Por Ricardo Musse
REVISTA CULT
Adorno diagnosticou como as sociedades capitalistas avançadas transformam as produções do espírito em pura mercadoria
Adorno rejeita peremptoriamente o modelo expositivo dos sistemas filosóficos. Recusa neles o idealismo implícito no propósito de construir uma “totalidade para a qual nada permanece exterior e todo e qualquer conteúdo se volatiza em pensamentos”.
Talvez precisemos eleger um poeta
12 de setembro de 2010 às 12:19 | Comentar
Alguém que cuide dos interesses de todos, mas que também tenha interesse na benevolência, na paz, no amor, na justiça… Mas as pessoas só sabem rimar bem, quando o assunto é candidato, quando o assunto é guerra, fome, plano do governo, “aqueles bem planejados” que nos têm conduzido ao caos… E poesia, assim como se fosse um trem, tem que andar na linha dos interesses das editoras. Desculpe, aqui não cito nomes, portanto, estou nocauteando a quem de direito. E com isso e por isso, é feio falar de amor, falar de sentimentos, de prazer, de orgasmo, é feio tanta coisa que é bonita… Hoje, lendo aqui no meu blog, um dos blogs que sou seguidora, dei de cara com este texto de Saramago, onde ele – não sei se por alguma necessidade – justificava-se, alegando que não é possível matar o amor:
A serenidade dos insensatos
26 de maio de 2010 às 16:37 | ComentarPor Roberto da Matta
O Estado de S.Paulo
Nosso professor de Ciências era sereno: não sabia a medida da satisfação libidinal. Ao ser questionado quantas vezes se deveria fazer sexo, ele embatucava e mudava de assunto e dizia sorrindo: talvez uma lei federal… É sensato resolver codificar o desejo e o costume que o disciplina? Por exemplo: todos devem, sob pena de prisão, chegar na hora. Os mais importantes serão colocados em solitárias, pois chegam sempre por último. Será que tal lei “pegaria” e seria capaz de substituir o costume que faz com que o mais importante chegue sempre por último, justamente porque sem ele a cerimônia não começa?
Silêncio e conformismo
13 de maio de 2010 às 19:53 | ComentarTodos os dias a imprensa serve um lauto banquete de notícias ruins e atrocidades para todos os desgostos. São chacinas, grupos de extermínio, violência gratuita, caos no trânsito e serviços públicos básicos que não funcionam, entre outras mazelas cotidianas. Injustiças, nem quero citar, são a torto e a direito.
De tão repetidas algumas dessas notícias perderam a força de incomodar. Mas aqui e ali surge alguma que volta a chamar a atenção. Foi o caso hoje da matéria publicada no Novo Jornal sobre as cerca de 400 amputações anuais feitas no Hospital Walfredo Gurgel em pacientes com diabetes e doenças vasculares.
Fiquei com isso na cabeça o dia todo. Quanta desumanidade contra esses que já são desvalidos de tantas coisas na vida. Cerca de duas amputações por dia. Onde está o Ministério Público que não vê isso? Uma estatística que não é nova, mantém-se há alguns anos. Talvez por ser silenciosa e atingir os mais pobres ninguém até agora tenha se incomodado. Tão chocante quanto os números em si é a resignação dos amputados, como uma senhora entrevistada – Dalila Gomes -, que perdeu o dedo e depois a perna inteira: “Achei até melhor porque a dor sumiu”, afirmou.
Os números atestam, cabalmente, a completa falência da saúde pública no RN. Mas que não aparecem na propaganda oficial do governo, único lugar onde as coisas aparecem bem, na mais perfeita ordem. Padrão de qualidade de vida de causar inveja a Islândia e Noruega.
É revoltante. E são os responsáveis por essa estatística dantesca que já começaram a bater a porta dos eleitores, entre eles, muitos amputados. Que, infelizmente, não irão associar uma coisa a outra.
Fico pensando como seria interessante se esses amputados se mobilizassem e fossem a todos os comícios, debates e passeatas que começam em breve cobrar pelos desatinos de que foram vítimas. Talvez aí as coisas começassem a mudar.
Lei Áurea, 122. Conheça o escravo de hoje
13 de maio de 2010 às 16:03 | ComentarLeonardo Sakamoto
Blog do Sakamoto
Há exatos 122 anos, era declarada ilegal a propriedade de um ser humano sobre outro no Brasil.
Contudo, a Lei Áurea – curta, grossa e lacônica – não previu nenhuma forma de inserir milhões de recém-libertos como cidadãos do pais, muitos menos alguma compensação pelos anos de cárcere para que pudessem começar uma vida independente. Para substituir os escravos, veio a imigração de mão-de-obra estrangeira, agora assalariada. Os fazendeiros não precisavam mais comprar trabalhadores, podiam apenas pagar-lhes o mínimo necessário à subsistência. Ou nem isso.
