A Diretora Geral da UNESCO, Irina Bokova, expressou sua mais firme repulsa pelo assassinato do jornalista mexicano Hugo Alfredo Olivera Cartas, que foi achado morto em 6 de julho no interior de seu veículo, próximo da localidade de Apatzingán (Estado de Michoacán), situada no oeste do México.
Pássaro azul da cultura
6 de julho de 2010 às 14:26 | ComentarO twitter mudou. Deixou de ser sobre o umbigo de seus usuários para servir de ferramenta dinâmica de circulação de informação. Em entrevista, o criador do encontro dos twitteiros culturais, José Luiz Goldfarb, fala sobre essas e outras transformações na rede social.
Celebrando a liberdade (da imprensa)
9 de junho de 2010 às 18:30 | ComentarPor Venício A. de Lima
Observatório da Imprensa
No último dia 3 de maio foi celebrado o “Dia Mundial da Liberdade de Imprensa”, criado pelas Nações Unidas em 1993. No dia 16 de maio foi a vez do “Dia Mundial das Comunicações Sociais”, este criado em 1967 pela igreja católica, por sugestão do Concílio Vaticano II. E, agora, na segunda-feira (7/6), os jornais trazem anúncio da agência Fisher+Fala para a Associação Nacional de Jornais (ANJ) celebrando o “Dia Nacional da Liberdade de Imprensa”. Deve haver ainda outros “dias” de que não tenho conhecimento.
O Jornalismo e as palavras do poder
26 de maio de 2010 às 11:28 | 1 Comentário“Poder e mídia não são apenas relações amigáveis entre jornalistas e líderes políticos, entre editores e presidentes. Não são apenas sobre as relações parasitárias e de osmose entre repórteres supostamente honrados e o eixo do poder que existe entre a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono, a Downing Street e os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa [britânicos]. No contexto Ocidental, a relação entre poder e mídia diz respeito a palavras — é sobre o uso de palavras. É sobre semântica. É sobre o emprego de frases e suas origens. E é sobre o mau uso da História e sobre nossa ignorância da História. Mais e mais, hoje em dia, nós jornalistas nos tornamos prisioneiros da linguagem do poder”.
Entrevista com Gay Talese
29 de abril de 2010 às 16:47 | ComentarComo você encara a tecnologia e as novas mídias?
Nunca mudei o meu jeito de trabalhar. Desde os 15 anos faço tudo igual. Melhorei meu método de pesquisa, mas faço a mesma coisa. Falo com as pessoas, não uso Twitter, não mando e-mail.
Sai a biografia de Paulo Francis
29 de abril de 2010 às 9:44 | ComentarPerfil elaborado por Paulo Eduardo Nogueira retrata jornalista brilhante e polêmico que teve amigos e inimigos.
O ódio político e os meios de comunicação nos EUA
27 de abril de 2010 às 19:06 | ComentarO texto abaixo se refere à situação atual da imprensa nos EUA. Mas o seu autor, que escreve no jornal espanhol El País, encontrou semelhanças com o que ocorre na Espanha. Eu estenderia para a realidade brasileira. (TC)
Por Antonio Caño
El País/UOL
“Provavelmente seria justo dizer que a cacofonia dos atuais meios de comunicação – nos quais o rumor e a invectiva frequentemente substituem os fatos, nos quais se expõem a gritos solenes reflexões, nos quais é possível que as pessoas creiam estar plenamente informadas sem sequer ter-se aproximado de uma ideia que contradiga seus preconceitos – exerce certo papel na polarização de nosso sistema político e no crescente cinismo do eleitorado.”
Post proibido para quem tem mais de 30 anos
18 de abril de 2010 às 9:37 | 1 Comentário“Se você tem menos de 30 anos de idade hoje, significa que estava por perto dos 10 anos de idade em 1989. Por isso, não viveu a campanha presidencial daquele ano. Escrevo “viveu” no sentido de entender perfeitamente o que se passou à sua volta. Você leu a respeito ou ouviu dizer. Viver é outra coisa”.
