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TCP – Tecendo Criticas Preliminares

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Tecendo críticas preliminares a (re) inauguração do Teatro de Cultura Popular, não pelo conteúdo apresentado, mas pela embalagem confeccionada. Um local que tudo indica, tem a função de preservar e divulgar a cultura popular na tal cidade. E preservar a cultura requer preservar quem faz e consome cultura. Preservar os que estão dispostos a ficarem sentados e quietos em uma sala escura.

Natal que ainda guarda na memória os versos de outrora, ao se vangloriar quando tinha um poeta em cada rua e em cada esquina um jornal. A produção e a divulgação da cultura em forma de poesia, quando os poetas das ruas tinham o recurso de uso da mídia escrita, encontradas nas esquinas.

Os jornais aos poucos foi se acabando em sua forma impressa, a cidade parece ter pressa. Sumindo do espaço urbano geográfico o jornal, o jornaleiro e o gazeteiro que podiam ser encontrados nas esquinas. Nas ruas reduziram os poetas, e as ruas foram tomadas pelos carros, como símbolo da pressa. Em Natal agora tem carros enfileirados de uma esquina a outra esquina, impedindo pessoas e poetas de atravessar as ruas, mudando de rumos e de calçadas. Difícil fazer versos, se não é possível mudar de linha ou de calçada, alterando o passo e o compasso.

E como não poderia deixar de ser observado a calçada do teatro, está tomada de carros, junto a faixa continua e amarela, impedindo o livre acesso a quem queira ver e divulgar a cultura no espaço para isto (re) criado. Carros impedindo a chegada de um público com dificuldades de locomoção. Não há um espaço reservado para embarque e desembarque, com uso rotativo, sem permitir o estacionamento. Ficando um claro descaso das autoridades competentes, no controle do transito, deixando o usuário com a cara amarela.

A longa rampa de acesso para o teatro, facilita o acesso de cadeirantes, mas também deixa outros problemas entrarem, como a falta de acessibilidade na calçada. Sem avaliar a angulação, se permite que um cadeirante consiga subir com o próprio esforço, sem precisar de ajuda. O poder público que define e cobra as regras, como sempre não faz o dever de casa, o fato é comum em manifestações populares, não ser observado que populares podem ter dificuldades de deslocamento. Carros brancos com adesivos indicando suas secretarias transportam os funcionários públicos, eleitos ou indicados, para inaugurações e recepções, sem se dar conta do que acontece nas calçadas, quiçá antes de suas chegadas. Aparecem para receber palmas e louros, deixando o aparelho público em constante desgaste.

Adentrando o espaço do palco, com as cadeiras no auditório, o impacto visual de sair de um lugar muito claro, bastante iluminado, e adentrar um lugar escuro, sem as lâmpadas necessárias junto ao chão, para descobrir os caminhos, proporcionando uma facilidade de encontrar um assento. Com acomodação da pupila, ficam mais claros outros problemas identificados pela retina. Como o espaço bastante reduzido para circular um cadeirante, pistas extremamente estreitas que podem incomodar e atrapalhar os que vão deambulando, ao cruzar com um cadeirante. A regra é ter no mínimo 1,20 m. há passagens estreitas fora do padrão. Sentado e acomodado surgem outras observações, onde está a porta de saída de emergência, e a largura da porta de saída, menor que a porta de acesso, sem indicativos para sair com muita pressa em situação de urgência ou emergência. E o problema se agrava quando avaliamos a relação entre a localização dos assentos e saída de emergência de difícil aceso, a determinadas localizações no teatro. Não há espaços reservados e marcados, espaços e assentos reservados com acompanhante, para pessoas com cadeira de rodas, com mobilidade reduzida e obesos (NBR 9050/2004).

Os espaços fora da sala de teatro, podem se tornar um outro capitulo, com avaliação dos espaços usados antes do espetáculo e nos intervalos, a hora de esticar as pernas. Com as barras junto ao sanitário, e uso das pias. Com a regra do giro da porta, é ser para fora.

Por fim faltou o uso de uma cultura que vem se tornado bastante popular, com o uso de figuras e imagens indicando acessos, atos proibidos e não permitidos, setas indicativas de corredores de emergência. A cultura da educação nem sempre emana do povo, pode ser necessário o uso e a imposição de regras, para que um respeite a necessidade e a dificuldade do outro.

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