o que sei da vida
é que ela passa
o dia passa
as horas passam
e eu passo
o que sei da morte
é que ela vem
o dia vem
as horas vêm
e eu vou
o que sei de mim
é o que sou agora
Epitáfio para o ano que finda
28 de dezembro de 2011 às 14:01 | ComentarDedico a todos os que se foram e a Montgomery Clift ( Robert E. Lee “Prew” Prewitt) do filme “A Uma passo da Eternidade” tocando o seu Clarim.
Um poeta volunté
22 de dezembro de 2011 às 10:30 | 24 ComentáriosFoto: Kamilo Marinho
O poeta peripateia nas vielas da urbe natalina que ele conhece com a planta dos pés. Pés para os quais um dia ele comprou um par de sandálias na Bahia e recebeu um embrulho com os mesmos destros e números distintos. Tem sido assim a vida do poeta. Difícil formar um par. E fulano? – Vige. E sicrano ? – Cansei! Assim é assim o poeta canguleiro: reticentioso. A caminho das estrelas de (cadentes) ele faz um poema para Renato Russo – o da colina: “Não tenho mais o tempo que passou nesse século manual”.
Eira in(T)eira!
18 de dezembro de 2011 às 18:49 | 3 ComentáriosNinguém me completa: já nasci inteira. Não há chances que me façam presa: nasci liberta. Ninguém é minha cara metade: minha face é completa.
^C!V | *
Um ano sem o imperador da Casqueira – Benito Barros
16 de dezembro de 2011 às 23:02 | Comentar“Dezembro chegando. / – Aleluias de pastoris, / Lapinhas e fandangos. / Alegres passos / De Bumba-meu-boi / Em noites de navegar:” BB
No Natal do ano passado ele falecia no hospital Promater. Tinha muito planos em andamento. Entre eles, deixar para Macau uma biblioteca de autores note-rio-grandense. Passado esse tempo, o projeto ainda engatinha. Alguns amigos tentam levar o seu plano adiante. Seria uma grande homenagem ao poeta que fez tanto por sua terra e cultura.
SOBRE A LÓGICA DIVINA
3 de novembro de 2011 às 7:03 | 4 ComentáriosAndo cansado.
Carrego nos ombros
o peso enfadonho
do mundo que tenho.
Vejo sempre o que não quero.
Ouço sempre o que me dão.
Quando tenho sede, bebo água
quando tenho fome, hei de comer,
mas o que se faz quando se tem paixão?
(…)
A vida não aceita os sonhos
e o pensamento dói.
- Viver é uma dor constante.
A dúvida é nada que tenho.
A verdade é uma vaca morta…
Deus são os números inteiros.
A poesia, o infinito do zero e eu, apenas…
Eu
a vaguidão da palavra.
Uma palavra genérica:
coisa
- qualquer coisa
da coisa que sou.
Coisa: simplesmente.
Concepção estigmatizada
a fenda pequena
da porta fechada.
Muitos habitam em mim
da bactéria
ao sentrossoma
da saudade
ao pensamento.
Às vezes eu moro,
às vezes eu morro,
vida que é vida
não quer dizer nada.
La Poesía Terminó Conmigo (Nicanor Parra)*
14 de outubro de 2011 às 8:21 | 2 Comentários
(Nicanor Parra - imagem Google)
________________
Yo no digo que ponga fin a nada
no me hago ilusiones al respecto
yo quería seguir poetizando
pero se terminó la inspiración.
La poesia se ha portado bien
yo me he portado horriblemente mal.
-
Qué gano com decir
yo me he portado bien
la poesia se ha portado mal
cuando saben que yo soy el culpable.
-
¡Está bien que me pase por imbécil!
-
La poesia se há portado bien
yo me he portado horriblemente mal
la poesia terminó conmigo.
___________________
*poema colhido do livro “Nicanor Parra- Poemas para combatir la calvicie (antología)”, Julio Ortega (compilador), Fondo de Cultura Económica, undécima reimpresión, Chile, 2010.
Várzeas (poesia experimental)
30 de setembro de 2011 às 9:10 | 13 Comentáriosa)
e de tua pele me farei corpo e do meu corpo espanto e espasmos…
serei palavras monossilabicamente gritadas aos horrores, como no tormento de uma dor imune… serei líquido quando serei homem.
teu corpo é uma duna sobre o meu plano firme…
desfolharei tuas ondas, desnudando-te, como um artesão com o seu barro.
pois se sou as mãos, retiro o que te cobre e te porei nua frente ao mar.
como o vento, cobrirei tuas curvas e finalizarei o barro que te cria… eu te movo com a lentidão da carne e te promovo uivos de assombração;
te faço carne e, como carne, como-te,
como os romanos em suas noites de ceia e festa:
como-te, como se comem as mangas da várzea do Apodi.
homem peixe fome
22 de agosto de 2011 às 13:43 | 4 ComentáriosPara Anchieta Rolim
o pescador não tem câncer de pele
câncer
Pele
o pescador não tem peixe
que sacie a fome
peixe
fome
o pescador não tem fome
que sacie o câncer de peixe
Ensaio sobre teu olhar
17 de agosto de 2011 às 17:58 | 1 ComentárioComo uma multidão,
Assim é o teu olhar;
Rompe esta manhã
Anunciando claridade,
Luz.