Um profissional da palavra
14 de abril de 2010 às 9:16 | Comentar
Entrevista do escritor Nelson Patriota para a revista Saga Cultural, da Livraria Siciliano, e publicada na edição de abril de 2010 (ano II, n. 8).
1 – Antes de ser escritor você é jornalista. Quando e como você descobriu o jornalismo?
Nelson Patriota ―Ser jornalista foi uma veleidade da minha infância que sobreviveu à minha adolescência e que finalmente se tornou real a partir de 1972, quando ingressei como “tradutor de telegramas” no Jornal A República. Os telegramas eram notícias enviadas via telex pela agência Associated Press em espanhol e em inglês. Com um algum conhecimento de inglês (meus irmãos mais velhos Waldemir e Ferdinando eram professores e tradutores de inglês) não tive dificuldade em conseguir o lugar vago em A República no contato que mantive com o editor Manoel Barbosa, um jornalista pernambucano que fora contratado pelos diretores Marcelo Fernandes e Marco Aurélio de Sá. Com acentuado gosto literário, Barbosa me ofereceu outras oportunidades no jornal, uma delas (a que fez a ponte entre jornalismo e literatura), uma página dominical que denominei apenas de “Cultura” cuja estréia foi no dia 06 de setembro de 1975. Aí lancei meu primeiro conto, “A Estrada”, escrito especialmente para a “Cultura”. Na sequência, publiquei regularmente contos e artigos meus e de outros escritores que pouco a pouco foram tomando conhecimento e interesse pela página literária dominical. Algumas dessas primeiras experiências literárias foram aproveitadas no meu livro Colóquio com um leitor kafkiano, lançado no ano passado.
2 – Quanto tempo você tem de carreira jornalística?
NP ―Desde meu ingresso em A República, sempre estive, de lá até aqui, exercendo alguma atividade jornalística, quer como repórter, colunista de jornal ou do site www.substantivoplural.com.br , crítico literário, resenhista de livros e revistas, editor de revistas e livros. Isso já faz 38 anos, mas nos últimos dez anos, venho dividindo essas atividades com a de escritor e tradutor de inglês, francês e, mais raramente, espanhol.
3 – Fale-me da época de faculdade de jornalismo, suas lembranças. Existiu aquele momento em que você descobriu a sua vocação na área, ou isso aconteceu já na prática?
NP ―Quando cursei jornalismo na UFRN eu já trabalhava regularmente em jornal e já havia concluído o curso de Ciências Sociais (UFRN). Fiz jornalismo para atender a uma exigência do Sindicato dos Jornalistas à época, mas reconheço que foi uma decisão acertada. Lá fiz amizades com colegas e professores e aprendi coisas úteis à profissão.
4 – Quando você descobriu o jornalismo cultural? Foi amor a primeira vista?
NP ―Descobri o jornalismo cultural no jornal A República – como disse acima –, quando fundei e dirigi a página dominical “Cultura”, embrião do futuro caderno cultural “Contexto” que dirigi em sua última fase, nos primeiros anos dos 1980. Desde então, venho trabalhando em alguma forma de jornalismo cultural: na segunda metade dos anos 1980, na Tribuna do Norte. Nos anos 1990, no Diário de Natal, na revista RN Econômico, no jornal Dois Pontos, no Jornal O Galo (1996 a 2001), no site www.substantivoplural.com.br e, nos últimos quatro anos, como editor da Revista do Conselho Estadual de Cultura, entidade à qual pertenço, e ainda colunista da revista Papangu.
5 – O que a carreira de jornalista representa na sua vida? Quais as principais realizações que essa carreira lhe proporcionou?
