Mas anoiteço

5 de janeiro de 2011 às 10:22 | 5 Comentários
Por Bruno Costa

Amanhece um novo dia
com sua pompa habitual
sorrindo vaidoso por ser novo
pintando a morte com azul celeste

Amanhece um novo dia
e nem sequer se faz nublado
em respeito aos que choram
- poetas insones, colecionadores de ilusões

Amanhece um novo dia
mas anoiteço
também a esperança se torna inoportuna
e prolonga minha dor

Amanhece um novo dia
em minha cidade Natal
amanhã é Dia de Reis – anuncia meu querido pai em tom de convite
ignorando o que sinto e o que me esforço para ocultar.

SEM INSPIRAÇÃO

2 de janeiro de 2011 às 11:52 | Comentar
Por Ednar Andrade

sem inspiração

Poesia sem rima,
Desejo, solidão…
Oposto ou contrastes;
Erros ou acertos;
Meu errôneo devaneio;
Meu anseio;
Meu contrário;
E tudo, nada principia.
O corpo, o resto e o calado;
O segredo, o dito e o silenciado.
Nada rima ao condenado.
O doce ou o amargo;
A treva ou a luz;
A leveza ou a cruz.
Nada rima ou faz poesia
Nem a nossa fantasia,
Nem o vento,
Nem a ironia,
Juntaria os separados.
Poesia sem emoção.
Reticências… Nada a mais.

(Ednar Andrade).

O Jardineiro

22 de dezembro de 2010 às 17:00 | Comentar
Por yuripadilha

Desde criança gostava de flores
Tateá-las com mãos suaves, sentindo o aroma gentil
Bebendo o mel amargo, imita o beija-flor num dança
Leve de levitar

*********

Com olhos gatunos, semi cerrados e lábios mordidos
A adorar os astros gêmeos em órbita no alto do jardim
Crava a terra morena ou branca com mãos fortes
Lança a semente numa dança intensa de delirar
E faz crescer o fruto

**********

A terra treme, geme, grita
O jardineiro força, bate, agita
O fruto cresce, cres… cre…
Explode!
A flor se derrama em mel amargo
E se faz em alegria
Pro jardim, pro Jardineiro

*********

Em oferta também na Bodega do Padilha.

Temporal (Atemporal)

16 de dezembro de 2010 às 23:05 | 1 Comentário
Por Ednar Andrade

temporal2

O dia está diferente…
Amanheceu com céu cinza….
Muitas nuvens… Em variados tons…
Venta forte.
E agora mais forte,
Um céu chumbo…”CHUMBADO ”
Tomado de surpresas, quase verão…
Um traço de temporal(atemporal)…
E nestes dias por aqui não chove, ou….Não chovia…
Estranho.(…)
O VENTO SOPRA MAIS FORTE…
Bem mais forte…
O infinito carregado de interrogação(?)????
No meu infinito *
“Forte chuva de verão,”
Divago… Abro a janela, olho o telhado…
E daqui sobe às minhas narinas um cheiro forte,
Um perfume diferente invade tudo…
uma vaga e falsa sensação de inverno… Nos acode.
Um refrescante momento se faz poesia
…E CHOVE…

(Ednar Andrade)
(16*12*2010)

Três Irmãos de Sangue

6 de dezembro de 2010 às 8:56 | Comentar
Por João da Mata

Três irmãos mineiros

Eram três irmãos denosotros
Mário, Henfil e Betinho.
Mário conversa de corda
O Henfil cria o fradinho
E Betinho é o Sociólogo
Que volta do exílio
Os três amam o Brasil
E lutam pela vida
Traiçoeira da AIDS
Hemofílicos nasceram
E da vida fizeram
Um canteiro de obras
No violão Mário é gênio
Compõe independentemente
Betinho pede comida e
Compromissos do governo
Pela vida que renasce da
Dor de se saber morrendo
E amados por todo Brasil
Nos traços do Henfil a
Graúna ri, chora e
Ironiza a vida cachorra
Fúrias não conseguem
Levar a beleza desses irmãos
Brasileiros como eu e você
Beato e cangaceiro
Palhaço e equilibrista
Tontos no cárcere materno
E prometeus que o fado
De mordaz saudade arrebata.

