Depois de acabar e postar o texto sobre a Veja comentei com o colega aqui da sala, jornalista Dinarte Assunção, que, por coincidência, estava lendo a mais recente edição da revista Le Monde Brasil Diplomatique. Na revista, tem uma curta resenha sobre o livro “Veja: O Indispensável Partido Neoliberal”, da jornalista Carla Luciana Silva, editado pelo Edunioeste. A obra, na verdade, é a tese de doutorado defendida pela jornalista na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Vale a pena reproduzir dois trechos da resenha:
“A hipótese da autora é que a revista teve papel decisivo na construção do neoliberalismo no Brasil ao ajustar sua linha editorial aos interesses do capital externo, da indústria do entretenimento e do capital oligopolizado”.
“Para demonstrar o papel de Veja como farol dessa ideologia, Carla Silva esquadrinhou mais de 720 edições da revista e selecionou uma infinidade de exemplos de como a pauta é orientada, em qualquer seção ou assunto, para reiterar certezas e formar opinião – jamais fomentar dúvidas e alimentar o debate crítico”.
Veja e os Jim Jones da imprensa brasileira
24 de junho de 2010 às 17:23 | 4 ComentáriosFaz tempo que deixei de interessar-me por Veja. Tenho acesso online, de graça, ao conteúdo integral da revista, mas raramente a folheio. Acho-a fundamentalista, reacionária e parcial em excesso para o meu gosto. Em alguns casos, deturpadora dos fatos e destruidora, de maneira injusta, de reputações. Na maioria das vezes suas reportagens são editorializadas, tentativas de impor a visão que a revista tem sobre tudo. Passo longe da revista, notadamente, porque ela choca-se com a minha visão de mundo.
Ainda o Jornalismo Político
22 de junho de 2010 às 11:43 | 2 ComentáriosO tema abordado pelo Alex e ampliado pelos comentários precisa ser aprofundado naquilo que ele tem de fundamental na democracia e na relação dos donos de jornais com o poder especulativo e dos grandes conglomerados multinacionais.
A hora e a vez do cabelo crescer
20 de junho de 2010 às 21:37 | 21 ComentáriosDurante boa parte da minha curta e já interrompida carreira jornalística, atuei em áreas que são consideradas os patinhos feios das redações: esportes e cultura, especialmente esta última. Ambas geralmente são tocadas por aficionados chamados pelos colegas de ‘setoristas’, profissionais que carregam o estigma de ‘só saberem fazer aquilo’. O Olimpo, para quem trabalha num jornal, é fazer política. Esses são os caras de tarimba, uma elite privilegiada entre a força de trabalho. Com a internet, a cobertura política aqui no estado se ampliou exponencialmente.
Celebrando a liberdade (da imprensa)
9 de junho de 2010 às 18:30 | ComentarPor Venício A. de Lima
Observatório da Imprensa
No último dia 3 de maio foi celebrado o “Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”, criado pelas Nações Unidas em 1993. No dia 16 de maio foi a vez do “Dia Mundial das Comunicações Sociais”, este criado em 1967 pela igreja católica, por sugestão do Concílio Vaticano II. E, agora, na segunda-feira (7/6), os jornais trazem anúncio da agência Fisher+Fala para a Associação Nacional de Jornais (ANJ) celebrando o “Dia Nacional da Liberdade de Imprensa”. Deve haver ainda outros “dias” de que não tenho conhecimento.
A hora é agora
12 de maio de 2010 às 16:21 | ComentarOportuna, proveitosa e salutar é a discussão sobre a autorregulação da imprensa recentemente iniciada por Eugênio Bucci, a partir de uma proposta de Sidnei Basile, vice-presidente de Relações Institucionais da Editora Abril.
O ódio político e os meios de comunicação nos EUA
27 de abril de 2010 às 19:06 | ComentarO texto abaixo se refere à situação atual da imprensa nos EUA. Mas o seu autor, que escreve no jornal espanhol El País, encontrou semelhanças com o que ocorre na Espanha. Eu estenderia para a realidade brasileira. (TC)
Por Antonio Caño
El País/UOL
“Provavelmente seria justo dizer que a cacofonia dos atuais meios de comunicação – nos quais o rumor e a invectiva frequentemente substituem os fatos, nos quais se expõem a gritos solenes reflexões, nos quais é possível que as pessoas creiam estar plenamente informadas sem sequer ter-se aproximado de uma ideia que contradiga seus preconceitos – exerce certo papel na polarização de nosso sistema político e no crescente cinismo do eleitorado.”