NP ―O jornalismo me ofereceu muitas oportunidades de trabalho, de viagens para congressos, bienais, encontros literários etc. seja no campo cultural, seja em outros campos, embora quase todo o tempo em tenha trabalhado com jornalismo cultural. Aí travei contato com artistas, intelectuais, poetas, escritores os mais diversos, especialmente durante os seis anos em que editei o jornal O Galo, no qual fiz inúmeras entrevistas com escritores e poetas de todo o Brasil, como Ivo Barroso, Jaci Bezerra Lima, Edson Nery da Fonseca, Jorge Tufic, Renard Perez,Idelette Muzart, Ascendino Leite,Paulo Bezerra, Bruno Tolentino, Jomard Muniz de Brito, Ronaldo Correia de Brito, Alberto da Cunha Melo, Gilberto Mendonça Teles, Francisco Carvalho, Hildeberto Barbosa Filho, Francisco Dantas, Maria Lúcia dal Farra, João de Jesus Paz Loureiro, Marcus Accioly, Marco Lucchesi, Alexei Bueno, e mais: Franco Jasiello, Marcos Silva, Dorian Gray Caldas, Nilson Patriota, Nei Leandro de Castro, Sanderson Negreiros, Tarcísio Gurgel, Bartolomeu Correia de Melo, Dailor Varela, Celso da Silveira e outros e outros mais. Enfim, jornalismo e literatura estão de tal modo entrelaçados em minha vida profissional que não consigo separá-los.
6 – O Que você acha do jornalismo cultural potiguar? Como você relaciona com o jornalismo cultural desenvolvido no resto do Brasil?
NP ―O jornalismo cultural potiguar tem uma história de muitas lutas e muitas conquistas. Revistas como A Cigarra, O Bando, Milho Verde; suplementos literários como Contexto (A República) e o jornal O Galo são pontos de referência desse gênero. A circulação há cerca de três anos da revista cultural Papangu (da qual sou colunista), o surgimento de uma revista como a Palumbo, de um novo jornal diário, a manutenção de espaços culturais na Tribuna do Norte e em outros jornais revelam que esse tipo de jornalismo está vivo e em transformação. O mesmo se passa com a grande imprensa nacional, que está sempre tentando coisas novas, notadamente no Estadão e na Folha de S. Paulo. Revistas como Cult, Bravo, Piauí mantêm viva a discussão cultural. Mas experiências regionais, como a revista Continente, do Recife, e o suplemento Correio das Artes, do jornal A União, na Paraíba, demonstram que cultura e arte são questões que continuam vibrantes e inspiradoras.
7 – Em que momento surgiu o Nelson escritor?
NP ―Minhas primeiras experiências como ficcionista datam de 1975, quando criei a página “Cultura” encartada na edição dominical de A República. Então, o jornalista e o escritor são contemporâneos.
8 – Quantos anos de carreira como escritor?
NP ―Quase o tanto de anos no jornalismo: 35 anos.
9 – Qual o papel da literatura em sua vida?
NP ―a literatura é um dos suportes da minha vida, e, ao mesmo tempo, um objetivo a perseguir com a minha própria obra literária em progresso.
10 – O que te realiza mais, a carreira de jornalista ou de escritor? Ou ambas se completam?
NP ―Creio que ambas, pois é difícil, senão impossível, separá-las.
11 – Que livros da sua carreira você destaca e por quê? Existe (em) aquele (s) com um significado especial? Por quê?
NP ―Destaco dois: a Antologia Poética de tradutores Norte-rio-grandenses, que lancei em 2008 pela Editora da UFRN, pelo desafio que representou para mim reunir uma tradição de tradutores de poesia do meu Estado, e onde fiz uma descoberta inteiramente casual (e não menos intrigante, pois continua não resolvida) acerca de uma tradução de um poema de Walt Whitman feita por Câmara Cascudo, e que narro com detalhes na introdução que escrevi para a Antologia, porque se trata de uma questão até então ignorada pelos estudos cascudianos. Destaco ainda meu Colóquio com um leitor kafkiano, por reunir diferentes momentos e motivos literários meus. Menos pessoais, minhas biografias A Estrela Conta e No Outono da Memória são obras que contribuem para as histórias de vida norte-rio-grandenses. Destaco ainda meu trabalho em livros como 400 nomes de Natal e Vozes do Nordeste (com o escritor Pedro Vicente Costa Sobrinho), e as edições críticas que organizei do livro Corpo de Pedra, de Bosco Lopes, 113 traições bem-intencionadas, de Luís Carlos Guimarães, e da obra reunida de meu pai, o poeta Luís Patriota. Finalmente, meu trabalho de jornalista cultural/escritor jornalista na edição da Revista do Conselho Estadual de Cultura, cujo quarto número está prestes a sair.