II
Na matéria vã da existência,
O olhar sereno, a luz amena.
Sobre as águas do Eu,
Ali, afogado, vai se desdobrando
Este dia iluminado.
Sim, esta matéria vã me presenteia
As cruciais horas e incendeia
O corpo como quem massacra
O momento e sua morada.
Como uma nuvem que se vai,
Assim, se desfazendo,
Teu olhar é como a vela,
A solidão do Todo,
O mais sereno.
Dentro do Eu, agora,
Essa nódoa prossegue
Sua mancha precisa
Na carne que a discerne…
Está por toda parte
Sua dimensão de mancha;
Está na própria existência,
Na cisma, na lembrança.
III
Algumas palavras se gastam,
Se assemelham ao dinheiro comum
Que sempre usamos…
Algumas palavras,
Como a própria vida,
Se dilaceram –
Flor jogada na calçada,
Luz do sol apenas refletida,
Os carros e a solidão da estrada.
Algumas palavras se gastam
De tanto se avizinhar a outras
Tantas palavras plenas de nada,
Desatentas palavras…
Algumas palavras são gastas
Antes de sua exaustão…
Se gastam de não ser usadas,
Se perdem na multidão
De outras nunca pensadas…
Algumas nunca existiram
Na plenitude exata…
Como embrião do ser –
Indefinida morada.
Estas palavras me acenam
Da solidão do Não-Ser-Nada –
Ali, onde espatifam
Seus corpos de apenas palavras…
Algumas se perdem na senda –
O caminho, o anátema
Daquilo que foi tempestade;
Hoje, letra sonhada.
CAÇA-PALAVRAS (Ode à Palavra)…
24 de junho de 2011 às 11:46 | 4 ComentáriosDe Vagar
18 de junho de 2011 às 14:47 | 2 ComentáriosDevagar porque as coisas rápidas não tem gosto
elas se atropelam
reviram no asfalto
e ninguém percebe…
Devagar porque a tristeza é permanente
e as coisas pequenas
são mais lindas
assim como os passarinhos
e as bolas de gude nas mãos dos meninos
Devagar porque as vassouras também varrem flores
e o silêncio não percebeu ainda o ruído discreto das violetas
elas gemem…
devagar porque a saudade não passa
tão cedo
nem as águas presas nas núvens
viram chuva
elas ventaniam
Devagar porque os pés são pequenos
e as estradas são poucas para atravessar uma vida tão corrida
Lâmina
10 de março de 2011 às 10:22 | 5 ComentáriosMarize Castro
Nos teus infinitos
me equilibro.
Aporto
tensa
nesse olhar
e me preservo
em qualquer cais
refletida
na lâmina fina
que em meus pulsos
jaz.
Mas anoiteço
5 de janeiro de 2011 às 10:22 | 5 ComentáriosAmanhece um novo dia
com sua pompa habitual
sorrindo vaidoso por ser novo
pintando a morte com azul celeste
Amanhece um novo dia
e nem sequer se faz nublado
em respeito aos que choram
- poetas insones, colecionadores de ilusões
Amanhece um novo dia
mas anoiteço
também a esperança se torna inoportuna
e prolonga minha dor
Amanhece um novo dia
em minha cidade Natal
amanhã é Dia de Reis – anuncia meu querido pai em tom de convite
ignorando o que sinto e o que me esforço para ocultar.
SEM INSPIRAÇÃO
2 de janeiro de 2011 às 11:52 | Comentar
Poesia sem rima,
Desejo, solidão…
Oposto ou contrastes;
Erros ou acertos;
Meu errôneo devaneio;
Meu anseio;
Meu contrário;
E tudo, nada principia.
O corpo, o resto e o calado;
O segredo, o dito e o silenciado.
Nada rima ao condenado.
O doce ou o amargo;
A treva ou a luz;
A leveza ou a cruz.
Nada rima ou faz poesia
Nem a nossa fantasia,
Nem o vento,
Nem a ironia,
Juntaria os separados.
Poesia sem emoção.
Reticências… Nada a mais.
(Ednar Andrade).
O Jardineiro
22 de dezembro de 2010 às 17:00 | ComentarDesde criança gostava de flores
Tateá-las com mãos suaves, sentindo o aroma gentil
Bebendo o mel amargo, imita o beija-flor num dança
Leve de levitar
*********
Com olhos gatunos, semi cerrados e lábios mordidos
A adorar os astros gêmeos em órbita no alto do jardim
Crava a terra morena ou branca com mãos fortes
Lança a semente numa dança intensa de delirar
E faz crescer o fruto
**********
A terra treme, geme, grita
O jardineiro força, bate, agita
O fruto cresce, cres… cre…
Explode!
