Amanhece um novo dia
com sua pompa habitual
sorrindo vaidoso por ser novo
pintando a morte com azul celeste
Amanhece um novo dia
e nem sequer se faz nublado
em respeito aos que choram
- poetas insones, colecionadores de ilusões
Amanhece um novo dia
mas anoiteço
também a esperança se torna inoportuna
e prolonga minha dor
Amanhece um novo dia
em minha cidade Natal
amanhã é Dia de Reis – anuncia meu querido pai em tom de convite
ignorando o que sinto e o que me esforço para ocultar.
SEM INSPIRAÇÃO
2 de janeiro de 2011 às 11:52 | Comentar
Poesia sem rima,
Desejo, solidão…
Oposto ou contrastes;
Erros ou acertos;
Meu errôneo devaneio;
Meu anseio;
Meu contrário;
E tudo, nada principia.
O corpo, o resto e o calado;
O segredo, o dito e o silenciado.
Nada rima ao condenado.
O doce ou o amargo;
A treva ou a luz;
A leveza ou a cruz.
Nada rima ou faz poesia
Nem a nossa fantasia,
Nem o vento,
Nem a ironia,
Juntaria os separados.
Poesia sem emoção.
Reticências… Nada a mais.
(Ednar Andrade).
O Jardineiro
22 de dezembro de 2010 às 17:00 | ComentarDesde criança gostava de flores
Tateá-las com mãos suaves, sentindo o aroma gentil
Bebendo o mel amargo, imita o beija-flor num dança
Leve de levitar
*********
Com olhos gatunos, semi cerrados e lábios mordidos
A adorar os astros gêmeos em órbita no alto do jardim
Crava a terra morena ou branca com mãos fortes
Lança a semente numa dança intensa de delirar
E faz crescer o fruto
**********
A terra treme, geme, grita
O jardineiro força, bate, agita
O fruto cresce, cres… cre…
Explode!
A flor se derrama em mel amargo
E se faz em alegria
Pro jardim, pro Jardineiro
*********
Em oferta também na Bodega do Padilha.
Temporal (Atemporal)
16 de dezembro de 2010 às 23:05 | 1 ComentárioO dia está diferente…
Amanheceu com céu cinza….
Muitas nuvens… Em variados tons…
Venta forte.
E agora mais forte,
Um céu chumbo…”CHUMBADO ”
Tomado de surpresas, quase verão…
Um traço de temporal(atemporal)…
E nestes dias por aqui não chove, ou….Não chovia…
Estranho.(…)
O VENTO SOPRA MAIS FORTE…
Bem mais forte…
O infinito carregado de interrogação(?)????
No meu infinito *
“Forte chuva de verão,”
Divago… Abro a janela, olho o telhado…
E daqui sobe às minhas narinas um cheiro forte,
Um perfume diferente invade tudo…
uma vaga e falsa sensação de inverno… Nos acode.
Um refrescante momento se faz poesia
…E CHOVE…
(Ednar Andrade)
(16*12*2010)
Três Irmãos de Sangue
6 de dezembro de 2010 às 8:56 | ComentarTrês irmãos mineiros
Eram três irmãos denosotros
Mário, Henfil e Betinho.
Mário conversa de corda
O Henfil cria o fradinho
E Betinho é o Sociólogo
Que volta do exílio
Os três amam o Brasil
E lutam pela vida
Traiçoeira da AIDS
Hemofílicos nasceram
E da vida fizeram
Um canteiro de obras
No violão Mário é gênio
Compõe independentemente
Betinho pede comida e
Compromissos do governo
Pela vida que renasce da
Dor de se saber morrendo
E amados por todo Brasil
Nos traços do Henfil a
Graúna ri, chora e
Ironiza a vida cachorra
Fúrias não conseguem
Levar a beleza desses irmãos
Brasileiros como eu e você
Beato e cangaceiro
Palhaço e equilibrista
Tontos no cárcere materno
E prometeus que o fado
De mordaz saudade arrebata.
São Seridó Amado
29 de novembro de 2010 às 14:39 | 1 ComentárioMoxotó, camará, catingueira
Sustentam a vida
A chuva desperta a terra num
Odor de zimbro e chumbo
Meu sertão caritó
Serra Negra, Acari.