Atrás das grades
26 de abril de 2010 às 23:11 | ComentarPor Sérgio Augusto
Estadão
Informava o e-mail que eu sou livre para escrever o que bem entender: “You”re free to write”; alertando em seguida que outros não desfrutavam a mesma sorte: “Others have not been so lucky”.
E assim foi que tomei conhecimento do Festival Liberte a Palavra! (Free the Word! Festival), organizado na semana passada pelo Writers in Prison Committee, comitê do PEN International que há meio século relaciona e faz campanha a favor de romancistas, poetas, jornalistas e ativistas políticos perseguidos e punidos por suas ideias. Seu cinquentenário, comemorado com encontros, palestras e agitação digital sobre as permanentes ameaças à liberdade de expressão em todo o mundo, tem especial significado para os brasileiros. E, mais ainda, para os cariocas. O comitê nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1960.
Um profissional da palavra
14 de abril de 2010 às 9:16 | Comentar
Entrevista do escritor Nelson Patriota para a revista Saga Cultural, da Livraria Siciliano, e publicada na edição de abril de 2010 (ano II, n. 8).
1 – Antes de ser escritor você é jornalista. Quando e como você descobriu o jornalismo?
Nelson Patriota ―Ser jornalista foi uma veleidade da minha infância que sobreviveu à minha adolescência e que finalmente se tornou real a partir de 1972, quando ingressei como “tradutor de telegramas” no Jornal A República. Os telegramas eram notícias enviadas via telex pela agência Associated Press em espanhol e em inglês. Com um algum conhecimento de inglês (meus irmãos mais velhos Waldemir e Ferdinando eram professores e tradutores de inglês) não tive dificuldade em conseguir o lugar vago em A República no contato que mantive com o editor Manoel Barbosa, um jornalista pernambucano que fora contratado pelos diretores Marcelo Fernandes e Marco Aurélio de Sá. Com acentuado gosto literário, Barbosa me ofereceu outras oportunidades no jornal, uma delas (a que fez a ponte entre jornalismo e literatura), uma página dominical que denominei apenas de “Cultura” cuja estréia foi no dia 06 de setembro de 1975. Aí lancei meu primeiro conto, “A Estrada”, escrito especialmente para a “Cultura”. Na sequência, publiquei regularmente contos e artigos meus e de outros escritores que pouco a pouco foram tomando conhecimento e interesse pela página literária dominical. Algumas dessas primeiras experiências literárias foram aproveitadas no meu livro Colóquio com um leitor kafkiano, lançado no ano passado.
2 – Quanto tempo você tem de carreira jornalística?
NP ―Desde meu ingresso em A República, sempre estive, de lá até aqui, exercendo alguma atividade jornalística, quer como repórter, colunista de jornal ou do site www.substantivoplural.com.br , crítico literário, resenhista de livros e revistas, editor de revistas e livros. Isso já faz 38 anos, mas nos últimos dez anos, venho dividindo essas atividades com a de escritor e tradutor de inglês, francês e, mais raramente, espanhol.
3 – Fale-me da época de faculdade de jornalismo, suas lembranças. Existiu aquele momento em que você descobriu a sua vocação na área, ou isso aconteceu já na prática?
NP ―Quando cursei jornalismo na UFRN eu já trabalhava regularmente em jornal e já havia concluído o curso de Ciências Sociais (UFRN). Fiz jornalismo para atender a uma exigência do Sindicato dos Jornalistas à época, mas reconheço que foi uma decisão acertada. Lá fiz amizades com colegas e professores e aprendi coisas úteis à profissão.
4 – Quando você descobriu o jornalismo cultural? Foi amor a primeira vista?