São Seridó Amado

29 de novembro de 2010 às 14:39 | 1 Comentário
Por João da Mata

Moxotó, camará, catingueira
Sustentam a vida
A chuva desperta a terra num
Odor de zimbro e chumbo
Meu sertão caritó
Serra Negra, Acari.
Caicó e Jardim do Seridó
Thomas- o filho – cronista
De homens-ferros,
Cachimbos, galegos
Judeus e Portugueses
A rede suspende a vida – letargia -morte
Meu avô morreu de cezão aos 33 anos
O bisavô mestre-escola
Minha avó dormia só uma madorna e
Faleceu de arteriosclerose.
Mamãe solidão
Vivendo estamos doendo
Não há fim para essa lembrança.
Engenho torto
Açúcar o sangue
Chouriço espécie
O sol a carne
Queijo de coalho e lingüiça
Fu-deu? Não, não foi Deus
Ninguém entende
Sefus gões
Quadrivium
Guerra – o Padre
Sant´anna; ensina
esse menino!

Movimentos e Versos

26 de novembro de 2010 às 14:56 | Comentar
Por Ednar Andrade

Olho-te,
E assim permaneço
Por longo tempo a pensar…
Tua beleza é ímpar,
Teus verdes braços
Para mim, acenam…
Induzindo o vento
A me beijar a face…
Num doce balanço
Em que tuas palmas
Parecem crinas…
Em teu tronco
Agitas o vento,
Numa dança toda tua,
A natureza te fez
Para por vida
Na vida,
Teus movimentos são versos,
Poemas, acalanto…
Num indispensável balé
Teço estes versos
Que careço,
Para me sentir livre.
E mandas que o vento
Passe por mim
E deixe uma carícia…
E fazes gestos
(Parecem feitos para mim)
Que leio com saudade.
Velhos companheiros,
A tudo assistes
E persistes:
Ao frio,
Á seca, ao deserto,
Ao apelo de tudo.
E neste teu movimento,
Me amparo.
Tua sombra é o refrigério
Da minha alma…
Do teu som,
Saem notas verdes
Dentre a folhagem…
Coqueiros…
Seu balanço me anima,
Me aninha, me acalma.
De ti, vem um sussurro
Que me acaricia a alma,
Das tuas palmas;
O palco que pintas
E uma harmoniosa natureza,
Singela beleza que amo mirar.

(Ednar Andrade).

Poesia

18 de novembro de 2010 às 8:11 | Comentar
Por Ednar Andrade

Até parece sonho,
A verdade que componho…
Alma transparente,
“Pele nua”, traduz meus sentimentos
Sem nenhum pudor.
Como verso, pura quimera… Diriam…
… E a vontade de viver.
A rima é o contra-verso… E o re-verso.
Se é para falar, silencio…
Se é para rir, choro…
Se tiver saudades, canto…
Se vier o medo, sigo…
Sem olhar para os lados.
Meu pássaro alado,
Meu mais velho invento…
Assim sigo, segues
Como irmãos e filhos,
Mãe e pai do tempo,
Aprendizes, somos.
Vagos de incertezas;
Plenos desta prosa;
Pobres de ilusão.
Coragem,
Loucura,
(Coração de poeta),
“Corpo de mulher”,
Sentimento em universo.
(Solto dentro da prisão
Abstrata do amar…)
Parece sonhar o poeta,
Quando diz
A mais pura flor da verdade
Em seu sonho.
Esbarro, num caudaloso rio de mim
E, não me banho…
Meu leito vira rio
Para o deleite do espanto (…)
A minha melhor prece é a poesia,
Onde planto versos
E colho rimas.

SAMBA-CANÇÃO

31 de outubro de 2010 às 11:00 | Comentar
Por João da Mata

ANA CRISTINA CESAR; A TEUS PÉS

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz…

TRÊS

28 de outubro de 2010 às 19:51 | Comentar
Por Adelia Danielli

Doce carne
amaciada
por chuvas
e sóis
Trinta de
tantos anos
E entre vinhos
e sedes
vives.