12 – Após uma carreira consagrada na literatura, o processo de escrita até o lançamento de um livro ainda te proporciona surpresas? Fale desse momento.
NP ―A escrita de um livro é sempre um processo de descobertas, insights, surpresas. A gente nunca está totalmente senhor do texto, pois na medida em que o escrevemos, novas sugestões e descobertas vão ocorrendo, às vezes mudando completamente o projeto original. E às vezes isso ocorre para melhor. Escrever, nesse aspecto, é uma oportunidade privilegiada de dialogar com o nosso inconsciente. Sobre surpresas em lançamentos, confesso que fiquei particularmente feliz com o público que compareceu ao lançamento do meu No Outono da Memória, mas quero crer que isso se deveu especialmente ao carisma do biografado, o jornalista Ubirajara Macedo.
13 – Aliás, quais as grandes realizações da sua vida proporcionadas pela carreira de escritor?
NP ―Cito especialmente o meu Colóquio com um leitor kafkiano e a minha Antologia poética de tradutores norte-rio-grandenses, bem como os diálogos que travei com grandes nomes da literatura brasileira, citados acima, durante as entrevistas para o jornal O Galo e outros jornais, estão entre os pontos culminantes da minha carreira como jornalista e escritor. Afinal, o tema invariavelmente girava em torno do fazer literário. Numa outra vertente, tenho realizado trabalhos de tradução e revisão de textos literários e técnicos para a Editora da UFRN e outras instituições. Para a Edufrn traduzi, entre outros, o livro Como melhorar a escravidão, um pequeno livro do viajante inglês Henry Koster que compara o sistema escravocrata brasileiro com o britânico, e Literatura de Cordel no Nordeste do Brasil, da professora Julie Cavignac, sobre o cordel brasileiro. Mas é claro que a publicação de meus próprios livros me abre uma vereda mais pessoal, portanto, mais estimulante intelectualmente. No campo jornalístico, destaco a edição comemorativo dos 60 anos do jornal Tribuna do Norte, que saiu em 24 de março passado, como um dos trabalhos jornalísticas mais gratificantes da minha carreira.
14 – Qual sua visão da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras?
NP ―Creio que a ANL cumpre um papel atualmente abaixo de suas possibilidades reais, haja vista que dialoga pouco com a comunidade, o que a isola numa posição desconfortável, quando comparada com o muito que poderia fazer nesse e em outros setores da vida cultural. Não obstante, é uma instituição importante para a vida cultural norte-rio-grandense pelo potencial de que dispõe.
15 – Como é o seu processo de criação? Sua vida passa por muitas mudanças quando está em pleno processo de criação de uma obra?
NP ―a rotina do trabalho jornalístico nas redações dos jornais me ensinou a disciplinar o trabalho intelectual. Procuro organizar minhas atividades de modo que uma não atrapalhe a outra, fazendo sempre uma coisa de cada vez.
16 – Além do dom da escrita, que características você acha que um bom escritor deve ter e cultivar?
NP ―Informação literária, conhecimento do seu tempo, engajamento com o mundo real. Estas são condições fundamentais para se escrever.
17 – O que você acha que te trouxe até aqui – um dos mais referenciados autores da literatura potiguar?
NP ―Não estou seguro de ser tanto… Mas devo declarar a meu favor que tenho trabalhado com disciplina na área da cultura há mais três décadas. É normal que se colham alguns frutos depois de tanto tempo.
18 – O que você acha da nova safra de escritores que vem surgindo? Você vê muitas diferenças para os escritores que surgiam no início da sua carreira? A forma de fazer literatura mudou? Fale-me sobre isso.
