numa juventude frequentemente exposta a apelos violentos contra a homofobia. Até o Supremo, por unanimidade, já havia conseguido avançar na aceitação ao casamento gay a despeito de um Congresso que exerce sucessivamente seu poder de veto ao tema.</p>
<p>O Supremo, segundo seu presidente, tenderá cada vez mais a fazer sessões fechadas e prévias aos julgamentos públicos. Assim foi na questão da homofobia.</p>
<p>Assim vai-se redesenhando a repartição dos Poderes. Os onze magistrados tomam a iniciativa de colocar o país na era do Iluminismo em sessões fechadas, o Congresso joga abertamente na retranca para manter o regime das sesmarias e o Executivo, como definiu a presidente em seu primeiro pronunciamento desde a crise palociana, entrega seu futuro aos céus. Talvez tenha sido sua maneira de dizer que o futuro a Lula pertence.</p>
<p><span style="color: #3366ff;">Maria Cristina Fernandes é editora de Política.</span></p>
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		<title>Voto por si</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Oct 2010 17:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Silva</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[serra]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos e amigas:
Os diálogos sobre voto (nulo ou não), neste SP, conseguiram se manter num nível de dignidade e respeito recíproco invejável. Diferentes opções surgiram muito bem apoiadas em sólidos argumentos eruditos. Fiquei especialmente comovido com a escolha de François: evocar o belíssimo poema &#8220;Cântico negro&#8221;, do português José Régio a favor de sua opção.
Conheço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos e amigas:</p>
<p>Os diálogos sobre voto (nulo ou não), neste SP, conseguiram se manter num nível de dignidade e respeito recíproco invejável. Diferentes opções surgiram muito bem apoiadas em sólidos argumentos eruditos. Fiquei especialmente comovido com a escolha de François: evocar o belíssimo poema &#8220;Cântico negro&#8221;, do português José Régio a favor de sua opção.</p>
<p>Conheço esse poema há algumas décadas. Não o entendo como convite a ficar sobre o muro e sim como recusa a pensar pela cabeça dos outros. É uma afirmação dotada de altivez que qualquer eleitor, no momento político brasileiro atual, optando por votar em Dilma, Serra ou ninguém, poderá reivindicar no sentido de não ir no papo dos outros, de escolher por si mesmo. Aliás, é uma atitude presente, bem antes, em texto de Immanuel Kant que cito com freqüência aqui: &#8220;Resposta à pergunta: O que é Esclarecimento?&#8221;. Ter luzes é pensar por si mesmo, sem depender da autoridade alheia. Não quero votar em nome do que Lula, FHC, Marina ou Plínio mandam, não sou súdito deles. Sou cidadão, voto em quem quero ou não voto em ninguém por opção minha. E não desqualifico quem pensa e vota diferentemente de mim.</p>
<p>Reitero, portanto, o alto nível do diálogo sobre o tema no SP, sem apelo para baixarias nem religiosidades moralistas fora de lugar, que lembram uma Inquisição mal evocada. O que está em jogo é votar pela própria cabeça, coisa diferente de uma arrogância que desqualifica as opções alheias. E essa arrogância tem se mantido afastada de nossos posts pluralistas sobre o tema.</p>
<p>Abraços para todos:</p>
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		<title>”Serra deveria marcar sua diferença”</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 01:08:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Marina]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Caetano Veloso
O Globo
Achei que Serra ia perder quando o vi com a Sabrina Sato. A esta altura da campanha, isso parece ter sido há muito tempo. Ele dava uma de cafajeste: tentava parecer informal, igual a todo mundo, popular.
Esboçava, de modo desagradável, desmentir a fama de sério, de acadêmico. Tentava parecer o que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/SERRA.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-20990" title="SERRA" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/08/SERRA-150x128.jpg" alt="" width="136" height="118" /></a>Por Caetano Veloso<br />
O Globo</strong></p>
<p>Achei que Serra ia perder quando o vi com a Sabrina Sato. A esta altura da campanha, isso parece ter sido há muito tempo. Ele dava uma de cafajeste: tentava parecer informal, igual a todo mundo, popular.</p>
<p>Esboçava, de modo desagradável, desmentir a fama de sério, de acadêmico. Tentava parecer o que não é. Bem, talvez ele seja mesmo cafajeste, mas não o é como homem público. Via-se ali já o equívoco de querer parecer grosso como Lula. Mas Lula é grosso do modo mais chique que pode haver.</p>
<p><span id="more-20988"></span>Seus erros de português, suas metáforas cafonas, mesmo suas caneladas imperdoáveis em assuntos internacionais são a glória do Brasil. E, apesar de considerar de fato imperdoáveis falas como as respostas sobre os dissidentes cubanos, não usei a palavra glória aqui com nenhum traço de ironia.</p>
<p>Que o Brasil tenha eleito e aprove um presidente de origem humilde e pouco letrado é prova de que queremos mover-nos socialmente e de que não somos dominados por preconceitos linguísticos.</p>
<p>Mas Serra representaria todo o espectro da sociedade brasileira que, além de incluir os que têm preconceitos linguísticos, conta com muita gente que simplesmente está cansada do ideologismo desavisado dos que apoiam tudo do PT, do sintoma de regressão que representa o aspecto populista do culto a Lula e do fisiologismo que é desenfreado porque serve ao grupo que supostamente quer o bem do povo.</p>
<p>Serra seria o homem sério, o ex-ministro da Saúde que demonstrou competência e coragem. Sua origem humilde poderia ser sempre relembrada, mas para dizer (como Marina pode, com muito mais razão) que vir da pobreza não resulta sempre num mesmo estereótipo. Serra deveria ter-se oposto claramente a Lula, reafirmando-se como o homem intelectualizado que é, como a alternativa nítida ao lulo-petismo. Mas já se esboçava, na cafajestada com Sabrina, o Zé do horário gratuito.</p>
<p>Sou baiano, mas não sou publicitário. Dos sambas obras-primas de Caymmi que eram ao mesmo tempo jingles turísticos de Salvador nos anos 40 ao hilário hino do carnaval axé chamado We are Bahia, o baiano mostra que tem pendor para o reclame.</p>
<p>Nos anos 70, meu irmão Rodrigo foi a Minas. Voltou com brados de protesto: Minas tem muito mais arquitetura bonita do que a Bahia, as igrejas e as comidas são mais requintadas; se os mineiros fossem espalhafatosos como os baianos, não dava nem para entrarmos no páreo. João Santana é meu colega (foi letrista do Bendengó, de que Gereba era a cabeça musical) e meu camarada desde o final dos 70. Todos o chamavam de Patinhas, por causa do personagem de Walt Disney. Ele não tem nenhuma parecença física com o pato milionário.</p>
<p>Seus amigos antigos devem ter visto outras semelhanças entre ele e o velhote dos cifrões. Sempre me fascinou o verso final de uma canção sua: E haverá deuses na Terra e um homem no céu. O próprio Tropicalismo (primo da arte pop e irmão de Godard) usava elementos da publicidade. Houve quem maldosamente julgasse tratarse de pura jogada mercadológica.</p>
