Ele tinha a elegância de Franz Beckenbauer, a consciência social de um Afonsinho e a destreza de uma garça esguia e solta no tapete verde de uma arena onde reina por um tempo efêmero as estrelas do olimpo futebolístico. Doutor Sócrates. Doutor Futebol. Medicina futebol Sócrates. No futebol o Brasil pode falar grosso. No futebol o Dr. Sócrates foi o responsável pela democracia corintiana. O scratch brasileiro brilhou nos gramados do mundo inteiro. Na copa de 82 Sócrates Brilhou. Ninguém melhor que ele jogou de calcanhar e deu passes desconcertantes. A nação corintiana que hoje disputa mais um título lhe prestará uma justa homenagem. “ À sombra de chuteiras imortais “ brilha o futebol; à sombra desse terrível fecho de um dia rouco despede-se o Dr. Futebol Sócrates. È duro brilhar por tão pouco tempo. O corpo diz que é hora de pendurar as chuteiras. A cabeça pira numa ira dos deuses do gramado onde Sócrates deu exemplo e foi dedicação. A todos peço o silencio de um minuto. O maior templo do futebol ficou emudecido algumas vezes. Hoje – num domingo triste – toda á nação brasileira ficará à sombra da chuteira imortal do Doutor Futebol Clube.
Futebol de Antigamente
14 de julho de 2010 às 21:40 | 2 ComentáriosESTADÃO
Thomaz Farkas, Hildegard Rosenthal, Marcel Gautherot, Juca Martins, Alice Brill, Carlos Moskovics e José Medeiros, mestres da fotografia brasileira, retrataram o país do futebol nas décadas de 1940 a 1960. O resultado deste mosaico de estilos e olhares podem ser conferido na exposição “O futebol no acervo do Instituto Moreira Salles”. A mostra com 26 imagens fica em cartaz de julho a dezembro, na Galeria do Unibanco Arteplex, no Frei Caneca Shopping. O horário de visitação vai das 13h30 às 23h. A entrada é franca e o endereço é Rua Frei Caneca, 569, 3º piso, Consolação.
O espetáculo e suas perversões
6 de julho de 2010 às 15:02 | ComentarPor Muniz Sodré
Observatório da Imprensa
Diante de uma prateleira de supermercado, a mulher, de aparência muito humilde, explica à outra por que não tinha torcido pela seleção brasileira: “Eu, aqui, me virando para comprar comida, e aquela turma de milionários correndo atrás de uma bola no campo…”
Em princípio, uma frase dessas, colhida ao acaso no instante fugaz de uma ida ao mercado, não justificaria um texto no Observatório de Imprensa. Se constasse de uma carta de leitor ou de qualquer uma das chamadas mídias sociais (Twitter, Facebook etc.), sim. Mas é possível tomá-la como pretexto para ser coerente com o pensamento de que, às vezes, é necessário complementar a informação de imprensa com o que se observa ao redor, na comunidade.
Derrubem o presidente
5 de julho de 2010 às 17:42 | ComentarPor Flávio Gomes
IG
Ricardo Teixeira é presidente da CBF há 21 anos. Não foi eleito por ninguém a quem devamos alguma consideração. Foi eleito pelos patetas dos presidentes das federações estaduais. São 20 e poucos, que podem ser comprados com jogos de camisas e bolas. É bem fácil ser eleito presidente da CBF quando se tem dinheiro para comprar jogos de camisas e bolas.
“A Copa de Jabulani…”
2 de julho de 2010 às 10:32 | Comentar
Três jogos apenas faltam… Nove dias para a final da copa e, quem sabe, alguém venha ao mundo e, quem sabe, se chame Jabulani. Jabulani? Jabulani sim, por que não? Num país em que seus filhos homenageiam com força e graça os seus artistas, em outras épocas foram os Ronaldinhos, os Pelés, os Zicos, os Romários, os Edmundos, os Rivelinos, os Garrinchas e os Gérsons (que querem levar vantagem em tudo… Vejam amigos, Jabulani não seria demais). Qual o brasileiro fanático por futebol que não homenageou alguém? Mesmo de forma particular, no off familiar, alguém se chama Ronaldo, Ronaldinho. Há até quem se chame “Maradona”. Meu irmão, por exemplo, comprou um lindo cachorro, um rottweiller. Era época de copa, olhou para o bichinho e apaixonou-se e o chamou de Maradona, “ensinando-o” a jogar. Jabulani, então… Não seria de se admirar. Jabulani para cá, Jabulani para lá… Que cara teria Jabulani? Jabulani é menino ou menina?
