Como se sabe, o termo “classes” foi usado para designar grupos sociais desde a Roma antiga, com um sentido mais próximo de ocupações, áreas de atuação. Os filósofos iluministas tornaram a questão mais densa, englobando rendimento, modo de vida, cultura – Voltaire, Montesquieu e Rousseau têm ótimas passagens sobre isso. Marx e Engels pegaram o conceito num contexto da Economia Política que os clássicos ingleses tinham inventado e eles criticaram (quer dizer, retomaram visando a sua superação sem que a desprezassem em nenhum momento). Em Marx e Engels, classes são grupos estruturais da sociedade, ligados de diferentes formas à propriedade, à produção e ao poder. A sociologia norte-americana tendeu a transformar classes sociais em grupos de renda e consumo.
Como o PT enterrou o regime público nas Comunicações
9 de julho de 2011 às 9:08 | ComentarPor Marcos Dantas
Nos últimos 15 anos, o campo político-econômico das Comunicações passou por profundas mudanças em todo o mundo, como parte mesmo das transformações operadas no próprio sistema capitalista mundial. Não foram meras reformas “neoliberais”, respostas superestruturais às transformações em curso. Foram mudanças de natureza econômica e política, por um lado impulsionadas pelo, e, por um lado, impulsionadoras do reordenamento geral de todo o sistema.
O PT, o novo MinC e o sequestro do pensamento nacional
22 de junho de 2011 às 21:44 | ComentarPor Carlos Henrique Machado Freitas
É difícil sonhar com a possibilidade de um futuro promissor para a cultura brasileira neste momento em que o MinC tem como concepção de políticas públicas de cultura a busca pelo mercado globalizado.
O PT e a política cultural de esquerda no Brasil: uma história acidentada
5 de abril de 2011 às 22:32 | 20 ComentáriosVale a pena repassar alguns momentos da história recente da esquerda com a cultura. Dentro desse contexto, é possível apreciar a revolução que representou a experiência do Ministério da Cultura de Lula.
O jogo é jogado
30 de agosto de 2010 às 10:49 | ComentarSeja qual for o resultado das eleições, PT e PSDB continuarão a dar cartas no processo político, diz pesquisador.
Direita, esquerda, centro
26 de julho de 2010 às 15:06 | ComentarPor Fernando de Barros e Silva
FSP
SÃO PAULO – Há no Brasil uma direita escandalosa e disposta a se escandalizar com tudo. Sua representação é mais midiática do que propriamente política. E o lulismo tem a ver com uma coisa e outra.
O uso do cachimbo pode entortar a boca
23 de julho de 2010 às 9:03 | ComentarMaria Inês Nassif
No Valor
A incorporação do discurso udenista ao arsenal dos candidatos à Presidência é tão velha quanto a relativamente nova democracia brasileira. Aliás, até mais velha. O padrão da UDN, criada em 1945 e extinta em 1965 pela ditadura militar que ajudou a implantar, tem interditado o debate político desde a redemocratização, em 1985. Em 2010, 35 anos após a sua extinção, ainda é o padrão de discurso oposicionista. 55 anos depois de sua criação, com uma ditadura de 21 anos no meio, volta invariavelmente em períodos eleitorais.
Era Lula mitiga adesão de bases católicas ao PT
13 de julho de 2010 às 19:22 | ComentarPor Maria Inês Nassif, de São Paulo
O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma “despetização” desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.
PT tira com uma mão e devolve com a outra
24 de junho de 2010 às 18:02 | ComentarPor Maria Inês Nassif
Valor
A formação de alianças nos Estados que obedeçam a lógica da disputa federal para a Presidência da República é um tropeço, mesmo para partidos como o PT, onde a última palavra tradicionalmente é a do colegiado nacional. Aliás, principalmente para o PT. E aliás, especialmente em Estados com péssima distribuição de renda; em locais com elites resistentes à modernização econômica e política e pouco propensas a reduzir a prática de lucrar com a pobreza, política e financeiramente, e abrir mão do que ganham com o domínio da máquina de governo local. Por isso o caso da aliança entre PT e PMDB no Maranhão foi tão injustamente desfavorável aos anti-sarneyzistas.
O governo e a vergonha
18 de junho de 2010 às 18:18 | 1 ComentárioPor Francisco Duarte Guimarães
Quando eu era pequeno, o meu avô, Severino Cândido Guimarães, de feliz memória, sempre dizia que não tinha entrado para a política, apesar da insistência dos amigos, porque para ser político o homem precisava perder a vergonha.
Para não perder a vergonha, então, preferiu não ingressar em um mundo no qual se vê todos os dias denúncias de malversação de dinheiro público, desvios de funções, hipocrisia.
Uma ilha cercada de São Paulo por todos lados
17 de junho de 2010 às 17:55 | 2 ComentáriosPor Maria Inês Nassif
Valor
Ao longo das últimas eleições, o PSDB tem se tornado uma ilha cercada de São Paulo por todos os lados. Desde que perdeu as eleições presidenciais de 2002, o partido de José Serra iniciou uma queda ininterrupta na sua bancada federal, que tem sido atenuada pelo desempenho eleitoral no mais rico – e mais denso eleitoralmente – Estado da Federação. São Paulo é a sua âncora eleitoral possivelmente porque é o único Estado onde se criou uma ligação propriamente orgânica do partido com o eleitorado. A parcela do eleitorado paulista que vota no PSDB está escolhendo um projeto político e ideológico identificado com o partido. Nos demais Estados, essa identificação é mais fluida.