NP ―Descobri o jornalismo cultural no jornal A República – como disse acima –, quando fundei e dirigi a página dominical “Cultura”, embrião do futuro caderno cultural “Contexto” que dirigi em sua última fase, nos primeiros anos dos 1980. Desde então, venho trabalhando em alguma forma de jornalismo cultural: na segunda metade dos anos 1980, na Tribuna do Norte. Nos anos 1990, no Diário de Natal, na revista RN Econômico, no jornal Dois Pontos, no Jornal O Galo (1996 a 2001), no site www.substantivoplural.com.br e, nos últimos quatro anos, como editor da Revista do Conselho Estadual de Cultura, entidade à qual pertenço, e ainda colunista da revista Papangu.
5 – O que a carreira de jornalista representa na sua vida? Quais as principais realizações que essa carreira lhe proporcionou?
NP ―O jornalismo me ofereceu muitas oportunidades de trabalho, de viagens para congressos, bienais, encontros literários etc. seja no campo cultural, seja em outros campos, embora quase todo o tempo em tenha trabalhado com jornalismo cultural. Aí travei contato com artistas, intelectuais, poetas, escritores os mais diversos, especialmente durante os seis anos em que editei o jornal O Galo, no qual fiz inúmeras entrevistas com escritores e poetas de todo o Brasil, como Ivo Barroso, Jaci Bezerra Lima, Edson Nery da Fonseca, Jorge Tufic, Renard Perez,Idelette Muzart, Ascendino Leite,Paulo Bezerra, Bruno Tolentino, Jomard Muniz de Brito, Ronaldo Correia de Brito, Alberto da Cunha Melo, Gilberto Mendonça Teles, Francisco Carvalho, Hildeberto Barbosa Filho, Francisco Dantas, Maria Lúcia dal Farra, João de Jesus Paz Loureiro, Marcus Accioly, Marco Lucchesi, Alexei Bueno, e mais: Franco Jasiello, Marcos Silva, Dorian Gray Caldas, Nilson Patriota, Nei Leandro de Castro, Sanderson Negreiros, Tarcísio Gurgel, Bartolomeu Correia de Melo, Dailor Varela, Celso da Silveira e outros e outros mais. Enfim, jornalismo e literatura estão de tal modo entrelaçados em minha vida profissional que não consigo separá-los.
6 – O Que você acha do jornalismo cultural potiguar? Como você relaciona com o jornalismo cultural desenvolvido no resto do Brasil?
NP ―O jornalismo cultural potiguar tem uma história de muitas lutas e muitas conquistas. Revistas como A Cigarra, O Bando, Milho Verde; suplementos literários como Contexto (A República) e o jornal O Galo são pontos de referência desse gênero. A circulação há cerca de três anos da revista cultural Papangu (da qual sou colunista), o surgimento de uma revista como a Palumbo, de um novo jornal diário, a manutenção de espaços culturais na Tribuna do Norte e em outros jornais revelam que esse tipo de jornalismo está vivo e em transformação. O mesmo se passa com a grande imprensa nacional, que está sempre tentando coisas novas, notadamente no Estadão e na Folha de S. Paulo. Revistas como Cult, Bravo, Piauí mantêm viva a discussão cultural. Mas experiências regionais, como a revista Continente, do Recife, e o suplemento Correio das Artes, do jornal A União, na Paraíba, demonstram que cultura e arte são questões que continuam vibrantes e inspiradoras.
7 – Em que momento surgiu o Nelson escritor?
NP ―Minhas primeiras experiências como ficcionista datam de 1975, quando criei a página “Cultura” encartada na edição dominical de A República. Então, o jornalista e o escritor são contemporâneos.
8 – Quantos anos de carreira como escritor?
NP ―Quase o tanto de anos no jornalismo: 35 anos.
9 – Qual o papel da literatura em sua vida?
NP ―a literatura é um dos suportes da minha vida, e, ao mesmo tempo, um objetivo a perseguir com a minha própria obra literária em progresso.
10 – O que te realiza mais, a carreira de jornalista ou de escritor? Ou ambas se completam?
NP ―Creio que ambas, pois é difícil, senão impossível, separá-las.
11 – Que livros da sua carreira você destaca e por quê? Existe (em) aquele (s) com um significado especial? Por quê?