NP ―É difícil se falar dos contemporâneos porque corremos o risco de sermos precipitados nos julgamentos e, portanto, injustos. Mas creio que os novos nomes das nossas letras, seja na poesia, seja na prosa, deparam com os mesmos problemas: como dar conta de tantas leituras essenciais? Os melhores são justamente aqueles que não temem esse desafio e que, portanto, dialogam com a tradução sem perder de vista as especificidades de sua própria época.
19 – Em qual carreira o Nelson Patriota é melhor, como escritor ou como jornalista? Por quê?
NP ―Prefiro evitar polêmicas a esse respeito. Uma coisa é necessária à outra, ou seja, jornalismo e literatura formam um traçado único e reto na minha carreira de modo que o presumível bem que nela existe se deve à mescla entre o fazer jornalístico e o fazer literário.
20 – O que você acha dos e-books e do surgimento de inúmeros e-readers no mercado?
NP ―É uma decorrência da evolução da técnica, um fato consumado, então não vale a pena brigar com eles. Além do mais, oferecem alternativas de leitura, o que é sempre positivo. Acho, apenas, que isso porá fim ao livro em papel, até por uma necessidade estética. Há coisas que encontram sua forma ideal de expressão no formato do livro tradicional, sem falar que ler nesse formato é incomparavelmente mais confortável para a visão e para o tato, não fazendo sentido, portanto, que se troque uma forma melhor de leitura por outra inferior.
21 – Você acredita no fim do livro de papel, ou acha que, assim como o que aconteceu com a imprensa escrita com o surgimento da TV, que se adaptou a nova mídia, o e-book é mais uma mídia que provocará adaptações na literatura tradicional?
NP ―como já respondi, em parte, a este pergunta na questão anterior, acrescento somente que os avanços da técnica se dão em muitos níveis. O aparecimento de uma nova mídia como o e-book não interrompe o processo de evolução do livro em papel, cada dia mais cativante. Não há por que os dois não conviverem.
22 – Você pretende se adaptar a essa nova mídia? Podemos esperar e-books do Nelson Patriota?
NP ―Claro que sim. Por sinal, meu livro A Estrela Conta está disponível no site substantivoplural.com.br. É, portanto, um e-book.
23 – O leitor virtual proporciona o mesmo prazer do leitor tradicional?
NP ―Prefiro ler ficção, entre outros textos longos, no papel, mas leio jornais e revistas na internet habitualmente.
24 – Atualmente você é colunista do blog cultural substantivoplural.com.br e também edita revistas. Você transita entre as novas tendências da imprensa e o que já é consagrado na forma como se faz jornalismo. Você acredita que é papel do profissional de comunicação se adaptar às novas mídias? Você acha que ele será engolido caso não se adapte? Existirá espaço para quem permanecer exclusivamente atado aos modelos mais antigos?
NP ―Como todos esses temas que você cita estão acontecendo simultaneamente, é difícil prever como será o amanhã para o jornalismo. Mas creio que sempre haverá espaço para os bons profissionais da notícia e da opinião e estes, a propósito, são justamente os que procuram se manter atualizados com o que ocorre de novo em sua profissão.
25 – Algum novo projeto em vista?
NP – Estou com um novo livro pronto. Seu título é Artigos e crônicas de Edgar Barbosa, editado pela Editora da UFRN e selecionado, organizado, anotado e apresentado por mim. Seu lançamento ainda está em estudo, mas deverá acontecer este semestre em algum evento comemorativo do centenário de nascimento de Edgar Barbosa, mesmo que um pouco atrasado, haja vista que a efeméride aconteceu no ano passado. O livro reúne um total de 50 crônicas do escritor ceará-mirinense, inéditas em livro, enfocando diversos assuntos da vida norte-rio-grandense. É preciso salientar que Edgar Barbosa é uma das grandes referências na nossa crônica. Estou organizando um novo livro, reunindo alguns dos artigos que venho publicando nos últimos três anos no jornal Tribuna do Norte e no site substantivoplural.com.br. Todos os textos devem tratar de autores e livros norte-rio-grandenses.
