Do Valor Econômico
Proposta de regulação da internet dá mais responsabilidade a provedores
Por Danilo Fariello
O código regulatório da internet será colocado em consulta pública ainda nesta semana com um modelo inédito no mundo, que define as responsabilidades e os direitos de cada agente em divulgação de conteúdo na rede, principalmente quando houver dúvida quanto a autoria.
E se a internet pifar?
22 de março de 2010 às 0:11 | ComentarCinco cenários de apocalipse tecnológico. Seria o fim dos tempos ou só a terceira (e última) grande guerra – que os indianos chama de MahaBharat?
Da tribo ao gueto
19 de março de 2010 às 19:20 | Comentar
Por Bráulio Tavares
Continente Multicultural
O livro vermelho, de Mao Tsé-Tung, continha uma frase famosa: “A política para promover o progresso das Artes e das Ciências e o desabrochar de uma cultura socialista em nossa terra deve ser: deixar que floresçam as cem flores, deixar que debatam as cem escolas do pensamento”. Mao acenava com isso àqueles jovens que Jean-Luc Godard filmou em La chinoise (1967): um socialismo em que todas as formas de arte e todas as ideias estéticas e científicas seriam acessíveis a todos, e seriam debatidas livremente. A metáfora das “cem flores” virou um clichê no linguajar politizado. Depois, Mao passou o trator por cima das 99 que discordavam dele.
A intolerância na internet
19 de março de 2010 às 9:27 | ComentarA internet e a farra dos comentários intolerantes.
A literatura no mundo virtual: falsas autorias
17 de março de 2010 às 17:02 | Comentar“A internet tem sido uma ferramenta eficaz ao democratizar a publicação de textos literários, mas tem, por outro lado, dado espaço a imbróglios relativos à autoria. Esta pesquisa mostra a profusão de textos apócrifos no mundo virtual, bem como equívocos quanto aos créditos dados em poemas e crônicas de escritores consagrados na literatura universal”.
Internet e Sociedade
16 de março de 2010 às 10:49 | Comentar“El lado oscuro de internet somos nosotros”. Manuel Castells.
O culto do amador
3 de agosto de 2009 às 15:42 | ComentarTerminei de ler este fim de semana O culto do amador. Depois escrevo com mais calma, até porque pretendo sistematizar uma resenha coerente. Mas no fim, por incrível que seja, terminei achando que o livro não é tão fraco quanto se anunciava. Keen vai muito mal quando tenta ser um cientista social – péssimo mesmo. Não tem profundidade conceitual nem teórica. Falha com preconceitos e presunções. Mas na segunda parte do livro, quando ele começa a contar histórias que retratam os riscos da Internet e quando procura apontar possíveis soluções, o livro melhora.
Não passaria para meus alunos resenharem porque acho que não seria útil – muito mais marketing do autor que análise social crítica da Internet.
Blog concorre em votação internacional
10 de julho de 2009 às 14:55 | ComentarO blog Fatos e Dados, da Petrobras, está concorrendo numa votação aberta internacional. A votação se chama Top 10 who are changing the World of Internet and Politics, e pode ser realizada no site do Projeto. Abaixo reproduzo post publicado no blog sobre o tema:
No dia 4/7, foi divulgada a lista dos 26 finalistas do prêmio “Os 10 que estão transformando o mundo da internet e da política”. Entre eles está o Fatos e Dados como “um dos experimentos mais importantes de transparência informativa e, portanto, da e-democracia”.
A votação – organizada pelo Politics Online e pelo World e-Democracy Forum – existe há dez anos e elegeu no ano passado como vencedor o site da campanha presidencial de Barack Obama.
O voto é aberto e não exige cadastro. Para votar e ver os outros indicados, clique aqui.
“The Petrobras’ blog Fatos e Dados, is the most important thing that has happened to Brazil’s people in recent years because provides a democratic real freedom – that was impossible with the traditional newspapers and TVs broadcast. Brazilian people feel hopeful that this blog Fatos e Dados has changed forever the face of the information we have from now on”. PoliticsOnline and the World eDemocracy Forum
Prosseguindo a leitura de O culto do amador
9 de julho de 2009 às 16:24 | ComentarProssigo, também, minha leitura de Andrew Keen ( O culto do amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009).
Keen (2009, p. 82) diz que, com a emergência da Internet, perdemos “aquela conversa ou debate informado sobre os fatos em relação aos quais todos têm uma opinião que é lugar-comum”. Que imagem é essa? Quem disse que na mídia convencional é diferente? A Internet, reitero, desvela o discurso que já está presente na mídia convencional.
Mais a frente, ele cita uma matéria do The Economist que informa que os falsos links de fraudes publicitárias constituíram, em 2006, algo em torno de 10 e 50% de toda publicidade online em 2006 – “totalizando algo entre 3 e 13 bilhões de dólares” (KEEN, 2009, p. 85). Para quem se arvora a ser um especialista preciso, a precisão é inacreditável!
Na mesma página, Keen diz que na mídia convencional a gente era capaz de reconhecer a distinção entre conteúdo publicitário ou pago e as matérias, coisa que não é mais real na Internet. Quer dizer que Keen realmente acredita – e os seus seguidores também acreditam – que a gente é capaz de distinguir matéria paga de texto redacional no jornalismo convencional? Diz ainda Keen (2009, p. 86) que esse “apagamento das linhas entre publicidade e conteúdo se deve em parte ao aumento da nossa descrença em negociantes e na publicidade”.
Nossa descrença não é resultado, como parece supor o autor, da emergência da Internet. Lembro-me dos comerciais das Casas Bahia cinco anos atrás. Eles interrompiam o conteúdo jornalístico dos programas, sem nenhuma marcação ou deixam, levando a uma nítida confusão entre conteúdo editorial e comercial. Em uma mídia convencional.