<p>Eu próprio pensava o contrário, de modo que me recusei sempre a fazer anúncio ou licenciar canções minhas para tal. Então minhas penadas sobre campanha eleitoral são essencialmente amadorísticas.</p>
<p>Por que comento algo ligado a elas, então? Porque gosto de entrar nos assuntos que fazem a conversa da cidade. E porque sempre suponho que algo de minhas percepções pode produzir sutis diferenças. Gosto de pertencer e meu pertencimento ao Brasil é algo de grande importância para mim. Não é nacionalismo. Em Santo Amaro, aos 17 anos, eu me dizia sueco.</p>
<p>Gostava de saber que no país escandinavo uma mulher casada que tivesse um eventual caso extraconjugal não só não seria apedrejada: ela simplesmente conversava sobre o caso com o marido, e ambos procuravam atravessar o ciúme e decidir seguir juntos ou separarse; amava que as meninas pudessem ter experiências sexuais com namorados ou amigos sem que isso lhes destruísse a vida; que a diferença entre os mais pobres e os mais ricos fosse mínima.</p>
<p>No Brasil, esta ainda é obscena; a legítima defesa da honra só foi descartada quando eu já tinha um filho grande; e só de pouco tempo para cá as meninas p o d e m t r a z e r seus namorados para dentro de seus quartos. Eu ainda me sinto um estrangeiro.</p>
<p>Não me identifico com a corrupção cordial nem com a hipocrisia racial. Mas meu compromisso com fazer o Brasil e não qualquer outro lugar modificar-se profundamente para tornarse ele mesmo é talvez o que mais me move. As conversas de apagar a ideia de estado-nação me soam fora do tempo. Servem a outras coisas que não ao que fingem servir. Servem a nações hegemônicas ou a internacionalismos de classe que só sabem produzir nações ainda mais opressoras.</p>
<p>Já eu quero que tudo mude. Por isso para mim conta se Serra foi cafa.</p>
<p>Marina disse certo sobre Lula e Dilma: O Brasil não precisa ser uma sociedade infantilizada. Querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe. O Brasil não precisa. Mas ainda se presta a isso. Lula é pai. Dilma não tem nada de maternal.</p>
<p>Mas é a mulher dele. Ele é que a nomeia mãe. A vitória dela será dele. Mas não apenas ele tem mais crédito do que débito com o Brasil com que eu sonho: também ela pode ser mais técnica do que mãe quando agarrar o poder.</p>
<p>Em vez de temer ser o antiLula, Serra deveria marcar sua diferença. Podia não vencer, mas daria medidas a Dilma. Beleza é Marina.</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">Achei que Serra ia perder quando o vi com a Sabrina Sato. A esta altura da campanha, isso parece ter sido há muito tempo.</div>
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		<title>Ignorar a história, uma saída rasteira</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/ignorar-a-historia-uma-saida-rasteira/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 22:32:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
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		<category><![CDATA[Uribe]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Wálter Fanganiello Maierovitch
Na Carta Capital
 Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo
Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Wálter Fanganiello Maierovitch<br />
Na Carta Capital</strong></p>
<p><em> Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo</em></p>
<p>Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.</p>
<p><span id="more-20335"></span>O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.</p>
<p>A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.</p>
<p>Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.</p>
<p>Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), &#8220;taxa&#8221;de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de &#8220;imposto de circulação&#8221; gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.</p>
<p>Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: &#8220;A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios&#8221;.</p>
<p>Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de &#8220;Paz, Justiça e Liberdade&#8221; e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.</p>
<p>Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.</p>
<p>Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, &#8220;este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política&#8221;.</p>
<p>A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.</p>
<p>À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.</p>
<p>Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.</p>
<p>Os conservadores tinham por lema &#8220;Deus, pátria e família&#8221;. Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado &#8220;gaitanismo&#8221;lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.</p>
<p>Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.</p>
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		<title>Entrevista com Plínio Sampaio</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 13:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Marina]]></category>
		<category><![CDATA[Plínio de Arruda Sampaio]]></category>
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		<description><![CDATA[Plínio de Arruda Sampaio passou aproximadamente sessenta anos de sua vida atuando na política nacional. Foi um dos fundadores do PT e o autor de planos de reforma agrária para os presidentes João Goulart e Lula. Promotor público aposentado, completou 80 anos na segunda, 26 de julho, como candidato à presidência da República pelo PSOL. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/plinio-arruda-sampaio.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-20261" title="plinio arruda sampaio" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/plinio-arruda-sampaio-100x150.jpg" alt="" width="100" height="150" /></a>Plínio de Arruda Sampaio passou aproximadamente sessenta anos de sua vida atuando na política nacional. Foi um dos fundadores do PT e o autor de planos de reforma agrária para os presidentes João Goulart e Lula. Promotor público aposentado, completou 80 anos na segunda, 26 de julho, como candidato à presidência da República pelo PSOL.  Nessa entrevista a Manuela Azenha, ele diz que os principais candidatos contra os quais concorre — Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva — fazem parte de um mesmo sistema e que sua candidatura tem como objetivo principal mostrar outra possibilidade à sociedade brasileira.</p>
<p><a href="http://www.viomundo.com.br/politica/plinio-de-arruda-sampaio-marina-faz-parte-do-mesmo-sistema-de-dilma-e-serra.html" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Uma campanha presidencial radicalizada? Por que?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 13:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Bolívar Lamounier
Portal Exame
O que mais se ouve é que a campanha presidencial está radicalizada, tensa, agressiva.  Estará mesmo?  A questão é um pouco subjetiva, mas admitamos que sim. A campanha está radicalizada.
A que se deve isso? Talvez à personalidade dos dois principais contendores.  José Serra e Dilma Roussef  não são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Bolívar Lamounier<br />
Portal Exame</strong></p>
<p>O que mais se ouve é que a campanha presidencial está radicalizada, tensa, agressiva.  Estará mesmo?  A questão é um pouco subjetiva, mas admitamos que sim. A campanha está radicalizada.</p>
<p><span id="more-20252"></span>A que se deve isso? Talvez à personalidade dos dois principais contendores.  José Serra e Dilma Roussef  não são políticos tradicionais, se por esta  expressão entendermos  aquele político que nunca diz  as coisas de maneira simples e direta. Aqueles que se empenham em aproximar as partes e conciliar interesses, quaisquer que sejam as partes e os interesses. Michel Temer, o vice da Dilma, é desse tipo. No limite, o político  super-tradicional  adora jogar conversa fora, dar e receber tapinhas nas costas, comparecer a não sei quantos batizados, aniversários e velórios etc. Para ele, o tempo é elástico, senão infinito. Serra e Dilma são o oposto disso.</p>
<p>Por mais que difiram – e diferem muito -,  sua formação é de outro tipo. São gregários só no limite do necessário e concebem o tempo como um bem extremamente escasso.  Imagine então  o leitor como os dois se sentem e se comportam num momento como este : na condição de candidatos à presidência da República.  Minha aposta é que se sentem limitados, que gostariam de dizer mais, e de maneira mais contundente .  Querem advertir contra diversos riscos que ao ver deles o país está correndo, e contra oportunidades que não podem ser perdidas.  Projetemos então tais sentimentos no mundo público, nesse mundo de comunicação quase instantânea de todos com todos em que vivemos. O mundo da TV e do rádio, mundo em que a fantasia predomina por larga margem, e atualmente muito mais regulamentado e acomodado num figurino de cordialidade do que aquele de cinqüenta anos atrás (remember Lacerda, Brizola e outros).  O contraste é inevitável. A disputa eleitoral quebra esse biombo de vidro da fantasia e irrompe agressiva pelos lares adentro.</p>
<p>Mas não creio  que a personalidade de Serra e Dilma seja o  fator mais importante . Nem de longe. Antes dos boxeadores há o ringue, as regras do jogo, os sentimentos e as reações da platéia. A campanha parece polarizada, e está mesmo, porque Lula a quis  polarizada.  Lembram-se? Foi dele a decisão de empurrar a eleição para um caminho plebiscitário. Plebiscito, o que é? Ora, é opção contrastada entre duas alternativas. Dicotomia, simplificação. É bonito contra feio, preto contra branco. O bem contra o mal. Desde o início, Lula trabalhou para impedir terceiros. Não conseguiu barrar Marina, mas barrou Ciro Gomes e esmagou no ninho todos os outros possíveis candidatos que bicavam a casca de seus respectivos ovos partidários. Ciro,  o mais atrevido, ele fez questão de barrar com requintes de humilhação.</p>
<p>E por que plebiscito? Por que Dilma contra Serra? Obviamente porque Lula pretendeu reduzir a campanha eleitoral a uma comparação ponto a ponto de sua presidência com a de Fernando Henrique Cardoso.  E  julgou que só aí já teria munição para abater uns vinte  José Serras. Se o plebiscito era para ser sobre o seu governo, pode-se facilmente concluir que haveria de ser sobre a pessoa dele, Lula.  A resposta deveria ser conhecida de antemão. A única diferença entre as pesquisas e a eleição seria esta : em vez do Ibope ir de casa em casa para saber quem aprova e quem reprova Lula, a massa de cidadãos é que iria às urnas. A pergunta e a resposta seriam as mesmas. É ou era este, no meu modo de ver, o cerne da estratégia eleitoral de Lula.</p>
<p>Vai dar certo? Dilma vai vencer de “lavada”, como ele mesmo disse várias vezes?  Não faço a menor idéia ; o que sei é que, até agora, a disputa segue empatada. Meu interesse aqui não é tentar prever o resultado. A questão que me propus examinar é por que a campanha parece (está) radicalizada, e minha resposta é esta : em parte, porque Lula a empurrou para o  caminho da radicalização.   Ontem, neste mesmo espaço, eu argumentei que a interferência de Lula na campanha é um fato sem precedentes no Brasil. Sem precedentes mesmo pelos padrões de nosso presidencialismo, considerado  “imperial”, como dizem alguns, ou autoritário, como eu prefiro dizer.  Observe-se, porém, que autoritarismo e verticalidade são características do Executivo, não da totalidade de nosso sistema político. Nos demais aspectos –  Legislativo, partidos políticos e federação, principalmente – , o nosso sistema foi montado para facilitar a moderação e o consenso. No primeiro turno, vários partidos; no segundo, maioria absoluta. O multi-partidarismo para permitir a expressão de muitos matizes de opinião. A federação para balancear regiões e impedir políticas arbitrárias em benefício (ou malefício) de uma ou algumas.  O que está acontecendo,portanto, é  fruto direto da estratégia de Lula.  Foi para eleger sua criatura, de preferência de “lavada”, e dessa forma dar a mais ampla expressão à sua auto-imagem, a seus interesses políticos e a seus sentimentos, que Lula absolutizou  (no sentido terminológico : soltou, fez descolar) uma das propensões do sistema político. Absolutizou, ou tentou absolutizar,  o Executivo &#8211;  e anulou o resto, os freios e contrapesos do sistema. Nada a estranhar, portanto, que a observação das leis eleitorais e da liturgia da presidência lhe pareçam questões relativamente secundárias. Não se trata de distração, nem de provocação. O que ocorre é que, antes destes pequenos fatos, Lula criou um mega-fato institucional, dando aparência de normalidade à virtual supressão dos contrapesos e propondo-se como objetivo passar de roldão sobre o que ao fim e ao cabo ainda restar de oposição.</p>
<p>UMAS  E OUTRAS</p>
<p>•    Meu amigo Leôncio Martins Rodrigues manda-me ler  o livro de Daniel Pécaut, As Farcs, uma guerrilha sem fim ;  diz que é leitura obrigatória e que as Farc, vistas de perto, como as viu Pécaut, são muito piores que vistas de longe.</p>
<p>•    “Seja senhor de seus silêncios, para não ser escravos de suas palavras” (atribuído a Tancredo Neves).</p>
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		<title>Pacto de exclusão e fim de ciclo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/pacto-de-exclusao-e-fim-de-ciclo/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 21:04:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Leo Lince
O cidadão comum, que se julga bem informado por ler os jornalões de circulação nacional ou acompanhar o noticiário da televisão ou do rádio pode até pensar que só existem duas candidaturas disputando as eleições presidenciais que se avizinham.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Leo Lince</strong></p>
<p>O cidadão comum, que se julga bem informado por ler os jornalões de circulação nacional ou acompanhar o noticiário da televisão ou do rádio pode até pensar que só existem duas candidaturas disputando as eleições presidenciais que se avizinham.</p>