Projetos colaborativos na Web ganham visibilidade
13 de abril de 2010 às 18:53 | Comentar“Na primeira semana de abril, o pequeno site Wikileaks publicou em seu blog um post pedindo a ajuda de leitores para decodificar um vídeo criptografado pela segurança militar norte-americana sobre um bombardeio no Iraque onde morreram 12 civis, entre eles dois jornalistas contratados pela agência Reuters”.
Acerca de alguns dispersos de Edgar Barbosa
13 de abril de 2010 às 18:30 | ComentarJornalistas e escritores costumam deixar atrás de si, com o passar dos anos, amiúde inadvertidamente, um volumoso acervo daquilo que comumente é designado por “esparsos e dispersos”. São textos que, por algum motivo, ficaram como que esquecidos pelo autor, ou à espera de uma oportunidade para publicação que não aconteceu. Às vezes é necessário o esforço de uma geração posterior para que esses textos saiam do limbo do anonimato.
Diferentemente do ofício do livreiro e do editor, o trabalho do pesquisador de dispersos, que inclui também a preparação de texto, tem um sério óbice: a defasagem, haja vista que se ocupa de escritos que foram destinados a um público já deixado para trás. Trata-se, portanto, de um trabalho que só encontra justificativa na expectativa de que o acervo em organização ultrapasse, em virtude de suas qualidades intrínsecas, como estilo, temática, informação de primeira mão, os umbrais da sua época e desperte o interesse de novos leitores.
A trajetória de cronista do escritor Luís da Câmara Cascudo é um bom exemplo desse fenômeno, na medida em que permanece um desafio que, até hoje, não foi devidamente equacionado pelas diversas instituições culturais do Estado. É louvável, nesse aspecto, o esforço que o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, através do seu presidente, o escritor Enélio Petrovich, vem fazendo junto à Editora da UFRN, ao Sebo Vermelho e outros, para dar conta do projeto serial “O Livro das Velhas Figuras”, reunindo as centenas de Actas diurnas que Cascudo deixou na imprensa potiguar.
O trabalho solitário e incansável do escritor Jurandy Navarro na recuperação da obra relegada pelo padre Luiz Monte é outro exemplo que vem se traduzindo em resultados que totalizam, até agora, dez volumes. Esse número, porém, ainda é parcial e deve ganhar um acréscimo ainda este ano.
Edgar Barbosa também se presta a exemplificar essa condição de autor de “dispersos e esparsos” que convidam à publicação. Sua longa passagem pelo jornal A República, em fins dos anos 1920, enveredando pelas três décadas seguintes, e abrindo-se numa estreita colaboração com outros veículos da nossa imprensa, tipifica bem tal condição. São dezenas de centenas de textos – crônicas, artigos, notas, críticas, observações das mais várias espécies – que permanecem em boa parte inédita.
Uma fração desse acervo, no qual sobressaem perfis de intelectuais norte-rio-grandenses, o próprio Edgar Barbosa se encarregou de selecionar e publicar, sob o título de Imagens do Tempo, em 1966, através da Imprensa Universitária da UFRN.
Uma outra fornada de inéditos seus compõe o livro “Artigos e Crônicas de Edgar Barbosa – Volume 1 (1927-1938”, que tivemos a missão de organizar e que foi lançado pela editora da UFRN, dias atrás, num evento acadêmico.
A edição teve uma acolhida favorável, entre outros, por parte do jornalista Woden Madruga, o qual, em pelo menos três datas de seu “Jornal de WM”, além de reiterar a excelência da prosa barbosiana, se demorou longamente na figura da vaporosa e elusiva Didi da Câmara, poetisa que foi objeto de uma crônica do ensaísta ceará-mirinense, mas cuja identidade e respectiva obra permanecem envoltas em instigante nebulosa.
Em sua Cena Urbana do dia 1º deste mês, o jornalista Vicente Serejo entendeu que a edição que organizamos para a Editora da UFRN seria uma reedição, sob outro nome, de Imagens do Tempo. Esclarecemos que se trata de obras diferentes. O livro organizado por Edgar Barbosa reúne textos que ele publicou na última fase de sua participação em A República, isto é, no período compreendido entre 1947 a 1957; o nosso, remonta aos anos de 1927 a 1938.