Contra o apoio do PT/MA aos Sarney
15 de junho de 2010 às 17:56 | ComentarPor Marcos Silva
Amigos e amigas:
Recebi a seguinte mensagem via e.mail, que repasso para vcs:
xxxxx
Quando o deputado Domingos Dutra (PT-MA) anunciou que entraria em greve de fome contra a decisão da cúpula nacional do PT, que obrigou opartido a apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão, pouca gente na direção do PT deu importância. Se depender do PT ele vai morrer de fome, disse um dirigente.
O feitiço de Sarney
14 de junho de 2010 às 17:42 | ComentarPor Leandro Fortes
Na Carta Capital
O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal tão típica dos vencedores, enquanto se degenera e se desmoraliza no retrato escondido do Maranhão, o mais pobre, miserável e desafortunado estado brasileiro. Na terra dominada por José Sarney, Lula, o anunciado líder mundial dos novos tempos, parece ser vítima do feitiço do atraso.
“A ONU precisa mudar”, diz Lula
9 de maio de 2010 às 22:04 | ComentarEm entrevista exclusiva ao jornal espanhol “El País”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva critica a representação da ONU e comenta as eleições presidenciais brasileiras ao dizer que não acredita na possibilidade do PT perder.
Entrevista com Chico Buarque
30 de abril de 2010 às 8:17 | Comentar
E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?
Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.
A reprise de 2006. Agora, como farsa
6 de abril de 2010 às 15:25 | ComentarPor Luiz Carlos Azenha
Em Vi o Mundo
Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.
Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.
Águas passadas
4 de abril de 2010 às 10:54 | ComentarLívio:
Sobre Lula e o PT, lembro de uma anedota biográfica que Buñuel narrou em entrevista televisiva. Já velho, recebeu telegrama imperativo de Dali, com quem rompera muitos anos antes devido à entrevista na qual o pintor classificara publicamente o cineasta como ateu, levando a sua demissão da Cinemateca do MOMA e a sua saída dos EEUU. Dali, doente, ordenava, no telegrama: entre em contato comigo imediatamente. Buñuel respondeu, em telegrama: águas passadas não movem moinhos.
Buñuel era mesmo ateu. Dali sabia que, tornada pública essa condição (equiparada a comunista), ele seria expulso dos EEUU.
Lula e o PT foram algo, nada mais são. Precisamos cuidar de novo ser. A paisagem visível é desértica, os moinhos pedem água nova.
Abraços:
Coragem de ser um partido
30 de março de 2010 às 15:40 | Comentar“O fato é que hoje o PT no Rio Grande do Norte está em uma encruzilhada, pode até reter seus dois mandatos legislativos no estado e se contentar com a pequena fatia que lhe cabe do bolo eleitoral da governadora ao assumir uma postura subserviente nos quadros da política potiguar. Ou pode ter coragem de novamente agir com um partido e entender as demandas de seu tempo e o clamor da própria militância”.
Horror à política
26 de março de 2010 às 10:24 | ComentarPor Fernando de Barros e Silva
FSP
SÃO PAULO – Não é preciso ser muito esperto para perceber que a greve dos professores paulistas liderada pela Apeoesp tem motivações políticas. Mas também não é preciso conhecer muito a história para saber que já havia greves, “políticas” inclusive, antes de o PT existir. Além disso, a estigmatização da “greve política” parece constrangedora para quem ingressou na vida pública como presidente da UNE na época do golpe de 64.
A Apeoesp reúne, de fato, o que há de pior no espírito corporativo. A aversão dos grevistas a qualquer política pública e salarial baseada na meritocracia é escandalosa. E nada justifica que um docente rejeite ser avaliado de forma periódica.
Por outro lado, também é fato que a categoria, de 230 mil pessoas, ganha pouco (o salário inicial é de R$ 1.800,00) e não teve nos últimos anos nem direito à reposição da inflação. Existe, pois, uma demanda material, antes de ser “ideológica”.
A verdade é que José Serra dispensa aos grevistas exatamente o mesmo tratamento de que julga ser vítima. Demoniza, desqualifica, não reconhece os professores como interlocutores e parte de conflitos próprios do jogo democrático. Recusa-se a conversar porque são petistas, porque estão a serviço da campanha adversária, porque são, enfim, uns “energúmenos” -como disse a um infeliz que protestava.
Se no país falta oposição a Lula, os tucanos de São Paulo, há 16 anos no poder, também ficaram muito mal acostumados. Deve ser fácil governar São Paulo tendo a Assembleia Legislativa a seus pés. Sempre que a política não se desenrola entre quatro paredes, com atores previsíveis, Serra se revela inábil. Sua intransigência, que pode sugerir uma virtude republicana, também é um sinal de pendores autoritários.
Em 2008, sua condução desastrosa da greve da Polícia Civil, recusando-se ao diálogo simplesmente porque acreditava ter razão, desembocou numa batalha campal com a PM a poucas quadras do Bandeirantes. Desde então, pode-se dizer que Serra não aprendeu nada.


