Um dos meus sonhos de menino era ver o país alcançando o patamar de primeiro mundo. Dava mais importância a isso do que a qualquer outra coisa. Foi logo no início, quando pensava que a juventude poderia mudar o mundo a partir das minhas análises aprendidas no movimento sindical e compartilhadas entre os socialistas bucólicos dos meus 13 anos.
Lula e classes sociais
29 de setembro de 2011 às 13:30 | ComentarComo se sabe, o termo “classes” foi usado para designar grupos sociais desde a Roma antiga, com um sentido mais próximo de ocupações, áreas de atuação. Os filósofos iluministas tornaram a questão mais densa, englobando rendimento, modo de vida, cultura – Voltaire, Montesquieu e Rousseau têm ótimas passagens sobre isso. Marx e Engels pegaram o conceito num contexto da Economia Política que os clássicos ingleses tinham inventado e eles criticaram (quer dizer, retomaram visando a sua superação sem que a desprezassem em nenhum momento). Em Marx e Engels, classes são grupos estruturais da sociedade, ligados de diferentes formas à propriedade, à produção e ao poder. A sociologia norte-americana tendeu a transformar classes sociais em grupos de renda e consumo.
A Volta dos Templários (?)
17 de outubro de 2010 às 11:52 | Comentar
800 anos já, desde a destruição da Ordem dos Templários.
Mas, ao que parece, a política brasileira quer ressuscitar esta ordem para a defesa do que acham ser “sagrado”. Os candidatos à Presidência do Brasil, agora, têm que prestar compromissos com representantes de religiões e seitas para angariarem a simpatia e o crédito popular.
Voto por si
7 de outubro de 2010 às 14:30 | ComentarAmigos e amigas:
Os diálogos sobre voto (nulo ou não), neste SP, conseguiram se manter num nível de dignidade e respeito recíproco invejável. Diferentes opções surgiram muito bem apoiadas em sólidos argumentos eruditos. Fiquei especialmente comovido com a escolha de François: evocar o belíssimo poema “Cântico negro”, do português José Régio a favor de sua opção.
Conheço esse poema há algumas décadas. Não o entendo como convite a ficar sobre o muro e sim como recusa a pensar pela cabeça dos outros. É uma afirmação dotada de altivez que qualquer eleitor, no momento político brasileiro atual, optando por votar em Dilma, Serra ou ninguém, poderá reivindicar no sentido de não ir no papo dos outros, de escolher por si mesmo. Aliás, é uma atitude presente, bem antes, em texto de Immanuel Kant que cito com freqüência aqui: “Resposta à pergunta: O que é Esclarecimento?”. Ter luzes é pensar por si mesmo, sem depender da autoridade alheia. Não quero votar em nome do que Lula, FHC, Marina ou Plínio mandam, não sou súdito deles. Sou cidadão, voto em quem quero ou não voto em ninguém por opção minha. E não desqualifico quem pensa e vota diferentemente de mim.
Reitero, portanto, o alto nível do diálogo sobre o tema no SP, sem apelo para baixarias nem religiosidades moralistas fora de lugar, que lembram uma Inquisição mal evocada. O que está em jogo é votar pela própria cabeça, coisa diferente de uma arrogância que desqualifica as opções alheias. E essa arrogância tem se mantido afastada de nossos posts pluralistas sobre o tema.
Abraços para todos:
Talvez precisemos eleger um poeta
12 de setembro de 2010 às 12:19 | Comentar
Alguém que cuide dos interesses de todos, mas que também tenha interesse na benevolência, na paz, no amor, na justiça… Mas as pessoas só sabem rimar bem, quando o assunto é candidato, quando o assunto é guerra, fome, plano do governo, “aqueles bem planejados” que nos têm conduzido ao caos… E poesia, assim como se fosse um trem, tem que andar na linha dos interesses das editoras. Desculpe, aqui não cito nomes, portanto, estou nocauteando a quem de direito. E com isso e por isso, é feio falar de amor, falar de sentimentos, de prazer, de orgasmo, é feio tanta coisa que é bonita… Hoje, lendo aqui no meu blog, um dos blogs que sou seguidora, dei de cara com este texto de Saramago, onde ele – não sei se por alguma necessidade – justificava-se, alegando que não é possível matar o amor:
Democracia se faz na internet
20 de julho de 2010 às 16:14 | ComentarO site Vote na Web, que fiscaliza o comportamento dos políticos e faz votações em paralelo ao Congresso, já atraiu a atenção das Nações Unidas.
