Toni Tornado, Nasi e a BR-101

4 de setembro de 2009 às 18:55 - Comentar
Por Carlos Magno Araújo

toni 1

A melhor análise sobre o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2006 ouvi de Nasi Valadão, o vocalista do Ira!, mais tarde apontado como louco pela família e pelo resto da banda.

Ele disse que as duas laterais do Brasil deveriam ser desapropriadas para fins de reforma agrária, por improdutivas. Sugeriu até que fossem ocupadas pelo MST.

A metáfora perfeita era para dizer que os laterais Cafu e Roberto Carlos já tinham dado o que haveriam de dar com a amarelinha.

De fato foi o que se viu – enquanto Roberto Carlos ajeitava o meião, Thierry Henri dava um tapa na bola e no sonho do hexa.

Algumas vezes quando atravesso a BR-101 no início da manhã, no sentido Parnamirim-Natal, com seus milhares de carros, lembro da tal história do Nasi. Por quê? Não sei.

Não é que aquele trecho precise ser desapropriado, por desuso.

Ao contrário: só existe ele. Por isso, trafegam por ali centenas ou milhares de carros.

Nos horários de pico, motoristas viram heróis pacientes.

Quando o trânsito segue lento já é chato, ainda que flua na sua lerdeza – mas e quando há um acidente, o menor que seja? O engarrafamento se forma quilométrico, problemático – os carros, quelônios impacientes.

Parnamirim cresceu a ponto de parecer mais um bairro de Natal. Por mês, centenas – ou seriam milhares – de novos veículos são incorporados ao já tumultuado trânsito. Os bairros da Zona Sul de Natal incham.

No entanto, as avenidas para dar vazão a tanto carro permanecem as mesms de décadas atrás, salvo uma ou outra obra pontual e talvez por isso rapidamente defasada.

Navego pela BR-101 lembrando das laterais da seleção brasileira na Copa de 2006, aquelas avenidas largas e em completo desuso, e lamentando espaços assim no tráfego urbano de cada dia.

Na trilha sonora da minha cabeça, também lembro Toni Tornado: “Há um foguete/ Rasgando o céu, cruzando o espaço/ E um Jesus Cristo feito em aço/ Crucificado outra vez”. Mas a gente corre – diz ele, calça boca larga, sapato cavalo de aço – é na BR-3.

TALESE
Estava lendo “Vida de Escritor”, de Gay Talese. Dei um tempo. O cara é fera, não se discute. Mas era abrir jornal, site, ver programa de TV, coluna de jornal ou ler qualquer estudioso de comunicação e deparar ou com uma entrevista ou uma análise sobre o estilo Talese de ser. Vou dar um tempo para depois retomar o livro.

TALESE II
A síndrome Talese pegou também Alberto Dines, que analisou a presença freqüente do jornalista norte-americano nos jornais brasileiros. Dines anotou até algumas besteiras ditas por Talese durante sua visita ao Brasil, como atribuir a onda atual de proliferação de seções de fofoca nos jornais à presença feminina nas redações. Este SP disponibilizou o texto de Dines.

TALESE III
Troquei Talese, por ora, por Joel Silveira. No seu “A feijoada que derrubou o poder”, como nos outros, o Víbora exercita o mesmo jornalismo literário. O texto que trata do bombardeio, por submarinos alemães, de navios brasileiros em 1942 é um dos bons momentos do livro.

LEAD
O que fazem ou fizeram Joel Silveira, Gay Talese e um punhado de outros bons jornalistas? Esquecer essa história de lead e contar, bem, uma história.

LEAD II
Trocando em miúdos: aos poucos, a tal forma de produzir um jornalismo de maneira mais técnica – com a tal pirâmide invertida – parece perder espaço para o bom texto – bem escrito, bem encadeado, com recursos da literatura. Será isso mesmo? O lead, claro, não vai acabar, principalmente por causa da internet, que exige rapidez e concisão, mas como é bom notar essa procura pelo texto jornalístico dito literário, por novas formas de dizer, bem dito, uma notícia.