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ACALANTO PARA GOITIZEIRO

26 de outubro de 2010 às 23:07 | 1 Comentário
Por João da Mata

Ao prof. Melquíades, xará de meu Pai

Na sombra do Goitizeiro
Vivi a vida sonhada
Doces canções madrugadas
Embaladas pela maresia

Goitizeiro teu fruto
Sumo bom de chupar
Goitizeiro teu canto
No mundo vou derramar

Suavizando meu pranto
Doce canção de ninar
Contigo quero gozar

Goitizeiro meu prumo
Teu cheiro quero levar
Para bem longe lembrar

A POESIA

17 de outubro de 2010 às 10:07 | Comentar
Por Ednar Andrade

poesia

Não importa em que porta
Aporta a poesia.
Não importa se torta
Ou mal posta,
Maldita, descrita,
Inscrita, proscrita.
Não importa
Em que hora morta.
O que importa
É o que importa
E o que ela “porta”,
Faz valer o que porta.
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A noite existe

24 de setembro de 2010 às 7:28 | 6 Comentários
Por Ednar Andrade

Noite

A noite existe, para que o poeta sonhe
Para que o poeta cante ou até encante
Com o seu sorrir ou o seu chorar.
A noite existe, para que a Lua chegue,

Para que ilumine a noite e a madrugada
E faça sonhar…
A noite existe para que meu canto triste
Torne-se poesia; torne-se verdade.

Existe, para que eu não sofra,
Para que eu não durma,
Para que eu te espere,
Para que nasçam versos…

Que nos dê alento,
Dê contentamento,
Para que tudo possa,
Onde a dor se apossa…

No silêncio vago dos corações tristes,
Onde tudo existe:
A saudade, o canto,
A dor, o espanto

Para tudo isso,
É que a noite existe…

Despedaço

13 de setembro de 2010 às 16:03 | 3 Comentários
Por Michelle Ferret

O colorido intocado
as coisas todas fora do lugar,
um azul quase despedaçado
e um rio de ar quente transbordando fora
muito longe
duas garças verdes
sobrevoam o amanhecer
com seus pés de dedos finos
elas rasgam a manhã
arranham nuvens
e desaparecem na chuva
tão fina quanto suas pernas
quanto o par de seus olhos
oblíquos e pequenos
lembram o anoitecer
elas não anoitecem
elas são feitas de dia
e nada mais.

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AVE MARIA

22 de agosto de 2010 às 11:10 | Comentar
Por Sylvia Beirute

ave maria. gratia plena. gratia plena.
no umbigo fundo se faz noite.
um prenúncio ornamenta as palavras.
as pernas escapam às penínsulas
dos passos; a nuvem imita o movimento
da estrela caminhando pelo seguro cuidado
de sua luz; ave maria. ave maria.
gratia plena. gratia plena.
a metamorfose do quarto é a retórica
dos materiais, a ausência a ascensão
dos verbos mais anónimos que o silêncio
conjuga; e o crucifixo cai, cai afiado sobre
os nossos corpos juntos como um novo
elemento de saudade e respeito, os nossos
corpos elegantes e equilibrados no
erro disforme de separar as sombras de
frio e prazer do piano crendo num feto
que tacteia no ar. ave maria. santa maria.

Sylvia Beirute
inédito

Corpos não Identificados

20 de julho de 2010 às 22:53 | 1 Comentário
Por Sylvia Beirute

amam-se os nossos corpos mortos.
amam-se num amor subterrâneo: os nossos corpos mortos.
amam-se os nossos corpos mortos num muro transparente
por onde vejo ainda: os nossos corpos mortos.
amam-se na ressonância do amanhecer que desperta
leve e docemente sobre a vitamina F que os seus cabelos
conservam: os nossos corpos mortos.
amam-se na respiração limpa dando caminho a uma
contemplação de cristais, a uma porta que ora:
os nossos corpos mortos.
amam-se no sonambulismo do primeiro acto, próximo
de uma prova contrária à sede que a nuvem rejeita:
os nossos corpos mortos.
amam-se numa súbita vontade que crucificou
a metamorfose do dia de hoje: os nossos corpos mortos.
amam a emulação palpável dos presentes na
cerimónia fúnebre: os nossos corpos mortos.
porque só depois do amor, descansa a morte.