Envelhecer: Um ato cultural
11 de maio de 2010 às 10:49 | ComentarUm dos mistérios humanos mais inquietantes, sem dúvida, é o envelhecimento. A ciência tem obtido êxitos na questão da longevidade, com suas técnicas cirúrgicas e práticas medicamentosas. Com isso, a sociedade brasileira está envelhecendo a passos largos e não estamos sabendo lidar com essa boa nova.
Curso intensivo de sofística
11 de maio de 2010 às 8:26 | ComentarAmigos e amigas:
Se vcs não leram o diálogo “Sofista”, de Platão, a coluna “Não existe almoço grátis”, de João Pereira Coutinho (FSP, 11/5), é um excelente exemplo da arte de sofismar. Coutinho interpreta a crise econômica grega e européia como efeito do excessivo consumo pelos assalariados improdutivos da Europa periférica, que não trabalham tanto quanto os alemães. Quem disse que o preconceito se encerrou com o holocausto? Só faltou dizer que ariano é superior.
Cuidado: você pode ter cara de bandido
9 de maio de 2010 às 22:12 | ComentarPor Leonardo Sakamoto
No UOL
A quantidade de seguranças particulares legalmente registrados e informais já é maior que as forças policiais. De um lado, temos a ainda deficiente formação dos responsáveis pelo monopólio da violência no Estado, causando sofrimento a quem deveriam proteger, do outro o preconceito e a truculência daqueles que começam a trabalhar após terem treinamento insuficiente para entender o que significa a sua função.
Política: o Largo da Ordem
9 de maio de 2010 às 17:41 | ComentarPor Caetano Veloso
No Globo
Quando disse a Leminski, no começo dos anos 70, que me encantava a recuperação do Largo da Ordem, no centro de Curitiba, ele riu: “Você adora enganações feitas para a classe média.” Respondi que adorava mesmo. Sempre à esquerda, Leminski via limpeza, iluminação, policiamento e restauração de prédios como maquiagem – e olhava com desconfiança meu interesse por Jaime Lerner, o então prefeito da cidade que fora indicado pelo governo militar. Eu odiava o regime – e desprezava os que chegavam ao poder em acordo com ele. Mas não via o Largo da Ordem como enganação. Bem, talvez se pudesse dizer que aquilo se dirigia à classe média. Mas eu ri ao dizer diante da cara do poeta: “Eu sou classe média.” O que de fato pensei foi: se se fizesse algo assim com o Pelourinho, o Brasil decolaria – ou estaria mostrando que já decolara. Era sonhar demais.
Genialidade e jogo
9 de maio de 2010 às 9:17 | ComentarDiferentes e belíssimos os dois textos de Alex Medeiros, no Sanatório da Imprensa, que tive o prazer da leitura ontem. A lembrança da genialidade “esquecida” de Tesla, o croata encharcado de invenções; e a verdadeira face escondida do jogo financiado pela grana pública, nas “obras” da Copa. Tudo jogado na pequena área da nossa estupidez. Merecem leitura os dois artigos.
Quem tem medo dos direitos gays?
8 de maio de 2010 às 9:17 | ComentarPor Alípio de Sousa Filho
Não é novidade e igualmente não é estranho que conservadores e reacionários se manifestem todas as vezes que transformações sociais e políticas, jamais pensadas por eles, alterem leis, instituições e convenções sociais e morais que acreditavam imutáveis. Atualmente, na sociedade brasileira, torna-se possível verificar a reação conservadora a propósito de importantes modificações em âmbitos diversos, mas talvez nenhuma outra mudança incomode tanto quanto a materializada pelo avanço dos direitos gays e por políticas públicas voltadas a lésbicas, gays e travestis e transexuais implementados pelas diversas esferas do poder público no país.
A louca família do doido
7 de maio de 2010 às 11:04 | 1 ComentárioPor Márcio de Lima Dantas (*)
Uma enfermeira que trabalha há quase trinta anos numa das mais conhecidas clínicas da cidade para doentes com transtornos mentais e desintoxicação química disse-me que o problema maior não está no paciente, mas na família que o interna, pois o apelidado louco, fica quieto com seus necessários medicamentos; agora a família, é uma complicação só. Tem cabimento uma coisa dessas? Tem sim, quem sabe haja algo que se vela no entorno de uma pessoa acometida de qualquer enfermidade, mesmo as de natureza puramente física.
Você prefere os obedientes ou os rebeldes?