Depoimento sobre o golpe de 1964
12 de julho de 2010 às 11:45 | 1 ComentárioEnviado por email em resposta ao texto “A farsa das Escolas Militares”. O autor autorizou a divulgação do depoimento. como
Por José Emílio Gomes
Considerando que:
a- diante da retórica dos opositores ao atual governo – note-se, não votei no Lula -, notadamente alguns oficiais reformados das forças armadas, saudosistas do golpe de 64, que, em pleno 2010, voltam com mesmo blá-blá-blá de que quem pensa diferente deles e do establishment anglo-americano é comunista, terrorista, subversivo, etc…;
Políticos são últimos colocados em credibilidade
24 de junho de 2010 às 21:58 | ComentarPesquisa avaliou confiança da população em 20 profissões. O 2° grupo menos confiável está 36 pontos à frente dos políticos.
A hora e a vez do cabelo crescer
20 de junho de 2010 às 21:37 | 21 ComentáriosDurante boa parte da minha curta e já interrompida carreira jornalística, atuei em áreas que são consideradas os patinhos feios das redações: esportes e cultura, especialmente esta última. Ambas geralmente são tocadas por aficionados chamados pelos colegas de ‘setoristas’, profissionais que carregam o estigma de ‘só saberem fazer aquilo’. O Olimpo, para quem trabalha num jornal, é fazer política. Esses são os caras de tarimba, uma elite privilegiada entre a força de trabalho. Com a internet, a cobertura política aqui no estado se ampliou exponencialmente.
O governo e a vergonha
18 de junho de 2010 às 18:18 | 1 ComentárioPor Francisco Duarte Guimarães
Quando eu era pequeno, o meu avô, Severino Cândido Guimarães, de feliz memória, sempre dizia que não tinha entrado para a política, apesar da insistência dos amigos, porque para ser político o homem precisava perder a vergonha.
Para não perder a vergonha, então, preferiu não ingressar em um mundo no qual se vê todos os dias denúncias de malversação de dinheiro público, desvios de funções, hipocrisia.
A crise e as novas forças políticas
29 de maio de 2010 às 20:05 | ComentarO Viomundo acha a cobertura internacional da mídia brasileira bisonha. Por uma combinação de ignorância, preguiça, preconceito ideológico, falta de leitura e de contextualização histórica.
Eleições: o dom de iludir
29 de maio de 2010 às 20:02 | ComentarO candidato é um ator em eterno teste; uma condição vexatória e desconfortável
O QUE LEVA alguém a se candidatar à Presidência? A ser tão bisbilhotado, ofendido, pesquisado e aviltado? Que papel grandioso é esse cujo ensaio, estreia e temporada custam o fígado do próprio intérprete?
A política é um palco letal, o Coliseu romano da atualidade. Um lugar de ódios milenares, mágoas irreparáveis, conciliações imperdoáveis e, também, do temível ridículo. Eu seria incapaz de atuar sob tamanha pressão.
Retrato do Brasil
27 de maio de 2010 às 11:08 | 1 ComentárioFiz uma pesquisa rápida no Youtube e cheguei ao vídeo citado por Tales e François. A deputada Cidinha Campos se refere à realidade do Rio de Janeiro, que é a mesma do restante do país. Em graus maiores e menores o que Cidinha denuncia está presente em todas as casas legislativas do Brasil. Junte esse vídeo com o texto de Roberto da Matta, publicado aqui ontem, e temos o quadro completo da trágica situação política brasileira.
Um acordo e seis verdades
26 de maio de 2010 às 11:19 | ComentarPor José Luís Fiori
Valor Econômico
“A mediação bem sucedida de Lula com o Irã alçaria o Brasil no cenário mundial.” O Globo, 16 de maio de 2010, p. 38.
Na terça feira, 18 de maio de 2010, foi assinado o Acordo Nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, que dispensa maiores apresentações. E como é sabido, quarenta e oito horas depois da assinatura do Acordo, os Estados Unidos propuseram ao Conselho de Segurança da ONU, uma nova rodada de sanções ao Irã, junto com a Inglaterra, França e Alemanha, e com o apoio discreto da China e da Rússia.