Sylvia Beirute
inédito

Meu, nosso, de todos, poetinha…

9 de julho de 2010 às 20:38 | Comentar
Por Ednar Andrade

Vinícius

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

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As formas do feminino

5 de julho de 2010 às 20:26 | 3 Comentários

Por Henrique Marques-Samyn

A obra de Marize Castro é necessária: trata-se de um alento renovador em nossa tradição lírica que, enquanto conquista estética, concede voz a formas de subjetividade contemporâneas, mormente no que tange às configurações do feminino. Pujante e arrebatadora, selvagem e indomável, a poesia de Marize Castro celebra uma mulher que sabe encerrar, em si, o absoluto.

aqui

Flauta Virtual para Nina Rizzi

2 de julho de 2010 às 13:32 | 2 Comentários
Por Jarbas Martins

com toques de Haroldo de Campos e Oswald de Andrade

A Nina Nin

- estes espelhos, palíndromos,
texturas de mim

Livro dos Poemas

2 de julho de 2010 às 13:25 | 1 Comentário

Por Viegas F. da Costa

AGENDA

Esposição de Ana Prata - Instituto Tomie Ohtake

A artista apresenta tanto telas pequenas, como também trabalhos grandiosos, usando o efeito de escorrido; até agora não acho razão para que alguns [leia mais]

Recital de piano com Guilherme Rodrigues nesta quinta - Entrada grátis

O professor da Escola de Música da UFRN Guilherme Rodrigues apresenta recital de piano esta quinta-feira no auditório da EMUFRN. O recital começa [leia mais]

Oboé, Música de Câmara e Tecnologia, de quarta a sábado na EMUFRN

Acontece de quarta a sábado desta semana na Escola de Música da UFRN o evento Oboé, Música de Câmara e Tecnologia. Na ocasião, [leia mais]

Exposição "Quixote com Rosas", será aberta quinta, na Galeria Newton Navarro

Será aberta quinta-feira, 17, às 18 horas, na Galeria Newton Navarro (sede da Fundação José Augusto - Rua Jundiaí, 641 - Tirol) a [leia mais]

Festival “Thomaz Babini” da Escola de Música da UFRN – 22 a 25 de maio

No mês de Maio um evento histórico acontecerá na cidade de Natal. Italo Babini (FOTO), violoncelista natalense, considerado um dos mais importantes violoncelistas [leia mais]

"Mattinata", de Fernando Monteiro, será lançado em Natal quinta-feira, 17

Anote aí na agenda: na próxima quinta-feira, dia 17, a partir das 19 horas, o escritor e pluralista Fernando Monteiro lança na Livraria [leia mais]

OUTROS EVENTOS

POESIA

    Névoa
    16-05-2012 às 9:40 - 7 Comentários
    Por Jarbas Martins

    Carl Sandburg

    Vem a névoa
    em breve pisar de gata.

    Queda-se olhando
    o porto e a cidade
    sentada em seu silêncio e
    esgueirando-se em seguida.

    (Tradução de Jarbas Martins)

    * * *

    Fog

    The fog comes
    on litlle cat feet.

    It sits looking
    over harbor and city
    on silent haunches
    and then moves on.

    (Carl Sandburg, “Selected Poems”, G.Books,1992)