Desculpem-me se satirizo, é porque brasileiro tem mania de trocar a dor por alegria e uma delas seria conceber a alguém se chamar de Jabulani. Pode ser que nome não ganhe; apelido, quem sabe? Depois de tanto chope, tanto gol, tanto “vai Robinho”, “vai Kaká”, após uma passada no motel é feito(a) Jabulani… Não duvides, não duvido, não queiram duvidar. Alguém num desses momentos disse: “Vamos Jabulanar?” Quem já bulina, Jabulana… Rsrsrs… O importante é fazer gol, Jabulanar com alegria, ver o Brasil jogar, com grana ou sem grana, na vitória acreditar.
Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Um dia de fúria
27 de junho de 2010 às 23:11 | ComentarO prazer do torcedor
26 de junho de 2010 às 12:04 | ComentarPor Eduardo Galeano
O escritor uruguaio Paco Espínola não se interessava por futebol. Mas uma tarde, no verão de 1960, procurando o que escutar no rádio, Paco pescou por casualidade a transmissão de uma partida. Era o clássico local. O Peñarol levou uma goleada – 4 a 0 – do Nacional.
A nova Era Dunga: o fim do besteirol esportivo
24 de junho de 2010 às 18:11 | 3 Comentários
Por Leandro Fortes
Brasília Eu Vi
Foi na Copa do Mundo de 1986, no México, com Fernando Vanucci, então apresentador da TV Globo, que a cobertura esportiva brasileira abandonou qualquer traço de jornalismo para se transformar num evento circense, onde a palhaçada, o clichê e o trocadilho infame substituíram a informação, ou pelo menos a tornaram um elemento periférico.
Torcer ou pensar, eis a questão
24 de junho de 2010 às 9:41 | ComentarPor Contardo Calligaris
FSP
O torcedor pensa e grita algo que não tem nada a ver com o que ele pensa quando está sozinho
Pela minha história, sinto-me parte de várias nações e, na Copa do Mundo, torço por todas elas. Quando se enfrentam duas seleções com as quais me identifico, sou privilegiado: seja qual for o desfecho, um de meus times preferidos ganhará.
Goleiro, um ser maldito e alado
17 de junho de 2010 às 14:44 | ComentarNum desses primeiros jogos da Copa da África do Sul, o da seleção da Inglaterra contra a dos Estados Unidos, assistimos pela televisão uma cena, no mínimo, trágico-cômica. Refiro-me ao frangaço que o goleiro inglês Robert Green engoliu, num chute fraquinho e despretensioso de Dempsey, da seleção do grande irmão do norte. Cena que entrará , século XXI a dentro, como uma quase tragédia, atenuada pela atuação medíocre do time inglês.E pela estrela de Wayne Rooney, mais apagada que as fogueiras de São João de hoje em dia. O goleiro é um personagem ainda pouco tratado, do ponto de vista da tragicidade, por comentaristas esportivos, historiadores e críticos literários. Clique aqui para ler mais »
Porque a vitória não basta
14 de junho de 2010 às 14:31 | ComentarPor Pablo Capistrano
Quando a gente publica artigos em jornais ou na Internet sempre se expõe a recriminações. Nesse tempo de euforia nacionalista, que vem sazonalmente em época de copa do mundo, levantar questões sobre a pertinência de se torcer ou não pela Seleção canarinho pode soar muitas vezes como uma espécie muito peculiar de imprudência particular.
Ópio do povo
10 de junho de 2010 às 14:50 | 1 Comentário
Por Tullio Andrade
www.verborragicos.com
Uma vez ouvi alguém dizer que o futebol era o ópio do povo. Na época não dei muita atenção; afinal de contas o Brasil tinha acabado de se sagrar tetra campeão de futebol. Mas agora tantos anos depois e ao acompanhar toda a movimentação em torno da conquista potiguar de ser escolhida uma das sedes para a copa de 2014, começo a achar que o autor daquela frase não estava de todo errado.
Logo quando começaram as especulações sobre Natal ser sede da copa, minha primeira reação foram boas gargalhadas. “Ah, tá, Natal, essa cidadezinha do fiofó do Brasil vai muito ter condições de sediar uma copa!”. Me enganei. E o pior, quase me convenci de que os argumentos que todos (os políticos e os empresários) difundiam sobre os benefícios que o evento trará.
“A copa vai trazer mais turistas, mais empregos, vai modernizar as praças esportivas, vai valorizar a cidade etc. etc. etc.”. Quem não ouviu isso?! Tudo bem que a copa pode até trazer essa enxurrada de dinheiro que andam falando… Mas quem é que vai usufruir dessa grana? Eu é que não; pois não sou dono de construtora, nem sou político e muito menos empresário.