Caicó e Jardim do Seridó
Thomas- o filho – cronista
De homens-ferros,
Cachimbos, galegos
Judeus e Portugueses
A rede suspende a vida – letargia -morte
Meu avô morreu de cezão aos 33 anos
O bisavô mestre-escola
Minha avó dormia só uma madorna e
Faleceu de arteriosclerose.
Mamãe solidão
Vivendo estamos doendo
Não há fim para essa lembrança.
Engenho torto
Açúcar o sangue
Chouriço espécie
O sol a carne
Queijo de coalho e lingüiça
Fu-deu? Não, não foi Deus
Ninguém entende
Sefus gões
Quadrivium
Guerra – o Padre
Sant´anna; ensina
esse menino!
Movimentos e Versos
26 de novembro de 2010 às 14:56 | ComentarOlho-te,
E assim permaneço
Por longo tempo a pensar…
Tua beleza é ímpar,
Teus verdes braços
Para mim, acenam…
Induzindo o vento
A me beijar a face…
Num doce balanço
Em que tuas palmas
Parecem crinas…
Em teu tronco
Agitas o vento,
Numa dança toda tua,
A natureza te fez
Para por vida
Na vida,
Teus movimentos são versos,
Poemas, acalanto…
Num indispensável balé
Teço estes versos
Que careço,
Para me sentir livre.
E mandas que o vento
Passe por mim
E deixe uma carícia…
E fazes gestos
(Parecem feitos para mim)
Que leio com saudade.
Velhos companheiros,
A tudo assistes
E persistes:
Ao frio,
Á seca, ao deserto,
Ao apelo de tudo.
E neste teu movimento,
Me amparo.
Tua sombra é o refrigério
Da minha alma…
Do teu som,
Saem notas verdes
Dentre a folhagem…
Coqueiros…
Seu balanço me anima,
Me aninha, me acalma.
De ti, vem um sussurro
Que me acaricia a alma,
Das tuas palmas;
O palco que pintas
E uma harmoniosa natureza,
Singela beleza que amo mirar.
(Ednar Andrade).
Até parece sonho,
A verdade que componho…
Alma transparente,
“Pele nua”, traduz meus sentimentos
Sem nenhum pudor.
Como verso, pura quimera… Diriam…
… E a vontade de viver.
A rima é o contra-verso… E o re-verso.
Se é para falar, silencio…
Se é para rir, choro…
Se tiver saudades, canto…
Se vier o medo, sigo…
Sem olhar para os lados.
Meu pássaro alado,
Meu mais velho invento…
Assim sigo, segues
Como irmãos e filhos,
Mãe e pai do tempo,
Aprendizes, somos.
Vagos de incertezas;
Plenos desta prosa;
Pobres de ilusão.
Coragem,
Loucura,
(Coração de poeta),
“Corpo de mulher”,
Sentimento em universo.
(Solto dentro da prisão
Abstrata do amar…)
Parece sonhar o poeta,
Quando diz
A mais pura flor da verdade
Em seu sonho.
Esbarro, num caudaloso rio de mim
E, não me banho…
Meu leito vira rio
Para o deleite do espanto (…)
A minha melhor prece é a poesia,
Onde planto versos
E colho rimas.
SAMBA-CANÇÃO
31 de outubro de 2010 às 11:00 | ComentarANA CRISTINA CESAR; A TEUS PÉS
Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz…
Doce carne
amaciada
por chuvas
e sóis
Trinta de
tantos anos
E entre vinhos
e sedes
vives.
ACALANTO PARA GOITIZEIRO
26 de outubro de 2010 às 23:07 | 1 ComentárioAo prof. Melquíades, xará de meu Pai
Na sombra do Goitizeiro
Vivi a vida sonhada
Doces canções madrugadas
Embaladas pela maresia
Goitizeiro teu fruto
Sumo bom de chupar
Goitizeiro teu canto
No mundo vou derramar
Suavizando meu pranto
Doce canção de ninar
Contigo quero gozar
Goitizeiro meu prumo
Teu cheiro quero levar
Para bem longe lembrar

Não importa em que porta
Aporta a poesia.
Não importa se torta
Ou mal posta,
Maldita, descrita,
Inscrita, proscrita.
