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Tempos de rascunho

tempos de rascunho

A história brasileira vive um rascunho. É preciso reescrevê-la para que não nos percamos no meio do caminho, no meio da vergonha, da miséria, da pobreza de reflexão política e consciência social. Para que não nos percamos nos abismos dos méritos individuais, em detrimento aos direitos sociais conquistados.

Enquanto algumas pessoas estão muito ocupadas consigo mesmas, falando de suas idas e vindas da sala até o quarto, da academia até o restaurante, da balada à ressaca. Ou, tão pior quanto, muito preocupadas em xingar umas às outras por estarem em lados “opostos”, no facciosismo de direita e esquerda, nosso país está sendo tomado por um magote de corruptos, de ladrões da coisa pública, investigados, agora com fóruns privilegiados, e por magistrados declaradamente partidários.

Se o impeachment foi um golpe, o que está se desenhando é ainda mais grave. Uma verdadeira quadrilha, com “chefes” de todos os poderes constituídos está sucateando nossas conquistas democráticas, enquanto eles se blindam política e juridicamente, burlando a própria Constituição, para se manterem no poder.

Quando alguns de nós brinca sobre o fato de que vamos “morrer trabalhando”, percebo que essas atrocidades que estão nos imputando, afetam não só nosso presente, como nosso futuro. O futuro de gerações inteiras. Estamos sofrendo graves golpes contra a educação e a saúde.

E eu sei que aquelas pessoas que bateram panela, podem até não assumir abertamente, mas elas sabem que cometeram um erro. Não precisa sair por aí pedindo desculpas públicas mas, por gentileza, não se calem diante de tanto retrocesso.
Pior é quando somos obrigados a ouvir ou ler gente hipócrita defendendo seus privilégios individuais, à custa de muito sangue, suor e ditadura do passado.

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Gente, nós vivemos tão pouco tempo de liberdade de expressão e ainda menos tempo na democratização nos acessos aos direitos. Eu nunca me utilizei de cotas para passar no vestibular ou tentar um outro processo seletivo público, mas isso não me dá o direito de me sentir melhor – ou mais lutadora – que alguém que utilizou esse benefício. Meritocracia é uma injustiça. Meritocracia sempre privilegiará alguém que tem mais acesso que o outro.

Só não vê isso quem não quer. Precisamos amadurecer nossas referências. Ser pobre e/ou negro e conseguir se formar médico não precisa ser uma exceção. Nem precisa ser uma afronta a brancos de classe média que não conseguiram passar.

Quando vejo gente histérica e raivosa odiando uma moça negra que passou em medicina, porque se beneficiou das cotas, penso no quão é importante nesse momento que lembremos que somos pessoas civilizadas e, como tal, devemos respeitar os direitos dos outros, mesmo que eles não nos atinjam diretamente.

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Sheyla Azevedo

Comentários

1 comment

  1. Ruben G Nunes 21 fevereiro, 2017 at 19:51

    Quem começou o ativismo de tanta gatunagem massiva e organizada? Quem roubou a nação em nome do social? Quem levou a nação à falência com Economia mal dirigida e corrupão? Vamos encarar a realidade . SEm inventar narrativas complementamente ultrapassaddas na História. Apesar de inteligentemente bem escritas como a sua.

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