LEAD III
Perceber essa paixão dos coleguinhas por gente no naipe de Gay Talese numa época em que o jornalismo mundial festeja “vantagens” como rapidez e outras facilidades proporcionadas pela tecnologia não deixa de ser, também, curioso.

TALESE
A análise feita por Nelson Patriota,confesso, me encheu de vontade de retomar a leitura de Vida de Escritor. Mas o melhor livro de Talese é mesmo “Fama e Anonimato”.

JOSÉ MAURO

Boa a lembrança do leitor Janilson, neste SP, faz algum tempo. Dia 25 de julho fez 25 anos da morte de José Mauro de Vasconcelos. Via Abimael, tenho quase todos os livros dele. “Doidão” é massa. Resgata uma Natal dos anos 40/50 – ou por aí – e revela a nós, por exemplo, como era a diversão, as alegrias e as tristezas, enfim, da meninada daquele tempo.

JOSÉ MAURO II
Brinco que José Mauro de Vasconcelos é nosso John Fante.

COR

Faz tempo, mas deixo o registro. Na polêmica toda que se criou após aquela mensagem do humorista Danilo Gentili, do CQC, no twitter, apontada como preconceituosa, a melhor sacada foi a de outro humorista, o Helio de La Peña, dos Cassetas: sem querer opinar, disse: “vocês que são brancos que se entendam”.

Comentários fechados.

AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

    mais informações »

  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

    mais informações »

  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    No bar
    08-02-2012 às 22:17 - 7 Comentários
    Por Jairo Lima

    Chegaste a mim não como lume
    Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
    E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
    E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa

    Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas

    E eu te vi.
    Te vi como se vê mares e dunas
    Como coisas que são sem oráculos nem seitas
    Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
    Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
    E parecia que contigo aquela noite estava feita

    Te vi coxas, riso, ombros e mãos
    Perdidos entre afago e maldição

    Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
    Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce

    Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
    Se colam, se penetram, se invadem;
    Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
    Destruindo colheitas

    Aquela noite só prometia suores
    Conquistados a cada beijo
    Os latifúndios do desejo
    Eram cada vez maiores

    (———–)

    Vim de longe
    Em hora incerta
    Vim de lunas
    Vim de céus perfurados de estrelas
    Vim de amores submersos em dores e desfeitas
    Para que celebrasses a consagração bizarra
    Que faz a carne virar pão
    O sangue virar vinho
    E a cama virar mesa
    Onde a fome dispõe as suas facas
    Para cortar as carnes e sugar a seiva

    (—————–)

    ******

    Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
    1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
    Não sei
    2. E porque voltou a envia-los agora.
    Sei lá.

