Ex my love: a renascença do brega

30 de abril de 2012 às 14:37 | 8 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

A música da abertura da novela Cheia de Charme, da rede Globo, é um achado. Além das comparações absurdas feitas em nome da “pessoa abandonada”, o refrão que a primeira audição se escuta “is my love” do inglês é, na verdade, a internacionalização do termo ex-amor. Ao invés do verbo “is”, a compositora Gaby Amarantos utiliza o prefixo “Ex” e complementa com o possessivo e o substantivo do inglês para gerar o inusitado e criativo “ex my love”. Esse tipo de construção não só retoma, mas também reinventa o brega, que, embora esteja apagado da nossa região, continua com força total no Norte, sobretudo no Pará, com o tecno-brega.

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Diálogo para o emudecimento

2 de abril de 2012 às 18:53 | 5 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

O que não suporto é esse seu desinteresse em reagir.
Esse comportamento ultrarracional é inconveniente à própria vida e ao direito de liberdade particular.
Reagir é necessário em tudo e é por não reagir que estamos assim, não somente você e eu, mas nós todos. Passivos a todas as decisões que nos colocam inseguros e sem segurança.
A vida é dura, abaporu e insistentemente ingrata.
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os funcionários

27 de março de 2012 às 9:13 | 2 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

sangrar eu sangro
sangro todo dia,
quando vou ao detran,
se preciso da saúde,
ou do funcionário público.
mas isso não cabe no poema
viver não cabe no poema
porque o poema não é a vida
por isso, estamos fartos
do lirismo comedido,
do criacionismo criativo,
dos freudianos gabinetados
que se travestem de modos.
salve os intelectuais que já leram tudo
os que ouviram tudo
e que fazem careta
para o resto povo
salve os eruditos
os críticos
os afetados
e o homem público
salve!
os funcionários poéticos
comissionados de parságada

Segunda Edição: Revista Cruviana

26 de março de 2012 às 9:31 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

“Apenas aqueles que, ao escrever, tiram a matéria diretamente de suas cabeças são dignos de serem lidos”.
Schopenhauer

Nenhuma concepção do ato de escrever será suficiente. Escrevemos ou porque precisamos ou porque pensamos saber. O que importa é pensar. Entrar pelo mundo não é uma escolha, fazê-lo como é também não. Porque escrever seria uma? Não há resposta que resolva essa questão por mais absurda que pareça ser.

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A Fortaleza sem dono e o Dragão de ninguém

19 de março de 2012 às 14:37 | 6 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Fortaleza é um caos, disse Anchieta Rolim, assim que entramos na metrópole cearense. Nem sabíamos o quanto. Desde Aracati, tínhamos a impressão de estarmos chegando num estado coerente com a segurança pública. A quantidade de redutores de velocidade na CE – 040, e de homens da fiscalização estadual rodoviária, se igualava ao que vemos no cinema americano. Mas Anchieta, experimentado na arte de ver o mundo, sabia que onde surge a civilização nasce também a tragédia. Tantas ocorrências policiais e acidentes puseram nossos corpos e de nossas esposas, em suspense.

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[um]

14 de março de 2012 às 7:36 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

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Você é mulher?

14 de março de 2012 às 7:30 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

Mãe, você é uma mulher?
O que?
Você é uma mulher?
Que pergunta é essa?
Só uma pergunta.
De onde você tirou isso?
Não sei, só perguntei.
Não se pergunta essas coisas a uma mãe!
Não?
Não.

Por que você perguntou isso?
Já disse, só perguntei…
Mas deve ter tirado de algum lugar (?)
É, pode ser…
Ou é ou não é!
É.
Então, alguém mandou me perguntar isso?
Não.
Mas você disse!
Não, eu não disse!
Sim, você disse: É.
Só disse: É.
Você está me irritando!
Desculpa, mamãe.
Isso é coisa do seu pai?
O quê?
Ou de sua avó, aquela velha!
A vovó é uma mulher?
Tenho minhas dúvidas…
Então a senhora também não é uma mulher?
Que liberdade é essa?!
Não é liberdade é uma pergunta.
De muito mau gosto!
Mas eu só queria saber…
Você anda querendo saber de mais.
Saber é errado?

Mãe, eu sou uma mulher?
Que pergunta é essa?
É só uma pergunta?…

A noite é uma mulher desconhecida

8 de março de 2012 às 9:06 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Pablo Antônio Cuadra (Nicarágua)
Tradução: José de Paiva Rebouças

perguntou a moça ao forasteiro:
– por que não entra? em meu lar
o fogo está aceso.

respondeu o peregrino: – sou poeta,
somente desejo conhecer a noite.

ela, então, jogou cinzas sobre o fogo
e aproximou na sombra sua voz ao forasteiro:
– toca-me! – disse – conhecerás a noite!

LA NOCHE ES UMA MUJER DESCONOCIDA
Preguntó la muchacha al forastero:
- ¿Por qué no pasas? En mi hogar
está encendido el fuego.

Contestó el peregrino: – Soy poeta,
solo deseo conocer la noche.