<p><a href="http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4800/9/" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O feitiço de Sarney</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 20:42:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Leandro Fortes
Na Carta Capital
O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Leandro Fortes<br />
Na Carta Capital</strong></p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/sarney.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-18905" title="sarney" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/sarney-227x300.jpg" alt="" width="118" height="156" /></a>O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal tão típica dos vencedores, enquanto se degenera e se desmoraliza no retrato escondido do Maranhão, o mais pobre, miserável e desafortunado estado brasileiro. Na terra dominada por José Sarney, Lula, o anunciado líder mundial dos novos tempos, parece ser vítima do feitiço do atraso.</p>
<p><span id="more-18904"></span>Dessa forma, em nome de uma aliança política seminal com o PMDB, muito anterior a esta que levou Michel Temer a ser candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, Lula entregou seis milhões de almas maranhenses a Sarney e sua abominável oligarquia, ali instalada há 45 anos. Uma história cujo resultado funesto é esta sublime humilhação pública do PT local, colocado de joelhos, por ordem da direção nacional do partido, ante a candidatura de Roseana Sarney ao governo do estado, depois ter decidido apoiar o deputado Flávio Dino, do PCdoB, durante uma convenção estadual partidária legal e legítima, por meio de votação aberta e democrática.</p>
<p>Esse Lula genial, astuto e generoso, capaz de, ao mesmo tempo, comandar a travessia nacional para o desenvolvimento e atravessar o mundo para tentar evitar uma maior radicalização no Irã, não existe no Maranhão. Lá, Lula é uma sombra dos Sarney, mais um de seus empregados mantidos pelo erário, cuja permissão para entrar ou sair se dá nos mesmos termos aplicados à criadagem das mansões do clã em São Luís e na ilha de Curupu – isso mesmo, uma ilha inteira que pertence a eles, como de resto, tudo o mais no Maranhão.</p>
<p>Lula, o mais poderoso presidente da República desde Getúlio Vargas, foi impedido sistematicamente de ir ao estado no curto período em que a família Sarney esteve fora do poder, no final do mandato de Reinaldo Tavares (quando este se tornou adversário de José Sarney) e nos primeiros anos de mandato de Jackson Lago, providencialmente cassado pelo TSE, em 2009, para que Roseana Sarney reocupasse o trono no Palácio dos Leões. Só então, coberto de vergonha, Lula pôde aterrissar no estado e se deixar ver pelo povo, ainda escravizado, do Maranhão. Uma visita rápida e desconfortável ao retrato onde, ao contrário de seu reflexo mundo afora, ele se vê um homem grotesco, coberto de pústulas morais – amigo dos Sarney, enfim. Logo ele, Lula, cujo governo, a história e as intenções são a antítese das corruptas oligarquias políticas nacionais.</p>
<p>Lula, apesar de tudo, caminha para o fim de seus mandatos sem ter percebido a dimensão da imensa nódoa que será José Sarney, essa figura sinistramente malévola, no seu currículo, na sua vida. Toda vez que se voltar para o mapa do país que tanto vai lhe dever, haverá de sentir um desgosto profundo ao vislumbrar a mancha difusa do Maranhão, um naco de terra esquecido de onde, nos últimos 20 anos, milhares de cidadãos migraram para outros estados, fugitivos da fome, do desemprego, da escravidão, da falta de terra, de dignidade e de esperança. Fugitivos dos Sarney, de suas perseguições mesquinhas, de sua megalomania financiada pelos cofres públicos e de seu cruel aparelhamento policial e judiciário, fonte inesgotável de repressão e arbitrariedades.</p>
<p>Contra tudo isso, o deputado Domingos Dutra, um dos fundadores do PT maranhense, entrou em greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seria só mais um maranhense a ser jogado na fome por culpa da família Sarney, não fosse a grandeza que está por trás do gesto. Dutra, filho de lavradores pobres do Maranhão, criou-se politicamente na luta permanente contra José Sarney e seus apaniguados. Em três décadas de pau puro, enfrentou a fúria do clã e por ele foi p erseguido implacavelmente, como todos da oposição maranhense, sem entregar os pontos nem fazer concessões ao grupo político diretamente responsável pela miséria de um povo inteiro. Dutra só não esperava, nessa quadra da vida, aos 56 anos de idade, ter que lutar contra o PT.</p>
<p>Assim, Lula pode até se esquivar de olhar para o retrato decrépito escondido no quarto secreto do Maranhão, mas em algum momento terá que enfrentar o desmazelo da figura serena e esquálida do deputado Domingos Dutra a lembrá-lo, bem ali, no Congresso Nacional, que a glória de um homem público depende, basicamente, de seus pequenos atos de coragem.</p>
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		<title>Folha monta mais um dossiê falso</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/folha-monta-mais-um-dossie-falso/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 12:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Luis Nassif
Nassif Online
A ombudsman da Folha, Suzana Singer, evitou comentar mais um dossiê falso da Folha: a história do suposto dossiê da campanha de Dilma Rousseff, que eu, vocês, o Sérgio Dávila e a torcida do Flamengo sabemos ser apenas o livro do repórter Amaury Ribeiro Jr sobre as privatizações. Não tem fim essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-monta-mais-um-dossie-falso#more" target="_blank">Por Luis Nassif<br />
Nassif Online</a></strong></p>
<p>A ombudsman da Folha, Suzana Singer, evitou comentar mais um dossiê falso da Folha: a história do suposto dossiê da campanha de Dilma Rousseff, que eu, vocês, o Sérgio Dávila e a torcida do Flamengo sabemos ser apenas o livro do repórter Amaury Ribeiro Jr sobre as privatizações. Não tem fim essa marcha da insensatez do jornal. A imagem vem sofrendo uma sucessão de danos que, mesmo que o jornal passasse a praticar jornalismo, levaria anos para serem reparados: ficha da Dilma, Secretária da Receita, assassinato de reputação da juíza que votou contra Dantas, pesquisa extemporânea do Datafolha.</p>
<p>Não adianta o jornal trazer um belo correspondente como diretor. Assim como não adianta o Estadão dispor de jornalistas de primeira em áreas de comando. A insensatez impregnou-se definitivamente no DNA dos jornalões.</p>
<p><a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-monta-mais-um-dossie-falso#more" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Uma situação boa demais para o governo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/uma-situacao-boa-demais-para-o-governo/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 18:14:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[FHC]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Maria Inês Nassif
Do Valor