Na verdade eu fico com a sensação de que esse incremento na economia local vai apenas contribuir para aumentar ainda mais as diferenças sociais. Quem é rico, vai ficar mais rico; e quem é pobre vai ficar mais pobre! Mas no final todos ficarão mais felizes. Pelo menos é isso que afirma a matéria desse mês da revista Superinteressante intitulada “Copa deixa você mais pobre. E mais feliz”.
Baseando-se em estudos sérios sobre o impacto econômico que a realização da copa do mundo causa nas cidades sedes e na vida das pessoas, a matéria chega à seguinte conclusão: mesmo gastando mais do que arrecadando o povo ainda fica feliz. É a situação perfeita para políticos inescrupulosos se aproveitarem para “fazerem” seu nome, bradando aos ventos que ele, qual um herói, conseguiu trazer a copa do mundo para a cidade.
É assim que se faz política: gastando o dinheiro do povo e ainda deixando todo mundo feliz! Segundo a matéria, para a copa desse ano na África do Sul, já foram gastos quase dois bilhões de dólares; enquanto que a estimativa de turistas e lucros não chega nem perto disso. Mas por outro lado, pesquisas apresentadas na revista mostram que o nível de felicidade da população após sediar a copa do mundo aumenta vertiginosamente. Parece um paradoxo, mas é isso mesmo, ficamos mais pobres e achamos isso ótimo.
Começo a achar realmente que futebol é mesmo o ópio do povo; pois só em estado de êxtase narcótico é que é possível não enxergar que enquanto lá no estádio recém construído estão jogando os profissionais mais bem pagos do mundo, do lado de fora a cidade vai continuar a mesma, com os mesmos problemas sociais de antes. Afinal, mesmo a cidade ganhando uma praça esportiva novinha em folha, os barracos das favelas continuarão na mesma. Para esse pessoal a copa do mundo não vai trazer nada de bom. Eles não vão melhorar de vida, não vão ter grana para comprar os ingressos caríssimos e nem vão poder faturar um trocado na porta dos estádios, pois a Fifa não permite. Na verdade, essa parcela da população, que não vai usufruir de nada durante a realização da copa do mundo, é quem vai pagar a conta… E vão fazer isso com um sorriso de canto a canto do rosto.
A bruxa está solta
8 de junho de 2010 às 18:53 | ComentarO Brasil e o Futebol
4 de junho de 2010 às 14:53 | 2 ComentáriosO Brasil é como dizia Nelson Rodrigues uma pátria de chuteiras. Daqui a poucos dias seremos todos técnicos de futebol. Em 1970 eu estava hospitalizado, o presidente do Brasil Ilmo Sr. Garrastazu Médici, ligava todo o dia para o jogadores para parabenizá-los pelos feitos de uma nação que sangrava.
O futebol explica o Brasil?
1 de junho de 2010 às 16:12 | ComentarPor Mary Del Priore
O Globo
O que é o que é: que o vencedor comemora e o perdedor justifica? Que enche o céu de fogos, dia ou noite? Que faz cantar o Hino Nacional, de peito cheio? Acertou quem respondeu: o futebol. Paixão nacional, considerada tão mais excitante quanto se aproxima a abertura da Copa do Mundo, essa modalidade esportiva é apresentada como a encarnação de uma visão atual do planeta, de um ideal democrático ou ainda de afirmação de símbolos coletivos. A bola parece impor seus valores e códigos ao mundo social, político e econômico. Daí a pergunta: o futebol seria um fenômeno total, na definição do antropólogo Marcel Mauss?
E ai, quem paga?
29 de maio de 2010 às 8:59 | 1 Comentário“Começou nesta sexta-feira (28) a venda de ingressos para assistir aos jogos da Copa do Mundo ao vivo e em 3D nos cinemas. Os ingressos, porém, não estão disponíveis para o público comum, somente para empresas. Os preços variam de R$ 150 e R$ 200 por jogo, dependendo da escolha da sala.
A transmissão em 3D é fruto de uma parceria entre Rede Globo, Fifa, a rede de cinemas Cinemark e a empresa de marketing esportivo Golden Goal. “Estamos priorizando o mercado corporativo por conta da alta demanda das empresas por esses pacotes de ingressos”, justificou Carlos Eduardo Ferreira, diretor executivo da Golden Goal, uma das responsáveis pelo projeto. Segundo a companhia, cerca de 80 clientes corporativos já haviam procurado ingressos antes mesmo das vendas começarem. No entanto, a Golden Goal admite a possibilidade de ainda colocar bilhetes para o público”. Fonte: G1/Globo
Me pergunto se vale a pena pagar tudo isso para ficar 2 horas com um óculos incômodo. Com essa grana eu via uns 3 ou 4 jogos em um bar, regado a muita cerveja, picanha e amigos! Vamos torcer para que venha a público com um preço melhorzinho.