Não importa
Em que hora morta.
O que importa
É o que importa
E o que ela “porta”,
Faz valer o que porta.
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A noite existe
24 de setembro de 2010 às 7:28 | 6 Comentários
A noite existe, para que o poeta sonhe
Para que o poeta cante ou até encante
Com o seu sorrir ou o seu chorar.
A noite existe, para que a Lua chegue,
Para que ilumine a noite e a madrugada
E faça sonhar…
A noite existe para que meu canto triste
Torne-se poesia; torne-se verdade.
Existe, para que eu não sofra,
Para que eu não durma,
Para que eu te espere,
Para que nasçam versos…
Que nos dê alento,
Dê contentamento,
Para que tudo possa,
Onde a dor se apossa…
No silêncio vago dos corações tristes,
Onde tudo existe:
A saudade, o canto,
A dor, o espanto
Para tudo isso,
É que a noite existe…
Despedaço
13 de setembro de 2010 às 16:03 | 3 ComentáriosO colorido intocado
as coisas todas fora do lugar,
um azul quase despedaçado
e um rio de ar quente transbordando fora
muito longe
duas garças verdes
sobrevoam o amanhecer
com seus pés de dedos finos
elas rasgam a manhã
arranham nuvens
e desaparecem na chuva
tão fina quanto suas pernas
quanto o par de seus olhos
oblíquos e pequenos
lembram o anoitecer
elas não anoitecem
elas são feitas de dia
e nada mais.
ave maria. gratia plena. gratia plena.
no umbigo fundo se faz noite.
um prenúncio ornamenta as palavras.
as pernas escapam às penínsulas
dos passos; a nuvem imita o movimento
da estrela caminhando pelo seguro cuidado
de sua luz; ave maria. ave maria.
gratia plena. gratia plena.
a metamorfose do quarto é a retórica
dos materiais, a ausência a ascensão
dos verbos mais anónimos que o silêncio
conjuga; e o crucifixo cai, cai afiado sobre
os nossos corpos juntos como um novo
elemento de saudade e respeito, os nossos
corpos elegantes e equilibrados no
erro disforme de separar as sombras de
frio e prazer do piano crendo num feto
que tacteia no ar. ave maria. santa maria.
Sylvia Beirute
inédito
Corpos não Identificados
20 de julho de 2010 às 22:53 | 1 Comentárioamam-se os nossos corpos mortos.
amam-se num amor subterrâneo: os nossos corpos mortos.
amam-se os nossos corpos mortos num muro transparente
por onde vejo ainda: os nossos corpos mortos.
amam-se na ressonância do amanhecer que desperta
leve e docemente sobre a vitamina F que os seus cabelos
conservam: os nossos corpos mortos.
amam-se na respiração limpa dando caminho a uma
contemplação de cristais, a uma porta que ora:
os nossos corpos mortos.
amam-se no sonambulismo do primeiro acto, próximo
de uma prova contrária à sede que a nuvem rejeita:
os nossos corpos mortos.
amam-se numa súbita vontade que crucificou
a metamorfose do dia de hoje: os nossos corpos mortos.
amam a emulação palpável dos presentes na
cerimónia fúnebre: os nossos corpos mortos.
porque só depois do amor, descansa a morte.
Sylvia Beirute
inédito
Meu, nosso, de todos, poetinha…
9 de julho de 2010 às 20:38 | Comentar
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…
As formas do feminino
5 de julho de 2010 às 20:26 | 3 ComentáriosPor Henrique Marques-Samyn
A obra de Marize Castro é necessária: trata-se de um alento renovador em nossa tradição lírica que, enquanto conquista estética, concede voz a formas de subjetividade contemporâneas, mormente no que tange às configurações do feminino. Pujante e arrebatadora, selvagem e indomável, a poesia de Marize Castro celebra uma mulher que sabe encerrar, em si, o absoluto.
Flauta Virtual para Nina Rizzi
2 de julho de 2010 às 13:32 | 2 Comentárioscom toques de Haroldo de Campos e Oswald de Andrade
A Nina Nin
- estes espelhos, palíndromos,
texturas de mim
Livro dos Poemas
2 de julho de 2010 às 13:25 | 1 ComentárioPor Viegas F. da Costa