A geração dos brasileiros que eram adultos no final da ditadura militar (1964-1985) , nela incluídos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-governador José Serra (PSDB), a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e a ex-ministra Marina da Silva, não presenciou um momento como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Maria Inês Nassif<br />
Do Valor</strong></p>
<p>A geração dos brasileiros que eram adultos no final da ditadura militar (1964-1985) , nela incluídos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-governador José Serra (PSDB), a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e a ex-ministra Marina da Silva, não presenciou um momento como esse antes e dificilmente viverá um outro. Não vai dar tempo de assistir uma reedição desse período, o único da história do país com alta taxa de crescimento econômico e democracia. Daí a dificuldade da oposição de alinhavar um discurso que seja consistente para ganhar o apoio de um eleitorado majoritariamente governista, satisfeito com a vida que tem e que acha que a sua vida vai melhorar com a continuidade, e não com a mudança.</p>
<p><span id="more-18759"></span>O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano de 2010, comparado com igual período do ano passado, foi de 9%, segundo foi anunciado essa semana. No artigo &#8220;Eleições presidenciais 2010: ruptura ou consolidação do pacto social&#8221;, publicado pela revista &#8220;Em Debate&#8221; da UFMG, o cientista político Ricardo Guedes Ferreira Pinto, do instituto de pesquisas Sensus, lembra que, de 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), até agora, as reservas internacionais pularam de US$ 35 bilhões para US$ 240 bilhões; o salário mínimo, de US$ 80 para US$ 280; o índice Gini caiu de 0,58 para 0,52 (quando mais próximo de zero, maior a igualdade); 30 milhões de pessoas das classes mais pobres ascenderam à classe média; 10,6 milhões mudaram de favelas. O PIB saiu de um patamar de US$ 500 bilhões para US$ 1,5 trilhão. Há uma forte identificação desses dados sociais e econômicos positivos com o governo Lula. Diz Guedes, citando pesquisa Sensus de maio, que 57% dos brasileiros acham que esses benefícios foram gerados pelo governo petista e apenas 17% consideram que eles vêm do governo de Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>O candidato oposicionista terá grande dificuldade de abalar essa convicção sobre o governo Lula que está tão alicerçada na opinião pública. José Serra (PSDB) poderia tentar isso pelo convencimento de que tem maior capacidade do que a escolhida de Lula para aprofundar as conquistas do atual presidente. Segundo a pesquisa Sensus, essa já é a opinião de 26% dos entrevistados. A outra alternativa do candidato de oposição seria a desqualificação pura e simples da sua adversária. É um caminho que pode parecer mais fácil do ponto de vista retórico, mas com grandes chances de fracassar, diante dos índices de popularidade do governo.</p>
<p>As pesquisas indicam que 2010 começa sob o signo do governismo. As séries históricas das pesquisas reiteram que esse é um período histórico singular. Segundo a CNT-Sensus, de 1998 até 2002, o governo Fernando Henrique manteve uma avaliação positiva nunca maior do que 32% (em dezembro de 1998). A menor foi de 8%, em setembro de 1999, repetida em outubro daquele ano. A menor avaliação positiva do governo Lula foi de 31,1%, em novembro de 2005, no auge do chamado escândalo do mensalão. Segundo a pesquisa de maio de 2010, a oposição lida com uma avaliação positiva do governo Lula da ordem de 76,1% .</p>
<p>O CNT-Sensus passou a apurar separadamente o desempenho do presidente da República e o do governo a partir de 2001. FHC alcançou seu maior índice de aprovação em abril de 2001, de 46,1%. O pior desempenho de Lula foi de 46,7%, atingido em novembro de 2005. Em maio de 2010, Lula tinha a aprovação de 83,7% dos entrevistados.</p>
<p>Em 1996, uma pesquisa Ibope encomendada pelo Palácio do Planalto foi noticiada pela revista &#8220;Veja&#8221;. Comparava o desempenho de todos os presidentes da República pós-redemocratização no final do primeiro ano de mandato. FHC tinha 43% e era o campeão, segundo a revista: Sarney teve 36%, Collor, 30% e Itamar, 13%, na soma das avaliações ótima e boa. Sarney chegou a 85% no Plano Cruzado. O plano se foi e Sarney terminou o governo com 9% de popularidade, em 1988. Na matéria, intitulada &#8220;O povo está gostando&#8221; (3/1/96), o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, dizia, sobre o Plano Real, que respaldava FHC: &#8220;Enquanto os números econômicos forem favoráveis e o brasileiro estiver podendo comer mais, pode botar quarenta pastas rosas, trinta sivans que não haverá queda na popularidade de FHC&#8221;. Montenegro se referia aos escândalos políticos, que não teriam o poder de atingir o chefe do governo.</p>
<p>Com uma popularidade &#8211; dele próprio, não de seu governo &#8211; que atinge os 92% na região Nordeste e junto aos eleitores que ganham até um salário mínimo, o presidente Lula será o grande eleitor das eleições de outubro. Segundo a mesma pesquisa, 27,1% dos entrevistados apenas votariam num candidato indicado por Lula; apenas 3% votariam exclusivamente num candidato de FHC. Dos ouvidos, 20,7% não votariam num candidato de Lula; 55,4% rejeitam um candidato de FHC. Mais eleitores &#8211; 44% &#8211; levam em conta prioritariamente os benefícios econômicos e sociais do governo do que a experiência administrativa do candidato (34,9%). A esmagadora maioria dos entrevistados se declara satisfeito com a vida que está levando hoje &#8211; 10% estão muito satisfeitos e 73% estão satisfeitos.</p>
<p>É difícil montar uma estratégia oposicionista eficiente num quadro tão favorável ao governo como esse. Por isso ganham relevo dossiês cujo conteúdo não se tornam públicos e denúncias com sentido dúbio. É a tática de firmar sensos comuns por repetição de fatos cujo conteúdo não é claro, mas emergem acompanhados de um julgamento moral que atribui intencionalidade subjetiva e maliciosa aos adversários, mesmo que racionalmente não se identifique razões para isso. Se colar, colou. Se não colar, deixa-se de lado e se prepara um novo ataque.</p>
<p>O que se destaca no momento eleitoral que a ofensiva oposicionista é proporcionalmente mais agressiva do que as próprias pesquisas eleitorais, que ainda registram um equilíbrio nas posições de Dilma e Serra. Sinal que o diagnóstico oposicionista é o de que a situação é boa demais para o governo, para não ser igualmente boa para a candidata do governo.</p>
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		<title>Eleições: o dom de iludir</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/eleicoes-o-dom-de-iludir/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 May 2010 23:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Torres]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[serra]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernanda Torres
O Globo
O candidato é um ator em eterno teste; uma condição vexatória e desconfortável
O QUE LEVA alguém a se candidatar à Presidência? A ser tão bisbilhotado, ofendido, pesquisado e aviltado? Que papel grandioso é esse cujo ensaio, estreia e temporada custam o fígado do próprio intérprete?
A política é um palco letal, o Coliseu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/eleição-urna.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-18350" title="eleição - urna" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/eleição-urna-300x206.jpg" alt="" width="187" height="128" /></a>Por Fernanda Torres<br />
O Globo</strong></p>
<p><em>O candidato é um ator em eterno teste; uma condição vexatória e desconfortável</em></p>
<p>O QUE LEVA alguém a se candidatar à Presidência? A ser tão bisbilhotado, ofendido, pesquisado e aviltado? Que papel grandioso é esse cujo ensaio, estreia e temporada custam o fígado do próprio intérprete?</p>
<p>A política é um palco letal, o Coliseu romano da atualidade. Um lugar de ódios milenares, mágoas irreparáveis, conciliações imperdoáveis e, também, do temível ridículo. Eu seria incapaz de atuar sob tamanha pressão.</p>
<p><span id="more-18349"></span>Não se trata apenas de dar conta de Rei Lear: tem que voar no jatinho, fazer a carreata, comer dobradinha, andar de mula e enfrentar a tempestade do Crato ao Pampa gritando “Uiva vento!” pelos palanques.</p>
<p>Tem que ter sangue de barata, paciência de Jó, cara de pau e vontade de elefante.</p>
<p>Outro dia me mandaram um link na internet onde a Dilma Rousseff se embananava toda para responder a uma simples questão: “Que livro a senhora está lendo?”</p>
<p>Qualquer um que cultive o prazer de ler sabe que um ser humano que está em plena campanha presidencial não tem cabeça nem tempo para se dedicar à leitura.</p>
<p>Talvez a “Arte da Guerra”, de Sun Tzu, entre um programa do Ratinho e outro, seja o único exemplar que resista ao tranco, por seu conteúdo bélico de autoajuda milenar.</p>
<p>Mas admitir que não está lendo porcaria nenhuma é encarar as manchetes do dia seguinte afirmando que fulano, ou fulana de tal, é um energúmeno, um(a) ignorante não afeito às letras.</p>
<p>Por isso Dilma se contorce, tentando se lembrar do último livro que leu, o que só consegue com a ajuda dos assessores. A duras penas acerta o título e a mais duras ainda arrisca um resumo dele. A pergunta corriqueira, quem diria, a colocou em um mato sem cachorro.</p>
<p>Se a tivessem arguido a respeito da política de juros, da dívida pública ou até mesmo de um espinhoso tema como o aborto, ela estaria apta a responder.</p>
<p>Bastou uma perguntinha pessoal para que Dilma se afastasse brechtianamente da ciranda da candidata e caísse em si mesma, perdendo o fio do personagem.</p>
<p>O candidato é um ator em eterno teste. Uma condição vexatória e terrivelmente desconfortável.</p>
<p>José Serra escolheu o perfil do conciliador boa-praça, se manteve bem no personagem até que perdeu a paciência na rádio CBN diante da prensa de Míriam Leitão. Míriam, aliás, tem sido dos ossos mais duros de roer para os que estão na corrida presidencial.</p>
<p>Serra soltou um desabafo irritado a respeito do que pensava da relação entre a Presidência e o Banco Central. Depois, teve que remar forte para recuperar a imagem que passou semanas construindo, justificando de forma sincera que o horário matutino lhe havia puxado o tapete.</p>
<p>Qualquer razão idiota, como pular da cama cedo, pode colocar tudo a perder; da mesma forma que um celular que toca no meio de um espetáculo pode fazer Macbeth desencarnar de vez da alma de um ator.</p>
<p>A verdade e a franqueza são armas de destruição em massa na política, é necessário saber ocultá-las com desenvoltura e, muitíssimas vezes, mentir com convicção.</p>
<p>Marina Silva não titubeia, ela é a terceira via, pode dizer o que pensa. Apesar de ter sido ministra, ela não passa pelo comprometimento político dos dois outros adversários, pertencentes a partidos que já ocuparam o Planalto e fizeram alianças muitas vezes incompreensíveis para poder governar.</p>
<p>Marina está dentro e fora do jogo, uma posição importante e confortável.</p>
<p>Glorinha Beautmüller, fonoaudióloga e preparadora vocal de inúmeros atores e políticos, é uma figura lendária, dona de intuição aguçada, métodos nada ortodoxos e técnica que visa ancorar a palavra ao corpo e aos sentidos do palestrante.</p>
<p>Profissional ímpar, ela já botou de quatro modelos com ambições a atriz, para que perdessem a pose enquanto recitavam um texto, e aconselhou com veemência que Cláudia Jimenez falasse pela vagina na sua estreia no teatro profissional como uma das prostitutas de “A Ópera do Malandro”. Ao que Claudia, com seu talento e humor de sempre, respondeu, aplicada: “Eu estou tentando, Glorinha, estou tentando!”</p>
<p>Uma vez, a maga foi chamada às pressas a Brasília para atender um político repentinamente afônico e necessitado de discursar. Segura, não pestanejou no diagnóstico: “Meu filho, você está rouco desse jeito porque você mente demais!”</p>
<p>Hoje, o político ideal deve reunir o carisma de Sílvio Santos, a classe de Paulo Autran, a astúcia de Alexandre, o Grande, a retórica de Ruy Barbosa, o empreendedorismo de Antônio Ermírio, a responsabilidade do doutor Paulo Niemeyer, o desapego de Buda, a razão de Confúcio, a bondade de Cristo e ainda sair vivo da arena quando soltarem os leões famintos atrás da sua carne.</p>
<p>Essa pessoa não existe. O político, portanto, tem que ter o dom de iludir</p>
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		<title>Pedro Pedreira chega à classe média</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:44:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Amigos e amigas:
É interessante a promessa da pré-candidata Dilma na sabatina da CNI: 100% de brasileiros ao menos na classe média. Melhor três refeições por dia que morrer na fila do INSS, claro. Não é muito claro como operar a transformação mas ela pode alegar que o caminho já começou a ser trilhado etc. Falta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos e amigas:</p>
<p>É interessante a promessa da pré-candidata Dilma na sabatina da CNI: 100% de brasileiros ao menos na classe média. Melhor três refeições por dia que morrer na fila do INSS, claro. Não é muito claro como operar a transformação mas ela pode alegar que o caminho já começou a ser trilhado etc. Falta o resto: diversão e arte (cf. Titãs, &#8220;Comida&#8221;), poder decisório descentralizado, perspectiva de algum futuro.<br />
O pré-candidato Serra (&#8220;aquilo que for, será&#8221;, imortal gravação de Doris Day), na mesma sabatina, mostrou que anda vazio até de promessa, a equipe não ajuda. Que está havendo, intelectualidade demo-tucana? Muito bico e pouco cérebro?<br />
A pré-candidata Marina (&#8220;meu presente me condena&#8221;), ainda no mesmo evento, andou muito tímida no slogan subjacente &#8220;posso fazer melhor do mesmo&#8221;.<br />
Assim caminha a humanidade. A humanidade somos nós. Estamos mal.<br />
Abraços a todos e todas:</p>
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		<title>Meiguice, sempre</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 12:52:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muitos vão achar loucura, mas quem entrou em campo para “abafar” o fogo e diminuir a quentura em relação à sucessão presidencial foi o próprio presidente da República, ao lado de seu fiel comunicólogo Franklin Martins.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos vão achar loucura, mas quem entrou em campo para “abafar” o fogo e diminuir a quentura em relação à sucessão presidencial foi o próprio presidente da República, ao lado de seu fiel comunicólogo Franklin Martins.</p>
<p><a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/meiguice-sempre.html" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Eleições e ilusões</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 12:45:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Marcos Coimbra
No Estado de Minas
Para alguns dos que querem mudanças, o gesto de Lula, quando escolheu Dilma para sucedê-lo, soou como bravata. É como se ele a tivesse indicado pelo que ela não tem.
