Título do Matutão

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No dia 09 de janeiro de 1972, portanto, 45 anos atrás, o Centenário de Pau dos Ferros conquistou o Matutão, torneio de futebol que aglomera equipes amadoras de todo o Rio Grande do Norte. A história aqui contada recebe a força da poesia popular e ares nostálgicos para quem viveu de perto aquele dia de emoção. Para um capitalino, mera bobagem. Para o sertanejo, uma vitória que não tem Champions League que dê conta de tanta emoção.

Pra quem não sabe o sentido

Do nosso estádio altaneiro

Ter o nome singular,

Sendo “9 de Janeiro”

É fazendo uma alusão

Ao título do “Matutão”

Por nosso time guerreiro.

Era nosso grande Clube

Centenário Pauferrense,

O famoso CCP

Que a nossa história pertence,

Deixando estabelecido

Quando se está unido

Qualquer batalha se vence.

Matutão foi um certame,

Um famoso campeonato,

Disputado pelos campos

Nas cidades e no mato

Reunindo as principais

Seleções municipais

Sem bla-bla-bla nem boato.

O Centenário ficou,

Acuado qual tatu,

Num grupo ruim feito leite

De pele de cururu,

Porém não ficou no quase

Deixou na primeira fase

Almino Afonso e Patu.

Contra Patu, dois empates:

Um a um e dois a dois,

Porém contra Almino Afonso,

Nós vencemos sem complôs:

Um a zero e dois a um

Sem querer fazer jejum

Do que viria depois.

Na fase de mata-mata

Nós goleamos sem dó

Jogando lá nos domínios

Das terras do Seridó

E para ser mais sincero

Sapecamos cinco a zero

No lombo de Caicó.

Depois em Natal, confesso

A vocês de forma franca

Que ainda teve gente

Que pensou em botar banca

E o CCP, sem ser fraco,

Pôs dois a zero no saco

Do time de Areia Branca.

Aí chegou a final

Com grande expectativa.

De Pau dos Ferros saiu

A equipe competitiva

Para o jogão esperado

Almejando o resultado

De maneira positiva.

O time de Macaíba

Era o nosso adversário,

O Juvenal Lamartine

Em Natal foi cenário

Sem mídia nem entrevista

Da grandiosa conquista

Que tentava o Centenário.

Dia 9 de Janeiro

Do ano de 71

Aconteceu o jogão,

Findou-se nosso jejum,

Pois foi com muita emoção,

O CCP campeão

Dando alegria incomum.

Foi 71 o ano

Que aconteceu a final,

Mas ela foi referente

Ao torneio triunfal

Que aconteceu em 70,

Porque quem jogou sustenta

De forma sacramental.

Salvino foi o goleiro

E na zaga, pra impedir

Os ataques foi Manel

Do Dnoc’s e Aldemir,

E pra fechar a janela

Butiginha com Varela

Jogavam sem se exibir.

Toinho de Sula era

Nosso lateral direito

De Assis era o esquerdo

Dando um balanço perfeito,

Pois ambos não se cansavam,

Defendiam e apoiavam

Correndo de todo jeito.

Chiquinho, ponteira esquerda

Na técnica perfeita

Dava show junto a Derval

Que era o ponteira direita

E pelo meio, sem perda,

Bobô era meia esquerda

Deixando a orquestra feita.

De todos os jogadores

Cada qual foi importante,

Mas os ponteiras e o meia

Tinham papel relevante

Pois detinham a função

De só meterem bolão

A Edílson o centroavante.

Os reservas começando

Pelo nome do goleiro,

Nós tínhamos pelo banco

O arqueiro José Monteiro

E Chico de Umarizal

Nunca que levava a mal

Ser reserva o tempo inteiro.

Dedé Bobó, Geraldinho,

Chico da Bomba e Bambão,

Também ficavam no banco

Junto a Cosmo, porém não

Viam a necessidade

De cheios de vaidade

Fazerem reclamação.

Jácio, vindo de Natal,

Do time foi treinador

Armando como um xadrez

Cada peça com primor,

Adquirindo o respeito

Tratando do mesmo jeito

Jogador por jogador.

Sobre a história do jogo,

Primeiro o bicho pegou,

Pois chutaram uma bola,

Nosso Salvino espalmou,

Mas chutaram novamente

E Manel, infelizmente,

Com a mão tirou o gol.

O pênalti foi marcado

Pelo juiz num impulso,

Porém Manoel do Dnoc’s

Mesmo com seu ato avulso

Não foi nem penalizado,

Porque isso, no passado,

Não fazia ser expulso.

O cabra só era expulso

Se fosse um grande alvoroço,

Numa falta violenta,

Na quebrada de um pescoço,

Numa voadora rara,

Num tabefe numa cara,

Numa torada de osso.

Mas voltando para o pênalti,

O cabra fez logo o gol,

Bateu fazendo um a zero,

Porém mal comemorou,

Mal se contentou por dentro,

Pois quando bateu o centro

O Centenário empatou.

O empate também foi num

Pênalti sem discutir

Que foi sofrido e batido

Pelo zagueiro Aldemir,

Mas o gol mais desejado,

O momento mais louvado

Estava logo por vir.

Porque com jogo empatado,

A partida pegou fogo

E eu confesso sem mentir,

Sem querer ser demagogo,

Que sem precisar rodeio

Chiquinho, sem aperreio,

Num instante virou o jogo.

Com a partida em dois a um,

Já perto de seu final,

O Centenário ficou

De maneira imperial

Tocando a bola e pensando

Naquele momento quando

Vinha o apito triunfal.

Quando o juiz apitou

Foi enorme a emoção,

Em Natal mesmo ficaram

Para comemoração,

Pois Paulo Diógenes fez

Um banquete de uma vez

Para o time campeão.

Mas antes de ir à festa

Feita pelo deputado

O time inteirinho foi

Andando, mesmo cansado,

Para uma igreja sem pressa

Pra pagar uma promessa

Pelo êxito alcançado.

No outro dia saíram

Num ônibus equipado

Em busca de Pau dos Ferros

Sem saber que o povo honrado

Esperava, na verdade,

Já na entrada da cidade

Na fazenda boi comprado.

Quando os campeões chegaram

Foi um alvoroço incerto…

Desfilaram na cidade

Em festa num carro aberto

E quem diz sem temer sorte

Que aquela foi, do esporte,

A maior a festa, está certo.

Lá no centro da cidade

Tinha um palanque montado

Repleto de autoridades

E o time homenageado

Pela banda marcial

Ali naquele local

Por populares lotado.

Realmente foi um marco

Que ficou na nossa história

Não foi apenas um título

Não apenas uma glória

Foi lição de amor perfeito

Àquele escudo do peito

Dando mais brilho à vitória.

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Manoel Cavalcante

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