6 de maio de 2010 às 10:04 | 2 ComentáriosPor Contardo Calligaris
FSP
Os pais preferem lidar com um filho revoltado a imaginar que ele tenha uma vida servil
VOLTEI AO presídio feminino do Butantã, em São Paulo, para ser jurado de um concurso de miss atrás das grades, com três premiações: Miss Cultura, Miss Simpatia e Miss Beleza.
No concurso de beleza, a administração decidiu que seriam premiadas cinco mulheres, sem hierarquia. Foi uma ótima ideia. A eleição de uma miss sempre deixa a impressão de que exista um único cânone de beleza. De fato, as cinco mulheres premiadas eram bonitas de maneiras muito diferentes. Mas, sobre a diversidade da beleza, escreverei outro dia.
O STF de costas para a humanidade
5 de maio de 2010 às 17:58 | ComentarPor Paulo Sérgio Pinheiro
Na FSP
A consagração, pelo STF, da impunidade dos agentes do Estado bandido faz ainda mais urgente a criação de uma comissão da verdade
“ACHO QUE a tortura, em certos casos, torna-se necessária para obter confissões” (frase do general Ernesto Geisel, em depoimento a Maria Celina D’Araújo e Celso Castro).
Assistir à sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a revisão da Lei da Anistia foi entrar em viagem no tempo que levasse ao ano de 1979 e ali ficássemos imobilizados.
Arcebispo afirma: ‘A sociedade atual é pedófila’
5 de maio de 2010 às 11:29 | ComentarBRASÍLIA – No primeiro dia da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, instaurou uma grande polêmica ao falar sobre as denúncias de pedofilia contra padres. Presidente da comissão responsável pelo tema principal da reunião — a missão da Igreja no mundo -, Dom Dadeus disse que “a sociedade é pedófila”. Para ele, o abuso sexual de crianças e adolescentes é mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.
Toda forma de amor vale a pena
5 de maio de 2010 às 10:42 | 2 ComentáriosQuem impede o afeto em locais públicos ou privados merece mesmo a reclusão. Quem impede beijos na boca – de língua – o afago nas “partes” ou mordidinhas no pescoço, não experimentou os “mistérios gozosos”. Quem impede o carinho da babá lésbica ou o vuco-vuco dos quadris, não devia experimentar o coito, os gemidos ou o “vem cá meu nêgo” do amor.
Sobre o texto de Valério Mesquita
4 de maio de 2010 às 18:18 | 4 ComentáriosAmigos e amigas:
O texto de Valério é muito tenso. Penso que ele merece respostas ponderadas para não se “atear fogo ao fogo” (cf. “Doce de coco”, de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho).
Ele fala em nome do Cristianismo. Lembro de passagens, nos Evangelhos, que louvam o amor entre os seres humanos – por que não entre heterossexuais e homossexuais? Não estou falando agora de amor no sentido erótico, falo do sentimento bom de uma pessoa em relação a outra. Embora o erotismo seja também sentimento bom: temos genitais porque Deus o quis, Deus nos fez a sua imagem e semelhança, deve ter também genitais.
Escândalo e decadência
4 de maio de 2010 às 15:44 | 5 ComentáriosPor Valério Mesquita – escritor
Na Tribuna do Norte
Captei na internet que o Senado iniciou a discussão da proposta de discriminação da homofobia em colisão com as convicções cristãs. Começou a tramitar sub-repticiamente na Câmara Federal e, em 23 de novembro de 2006, foi aprovada sorrateiramente em plenário. Como pano de fundo a proposta pretende punir quem reprova o homossexualismo. A relatora, senadora Fátima Clede do PT de Roraima (quem diabo é Fátima Cleide?), já emitiu parecer favorável à aprovação, no dia 07 do corrente. Segundo o comentário de um estudioso dos direitos humanos, “o projeto de lei altera a lei federal 7.716/98 que trata de crimes de preconceito de raça ou de cor, e altera também o Código Penal Brasileiro (1940) e a CLT (1943) introduzindo novos tipos penais referentes à discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”. (sic).
O Islã é expansionista?
4 de maio de 2010 às 12:02 | ComentarPor Patrick Haenni, Sami Amghar
No Le Monde Diplomatique
Duas tendências se distinguem no renascimento religioso atual: por um lado, o “islamismo de mercado”, com sua moda, música pop e até refrigerantes próprios, que refletem uma afirmação a partir da cultura de massa; por outro, o neofundamentalismo que defende o êxodo da Europa como forma de romper com o Ocidente
Reflexões sobre a Lei da Anistia
4 de maio de 2010 às 11:31 | Comentar“Tempos difíceis, aqui no Brasil e na Espanha, para os operadores das causas humanitárias. Lógico, também para os familiares dos assassinados, dos desaparecidos e dos torturados ainda vivos”.