Ella, entonces, echó cenizas sobre el fuego
Y aproximó en la sombra su voz al forastero:
-¡Tócame! –dijo -. ¡Conocerás la noche!

Pablo Antonio Cuadra (Manágua, 1912 — Managua, 2002)
foi poeta, ensaísta, crítico de arte e de literatura,
dramaturgo, artista gráfico e ideólogo nicaraguense.

Do preço e da liberdade

27 de fevereiro de 2012 às 15:46 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Arte: Schiele

Ela disse que não tinha nada de errado em cobrar e ficou chateada ao perceber que ele tinha a cara amarrada.

Depois, trancou-se por imaginar que ele tivesse preconceito. Não era bem preconceito, ele estava indignado, por isso virou-se na cama.

Tudo que ele queria era ficar com ela, porque os dois combinavam. Jovens, bonitos e famintos, poderiam ficar juntos.

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Rapariga de Deuzão

22 de fevereiro de 2012 às 12:49 | 2 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Arte: DAACRUZ

Marieta esperou que o marido chegasse mais cedo na véspera de carnaval. Perda de tempo. O relógio começou a se demorar e, cada vez que ela olhava-o na parede, parecia imóvel. Ficou irresoluta. A vontade que tinha era de tomar um taxi e ir bater lá na repartição para trazê-lo pelo braço antes que fizesse besteira. Ela pressentia algo. E mulher quando tem pressentimento é melhor agir. Ela agiu.

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Rita louca

6 de fevereiro de 2012 às 16:16 | 11 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Picasso. Mulher de Costas.

Quando Rita enlouqueceu, gritou e tirou a roupa. Tinha a pele branca e os seios à amostra. Eu devia ter uns oito anos e foi a primeira vez que vi uma mulher seminua. Não por ser uma senhora de quase meia idade, mas daquela cena só ficou o desespero. Seus olhos pareciam ver o que não se via e seus berros ecoam ainda hoje.

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Política de menino

30 de janeiro de 2012 às 17:47 | 5 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Um dos meus sonhos de menino era ver o país alcançando o patamar de primeiro mundo. Dava mais importância a isso do que a qualquer outra coisa. Foi logo no início, quando pensava que a juventude poderia mudar o mundo a partir das minhas análises aprendidas no movimento sindical e compartilhadas entre os socialistas bucólicos dos meus 13 anos.

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Da solidão

24 de janeiro de 2012 às 11:44 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Nunca fui tão solitário quanto na infância. Vivia sozinho sem brinquedos imitando os mais velhos ou passarinhando no juremal. Dessa relação ficou uma saudade indizível. Vez ou outra tento encontrar com essa parcela de mim para um diálogo dos que faz chorar. Mas essas lembranças não se constituem sozinhas. Elas estão carregadas de significados e outras imagens de avós, primos e irmãos que, àqueles dias, pareciam personagens do conto de fadas que era a minha meninice.

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mi nina, rizzi (passa tempo)

19 de janeiro de 2012 às 10:56 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

nina, faz um poema para mim?
não precisa ser lírico nem nada
só peço que ele tenha palavras
não como essas,
palavras, assim… como se diz?
palavras cheias de você mesma.

Sedentário a moda antiga

16 de janeiro de 2012 às 17:02 | 3 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Não há nada mais difícil no mundo do que perder peso. Parece uma contradição para mim que, quando criança, tinha vergonha da minha magreza. É certo que naquela época as coisas eram difíceis, mas eu me lembro que comia feito gente grande, na esperança de engrossar as canelas. Talvez, e vocês vão dizer: ahhhhh… meu sedentarismo ajude a me manter acima do peso, mas se era magrela quando comia muito, por que então não consigo perder peso comendo feito um passarinho?

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O dia em que o mundo acordou

9 de janeiro de 2012 às 21:09 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

“O dia em que o mundo acordou” [Romance escrito para o Twitter. Original: https://twitter.com/#!/cruviana1]

[1] O Twitter sempre me pareceu algo inacabado, por isso, repeti o de sempre. A hashtag era apenas mais uma sugestão desinteressada.

[2] #moralizejá. Escrevi junto de uma frase pouco antes de desligar o PC. Cai no sono e acordei com o telefone vibrando.

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(Indiferente)

4 de janeiro de 2012 às 17:05 | 7 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

o que sei da vida
é que ela passa
o dia passa
as horas passam
e eu passo

o que sei da morte
é que ela vem
o dia vem
as horas vêm
e eu vou

o que sei de mim
é o que sou agora

Cartas para Maria: O segundo olhar

2 de janeiro de 2012 às 17:52 | 10 Comentários
Por José de Paiva Rebouças

Menina no tapete vermelho, 1912. Felice Casorati ( Itália 1883-1963) – óleo sobre tela

Você é um mundo. Tive vontade de lhe dizer isso, mas não vi como. Deixei criar uma barreira tão densa entre a gente que não sei mais como transpô-la. Lembro de seus olhos pequenos e assustados, de quem vê a vida vindo sem freios. Eu sou um pouco dessa vida e não sei ser diferente.