    COMENTÁRIOS

    • Fernando: Nossa, nunca li um artigo tão fraco como esse, nunca vi tantas falácias coligidas em um artigo de um abortista (não nos parece um jornalista, já que demonstra nada ter lido efetivamente sobre o aborto). Vejamo-las: 1) Aborto não é questão de controle populacional: mentira. Basta ver a origem da defesa do aborto nos EUA e basta ver quem financia o aborto ainda hoje. Para quem nada sabe do assunto, estudar a história das fundações Rockefeller, MacArthur e Ford pode ajudar. 2) Aborto é "direito reprodutivo". Direito??? Que absurdo! Além do absurdo, o termo maldosamente forjado para induzir a erro é incoerente: como pode um "direito reprodutivo" tirar uma vida? Ah, tem dúvida se é vida humana? Por favor, dá uma olhadinha aqui: abort67.com.uk 3) Ó loucura... "atendimento de qualidade" e "sem preconceito" do Estado para ajudar uma mulher a matar o próprio filho. Quanto amor, quanta bondade! Quer saber? Chega de ironia, falemos a verdade: que nojo, quanta hipocrisia! Por que não propor educação sexual para valorização da mulher, do corpo, do próprio sexo, ao invés de louvar o sexo irresponsável que gera vida e que deve terminar em assassinato "de qualidade" e "sem preconceito"? Repito, gritando: QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA HIPOCRISIA ASSASSINA MENTIROSA travestida de luz. Típico de quem quer fazer o mal. 4) Ah, o velho conceito da luta de classes para transformar o assassinato de bebês em "questão de saúde pública": mulher rica aborta com segurança, mulher pobre aborta e morre. MENTIRA HORROROSA!! Uma simples consulta ao SUS desmistifica essa mentira. O aborto como causa de morte de mulheres está LONGE, MUITO LOOOOOOOOOOONGE de ser questão de saúde pública. Mas é claro que este abortista (jornalista? Não... já não resta dúvida) está mal informado, lendo pesquisas financiadas pelas ONGs abortistas que sabidamente MENTEM para jornalistas divulgando números falsos que eles irresponsavelmente repassam para pressionar a opinião pública. Deem uma olhadinha aqui (é só uma das evidências...): http://boletimfedf.blogspot.com/2011/03/os-controversos-numeros-do-aborto-e.html 5) Como é fácil ter opinião diferente sobre o feto quando você não foi abortado, né japonesinho? Que lindo que soa aos ouvidos menos instruídos "direito sobre o próprio corpo". Que sorte a sua que sua mamãe (e seu papai, coitado! Não o reduza a nada! Ele também quis que você viesse ao mundo... Como você pode tirar dele o direito de amar você?) - que sorte que ela não pensou como você!! Afinal, seu corpinho não era nada, não é? Era uma unha encravada da mamãe, não é? Se você tem dúvida sobre "que corpo" é mutilado, se o da mamãe ou o do bebê, recomendo novamente este videozinho instrutivo: abort67.com.uk 6) Ave, e o que dizer da tese - histérica - de que "religiosos estão se intrometendo na questão!!! O Estado é laico!!" Será que não existe um ateuzinho que não concorde com a matança de bebês? Acho que existem sim. Muitos. Mas é mais fácil ser ignorante (ou maldoso) e criar uma guerra religiosa. Abjeta, como aliás têm sido todos os supostos "argumentos" até aqui para defender a matança de bebês gerados irresponsavelmente. 7) E o autor - que por sinal demonstra ter um elevadíssimo autoconceito, um amor-próprio no mínimo... doentio, para usar um eufemismo - ainda tem o fingimento de se apresentar aos leitores como alguém que está preocupado com a dignidade alheia, quando se acha no direito de decidir quais dos mais novos membros da espécie humana devem ou não viver. Como é triste a cegueira humana! É surpreendente até que ponto alguém ensimesmado consegue perder a noção da realidade! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: É, Alex de Souza... "seus corpos" - abort67.com.uk - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • chico m guedes: coisas de Jairo eu sempre me pego lendo em voz alta; é quase táctil (quase?) - No bar
    • Daniel Menezes: Ótima reflexão. - Yoani Sánchez, a direita e a esquerda
    • Jairo Lima: Brigado, Nina, sou leitor atento e empolgado de tua poesia. - No bar
    • Anchieta Rolim: Marcos Silva, caso tenha interesse dê uma olhada nesse blog: araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com Um abraço! - Ai Hay Hai
    • Marcos Silva: Aprendi a sentir Anne como mais que irmã, pedaço de mim, essas coisas que uns e outros consideram sentimentais mas são apenas sentimentos que nos diferenciam dos computadores. Grande beijo. - Ai Hay Hai
    • Anchieta Rolim: Gostei muito da matéria. E pra quem interessar, segue o blog do meu amigo João Carlos Wisnesky que foi um dos guerrilheiros do Araguaia e que ainda continua sua luta para esclarecer esse fato histórico. araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com - À sombra da ditadura
    • Nina Rizzi: Gosto muito. E o meu gostar tem a pretensão dos desejos mais pungentes. Um beijo :) - No bar
    • Anne Guimarães: Marcos meu menino... Na vida só a alegria embeleza a alma. Beijocas por estes versos! :) - Ai Hay Hai