Joãozinho e a bola
24 de maio de 2010 às 14:07 | 3 ComentáriosSempre tive fascinação pela bola. A esfera e sua simetria perfeita. As bolas da minha infância não eram tão esféricas e todas improvisadas. De tudo fazia bola e chutava. Chutava a vida, também.
Muitas vezes joguei com um pedaço de madeira. Um caco de pedra, uma tampa de garrafa, tudo servia de bola. Era bom nesses jogos improvisados entre o café da manhã feito a lenha e o lanche que não sabia. O intervalo da aula era o melhor momento. Tempo de jogar na quadra improvisada.
A bola também podia ser de meia. Cheinha e quase redonda. Uma evolução. Com o cheiro que só as meias possuem.
O Futebol: nem Arte, nem Ciência
24 de maio de 2010 às 11:28 | 1 ComentárioApesar de toda paixão do brasileiro pelo futebol ainda deixa muito a desejar o que se escreveu sobre futebol no Brasil. Em minha opinião as melhores realizações aconteceram no campo da MPB. São muitos os sambas que enaltecem os clubes e seus jogadores. Wilson Batista e outros escreveram páginas antológicas.
Bola
23 de maio de 2010 às 11:27 | 1 ComentárioPara Jarbas Martins (Angicos, Futebol e Bexiga)
Bater bola nos terrenos baldios, ou mesmo nas ruas, sempre foi uma das brincadeiras infantis mais realizadas. Jogava-se com bola de cabelo e palha de milho, talo de bananeira, capim seco, meia, borracha, plástico, e até de bexiga de boi. Não importava de que material a bola era feita, o importante era jogar.
Angicos, futebol e bexiga
22 de maio de 2010 às 21:18 | 1 ComentárioNão era apenas o futebol que dividia a cidade.A política, de forma mais rancorosa, também. Nossa família era do partido da UDN. Um dia vi uma prima bonita, já moça, ostentando de forma provocadora, sobre o seio em flor, a efígie de Getúlio Vargas.Presente de um namorado, disse-me com um sorriso onde pude conhecer a malícia. O namorado pertencia à uma famíiia nossa adversária. Guardei o segredo. Sabia que cairia sobre a sua jovem cabeça todas as acusações possíveis, bisavós trepidantes saindo dos túmulos para defender a honra e a integridade do clã.
Não havia ainda a literatura, nem Homero,nem Marx,nem Buñuel. O monumento de angústia e papel,erigido por Camus (que jogara futebol antes de ser escritor) não despontara ainda ante os meus olhos. Jogávamos nos campos semi-áridos, despidos de grama e de qualquer outra forma de verde. E líamos com humor as páginas esportivas dos jornais que chegavam com o trem. Um primo – na verdade éramos quase uma só família- tinha uma coleção de uma revista invejadíssima: A Vida do Craque. Os nomes de nossos heróis tinham uma sonoridade especial: Ademir,Danilo, Sabará, Dequinha, Índio, Rubens, Castilho, Píndaro, Pinheiro.
Se não havia ainda o marxismo, o surrealismo e o absurdo camusiano, a poesia – que ainda não conhecíamos pelo nome – brotava, recôndita, com a água das cacimbas. Em uma tarde, metido em minha roupa dos domingos, surpreendi-a, em sua modalidade épico-lírica. Lembro-me bem. Três meninos, de minha idade, jogavam bola ao lado do Mercado, chutando um objeto estranhíssimo. Era algo transparente, que boiava na tarde azul, uma película meio ovalada inflada de ar. Perguntei aos meninos o que era aquilo. “Uma bexiga de boi”, respondeu-me um dos garotos, sem compreender a minha ignorância e o meu espanto.Sem pedir licença entrei no jogo, e outros meninos igualmente endomingados acompanharam-me. Não sei quanto tempo durou aquela inefável e bovina partida.Os meus chutes pareciam tocar o imponderável. Em nenhum momento, pensei na hipótese trágica de que um boi havia sido sacrificado, para satisfazer a atividade lúdica de um punhado de meninos. Devia ser janeiro, pois no céu não havia nenhuma esperança de nuvens. Havia, é certo, um desejo esportivo diseminado em tudo: nas desavenças familiares, na rivalidade entre o Vasco e o Flamengo, no PSD, na UDN, no obscuro desejo de namorar as primas.