NP ―Destaco dois: a Antologia Poética de tradutores Norte-rio-grandenses, que lancei em 2008 pela Editora da UFRN, pelo desafio que representou para mim reunir uma tradição de tradutores de poesia do meu Estado, e onde fiz uma descoberta inteiramente casual (e não menos intrigante, pois continua não resolvida) acerca de uma tradução de um poema de Walt Whitman feita por Câmara Cascudo, e que narro com detalhes na introdução que escrevi para a Antologia, porque se trata de uma questão até então ignorada pelos estudos cascudianos. Destaco ainda meu Colóquio com um leitor kafkiano, por reunir diferentes momentos e motivos literários meus. Menos pessoais, minhas biografias A Estrela Conta e No Outono da Memória são obras que contribuem para as histórias de vida norte-rio-grandenses. Destaco ainda meu trabalho em livros como 400 nomes de Natal e Vozes do Nordeste (com o escritor Pedro Vicente Costa Sobrinho), e as edições críticas que organizei do livro Corpo de Pedra, de Bosco Lopes, 113 traições bem-intencionadas, de Luís Carlos Guimarães, e da obra reunida de meu pai, o poeta Luís Patriota. Finalmente, meu trabalho de jornalista cultural/escritor jornalista na edição da Revista do Conselho Estadual de Cultura, cujo quarto número está prestes a sair.
12 – Após uma carreira consagrada na literatura, o processo de escrita até o lançamento de um livro ainda te proporciona surpresas? Fale desse momento.
NP ―A escrita de um livro é sempre um processo de descobertas, insights, surpresas. A gente nunca está totalmente senhor do texto, pois na medida em que o escrevemos, novas sugestões e descobertas vão ocorrendo, às vezes mudando completamente o projeto original. E às vezes isso ocorre para melhor. Escrever, nesse aspecto, é uma oportunidade privilegiada de dialogar com o nosso inconsciente. Sobre surpresas em lançamentos, confesso que fiquei particularmente feliz com o público que compareceu ao lançamento do meu No Outono da Memória, mas quero crer que isso se deveu especialmente ao carisma do biografado, o jornalista Ubirajara Macedo.
13 – Aliás, quais as grandes realizações da sua vida proporcionadas pela carreira de escritor?
NP ―Cito especialmente o meu Colóquio com um leitor kafkiano e a minha Antologia poética de tradutores norte-rio-grandenses, bem como os diálogos que travei com grandes nomes da literatura brasileira, citados acima, durante as entrevistas para o jornal O Galo e outros jornais, estão entre os pontos culminantes da minha carreira como jornalista e escritor. Afinal, o tema invariavelmente girava em torno do fazer literário. Numa outra vertente, tenho realizado trabalhos de tradução e revisão de textos literários e técnicos para a Editora da UFRN e outras instituições. Para a Edufrn traduzi, entre outros, o livro Como melhorar a escravidão, um pequeno livro do viajante inglês Henry Koster que compara o sistema escravocrata brasileiro com o britânico, e Literatura de Cordel no Nordeste do Brasil, da professora Julie Cavignac, sobre o cordel brasileiro. Mas é claro que a publicação de meus próprios livros me abre uma vereda mais pessoal, portanto, mais estimulante intelectualmente. No campo jornalístico, destaco a edição comemorativo dos 60 anos do jornal Tribuna do Norte, que saiu em 24 de março passado, como um dos trabalhos jornalísticas mais gratificantes da minha carreira.
14 – Qual sua visão da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras?
NP ―Creio que a ANL cumpre um papel atualmente abaixo de suas possibilidades reais, haja vista que dialoga pouco com a comunidade, o que a isola numa posição desconfortável, quando comparada com o muito que poderia fazer nesse e em outros setores da vida cultural. Não obstante, é uma instituição importante para a vida cultural norte-rio-grandense pelo potencial de que dispõe.
15 – Como é o seu processo de criação? Sua vida passa por muitas mudanças quando está em pleno processo de criação de uma obra?
NP ―a rotina do trabalho jornalístico nas redações dos jornais me ensinou a disciplinar o trabalho intelectual. Procuro organizar minhas atividades de modo que uma não atrapalhe a outra, fazendo sempre uma coisa de cada vez.
16 – Além do dom da escrita, que características você acha que um bom escritor deve ter e cultivar?
NP ―Informação literária, conhecimento do seu tempo, engajamento com o mundo real. Estas são condições fundamentais para se escrever.
17 – O que você acha que te trouxe até aqui – um dos mais referenciados autores da literatura potiguar?