Pedro Pedreira chega à classe média
26 de maio de 2010 às 10:44 | ComentarAmigos e amigas:
É interessante a promessa da pré-candidata Dilma na sabatina da CNI: 100% de brasileiros ao menos na classe média. Melhor três refeições por dia que morrer na fila do INSS, claro. Não é muito claro como operar a transformação mas ela pode alegar que o caminho já começou a ser trilhado etc. Falta o resto: diversão e arte (cf. Titãs, “Comida”), poder decisório descentralizado, perspectiva de algum futuro.
O pré-candidato Serra (“aquilo que for, será”, imortal gravação de Doris Day), na mesma sabatina, mostrou que anda vazio até de promessa, a equipe não ajuda. Que está havendo, intelectualidade demo-tucana? Muito bico e pouco cérebro?
A pré-candidata Marina (“meu presente me condena”), ainda no mesmo evento, andou muito tímida no slogan subjacente “posso fazer melhor do mesmo”.
Assim caminha a humanidade. A humanidade somos nós. Estamos mal.
Abraços a todos e todas:
Tariq Ali
16 de maio de 2010 às 9:38 | 2 ComentáriosO longo e decisivo caminho – da militância política à literatura
Em fotos de manifestações políticas dos anos 1960, Tariq Ali é inconfundível: o espesso cabelo preto e o bigode hirsuto; o punho cerrado e o característico avanço para o primeiro plano. Após sair de Oxford, em 1966, ele começou a agitar por um levante de trabalhadores – não só na Grã-Bretanha, mas em todo o mundo. Seu livro 1968 and After: Inside the Revolution (1978) ressalta “a importância-chave da classe trabalhadora como o único agente de mudança social”. Seu herói: Che Guevara.
A ficha é suja
14 de maio de 2010 às 22:48 | ComentarPor Guilherme Scalzilli
Resisto a apoiar a tal Ficha Limpa e discretamente comemoro sua formatação definitiva, que a encaminha para o limbo jurídico. Ela proporcionaria um recrudescimento da já alarmante putrefação institucional do Judiciário.
Qualquer juiz obscuro, das menores e mais remotas comarcas, poderia destruir projetos políticos legítimos. Lideranças regionais seriam perseguidas e arruinadas. Basta contrariar os interesses do empresariado, da mídia, das boas famílias ou, afinal, dos próprios “doutores” togados, e sua vida virará um inferno.
Dêem-me cinqüenta mangos e lhes devolvo uma boa condenação por corrupção de menor, assédio moral, irregularidades trabalhistas diversas, etc. A exigência do colegiado apenas encarece o esquema; e, pior, o generaliza.
Uma reforma política de verdade suplantaria todos esses arremedos moralistas. Mas, sendo impossível aprová-la sem uma Assembléia exclusiva, os benfeitores do Congresso agradam o distinto eleitor com paliativos e indignações entorpecentes.
Ficha Limpa
13 de maio de 2010 às 11:50 | 1 ComentárioPor Janio de Freitas
Na FSP
A aprovação do projeto Ficha Limpa na Câmara foi uma boa surpresa onde e quando não estavam mais esperadas
Entrevista com Jorge Furtado
13 de maio de 2010 às 10:24 | Comentar“O Rio Grande do Sul tem preconceito contra o Brasil”. O cineasta Jorge Furtado discute o isolamento cultural e político do RS.
Difícil relação com a velha política
13 de maio de 2010 às 10:04 | ComentarMaria Inês Nassif
No Valor
Não é fácil a vida do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. As grandes derrotas que sofreu no último mandato, quando teoricamente tinha maioria parlamentar proporcionada por uma aliança com o PMDB, tiveram um custo pesado. A última foi o fim do fator previdenciário, invenção do governo Fernando Henrique Cardoso para reduzir o déficit da Previdência sem ter que aprovar uma emenda constitucional. Não será fácil também a vida de Dilma Rousseff (PT), ou de José Serra – qualquer que se eleja sucessor de Lula – no Legislativo, independente do grau de experiência do vitorioso nas lides políticas e partidárias.







