Tem Caveira de Burro!
29 de agosto de 2010 às 16:17 - ComentarVamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
0 burro é quem dá murro
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(O Burro, Elino Julião)
Na sabedoria popular quando o povo diz “tem caveira de burro” num lugar quer dizer que a coisa falhou , desmoronou, deu picica, etc. O povo tem suas crendices e sabedoria. Em Coisas que o Povo Diz ( Bloch 1968), Câmara Cascudo comenta esses ditos populares colhidos por ele “ em anos de simpatia” .
Um dos animais mais injustiçados da hístória do mundo é o burro, para quem o compositor Elino Julião reivindica uma justa medalha. A caveira do burro recordará uma existência funcionalmente desgraçada, sem alegria e compensações naturais ( Cascudo op cit. )
Em Natal, o povo diz que enterraram uma caveira. Uma, não, uma tropa. Uma na Capitania das Artes, uma na Fundação José Augusto, outra na Prefeitura, e muitas outras.
Sou daqueles que reconhecem o valor do burro. Animal símbolo do nordeste de antigamente. Resistente. Alimenta-se de qualquer coisa. Animal sagrado, transportou o menino Jesus.
Outro dia conversando com o amigo Moacy Cirne no Bar de Zé Reeira (ele tomando água e eu Cerveja), ele lembrou de um costume que presenciei muitas vezes andando pelos interiores do estado do Rio Grande do Norte. Moacy, andando a passeio de Misto no trajeto entre Jardim do Seridó e Caicó, observou as pessoas contando jumento numa aposta para saber de que lado tinha mais jegue.
Esse costume era muito comum e presenciei muitas vezes no trajeto entre Natal e Baixa Verde (João Câmara) onde eu ia fazer a feira do sábado. Viajei muitas vezes em cima de caminhão -a trabalho – e as pessoas disputavam para saber de que lado da estrada tinha mais jumento. Cachimbo na boca e olho na estrada. Aquilo passava o tempo e cobrava atenção. Nesse tempo o trajeto entre Taipú e Baixa Verde era de barro. A viagem era mais demorada e comíamos muito barro.
Hoje em dia existem poucos jumentos nas estradas. Os burros foram trocados pelos cavalos das motos. Só não esqueceram de enterrar as caveiras dos bichos em Natal.