Por fim, adiantamos que a edição de Artigos e Crônicas de Edgar Barbosa deverá ser acompanhada de um segundo volume, a sair ainda este ano, conforme projeto aprovado pela direção da Edufrn.
‘Washington Post’ é destaque no prêmio Pulitzer
13 de abril de 2010 às 8:40 | Comentar‘Next To Normal’ levou o Tony e o Pulitzer de teatro; a melhor obra de ficção foi ‘Tinkers’, de Paul Harding.
Quem pagará pelo jornalismo?
12 de abril de 2010 às 11:32 | Comentar“Há dias escrevi no Correio da Manhã sobre a irracionalidade de uma indústria que, perante tremendas dificuldades de vária ordem, acredita que se salvará através de um aparelho de leitura novo, de adesão ainda desconhecida e sobre o qual não tem a mais pequena espécie de controlo. Falava do iPad e da indústria dos media, no sentido lato – embora quem, na realidade, “vê” a salvação no iPad seja a sub-indústria do jornalismo”.
Usuários e Jornalismo Colaborativo
9 de abril de 2010 às 15:01 | ComentarJorge Rocha: ‘É preciso diferenciar contribuição de usuários de Jornalismo Colaborativo’.
As casas do silêncio
26 de março de 2010 às 10:51 | ComentarPor Janio de Freitas
FSP
O jornalismo precisa de críticas, inclusive das de Lula, e não de cobranças de louvação quando o mais generoso é o silêncio
AINDA QUE Lula diga de sua acusação à “má-fé da imprensa” que apenas “mostra o que [nela] está errado”, como “um alertador” -contra algo que não quis ou não pode dizer-, o fato é que faz do seu direito de crítica uma evidência do erro de sua autoavaliação. Disso é exemplo perfeito a frase que lhe pareceu retratar a “má-fé”: “Acabei de inaugurar 2.000 casas, não sai uma nota. Caiu um barraco, tem manchete. É uma predileção pela desgraça.” Deveria, ao menos poderia, sentir-se envergonhado com a constatação de que suas 2.000 casas não valem, no jornalismo, um barraco soterrado.
A ética do marceneiro
17 de março de 2010 às 22:34 | Comentar“Resumindo para quem não conhece (IMPERDOÁVEL!!), o Abramo diz que a ética do jornalismo é como a ética do marceneiro. “Não existe ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão”. E mais adiante: “O limite do jornalista é o limite do cidadão”.
Ainda Keen
2 de julho de 2009 às 14:29 | ComentarContinuo meu esforço por ler O culto do amador.
Vou dispor mais três opiniões sobre o livro:
1) Keen critica o conhecimento não-especializado, não-científico, publicizado na Internet (especialmente nos blogs). No entanto, constrói suas reflexões firmado justamente … em conhecimento não-especializado, em opiniões subjetivas, em conhecimento de senso comum;
2) Se Keen conhecesse, um pouco que fosse, Bakhtin e Foucault – além dos teóricos mais relevantes do jornalismo – falaria menos bobagens;
3) Em um determinado momento, ele diz:
Quando um artigo se apresenta sob a bandeira de um jornal respeitado, sabemos que foi examinado por uma equipe de editores tarimbados e com anos de aprendizado, confiado a um repórter qualificado, pesquisado, verificado, editado, revisto e apoiado por uma organização de notícias fidedigna que dá testemunho de sua vericidade e precisão.
Automaticamente, lembrei-me de duas histórias. Uma está quente ainda agora e diz respeito à ficha forjada de Dilma Rousseff que a Folha de São Paulo publicou algum tempo atrás (você pode ler um pouco sobre essa história aqui, por exemplo). E a Folha não é um veículo que se adequa à descrição de Keen? E que fidedignidade tem?
Se você achar que o problema é brasileiro, relembro uma história de um dos maiores jornais impressos do mundo, o The New York Times. Lembram de Jayson Blair, aquele repórter do NYT que foi descoberto fraudando matérias no veículo? Para quem não se lembram, leia aqui.