NP ―Não estou seguro de ser tanto… Mas devo declarar a meu favor que tenho trabalhado com disciplina na área da cultura há mais três décadas. É normal que se colham alguns frutos depois de tanto tempo.
18 – O que você acha da nova safra de escritores que vem surgindo? Você vê muitas diferenças para os escritores que surgiam no início da sua carreira? A forma de fazer literatura mudou? Fale-me sobre isso.
NP ―É difícil se falar dos contemporâneos porque corremos o risco de sermos precipitados nos julgamentos e, portanto, injustos. Mas creio que os novos nomes das nossas letras, seja na poesia, seja na prosa, deparam com os mesmos problemas: como dar conta de tantas leituras essenciais? Os melhores são justamente aqueles que não temem esse desafio e que, portanto, dialogam com a tradução sem perder de vista as especificidades de sua própria época.
19 – Em qual carreira o Nelson Patriota é melhor, como escritor ou como jornalista? Por quê?
NP ―Prefiro evitar polêmicas a esse respeito. Uma coisa é necessária à outra, ou seja, jornalismo e literatura formam um traçado único e reto na minha carreira de modo que o presumível bem que nela existe se deve à mescla entre o fazer jornalístico e o fazer literário.
20 – O que você acha dos e-books e do surgimento de inúmeros e-readers no mercado?
NP ―É uma decorrência da evolução da técnica, um fato consumado, então não vale a pena brigar com eles. Além do mais, oferecem alternativas de leitura, o que é sempre positivo. Acho, apenas, que isso porá fim ao livro em papel, até por uma necessidade estética. Há coisas que encontram sua forma ideal de expressão no formato do livro tradicional, sem falar que ler nesse formato é incomparavelmente mais confortável para a visão e para o tato, não fazendo sentido, portanto, que se troque uma forma melhor de leitura por outra inferior.
21 – Você acredita no fim do livro de papel, ou acha que, assim como o que aconteceu com a imprensa escrita com o surgimento da TV, que se adaptou a nova mídia, o e-book é mais uma mídia que provocará adaptações na literatura tradicional?
NP ―como já respondi, em parte, a este pergunta na questão anterior, acrescento somente que os avanços da técnica se dão em muitos níveis. O aparecimento de uma nova mídia como o e-book não interrompe o processo de evolução do livro em papel, cada dia mais cativante. Não há por que os dois não conviverem.
22 – Você pretende se adaptar a essa nova mídia? Podemos esperar e-books do Nelson Patriota?
NP ―Claro que sim. Por sinal, meu livro A Estrela Conta está disponível no site substantivoplural.com.br. É, portanto, um e-book.
23 – O leitor virtual proporciona o mesmo prazer do leitor tradicional?
NP ―Prefiro ler ficção, entre outros textos longos, no papel, mas leio jornais e revistas na internet habitualmente.
24 – Atualmente você é colunista do blog cultural substantivoplural.com.br e também edita revistas. Você transita entre as novas tendências da imprensa e o que já é consagrado na forma como se faz jornalismo. Você acredita que é papel do profissional de comunicação se adaptar às novas mídias? Você acha que ele será engolido caso não se adapte? Existirá espaço para quem permanecer exclusivamente atado aos modelos mais antigos?
NP ―Como todos esses temas que você cita estão acontecendo simultaneamente, é difícil prever como será o amanhã para o jornalismo. Mas creio que sempre haverá espaço para os bons profissionais da notícia e da opinião e estes, a propósito, são justamente os que procuram se manter atualizados com o que ocorre de novo em sua profissão.
25 – Algum novo projeto em vista?
NP – Estou com um novo livro pronto. Seu título é Artigos e crônicas de Edgar Barbosa, editado pela Editora da UFRN e selecionado, organizado, anotado e apresentado por mim. Seu lançamento ainda está em estudo, mas deverá acontecer este semestre em algum evento comemorativo do centenário de nascimento de Edgar Barbosa, mesmo que um pouco atrasado, haja vista que a efeméride aconteceu no ano passado. O livro reúne um total de 50 crônicas do escritor ceará-mirinense, inéditas em livro, enfocando diversos assuntos da vida norte-rio-grandense. É preciso salientar que Edgar Barbosa é uma das grandes referências na nossa crônica. Estou organizando um novo livro, reunindo alguns dos artigos que venho publicando nos últimos três anos no jornal Tribuna do Norte e no site substantivoplural.com.br. Todos os textos devem tratar de autores e livros norte-rio-grandenses.