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Amigo Carlão, Vejo com muita alegria a sua inquietação e leitura. Tb indico fortemente o livro .Jerônimo, A Técnica do Livro de autoria do grande Dom Paulo Evaristo Arns ( Sua tese de doutorado) , trad. de Cleone Augusto Rodrigues e prefácio de Alfredo Bosi . Belíssimo livro em capa dura Jeronimo traduziu a vulgata da biblia e é considerado o patronomo dos bibliófilos e amantes do livro. Saudações bibliófilas. ab imo corde - Help
    • edjane linhares: Muito lindo, Jarbas. A experiência do haicai, como Fernando nos lembrou, ajuda muito neste processo de contemplação e silêncio, ato solitário e sublime. Quero agradecer a homenagem às mães no seu último haicai (único vestígio da data por aqui). Aguardo coletânea deles. Um abraço. - Névoa
    • Jarbas Martins: Amigo Jóis: gosto da sua poesia e da sua prosa digressiva, inflada de saberes e sabores, biscoito fino para raros paladares.Nem precisava dizer isso, mas como em seu comentário você se reportou a um incógnito Aguinaldo Soares, usando termos utilizados por ele contra mim - deu-me vontade de voltar ao assunto. Repito mais uma vez: Aguinaldo Soares sabe escrever, e a expressão "sólida cultura" é tão infeliz que não me restou outra alternativa: pedi desculpas ao ilustríssimo desconhecido.Não conheço o Aguinaldo, mas presumo que ele, como eu, temos algo em comum: fizemos o curso de direito.Daí o nosso gosto pelas sentenças líquidas e certas. Abraços, Poeta ! - Ditirambo
    • Marcos Silva: Li um livro interessante sobre Jerônimo, A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo, de Paulo Evaristo Arns - Help
    • Jarbas Martins: Tradução inventiva a tua, Marcos. Nenhuma novidade nisso. Você é um reconhecido mestre na arte tradutória. - Névoa
    • Jóis Alberto: O poema é bom! Afirmo isso, embora não tenha plena consciência do ofício de poeta. Porque se eu for intelectual, sou dos mais incompletos – em meio a preconceitos, totens e tabus, como vocês já tiveram oportunidade de ler mais de uma vez, aqui neste democrático SP. Além do mais, como posso ter sólida base cultural nesses tempos em que tudo que é sólido se desmancha no ar? Tempos de modernidade e amores líquidos, de fodas em excesso e entediadas, blasé até – foda blasé é ‘foda’! – de gente que trepa com a mesma rotina de quem escova os dentes, tema objeto das sátiras ingênuas de meia dúzia dos meus poemas eróticos. Ingênuas não só se comparadas às sátiras e poemas eróticos/pornográficos de um grande poeta, Bernardo Guimarães, por exemplo, mas ‘ingênuas’ também no sentido libertino, filosófico, da palavra ‘ingênuo’! Ou então as fodas são escassas como as leituras de gente que, se leram os gregos, leram em traduções, não no original, e fazem a pose erudita de quem muito entende esses clássicos da filosofia, da poética e da ética, da antiguidade greco-romana. O que danado é ‘inveja poética’? Se é inveja não é poética, nem ética! Porque a ética, é verdade, pode tratar da inveja, da emulação, mas a inveja despreza a ética. O que danado significa ‘fracasso moral da estética’? De qual moral estamos falando? Da moral burguesa? Sinceramente! Qual o poeta que não esconde a fonte onde bebe? Como poeta bissexto, escondo e revelo fontes. Sem maiores dificuldades coloco as cartas na mesa, porque nesse jogo de cartas – de cartas muitas vezes marcadas, e viciadas – uma das minhas cartas prediletas é a do coringa, do joker! Porém, como há muito não jogo nem pif-paf, buraco ou sueca, uso essa expressão ‘jogo de cartas marcadas’ como um dos inúmeros clichês que pululam por aí, em discussões de intelectuais de prestígio... - Ditirambo
    • Cássio: Biografia eu não sei, mas recomendo o filme do júlio bressane. No seu livro Cinemancia tem também uma tradução interessante da "epifania" de são jerônimo. - Help
    • Marcos Silva: Belo poema, bom poeta, boa tradução. Sugiro a alternativa: NÉVOA. Névoa vem em pés de gatim Senta e olha sobre porto e cidade ancas silêncio e se moveu - Névoa
    • Jarbas Martins: Tenho a honra e o dever de confessar que a tradução que fiz do poema "Dormire", de Ungaretti, publicado há alguns dias neste SP - teve a orientação do poeta Fernando Monteiro ! Obrigado, mestre Fernando, obrigado poetas Anne Guimarães e Lívio Oliveira. - Névoa
    • Nina Rizzi: "A capa já dá o tom da revista. Uma foto de Câmara Cascudo passeando de riquexó (uma espécie de carroça de duas rodas e movida a tração humana) em Moçambique, ao lado de uma pessoa não identificada. A foto - de autoria desconhecida - foi clicada em 1963, quando o folclorista estudava costumes e tradições africanos. As observações e anotações depois seriam o mote para o livro Made in África. A imagem foi cedida pela família. E a filha, Ana Maria Cascudo, escreve artigo contando as inúmeras viagens do pai, em um diálogo emblemático entre Natal e o estrangeiro." Viu, neguinho não existe não, ô rapá! - Tributo ao mar