A flor se derrama em mel amargo
E se faz em alegria
Pro jardim, pro Jardineiro
*********
Em oferta também na Bodega do Padilha.
Temporal (Atemporal)
16 de dezembro de 2010 às 23:05 | 1 ComentárioO dia está diferente…
Amanheceu com céu cinza….
Muitas nuvens… Em variados tons…
Venta forte.
E agora mais forte,
Um céu chumbo…”CHUMBADO ”
Tomado de surpresas, quase verão…
Um traço de temporal(atemporal)…
E nestes dias por aqui não chove, ou….Não chovia…
Estranho.(…)
O VENTO SOPRA MAIS FORTE…
Bem mais forte…
O infinito carregado de interrogação(?)????
No meu infinito *
“Forte chuva de verão,”
Divago… Abro a janela, olho o telhado…
E daqui sobe às minhas narinas um cheiro forte,
Um perfume diferente invade tudo…
uma vaga e falsa sensação de inverno… Nos acode.
Um refrescante momento se faz poesia
…E CHOVE…
(Ednar Andrade)
(16*12*2010)
Três Irmãos de Sangue
6 de dezembro de 2010 às 8:56 | ComentarTrês irmãos mineiros
Eram três irmãos denosotros
Mário, Henfil e Betinho.
Mário conversa de corda
O Henfil cria o fradinho
E Betinho é o Sociólogo
Que volta do exílio
Os três amam o Brasil
E lutam pela vida
Traiçoeira da AIDS
Hemofílicos nasceram
E da vida fizeram
Um canteiro de obras
No violão Mário é gênio
Compõe independentemente
Betinho pede comida e
Compromissos do governo
Pela vida que renasce da
Dor de se saber morrendo
E amados por todo Brasil
Nos traços do Henfil a
Graúna ri, chora e
Ironiza a vida cachorra
Fúrias não conseguem
Levar a beleza desses irmãos
Brasileiros como eu e você
Beato e cangaceiro
Palhaço e equilibrista
Tontos no cárcere materno
E prometeus que o fado
De mordaz saudade arrebata.
São Seridó Amado
29 de novembro de 2010 às 14:39 | 1 ComentárioMoxotó, camará, catingueira
Sustentam a vida
A chuva desperta a terra num
Odor de zimbro e chumbo
Meu sertão caritó
Serra Negra, Acari.
Caicó e Jardim do Seridó
Thomas- o filho – cronista
De homens-ferros,
Cachimbos, galegos
Judeus e Portugueses
A rede suspende a vida – letargia -morte
Meu avô morreu de cezão aos 33 anos
O bisavô mestre-escola
Minha avó dormia só uma madorna e
Faleceu de arteriosclerose.
Mamãe solidão
Vivendo estamos doendo
Não há fim para essa lembrança.
Engenho torto
Açúcar o sangue
Chouriço espécie
O sol a carne
Queijo de coalho e lingüiça
Fu-deu? Não, não foi Deus
Ninguém entende
Sefus gões
Quadrivium
Guerra – o Padre
Sant´anna; ensina
esse menino!
Movimentos e Versos
26 de novembro de 2010 às 14:56 | ComentarOlho-te,
E assim permaneço
Por longo tempo a pensar…
Tua beleza é ímpar,
Teus verdes braços
Para mim, acenam…
Induzindo o vento
A me beijar a face…
Num doce balanço
Em que tuas palmas
Parecem crinas…
Em teu tronco
Agitas o vento,
Numa dança toda tua,
A natureza te fez
Para por vida
Na vida,
Teus movimentos são versos,
Poemas, acalanto…
Num indispensável balé
Teço estes versos
Que careço,
Para me sentir livre.
E mandas que o vento
Passe por mim
E deixe uma carícia…
E fazes gestos
(Parecem feitos para mim)
Que leio com saudade.
Velhos companheiros,
A tudo assistes
E persistes:
Ao frio,
Á seca, ao deserto,
Ao apelo de tudo.
E neste teu movimento,
Me amparo.
Tua sombra é o refrigério
Da minha alma…
Do teu som,
Saem notas verdes
Dentre a folhagem…
Coqueiros…
Seu balanço me anima,
Me aninha, me acalma.
De ti, vem um sussurro
Que me acaricia a alma,
Das tuas palmas;
O palco que pintas
E uma harmoniosa natureza,
Singela beleza que amo mirar.
(Ednar Andrade).


![[PERformARS] A-rede.com/CivOne #1 SerINconexão](http://a4.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc7/375338_2902602407181_1324102130_3227867_1123516467_n.jpg)