Enquanto a grande maioria da população dá sucessivas mostras de estar satisfeita com o governo, continua a existir uma parcela da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Marcos Coimbra<br />
No Estado de Minas</strong></p>
<p>Para alguns dos que querem mudanças, o gesto de Lula, quando escolheu Dilma para sucedê-lo, soou como bravata. É como se ele a tivesse indicado pelo que ela não tem.</p>
<p><span id="more-17503"></span>Enquanto a grande maioria da população dá sucessivas mostras de estar satisfeita com o governo, continua a existir uma parcela da opinião pública que não. Dentro dela, há quem tenha alguma simpatia por Lula e até enxergue virtudes em seu trabalho, admire sua trajetória ou ria de suas tiradas. Mas não gosta do governo e, quase sempre, tem ojeriza ao PT. São aqueles que aceitam o presidente, mas não querem que sua turma permaneça.</p>
<p>A existência desse tipo de sentimento fica clara nas comparações entre a avaliação do governo e o desejo de continuidade. Nas pesquisas, a proporção dos que o aprovam enfaticamente, dizendo que é “ótimo” ou “bom”, anda na casa dos 75%, e há outros 20% que o consideram “regular”. Somados, beiram os 95%, o que deixa apenas 5% da população para repartir as opiniões de que é “ruim” ou “péssimo”.</p>
<p>Quando, porém, se pergunta a respeito de quanto do que Lula faz gostariam que fosse mantido, mais de 20% dos entrevistados responde que preferiria que houvesse mudanças na maior parte ou na totalidade das políticas. É verdade que a opção por mudanças completas é pequena e corresponde quase exatamente à da avaliação negativa. Ainda assim, deve-se registrar que há mais pessoas que o aprovam (agregando avaliações positivas e regulares) que querendo a continuidade de tudo (desejo de 35% delas) ou da maioria das coisas (40%) que faz.</p>
<p>Para alguns dos que querem mudanças, o gesto de Lula, quando escolheu Dilma para sucedê-lo, soou como bravata. É como se ele a tivesse indicado pelo que ela não tem (experiência eleitoral, carisma, jogo de cintura) somente para afrontá-los. “Inventar” uma candidata como ela seria um arroubo de poder, tornado possível pela escassez de lideranças dentro de seu partido. Querer que ela ganhasse seria, no entanto, ir longe demais, atribuir-se uma missão de altíssimo risco, apenas pelo gosto do desafio e a perspectiva de, obtendo sucesso, infligir uma derrota humilhante ao que resta de oposição.</p>
<p>Cada um desses eleitores olha para Dilma e não a vê como simples candidata, em quem se pode ou não votar em função de escolhas racionais. Para eles, ela é uma espécie de provocação ambulante, a encarnação de tudo de que não gostam em Lula, no PT e no governo.</p>
<p>Enquanto ela permaneceu lá atrás nas pesquisas, o mal era menor. Ao contrário, muitas dessas pessoas ficavam felizes a cada confirmação de que o sonho onipotente de Lula estava ameaçado. Quando, no entanto, ela começou a subir, o quadro se complicou. Não é que o impossível passou a ser provável?</p>
<p>Uma parte relevante da mídia brasileira compartilha esses sentimentos. Na verdade, em algumas redações, estão muitas das pessoas mais extremadas nessa mistura de desaprovação ao lulismo e indignação frente à hipótese de Dilma vencer.</p>
<p>Nenhum problema nisso. Afinal, editorialistas, colunistas e repórteres são também filhos de Deus, e possuem as mesmas prerrogativas das pessoas comuns. Têm todo direito de não gostar do que não gostam.</p>
<p>O que é discutível é permitir que suas preferências interfiram em seu trabalho a ponto de comprometê-lo. Por exemplo, deixando-se levar por elas na hora de informar a opinião pública sobre o que está acontecendo na eleição.</p>
<p>Um tom de indisfarçável torcida marcou o noticiário de abril. Quem leu o que vários órgãos da chamada grande imprensa publicaram só ficou sabendo dos “erros de Dilma” e os “acertos de Serra”, os primeiros provocando o “desespero” de Lula e abalos na coligação governista, os segundos gerando empatia na sociedade e novas alianças políticas. Foi informado de que o saldo disso seriam “novas pesquisas”, que mostrariam o avanço de Serra.</p>
<p>Pode ser que venham, mas ainda não chegaram. O que todas as conhecidas apontam é para um cenário de estabilidade: quando se comparam os resultados do final de março, antes da desincompatibilização, com os do final de abril, nada mudou. No Datafolha, a distância entre Serra e Dilma aumentou um ponto, no Ibope, dois. Ou seja, ficou igual. É o mesmo que indicam outros levantamentos, ainda não publicados. A marola do noticiário não parece ter alcançado, pelo menos por enquanto, a imensa maioria do eleitorado. E será que vai tocá-la nos próximos meses?</p>
<p>Torcer é bom e faz parte da política. Querer que seu candidato vença e os outros percam é um sentimento natural. Mas torcer não rima com informar.</p>
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		<title>O que será?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 14:35:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Mino Carta
Na Carta Capital
Proponho um teste: quem pronunciou a seguinte sentença? “Não se deve pensar no Estado da inércia, da improdutividade. O Estado deve ser forte, não obeso. Forte em seu papel de cumprir as funções básicas e ativar o desenvolvimento, a justiça social e o bem-estar da população.” Respostas: a) Karl Marx; b) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Mino Carta<br />
Na Carta Capital</strong></p>
<p>Proponho um teste: quem pronunciou a seguinte sentença? “Não se deve pensar no Estado da inércia, da improdutividade. O Estado deve ser forte, não obeso. Forte em seu papel de cumprir as funções básicas e ativar o desenvolvimento, a justiça social e o bem-estar da população.” Respostas: a) Karl Marx; b) Antonio Gramsci; c) José Serra; d) Lenin; e) Dilma Rousseff.</p>
<p><span id="more-16779"></span>Não obrigo os leitores a procurar na última página desta edição a resposta correta, colocada de cabeça para baixo. Digo logo: resposta C. A apreciação do pré-candidato tucano à Presidência da República consta da entrevista que ele deu à Folha de S.Paulo, publicada no domingo 11. Excluído do teste, obviamente, o público do jornal.</p>
<p>Talvez haja quem se surpreenda com uma declaração que coincide, ao menos na essência, com algumas anteriores feitas pela pré-candidata Dilma Rousseff. Os meus afáveis botões murmuram em surdina que a mim não cabe surpresa. Com sua definição a favor do Estado ativo (o adjetivo é dele), Serra foi certamente sincero. Outra situação que não justifica espantos é o entusiasmo da mídia nativa com o lançamento da candidatura do ex-governador, sábado 10. De volta aos botões, eles sentenciam: é a beatificação em vida.</p>
<p>Foi de fato uma apoteose, com o condimento das lágrimas de Fernando Henrique e da súbita empolgação de Aécio Neves. Sobram aspectos da cobertura midiática de compreensão intrincada, se não francamente impossível. Se Dilma fala em Estado forte, o pânico coa das páginas e do vídeo. Em compensação, a Serra tudo se permite. Será que editorialistas, colunistas, articulistas, repórteres não levam Serra a sério quando usa argumentos banidos do catecismo dos herdeiros do udenismo velho de guerra? E apostam então na ação concentrada do tucanato para conter os arroubos de um ex-cepalino ainda sob contágio?</p>
<p>Talvez. Coisa certa: a mídia nativa está contra Lula, desde sempre, e contra sua candidata. Portanto, a favor de Serra. Favor? Algo mais do que isto, como se no firmamento as estrelas tremelicassem em desespero. A campanha que esboça é, porém, antiga, anacrônica, mofada igual às roupas da bisavó nos baús do sótão. O propósito continua a ser a semeadura do medo. Funcionou contra Getúlio em 1950, contra JK, contra Lott, contra Jango. No golpe de 64. E contra as Diretas Já e contra Lula em 1989, aquele momento em que o presidente da Fiesp, Mario Amato, vaticinou o êxodo da burguesia caso vencesse o fundador do PT.</p>
<p>Com a candidatura de Fernando Henrique, tudo ficou fácil, os graúdos e sua mídia enamoraram-se dele. A vitória do ex-metalúrgico muda o quadro em 2002 e 2006. Fica provado que o jornalismo pátrio com suas aulas de pavor não chega lá. Chegaria agora? Lula não cativou apenas seu povo, que de resto é maioria. Cativou também largos setores do empresariado nacional que a mídia insiste em pretender assustar quando denuncia o ódio, pretensamente estimulado pelos governistas em um confronto entre ricos e pobres e entre Sul e Norte.</p>
<p>Os editoriais dos jornalões clamam contra a ideia do plebiscito, como se toda eleição não implicasse o confronto entre as realidades do passado e as promessas do futuro, e como se os índices de rejeição de FHC não alcançassem a abóbada celeste. Sim, Dilma é a candidata de Lula. Serra, entretanto, é a figura política que cresceu à sombra de Fernando Henrique, o amigo inseparável sob a batuta de Sergio Motta, o parceiro cativo.</p>
<p>Como escapar a esta circunstância? Houve tentativas de tirar o ex-presidente da ribalta. Em vão. Ali está ele, a reivindicar seu lugar na história e o próprio Serra não consegue fugir à injunção de recomendá-lo aos pósteros e de lhe provocar a comoção. A mídia malha Lula sem perceber que, desta maneira, endossa o conceito do pleito plebiscitário. Mostra, antes de mais nada, é seu medo, em face de uma candidata que absorve o prestígio de quem a ungiu.</p>
<p>Um ponto permanece obscuro: resta saber se a mídia nativa, desta vez e finalmente, dirá quem apoia, em lugar de alegar uma imparcialidade fajuta. A bem da verdade factual.</p>
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		<title>De paz e amor</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 13:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Janio de Freitas
FSP
A Dilma que vai surgir das enganações marqueteiras é um mistério; Serra já arquitetou o Serrinha Paz e Amor
O melhor a esperar da campanha que em breve começa, não mais de fato, mas enfim de direito, são duas revelações: Dilma Rousseff tal qual é e José Serra tal qual não é.
Ainda é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Janio de Freitas<br />
FSP</strong></p>
<p><em>A Dilma que vai surgir das enganações marqueteiras é um mistério; Serra já arquitetou o Serrinha Paz e Amor</em></p>
<p>O melhor a esperar da campanha que em breve começa, não mais de fato, mas enfim de direito, são duas revelações: Dilma Rousseff tal qual é e José Serra tal qual não é.</p>
<p><span id="more-16228"></span>Ainda é difícil saber qual das duas, eficácia eleitoral à parte, será mais divertida aos nossos olhos e ouvidos de espectadores compulsórios. Na longa primeira etapa de sua campanha, Dilma teve a sua inexperiência de palanque remediada pelo rumo que a simples presença de Lula já insinuava, para os discursos. E, pode-se supor, havia as sugestões sopradas mesmo. Mas já vimos o bastante para a certeza de que Dilma não tem a vocação do que outrora se chamaria de mitingueira, de fazer &#8220;meeting&#8221;, aquele tipo a quem bastava um caixotinho para atrair um comício &#8211; Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Vladimir Palmeira (vivo e esgotado), o depois psicanalista Hélio Pellegrino, uma espécie extinta de oradores.</p>
<p>A Dilma que vai surgir das enganações marqueteiras ainda é um mistério, e, pelo que se vê, terá de ser construída de ponta a ponta. Até agora candidata sempre maquiada como se fosse para o casamento de um herdeiro paulista, até o tipo físico está por ser redesenhado. E o vocabulário também. E o gestual, idem. E ainda a medida da simpatia, para não parecer apenas obrigatória, nem, como tem sido, negada pelo excesso.</p>
<p>José Serra já se mostra como parte de um jogo de inversões. A inflexão de suas falas públicas não é mais a mesma, o tom e o volume da voz não são mais os mesmos. Vem aí, em vez do candidato que em 2006 explorou os temores do eleitorado, o Serrinha Paz e Amor. Produto direto da derrota didática para Lulinha Paz e Amor. Agora o ex-Lulinha do qual, como sua parte da inversão, prevê-se que se torne o Serra da campanha de 2006, para explorar os temores de extinção dos programas assistenciais, de retrocesso no prestígio internacional do país e de freio na política econômica de crescimento.</p>
<p>Serra já arquitetou o Serrinha Paz e Amor para conhecimento geral. Nas palavras finais de governante, citou cada um dos defeitos que lhe são reconhecidos ou atribuídos e se disse portador das características exatamente opostas, citando cada uma dessas qualidades que, se não existirem no Serra, devem compor o Serrinha Paz e Amor. Mais do que o manequim de um candidato à Presidência, surgiu ali um candidato a santo.</p>
<p>Mas a transubstanciação &#8211; capaz, nos casos de ambos, de causar inveja nos mais puros brâmanes &#8211; será tão difícil para Serra quanto foi fácil para Lula. Falta-lhe o traquejo do sindicalista íntimo dos truques espertos para tirar vantagem. E, em cima disso, virão as provocações do ex-Lulinha posto de volta na sua personalidade, desde 2003. Às quais o Serra mais conhecido não tende a suportar.</p>
<p>Não se sabe o que será da candidatura Ciro Gomes. Cabe então a Marina Silva a solidão de depositária, na campanha que se vislumbra, da sinceridade pessoal e política, e da autenticidade de propósitos. Inclusive os de paz e amor. Qualidades pessoais e políticas que valem cada vez menos nas disputas de sucessão presidencial.</p>
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		<title>Sobre Lina Vieira</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 21:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não questiono seu conhecimento de Lina e sua amizade com ela.
Mas eu já ouvi umas duas ou três histórias de Lina Vieira que são bastante desabonadoras e que me fazem desconfiar da veracidade de suas afirmações.  Não pela Dilma.  Por Lina mesmo.  A mais leve das histórias &#8211; e acho que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não questiono seu conhecimento de Lina e sua amizade com ela.<br />
Mas eu já ouvi umas duas ou três histórias de Lina Vieira que são bastante desabonadoras e que me fazem desconfiar da veracidade de suas afirmações.  Não pela Dilma.  Por Lina mesmo.  A mais leve das histórias &#8211; e acho que a única que posso publicar &#8211; fala de um espírito vingativo acima de qualquer verdade.<br />
Mas acima de tudo, em uma coisa Dilma está mais que certa: o ônus da prova está em quem acusa.<br />
Não acho que a ministra teria motivos para negar o encontro uma vez que o &#8220;escândalo&#8221; se funda em uma impressão de Lina.  Ela entendeu que o suposto pedido da ministra por celeridade na investigação significava que ela queria acabar com ela.  A própria Lina diz que Dilma não falou isso explicitamente.<br />
A ministra não precisava negar isso.  Sendo verdade, ela não precisava negar, apenas explicar o que quis dizer ao pedir isso à Lina &#8211; matava um escândalo no nascedouro.  Negar só é justificável se realmente o encontro não aconteceu.</p>
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