Além da afirmação de que a Internet favorece à explosão de narcisismo, apareceu um outro trecho em que concordo bastante com Keen (2009, p. 90):
A ironia da mídia “democratizada” é que alguns produtores de conteúdo têm mais poder que outros. Numa mídia sem guardião, em que a verdadeira identidade das pessoas está muitas vezes oculta ou disfarçada, quem é realmente fortalecido são as grandes empresas com grandes orçamentos para publicidade [reproduzindo os modelos de distribuição do discurso da mídia convencional, na ilusão de democracia da Web 2.0]. Teoricamente, a Web 2.0 dá voz aos amadores. Na realidade, são muitas vezes os que têm a mensagem mais ruidosa, mais convincente, e mais dinheiro para difundi-la, que estão sendo ouvidos.
Concordo com Keen, em que pese a minha discordância dessa noção elitista de guardião da cultura (e todas as suas implicações de uma cultura que precisa de defesa por estar ameaçada de morte) que ele costuma usar e do que fica subentendido em relação à mídia convencional, como se esse modelo não fosse sua perfeita reprodução. Incomoda-me a defesa de Keen da mídia convencional, como se ela não tivesse as mesmas facetas negativas e defeitos crônicos que o autor só enxerga na Internet, especialmente sua forma mais participativa, a chamada Web 2.0.
Nascisismo
5 de julho de 2009 às 12:42 | ComentarNão era entreter você ou fazer piada. Era mostrar o óbvio: você precisa ler mais e ler gente que não sirva só para confirmar o que você pensa e diz.
De minha parte, esse papo acabou. Uma vez que não pode ser democrático quem desqualifica – até como não democrata – quem pensa diferente de si. Isso é uma das coisas que concordo com Andrew Keen: Internet é o espaço propício para nosso narcisismo.
Comecei a ler O culto do amador, de Andrew Keen. Confesso que decidi ler depois de instigado pelos comentários de Nelson Patriota, de Alex Medeiros e de Tácito Costa.
Prometo que farei uma resenha mais detalhada ao fim do livro, mas pelo menos duas coisas já me deixam preocupado. A primeira é que Keen fala de uma posição autoritária. Explico o que quero dizer: ele fala com base na sua própria autoridade, de crítico e ex-adepto de um ciberculto doentio. Não sou um utopista da rede. Não suporto ler algumas coisas escritas por gente como Pierre Levy, mas longe de mim me expressar contra o que esses camaradas defendem sem um levantamento bibliográfico e teórico convincente.
E esse é o segundo problema de Keen, por enquanto. Ele sofre de uma superficialidade teórica que é de doer. Fundada em um bem definido lugar social e ideológico de onde fala o autor. Ele não conhece ou não entendeu os estudos sobre jornalismo e comunicação mais contemporâneos.
Por exemplo, Keen diz:
Os blogs tornaram-se tão vertiginosamente infinitos que solaparam nosso senso do que é verdadeiro e do que é falso, do que é real e do que é imaginário. Hoje em dia, as crianças não sabem distinguir entre notícias críveis escritas por jornalistas profissionais objetivos e o que lêem em joeshmoe.blogspot.com.
Keen desconsidera todo avanço nos estudos de comunicação e jornalismo da segunda metade do século XX e início dos anos 2000. Só para simplificar, os estudos do jornalismo tendem a reafirmar algo que falei até jocosamente no debate da Siciliano: quem entende de verdade dos fatos é gastroenterologista e não jornalista. O jornalismo é uma arte de contar estórias, já diz Nelson Traquina. Como eu gosto de falar, é ficção baseada em fatos reais. Então é superficial e inverídica a afirmação de Keen.
Na sua crítica à democracia virtual ele entende que o mundo necessita dos editores profissionais. Ele esquece que esses editores não servem à verdade, mas atendem a critérios de noticiabilidade que são carregados de uma cultura organizacional e da ideologia deles mesmos e dos veículos onde atuam. É como pedir a um editor da TV Ponta Negra que deixe passar uma notícia com pesadas críticas contra a prefeita Micarla de Sousa. Além disso, por outro lado, as mídias sociais garantem o acesso a vozes alternativas. Isso me faz pensar no Blog da Petrobras, criado depois que a empresa se viu obrigada a pagar espaço em veículos convencionais para que sua voz fosse ouvida, uma vez que os jornais estavam se recusando a publicar suas posições ou, quando publicavam, editavam de tal maneira que não era mais possível reconhecer a voz da empresa. Para ser ouvida, a empresa criou o Blog.
É bom ter um radical falando desse lado da arena. É bom porque nos levará a um equilíbrio possível. Mas Keen deve ser lido com cuidado, porque além de sua fala de autoridade e da superficialidade teórica, ele fala de um muito bem definido lugar social e ideológico. Afinal, só essa ideologia para acreditar que existe alguma coisa na sociedade, conhecido como guardiões da cultura, personalizados em jornalistas, cineastas, etc..
Thompson, na obra A mídia e a modernidade, fala com muito mais profundidade e reflexão que Keen demonstra nessas primeiras páginas de nosso encontro. E Thompson dizia nos anos 80, antes da Internet, portanto, que a emergência de qualquer mídia promove uma completa reorganização da cultura e de todos os bens simbólicos da sociedade. Foi assim quando surgiu o códex, a imprensa, o rádio, a tevê. É assim agora. E é inevitável. O problema é olhar com um olhar superior essas mudanças e achar que elas significam perda. Nunca significaram e não acho que nesse caso significarão.
Prometo um texto mais completo quando eu terminar de ler o livro.