Jeff Jarvis atacando Rupert Murdoch no Guardian
13 de abril de 2010 às 9:24 | Comentar“Mesmo que estejam fazendo bobagem, ninguém pode, hoje, acusar os jornais de não estarem, pelo menos, tentando. Se antes a mídia impressa parecia surda para o barulho produzido pelas mudanças na comunicação via internet, atualmente periódicos seculares se redesenham inteiros a cada década e modelos de negócio, mesmo os mais estapafúrdios, são colocados em prática com frequência”.
Quem pagará pelo jornalismo?
12 de abril de 2010 às 11:32 | Comentar“Há dias escrevi no Correio da Manhã sobre a irracionalidade de uma indústria que, perante tremendas dificuldades de vária ordem, acredita que se salvará através de um aparelho de leitura novo, de adesão ainda desconhecida e sobre o qual não tem a mais pequena espécie de controlo. Falava do iPad e da indústria dos media, no sentido lato – embora quem, na realidade, “vê” a salvação no iPad seja a sub-indústria do jornalismo”.
Os reis da xepa
10 de abril de 2010 às 13:44 | ComentarA decadência mundial dos meios de comunicação acelera um processo ruim à democracia: a concentração da propriedade nas mãos de poucos magnatas.
Sindjorn protesta contra sentença de juiz
9 de abril de 2010 às 14:27 | ComentarNOTA DE SOLIDARIEDADE
A Diretoria do SINDJORN considera um perigoso atentado à Liberdade de Imprensa a exorbitante sentença do juiz Ricardo Tinoco de Góes contra a colunista do Jornal de Hoje, a respeito do exercício do Direito de Resposta garantido à juiz Francisca Maria Tereza Maia Diógenes.
Por que a imprensa ‘gosta’ de tragédias?
9 de abril de 2010 às 8:44 | ComentarPor Luiz Martins da Silva
UNB Agência
“A imprensa são os olhos da sociedade”
Rui Barbosa
Historicamente, políticos sem exceção mudam o juízo que fazem da imprensa quando assumem o poder. É uma questão elementar, de lugar de fala: ora na oposição, ora na situação.
Sobre o papel da imprensa
1 de abril de 2010 às 21:33 | ComentarPor Jorge Furtado
Blog do Nassif
A presidente da Associação Nacional dos Jornais constata, como ela mesma assinala, o óbvio: seus associados “estão fazendo de fato a posição oposicionista (sic) deste país”. Por que agem assim? Porque “a oposição está profundamente fragilizada”.
A presidente da associação/partido não esclarece porque a oposição “deste país” estaria “profundamente fragilizada”, apesar de ter, como ela mesma reconhece, o irrestrito apoio dos seus associados (os jornais).
Imprensa versus governos
25 de março de 2010 às 11:06 | ComentarPor Luciano Martins Costa
Observatório da Imprensa
O novo ataque do presidente da República aos jornais que qualificou de “tablóides”, feito durante solenidade em Brasília, provocou editoriais, artigos, declarações e pouca ou nenhuma contribuição para evitar o desastre que se avizinha: um provável rompimento entre o Executivo e a imprensa.
Futuro da imprensa
19 de março de 2010 às 15:10 | ComentarEstado da Imprensa 2010: muitas perguntas, raras respostas e mais pessimismo.
Fim dos jornais? Estadão confronta o apocalipse
16 de março de 2010 às 11:54 | ComentarPor Alberto Dines
Observatório da Imprensa
O que ameaça os jornais é o avassalador avanço da internet? O perigo é efetivo, concreto, ou resulta de um pânico endógeno, auto-induzido?
A reforma visual do Estado de S.Paulo apresentada espetacularmente no domingo (14/3) suscita uma série de constatações. A mais importante: morre quem quer morrer, extingue-se quem entrega os pontos (excluem-se acidentes e fatalidades). Rejuvenescido pelos 226 dias de censura e a lembrança do seu passado de lutas, o jornalão de 135 anos envergou a fatiota nova e deu um salto à frente.