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A violoncelista

19 de dezembro de 2011 às 14:16 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

A violoncelista não está cansada nem desagradada, mas decidiu partir. Não há prélio, apenas decisão. Seu rosto é sereno como a sua voz. Cantaria se não tocasse. Decidiu tocar. Calou a plateia quando mergulhou entre os cisnes. Seus olhos cerrados. Seu corpo ereto assemelhava-se a seu instrumento. Sincronia. No meio da orquestra há um deserto para sua presença e, nos olhos da plateia, um recanto para a sua perna desnuda até o joelho. Tudo o que existia era sua perna. E o inferno começava em seu joelho. Prelúdio. É possível ver a beleza de uma manhã fria laçada por um sol ridente que acorda sonolento descobrindo as pétalas com uma sutileza feminina. Há aves passeando sem pressa enquanto outras decolam em revoada. Silêncio e movimento. Como se o dia fosse um branco estirão e a noite uma intermitência, ela tocava. Cobria-se de suas lassidões e calava-se para si mesmo. Contrátil, erétil, instrumental. Havia um silêncio e após a valsa ela caminhou em procura. Deslocou-se entre os arcos e estantes. Desceu as escadas, subiu à plateia e deixou para trás as portas do teatro. Aplausos. Reverências. Mas ela caminhava e já não havia mais vozes, pois a noite era a veste negra como no terceiro ato. Suas pernas cruzavam-se, preguiçosamente, provocando os quadris, e o confronto de seu corpo com a brisa fria sobre o chão esquálido solfejava música, como numa sonata com um sem número de partes. Não há consolo, apenas decisão e a água é apenas uma réstia da lua. A plateia, agora retumbante, explode em fulgor. Bravo! E à estrada comprida, formam-se beirais de aplausos firmes. A sinfônica levanta-se como em um funeral e retoma a valsa acordando a cidade. A noite restringe-se à sua insignificância de noite e esmaece em sua extensão. Já não há mais tempo. A ponte é uma pele de rinoceronte e a água é dos afogados. A distância é um salto e o fundo é do príncipe pelo qual espera toda a sua vida de cisne. Alimentou-se de música como os infelizes e alimentou os infelizes de música. Suas margens sempre estiveram inundadas, mas imerso apenas o sonho de menina, travado em seu semblante orquestral de violoncelista. Branca, como asas abertas ao nascente, ela lança-se ao seu infinito. Olhos cerrados, corpo ereto feito um instrumento violado pelas pernas femininas até os joelhos. Pássaro conquistado pelas águas assemelha-se à correnteza com seu bordado de sombra. As luzes acendem e os aplausos cessam ante o emudecer da valsa. Sem orquestra não há amor nem sobreviventes.

(Música incidental: Valsa No. 2 do ballet “O Lago dos Cisnes” – Piotr I. Tchaikovsky).

Simulacros

7 de dezembro de 2011 às 15:50 | 1 Comentário
Por José de Paiva Rebouças

Já perceberam que vivemos como se esperássemos algo extraordinário? Como se na hora do assalto a polícia vai fazer o seu trabalho e que ao sermos vítimas de qualquer crime a Justiça não falhará? Estamos sempre pensando no que faremos com o prêmio da Mega-Sena, mesmo sem nunca jogar, ou como nos comportaremos nos programas de auditório quando formos famosos. Quando pensamos assim, criamos uma hiper-realidade, um simulacro, um mundo paralelo onde as ações são criadas por nossas vontades e desejos.

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AGENDA

Esposição de Ana Prata - Instituto Tomie Ohtake

A artista apresenta tanto telas pequenas, como também trabalhos grandiosos, usando o efeito de escorrido; até agora não acho razão para que alguns [leia mais]

Recital de piano com Guilherme Rodrigues nesta quinta - Entrada grátis

O professor da Escola de Música da UFRN Guilherme Rodrigues apresenta recital de piano esta quinta-feira no auditório da EMUFRN. O recital começa [leia mais]

Oboé, Música de Câmara e Tecnologia, de quarta a sábado na EMUFRN

Acontece de quarta a sábado desta semana na Escola de Música da UFRN o evento Oboé, Música de Câmara e Tecnologia. Na ocasião, [leia mais]

Exposição "Quixote com Rosas", será aberta quinta, na Galeria Newton Navarro

Será aberta quinta-feira, 17, às 18 horas, na Galeria Newton Navarro (sede da Fundação José Augusto - Rua Jundiaí, 641 - Tirol) a [leia mais]

Festival “Thomaz Babini” da Escola de Música da UFRN – 22 a 25 de maio

No mês de Maio um evento histórico acontecerá na cidade de Natal. Italo Babini (FOTO), violoncelista natalense, considerado um dos mais importantes violoncelistas [leia mais]

"Mattinata", de Fernando Monteiro, será lançado em Natal quinta-feira, 17

Anote aí na agenda: na próxima quinta-feira, dia 17, a partir das 19 horas, o escritor e pluralista Fernando Monteiro lança na Livraria [leia mais]

OUTROS EVENTOS

POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar