Amigos e amigas:
Os diálogos sobre voto (nulo ou não), neste SP, conseguiram se manter num nível de dignidade e respeito recíproco invejável. Diferentes opções surgiram muito bem apoiadas em sólidos argumentos eruditos. Fiquei especialmente comovido com a escolha de François: evocar o belíssimo poema “Cântico negro”, do português José Régio a favor de sua opção.
Conheço esse poema há algumas décadas. Não o entendo como convite a ficar sobre o muro e sim como recusa a pensar pela cabeça dos outros. É uma afirmação dotada de altivez que qualquer eleitor, no momento político brasileiro atual, optando por votar em Dilma, Serra ou ninguém, poderá reivindicar no sentido de não ir no papo dos outros, de escolher por si mesmo. Aliás, é uma atitude presente, bem antes, em texto de Immanuel Kant que cito com freqüência aqui: “Resposta à pergunta: O que é Esclarecimento?”. Ter luzes é pensar por si mesmo, sem depender da autoridade alheia. Não quero votar em nome do que Lula, FHC, Marina ou Plínio mandam, não sou súdito deles. Sou cidadão, voto em quem quero ou não voto em ninguém por opção minha. E não desqualifico quem pensa e vota diferentemente de mim.
Reitero, portanto, o alto nível do diálogo sobre o tema no SP, sem apelo para baixarias nem religiosidades moralistas fora de lugar, que lembram uma Inquisição mal evocada. O que está em jogo é votar pela própria cabeça, coisa diferente de uma arrogância que desqualifica as opções alheias. E essa arrogância tem se mantido afastada de nossos posts pluralistas sobre o tema.
Abraços para todos:
”Serra deveria marcar sua diferença”
23 de agosto de 2010 às 22:08 | 6 ComentáriosAchei que Serra ia perder quando o vi com a Sabrina Sato. A esta altura da campanha, isso parece ter sido há muito tempo. Ele dava uma de cafajeste: tentava parecer informal, igual a todo mundo, popular.
Esboçava, de modo desagradável, desmentir a fama de sério, de acadêmico. Tentava parecer o que não é. Bem, talvez ele seja mesmo cafajeste, mas não o é como homem público. Via-se ali já o equívoco de querer parecer grosso como Lula. Mas Lula é grosso do modo mais chique que pode haver.
Ignorar a história, uma saída rasteira
31 de julho de 2010 às 19:32 | ComentarPor Wálter Fanganiello Maierovitch
Na Carta Capital
Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo
Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.
Entrevista com Plínio Sampaio
28 de julho de 2010 às 10:56 | Comentar
Plínio de Arruda Sampaio passou aproximadamente sessenta anos de sua vida atuando na política nacional. Foi um dos fundadores do PT e o autor de planos de reforma agrária para os presidentes João Goulart e Lula. Promotor público aposentado, completou 80 anos na segunda, 26 de julho, como candidato à presidência da República pelo PSOL. Nessa entrevista a Manuela Azenha, ele diz que os principais candidatos contra os quais concorre — Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva — fazem parte de um mesmo sistema e que sua candidatura tem como objetivo principal mostrar outra possibilidade à sociedade brasileira.
Uma campanha presidencial radicalizada? Por que?
28 de julho de 2010 às 10:22 | ComentarPor Bolívar Lamounier
Portal Exame
O que mais se ouve é que a campanha presidencial está radicalizada, tensa, agressiva. Estará mesmo? A questão é um pouco subjetiva, mas admitamos que sim. A campanha está radicalizada.
A conversão de Serra
27 de julho de 2010 às 17:30 | ComentarPor Mauricio Dias
O uso da retórica golpista completa o percurso de quem saiu da esquerda para cair no colo da direita.
Política Brown
26 de julho de 2010 às 17:14 | ComentarA opinião de Mano Brown sobre José Serra
Pacto de exclusão e fim de ciclo
10 de julho de 2010 às 18:04 | ComentarPor Leo Lince
O cidadão comum, que se julga bem informado por ler os jornalões de circulação nacional ou acompanhar o noticiário da televisão ou do rádio pode até pensar que só existem duas candidaturas disputando as eleições presidenciais que se avizinham.
Uma ilha cercada de São Paulo por todos lados
17 de junho de 2010 às 17:55 | 2 ComentáriosPor Maria Inês Nassif
Valor
Ao longo das últimas eleições, o PSDB tem se tornado uma ilha cercada de São Paulo por todos os lados. Desde que perdeu as eleições presidenciais de 2002, o partido de José Serra iniciou uma queda ininterrupta na sua bancada federal, que tem sido atenuada pelo desempenho eleitoral no mais rico – e mais denso eleitoralmente – Estado da Federação. São Paulo é a sua âncora eleitoral possivelmente porque é o único Estado onde se criou uma ligação propriamente orgânica do partido com o eleitorado. A parcela do eleitorado paulista que vota no PSDB está escolhendo um projeto político e ideológico identificado com o partido. Nos demais Estados, essa identificação é mais fluida.
Uma situação boa demais para o governo
10 de junho de 2010 às 15:14 | ComentarPor Maria Inês Nassif
Do Valor
A geração dos brasileiros que eram adultos no final da ditadura militar (1964-1985) , nela incluídos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-governador José Serra (PSDB), a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e a ex-ministra Marina da Silva, não presenciou um momento como esse antes e dificilmente viverá um outro. Não vai dar tempo de assistir uma reedição desse período, o único da história do país com alta taxa de crescimento econômico e democracia. Daí a dificuldade da oposição de alinhavar um discurso que seja consistente para ganhar o apoio de um eleitorado majoritariamente governista, satisfeito com a vida que tem e que acha que a sua vida vai melhorar com a continuidade, e não com a mudança.
Farsantes às pencas (Lula, Serra, Gullar)
2 de junho de 2010 às 13:51 | ComentarFerreira Gullar, bom poeta, foi premiado internacionalmente – ele merece, claro. Sua entrevista na FSP de 2 de junho critica o governante Lula – classifica-o como farsante – e elogia o candidato Serra, a quem atribui bom governo em São Paulo.
Não tenho interesse em discutir a justiça ou não do qualificativo dedicado ao presidente da república. Quero comentar o elogio ao candidato Serra, levando em conta sua política salarial em relação aos professores da rede pública de São Paulo.
Assalariados, normalmente, recebem reajuste salarial a cada ano porque vivem em economias marcadas por inflação. Tanto a economia é assim que impostos e outras taxas que pagamos aos governos são reajustados com absoluto rigor e às vezes em intervalos menores que doze meses.
Em São Paulo, o ex-governador Serra criou um sistema muito peculiar de tratar os salários de professores: a categoria não recebe aumento; há um abono pago para aqueles que:
1) passarem por uma avaliação feita pela Secretaria de Educação (prova), obtendo determinada nota mínima.
2) trabalharem na mesma escola há um certo tempo (5 anos, se não me engano).
3) não tiverem determinado percentual de faltas ao trabalho num tempo específico de atuação profissional.
Quem satisfizer a todas essas exigências, ainda deverá se submeter a uma cota de 20% dos funcionários da escola que terão direito àquele abono.
Que significa isso? Que a MAIORIA dos professores não terá abono nenhum, mesmo que muito bem avaliada na prova, estável na mesma escola e sem repetidas ausências ao trabalho.
Isso é bom governo?
Por uma questão de justiça, penso que, além de Lula, a categoria farsante, entre nós, abriga, com imenso destaque, o candidato Serra. E abriga o laureado poeta Ferreira Gullar, ao denunciar a farsa de um e louvar a farsa do outro – antigamente, isso se chamava ideologia mesmo.
Farsantes não faltam neste país.
Enfim, a farsa é um gênero dramatúrgico que já rendeu bons frutos. Incentivemos todos a seguirem uma honrada carreira teatral.
Abraços a todos e todas:
Eleições: o dom de iludir
29 de maio de 2010 às 20:02 | ComentarO candidato é um ator em eterno teste; uma condição vexatória e desconfortável
O QUE LEVA alguém a se candidatar à Presidência? A ser tão bisbilhotado, ofendido, pesquisado e aviltado? Que papel grandioso é esse cujo ensaio, estreia e temporada custam o fígado do próprio intérprete?
A política é um palco letal, o Coliseu romano da atualidade. Um lugar de ódios milenares, mágoas irreparáveis, conciliações imperdoáveis e, também, do temível ridículo. Eu seria incapaz de atuar sob tamanha pressão.
Pedro Pedreira chega à classe média
26 de maio de 2010 às 10:44 | ComentarAmigos e amigas:
É interessante a promessa da pré-candidata Dilma na sabatina da CNI: 100% de brasileiros ao menos na classe média. Melhor três refeições por dia que morrer na fila do INSS, claro. Não é muito claro como operar a transformação mas ela pode alegar que o caminho já começou a ser trilhado etc. Falta o resto: diversão e arte (cf. Titãs, “Comida”), poder decisório descentralizado, perspectiva de algum futuro.
O pré-candidato Serra (“aquilo que for, será”, imortal gravação de Doris Day), na mesma sabatina, mostrou que anda vazio até de promessa, a equipe não ajuda. Que está havendo, intelectualidade demo-tucana? Muito bico e pouco cérebro?
A pré-candidata Marina (“meu presente me condena”), ainda no mesmo evento, andou muito tímida no slogan subjacente “posso fazer melhor do mesmo”.
Assim caminha a humanidade. A humanidade somos nós. Estamos mal.
Abraços a todos e todas:
Difícil relação com a velha política
13 de maio de 2010 às 10:04 | ComentarMaria Inês Nassif
No Valor
Não é fácil a vida do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. As grandes derrotas que sofreu no último mandato, quando teoricamente tinha maioria parlamentar proporcionada por uma aliança com o PMDB, tiveram um custo pesado. A última foi o fim do fator previdenciário, invenção do governo Fernando Henrique Cardoso para reduzir o déficit da Previdência sem ter que aprovar uma emenda constitucional. Não será fácil também a vida de Dilma Rousseff (PT), ou de José Serra – qualquer que se eleja sucessor de Lula – no Legislativo, independente do grau de experiência do vitorioso nas lides políticas e partidárias.
Meiguice, sempre
9 de maio de 2010 às 9:52 | ComentarMuitos vão achar loucura, mas quem entrou em campo para “abafar” o fogo e diminuir a quentura em relação à sucessão presidencial foi o próprio presidente da República, ao lado de seu fiel comunicólogo Franklin Martins.
Eleições e ilusões
9 de maio de 2010 às 9:45 | ComentarPor Marcos Coimbra
No Estado de Minas
Para alguns dos que querem mudanças, o gesto de Lula, quando escolheu Dilma para sucedê-lo, soou como bravata. É como se ele a tivesse indicado pelo que ela não tem.
Globo retira jingle pró-Serra do ar
19 de abril de 2010 às 19:06 | ComentarEscaldada desde o episódio em que tentou fraudar as eleições no Rio e derrotar Brizola (quando surgiu o slogan “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”) a Rede Globo retirou do ar o jingle da comemoração dos 45 anos da emissora. A peça embutia, de forma disfarçada, propaganda favorável ao presidenciável José Serra – o número do PSDB é 45. No jingle trechos como “todos queremos mais” remetia à frase do tucano, “o Brasil pode mais”, dita por ele no lançamento de sua pré-candidatura. Em determinado trecho, os atores falam: “Todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais.” Desta vez, a grande mídia, que está em campanha escancarada em favor de Serra, terá na Internet um contraponto de peso contra suas manipulações.
O que será?
18 de abril de 2010 às 11:35 | ComentarPor Mino Carta
Na Carta Capital
Proponho um teste: quem pronunciou a seguinte sentença? “Não se deve pensar no Estado da inércia, da improdutividade. O Estado deve ser forte, não obeso. Forte em seu papel de cumprir as funções básicas e ativar o desenvolvimento, a justiça social e o bem-estar da população.” Respostas: a) Karl Marx; b) Antonio Gramsci; c) José Serra; d) Lenin; e) Dilma Rousseff.
Tucanos, cheiros e preconceitos
11 de abril de 2010 às 20:57 | ComentarAmigos e amigas:
A FSP, noticiando o lançamento da candidatura Serra, registrou o caráter de massa a que essa campanha parece almejar, com uma ressalva atribuída a voz tucana: massas cheirosas.
O preconceito emburrece! Quem está vivo tem cheiro de algo, quem morre tem cheiro de algo. Só faltou especificar: massas Chanel nº 5…
Melhor reler a bonita letra de “Aroma”, Gilberto Gil nos anos 70:
xxxxx
Aroma
Gilberto Gil.
A-a-a-a-aroma
A-a-a-a-aroma
Vem pelo vento
Aroma
Fragrância, odor
Vem da pitanga
Da manga
Perfume da flor
Vem do estrume
Cheiro do gado
Vem do pecado (aroma-amor)
Do corpo dela (aroma-amor)
Todo molhado
Aroma
Um cheiro de suor
Ah, ah, ah, ah, aroma
Ah, ah, ah, ah, aroma
Vem pelas ventas
Aroma
Do pobre ou rico
Embriagado
Tu ficas
Eu também fico
Vem da macela
Da graviola
Vem do pé de manjericão
Todo o planeta
Aroma
De planta do sertão
Todo o planeta (que cheirinho gostoso)
Aroma (de capim cheiroso)
De planta do sertão
xxxxx
“Do pobre ou do rico”, a rima interna perfume/estrume: arte vê longe!
Abraços a todos e todas:
José Serra não é Carlos Lacerda
4 de abril de 2010 às 10:57 | ComentarPor Elio Gaspari
FSP
A agressividade destruidora afogou a biografia do maior governante da história do Rio
COMO ERA previsível, uma única palavra -”roubalheira”- deu o tom do discurso de despedida de José Serra. Pena. Foi uma fala tediosa, mas uma só palavra desviou o curso de uma reflexão em torno de ideias, honradez e sobriedade administrativas. Ela não caiu como cabelo na sopa. Foi um flerte com “a busca da notícia fácil” que o próprio Serra criticaria no mesmo discurso.