A volta do diploma…
29 de junho de 2009 às 21:43 | ComentarCongresso prepara volta do diploma para jornalista
Três propostas de emenda constitucional e um projeto de lei devem ser apresentados nos próximos dias para tentar retomar a exigência de formação específica para o exercício da profissão, derrubada pelo STF.
Renata Camargo
do Congresso em Foco
O Congresso prepara três propostas de emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei para tentar retomar a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Apesar das declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de que a decisão da Corte sobre a derrubada do diploma é “irreversível”, um grupo de parlamentares se movimenta para restabelecer a obrigatoriedade de formação específica para a área.
As três propostas de emenda constitucional … [+]
Wagner Moura e o diploma
27 de junho de 2009 às 20:44 | ComentarO jornalista e ator Wagner Moura deu a entrevista a Caros Amigos antes da decisão do STF. Wagner, para quem não sabe, é jornalista por formação. Trabalhou, inclusive, com um amigo meu de Salvador que era seu cinegrafista nos dias de telejornalismo.
O que ele diz pode ser posto ao lado do que disse Gilmar Sempre Livre Mendes Dantas no julgamento sobre o diploma:
Quando eu resolvi fazer vestibular, não tinha certeza se queria teatro. E eu era muito encantado com a profissão de jornalista, gostava muito de escrever, e tinha uma coisa romântica. Repórter investigativo, que resolve, ajuda a população, descobre falcatruas, tem uma coisa social nisso. Cheguei a trabalhar em jornal na época, e os caras me davam umas pautas que tinha preguiça de fazer, cobrir buracos. Trabalhei um tempo em jornalismo, tive assessoria de imprensa… E a faculdade foi muito legal pra minha vida como ator, aprendi muita coisa. E também ter lido os caras da Teoria da Comunicação: Marcuse, Benjamin, Adorno, os caras da Escola de Frankfurt, só que quando eu pensava naquilo aplicava diretamente à indústria cultural, ao meu trabalho como ator, à minha vida como artista.
Na sequência ele diz que não dá entrevista à Veja, por considerá-la uma revista de direita: Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’”. E ele continua falando do comentário da Veja, elogiando Tropa de Elite pelos motivos errados.
O resto da entrevista você lê aqui: http://carosamigos.terra.com.br
Publiquei esse texto também no http://deolhonodiscurso.wordpress.com
Para Daniel,
20 de junho de 2009 às 12:44 | ComentarMeu velho, não perca tempo com isso. Sequer discuto mais se o diploma de Jornalismo serve pra algo ou não – pretendo até plastificá-lo para que sirva, juntamente com o de Kênia, minha esposa e também detentora de diploma semelhante, como jogo de mesa.
Entretanto, vamos colocar aqui alguns pingos nos is: somos, eu e você, formados em Comunicação Social com, grifo aqui, “habilitação em Jornalismo”. Antes de qualquer coisa, estudamos, pesquisamos e nos debruçamos sobre a Comunicação e seus fenômenos: se isto não é reflexão científica, não sei mais o que porra é isso. O Jornalismo é um ofício, uma habilidade…
Jornalismo, neste caso, seria a “frescurinha” de glacê sobre a torta. Diploma de Jornalista? Não. Tenho diploma em Comunicação Social e me digno dele. O Jornalismo que aparece lá, como habilitação, é mero adereço…
Ficamos assim: quem não fez faculdade – de Jornalismo, Letras, Artes Cênicas ou qualquer outra – desconhece que ela, a faculdade, não é lugar de ofício, não é uma escola técnica, não é um curso preparatório para o belle letrismo. A Universidade tem um papel que me parece evidente: produzir conhecimento e refletir sobre fenômenos diversos que se interpõem frente vivência e sociedade.
Nesse contexto, caro Daniel, quem quiser que fique com o Jornalismo; quem quiser, que fique com seu ofício e dele se enrede: estou literalmente cagando para isso…

